313. 313. Preparação para partida de Nazarédepois da visita de Simão de Alfeu com a família.No terceiro ano Jesus será o justo.
29 de outubro de 1945.
313.1 João, Tiago, Mateus e André já chegaram a Nazaré, e, à espera de Pedro, vão dando voltas pelo jardim de Nazaré, brincando com Marziam ou conversando entre eles. Não vejo nenhum outro, parece que Jesus está fora de casa e Maria, ocupada em seus trabalhos. Do forno que esfumaça diria está lá dentro cuidando do pão.
Os quatro apóstolos estão contentes por se verem na casa do Mestre e também o demonstram. Marziam por três vezes lhesdiz:
– Não riam assim!
E na terceira vez a recomendação é notada por Mateus, que pergunta:
– Por que, rapaz? Não é justo que estejamos contentes por estarmos aqui? Tu gozaste bastante deste lugar, não? Pois agora somos nós que o gozamos.
E lhe dá bondosamente um piparote. Marziam olha para ele, muito sério. Mas sabe calar-se.
Jesus volta em companhia de seus primos Judas e Tiago que, com muita expansão, saúdam aos companheiros dos quais estiveram separados durante muitos dias. Maria de Alfeu põe a cabeça para fora do forno, toda vermelha e enfarinhada, e sorri para os seus rapagões.
Em último lugar, está chegando o Zelotes, que diz:
– Eu fiz tudo, Mestre. Daqui a pouco, Simão estará aqui.
– Qual Simão? O meu irmão ou Simão de Jonas?
– O teu irmão, Tiago. Ele vem com toda a sua família para saudar-te.
313.2 De fato, poucos minutos depois, ouvem-se batidas na porta e um falatório muito animado anuncia a chegada da família de Simão de Alfeu, que entra por primeiro, trazendo pela mão um menininho com cerca de oito anos. Atrás dele, vem Salomé, no meio de sua ninhada.
Maria de Alfeu sai correndo para fora do quarto, onde está o forno, e beija os netinhos, toda feliz por vê-los ali.
– Então, Tu vais partir de novo? –pergunta Simão, enquanto os seus filhos já estão estreitando amizade com Marziam que, pelo que me parece, conhece bem somente o Alfeu que foi curado.
– Sim. Já é tempo.
– Mas terás ainda uns dias chuvosos.
– Não faz mal. Cada dia vamos nos aproximando mais da primavera.
– Vais a Cafarnaum?
– Com certeza, irei até lá também. Mas não logo. Agora irei para a Galiléia e outros lugares.
– Eu irei encontrar-me contigo, quando souber que estás em Cafarnaum. E Te acompanharei com a tua Mãe e a minha.
– E Eu te serei grato por isso. Por enquanto, não a abandones. Ela fica sempre sozinha. Leva-lhe os teus meninos. Lá eles não aprenderão maus costumes. Fica certo disso.
Simão fica muito corado, por causa da alusão que Jesus está fazendo a seus pensamentos passados e por causa da olhadela muito significativa de sua mulher, que parece estar dizendo-lhe: “Estás ouvindo? Bem que precisavas ouvir isso.”
Mas Simão passa de um assunto para outro, dizendo:
– Onde está a tua Mãe?
– Está fazendo pão. Ela já vem…
Os filhos de Simão, porém, não querem esperar mais, e lá se vão para o lado do forno, atrás da avó. Também, uma meninazinha, um pouco maior do que Alfeu que foi curado, sai de lá quase de repente, dizendo:
– Maria está chorando. Por que, hein, Jesus? Por que tua Mãe está chorando?
– Chorando? Oh! Querida! Eu vou até ela –diz Salomé, toda pressurosa.
E Jesus explica:
– Ela está chorando, porque Eu vou embora… Mas tu virás fazer-lhe companhia, não é verdade? Ela te ensinará a bordar, e tu a alegrarás. Tu me prometes?
– Eu também virei, agora que o pai me deixa vir, diz Alfeu, comendo um pedaço de fogaça que lhe deram.
Mas, por mais quente que o pedaço de fogaça estivesse, a tal ponto que mal o podia segurar entre os dedos, eu creio que ele está até gelado, em comparação com o calor despertado pela vergonha que chegou ao rosto de Simão de Alfeu, ao ouvir aquelas palavras de seu filhinho. E, ainda que se esteja em uma manhã de inverno até bastante fria, e com aquele ventinho do norte, que vai varrendo as nuvens do céu, mas que com seu frio atinge também nossa pele, Simão põe-se a suar, e com uma transpiração tão abundante, como se estivesse em pleno verão.
