150. 150. Em Nazaré na casa da Mãe,a qual deverá seguir o Filho.
30 de abril de 1945.
150.1 Jesus está sozinho. Caminha ligeiro pela estrada mestra, que passa perto de Nazaré e entra na cidade, dirigindo-se para a sua casa. Quando está próximo dela, vê sua Mãe, que por sua vez, também está indo para casa, tendo a seu lado o sobrinho Simão, que está carregado de feixes de gravetos. Jesus a chama:
– Mãe!
Maria se vira, exclamando:
– Oh! Meu bendito Filho!
E ambos correm um para o outro, enquanto Simão, tendo colocado no chão os seus feixes, imita Maria, dirigindo-se para o primo, a quem saúda cordialmente.
– Minha Mãe, Eu vim. Estás contente agora?
– Muito, meu Filho. Mas… se for só porque eu te pedi é que, eu te digo que não te é permitido seguir a voz do sangue, mais do que a de tua missão.
– Não, Mãe. Eu vim também para outras coisas.
– Então é verdade mesmo, meu Filho? Eu achava, eu queria achar que fossem palavras mentirosas e que Tu não fosses odiado tanto…
As lágrimas estão nas palavras e nos olhos de Maria.
– Não chores, Mãe. Não me dês este sofrimento. Eu preciso do teu sorriso.
– Sim, Filho, sim. É verdade. Tu vês tantos rostos duros de inimigos, que tens necessidade de muito amor e sorriso. Mas aqui, estás vendo? Aqui há quem te ama por todos…
Maria, que se apoia levemente no Filho, que a segura abraçada pelas costas, vai caminhando lentamente para casa, e procura sorrir, para tirar todo o sofrimento do coração de Jesus.
Simão tornou a apanhar os seus feixes e caminha ao lado de Jesus.
– Estás pálida, Mãe. Fizeram-te sofrer muito? Estiveste doente? Tens-te cansado muito?
– Não, Filho. Não. Não tive nenhum sofrimento. A única pena foi a de estares longe e não seres amado. Mas aqui, comigo, todos são muito bons. Não falo da Maria e do Alfeu; esses Tu sabes que são. Mas até Simão, estás vendo como ele é bom? É sempre assim. Tem sido a minha ajuda nestes meses. Agora me abastece de lenha. É muito bom. E José também, sabes? Tantos pensamentos bondosos para com a sua Maria.
– Deus te abençoe, Simão e também abençoe ao José. E, que ainda não me ameis como ao Messias, Eu vo-lo perdoo. Oh! Mas vireis ao amor de Mim, o Cristo! Mas, como poderia Eu perdoar-vos, se não a amásseis?
– Amar Maria é uma justiça e uma paz, Jesus. Mas Tu também és amado… só que nós tememos muito por Ti.
– Sim. Vós me amais humanamente. Ireis ter o outro amor.
– Mas Tu também, meu Filho, estás pálido e emagrecido.
– Sim. Pareces mais velho. Eu também o estou vendo –observa Simão.
150.2 Entram em casa e Simão, tendo posto os feixes em seu lugar, retira-se discretamente.
– Filho, agora que estamos sós, diz-me a verdade. Toda a verdade. Por que foi que te expulsaram?
Maria fala, conservando as mãos sobre os ombros do seu Jesus e olha fixamente para o seu rosto emagrecido.
Jesus tem um sorriso doce e cansado:
– Porque procurava levar o homem à honestidade, à justiça, à verdadeira religião.
– Mas quem te acusa? O povo?
– Não, Mãe. Os fariseus e os escribas, com exceção de alguns justos entre eles.
– Mas que fizeste para atrair as acusações deles?
– Disse a verdade. Não sabes que é o maior erro, junto aos homens?
– E que terão podido dizer para justificar suas acusações?
– Mentiras. As que sabes e outras mais.
– Dize-as à tua Mãe. E põe toda a tua dor no meu seio. Um seio de mãe está acostumado com a dor, e fica feliz em passar por ela, contanto que possa tirá-la do coração do filho. Dá-me a tua dor, Jesus. Põe-te aqui, como quando eras pequenino, e deixa aqui toda a tua amargura.
Jesus se assenta em um banquinho aos pés de sua Mãe e conta tudo o que aconteceu naqueles meses na Judeia. Sem rancor, mas sem encobrir nada.
Maria o acaricia nos cabelos, com um heroico sorriso nos lábios que luta contra o brilho das lágrimas, que estão em seus olhos azuis.
Jesus fala também da necessidade de aproximar-se das mulheres para redimi-las e o pesar que sente por não poder fazê-lo, devido à maldade humana.
Maria concorda e depois decide:
– Filho, não me deves negar o que eu quero. De agora em diante, eu irei Contigo, quando fores para longe. Em qualquer tempo e estação. E em qualquer lugar. Eu te defenderei da calúnia. Só a minha presença fará cair a lama. E Maria virá comigo. Ela o deseja muito. Isto se torna necessário junto do Santo e contra o demônio e o mundo: o coração das mães.