Jesus não dá nenhum sinal de ter visto aquilo, e os apóstolos simulam um grande interesse pelo que estão cantando os filhos de Simão, e assim é que termina aquele incidente, 313.3conseguindo Simão controlar-se, até ao ponto de perguntar a Jesus por que não estão presentes todos os apóstolos.
– Simão de Jonas está para chegar. Os outros virão ao meu encontro no momento oportuno. Assim ficou combinado.
– Todos?
– Todos.
– Tambem Judas de Keriot?
– Ele também.
– Jesus, vem um momento comigo –roga-lhe o seu primo Simão.
E, tendo-se afastado para o fundo da horta, Simão lhe pergunta:
– Mas sabes Tu bem quem é Judas de Simão?
– É um homem de Israel. Nada mais, nada menos.
– Oh! Não me quererás dizer que é… –e começa e excitar-se e a levantar a voz.
Mas Jesus o acalma, e, pondo-lhe a mão sobre o ombro, lhe diz:
– Ele é o que fazem dele as idéias agora em voga e aqueles que se avizinham dele. Porque, por exemplo, se aqui (e Ele destaca bem as palavras), se aqui ele tivesse encontrado todos os corações justos e as mentes inteligentes, ele não teria achado gosto em pecar. Mas ele não os encontrou. Pelo contrário, o que ele encontrou foi um ambiente completamente humano, ao qual ele se acomodou com suma facilidade para o seu eu muito humano, que vive a sonhar, tendo em mira trabalhar por Mim e em Mim como Rei de Israel, no sentido humano do termo, assim como Me sonhas e gostarias de ver e gostarias de trabalhar tu, e contigo teu irmão José e, como vós dois, Levi, o sinagogo de Nazaré, e Matatias, Simeão, Matias, Benjamim e Jacó, e fora uns três ou quatro, todos vós de Nazaré, e não só de Nazare… Ele sente dificuldade para formar-se, porque vós todos trabalhais para deformá-lo. E cada vez mais. Ele é o mais fraco dos meus apóstolos. Mas não é, por enquanto, mais do que um fraco. Ele tem bons impulsos, intenções retas e amor por Mim. Está desviado em seus modos, mas amor sempre tem. Vós não o ajudais a separar estas partes boas das partes que não são boas, e que formam o eu dele, e vós sempre as piorais, jogando dentro delas as vossas incredulidades e limitações humanas. 313.4Mas, vamos agora para casa. Os outros já foram na nossa frente…
Simão o acompanha, um pouco humilhado. Já estão quase na soleira, quando ele detém Jesus, e lhe diz:
– Meu irmão, estás com raiva de mim?
– Não. Mas estou procurando formar a ti também, como formo todos os outros discípulos. Não disseste que querias ser?
– Sim. Mas das outras vezes não falavas assim nem mesmo quando censuravas alguém. Falavas com mais doçura…
– E para que serviu? Antes, Eu assim fazia. Há dois anos que Eu vinha fazendo assim… Sobre a minha paciência e bondade vós vos deitastes, ou melhor, afiastes vossos dentes e garras. O amor vos serviu para Me fazerdes mal. Não é isso mesmo?
– É isso mesmo, é verdade. Mas então, não serás mais bom?
– Eu serei justo. E, mesmo sendo assim, serei sempre como vós não mereceis, vós de Israel, que em Mim não quereis reconhecer o Messias prometido.
313.5 Entram no pequeno quarto, tão cheio de pessoas que muitas tiveram que ir para a cozinha ou para a oficina de José. E estes últimos são os apóstolos, menos os dois filhos de Alfeu, que ficaram com sua mãe e a cunhada, às quais se une Maria, que entra segurando pela mão o pequeno Alfeu. No rosto de Maria há claros sinais de lágrimas derramadas.
Mas, enquanto ela está para responder a Simão, que lhe garante vir à casa dela todos os dias, pela rua estreita vem vindo um pequena carroça, com um chocalhar tão forte de guizos que, com aquele barulhão todo, chama a atenção dos filhos de Alfeu e, enquanto os do lado de fora estão batendo, no mesmo instante já estão abrindo os que estão do lado de dentro. Aparece o rosto alegre de Simão Pedro, ainda sentado na carroça, e que está batendo com o cabo do chicote… A seu lado, tímida mas sorridente, está Porfíria, sentada sobre umas caixas e caixinhas, como se estivesse sobre um trono.
Marziam corre para fora e vai subir na carroça para ir saudar sua mãe adotiva. Saem também os outros, entre os quais está Jesus.
– Mestre, eis-me aqui. Eu trouxe a mulher, e por este meio, porque é uma mulher que não agüenta fazer a viagem a pé. Maria, o Senhor esteja contigo. E também contigo, Maria de Alfeu.
Ele olha para todos, enquanto vai descendo do seu veículo. Ajuda a mulher a descer, enquanto vai saudando a todos, ao mesmo tempo.
Querem todos ajudá-lo a descarregar a carrocinha. Mas ele se opõe energicamente:
– Depois, depois –diz ele.
E, em seguida, sem mais cerimônias, vai até à porta larga da oficina de José e a abre completamente, procurando fazer passar por ela a carrocinha como ela está. E, naturalmente, não dá para passar. Aquela manobra serve para distrair os hóspedes e fazê-los entender que eles estão sendo demais… De fato, Simão de Alfeu já está se despedindo com toda a sua família.
313.6 – Oh! Agora que estamos sós, vamos pensar em nós… –diz Simão de Jonas, fazendo andar para trás o burrinho, que faz um barulho por dez, coberto como está de guizos, a tal ponto que Tiago de Zebedeu não se pode conter sem que pergunte, rindo:
– Mas onde foi que o encontraste tão bem arreado?
Enquanto isso, Pedro está ocupado em pegar as caixas que estão na carroça e as ir entregando a João e a André, os quais acham que terão que arcar com o peso delas, mas ficam decepcionados por serem as caixas muito leves, e eles o dizem…
– Ide com elas à horta, e não fiqueis espantandos –ordena Pedro, que já vai descendo, por sua vez, com uma caixinha, ela, sim, bastante pesada, e que ele vai pôr em um canto do pequeno quarto.
– E agora, o burrinho e a carroça!… O burrinho e a carroça? O burrinho e a carroça!… Isto é que é o difícil!… E, no entanto, é preciso que tudo fique em casa…
– Vai para a horta, Simão –diz Maria em voz baixa–. Lá existe uma passagem na sebe do fundo. Ela não parece estar 1á, porque está coberta pelos ramos… Mas está. Acompanha o caminho pelo lado da casa, entre esta e a horta, que está aí perto, que eu irei te mostrar onde é que está a passagem… Quem é que vai afastar os ramos que a cobrem?
– Eu. Eu.
Todos correm para o fundo da horta, enquanto Pedro lá se vai com sua barulhenta equipagem e Maria de Alfeu fecha a porta… E, fazendo uso de uma pequena foice, vai livrando dos ramos a cancela rústica, e abrindo o espaço suficiente para a passagem do burrinho e da carroça.
– Oh! Que bom! E agora vamos tirar tudo isso. Estou com os ouvidos estourados!
E Pedro se apressa em cortar os laços, que conservam amarrados os guizos no arreio.
– Mas, para que foi que os puseste aí, então? –pergunta-lhe André.
– Para que toda Nazaré percebesse que eu estava chegando. E agora eu o consegui… Agora eu os estou tirando para que toda Nazaré não perceba, quando nós estivermos partindo. Eu coloquei as caixas vazias… Mas nós partiremos com as caixas cheias, e ninguém, se algum deles nos vir, ficará espantado por ver uma mulher sentada sobre as caixas, a meu lado. Os que são de longe se gabam de ter bom senso e senso prático. Mas, quando quero, também eu tenho…
– Desculpa, meu irmão. Para que é necessário tudo isso –pergunta-lhe André, que já deu de beber ao burrinho, levando-o depois para o rústico depósito de lenha, que fica perto do forno.
– Por quê? Mas, então, não sabes?… Mestre, mas eles não sabem ainda de nada?
– Não, Simão. Eu estava te esperando para falar. Vinde todos à oficina. As mulheres estão bem, lá onde estão. E tu fizeste bem em fazer assim, Simão de Jonas.
313.7 Eles vão para a oficina, enquanto Porfíria, com o menino e as duas Marias, ficaram em casa.
– Eu vos quis aqui, porque me deveis ajudar a fazer que vão embora para muito longe João e Síntique. Desde a festa dos Tabernáculos é que Eu decidi fazer assim. Vós já vistes bem que não era possível conservá-los conosco, nem mesmo aqui, a não ser que quiséssemos perturbar a paz deles. Como sempre, é Lázaro de Betânia que me está ajudando neste assunto. Eles já foram avisados. Simão Pedro ficou sabendo, faz poucos dias. E vós o ficais sabendo agora. Esta noite estaremos deixando Nazaré. Ainda que haja chuva e ventania, pois estamos na Lua crescente. Nós já deveriamos ter partido. Mas suponho que Simão de Jonas tenha tido dificuldades para achar o transporte…
– E como! Eu já estava sem esperança de achá-lo. Mas finalmente comprei-o de um grego sujo de Tiberíades… E vai ser útil…
– Sim. Vai ser util, especialmente para João de Endor.
– Onde é que está ele, que não se vê? –pergunta Pedro.
– Está no quarto dele com Síntique.
– E… como foi que ele recebeu a decisão? pergunta ainda Pedro.
– Com muita tristeza. A mulher também…
– E Tu também, Mestre. A tua fronte está marcada por uma ruga, que antes não tinha, e estás com uns olhares sérios e tristes –observa João.
– É verdade. Estou sentindo muito… 313.8 Mas vamos falar do que devemos fazer. Prestai-me bem atenção, porque depois iremos separar-nos. Partiremos esta tarde, lá pela metade da primeira vigília1.
Partiremos como pessoas que estão fugindo… porque são culpadas. Mas, ao contrário, nós não estaremos indo fazer o mal nem fugindo por tê-lo feito. Mas daqui nós nos vamos para impedir que outros o façam a quem não teria força para suportá-lo. Portanto, partiremos. Iremos pela estrada de Séforis… Permaneceremos em uma casa, na metade do caminho, para continuarmos depois, ao romper do dia. É uma casa que tem muitas séries de pórticos para os animais. Lá estão os pastores amigos do Isaque. Eu os conheço. E eles me hospedarão sem exigirem nada. Depois, precisaremos fazer esforço para chegarmos até Jeftael, já de tarde, e lá determo-nos. Achas que o animal vai agüentar?
– E, como não? Eu tive que pagá-lo àquele grego sujo, mas recebi dele um animal bom e forte.
– Então, está bem. Na manhã seguinte, iremos para Ptolemaida, e lá nos separaremos. Vós, sob a guia de Pedro, que é o vosso chefe e a quem devereis obedecer cegamente, ireis por mar até Tiro. Lá encontrareis um navio, que vai para Antioquia. Subireis a bordo dele, entregando esta carta ao capitão do navio, para que a leia. É uma carta de Lázaro de Teófilo. Vós passareis por servos dele, mandados por ele às suas terras de Antioquia, ou melhor, aos seus jardins de Antigônio. Assim vós sereis considerados por todos. Sabei estar atentos, sérios, prudentes e silenciosos. Quando chegardes a Antioquia, ide logo a Filipe, que é o intendente de Lázaro, e ao qual entregareis esta carta…
– Mestre, ele me conhece –diz o Zelotes.
– Muito bem.
– E como vai acreditar que eu seja um servo?
– Quanto a Filipe, não é preciso. Ele sabe que deve receber e hospedar dois amigos de Lázaro, e ajudá-los em tudo. Isto está escrito. E vós os acompanhastes. Nada mais do que isso. Ele vos chama de “meus caros amigos da Palestina.” E isto é o que vós sereis, unidos pela fé. e no desempenho da ação que estareis realizando. Descansareis até que o navio, depois de ter terminado as operaçoes de carga e descarga, torne a partir para Tiro. De Tiro, com a barca, ireis a Ptolemaida, e de lá Me ireis encontrar em Aqzib…
– Por que Não vais conosco, Senhor? –suspira João.
– Porque Eu fico rezando por vós, e especialmente por aqueles po-brezinhos. Eu fico para rezar. 313.9É assim que vai iniciar-se o meu terceiro ano de vida pública. Ele se inicia com uma partida bem triste, como também foi o primeiro e o segundo. Ele se inicia com uma grande oração e penitência, como o primeiro… Porque este tem as dificuldades dolorosas do primeiro, e mais ainda. Naquele tempo Eu me estava preparando para converter o mundo. Agora, Eu me estou preparando para uma obra bem mais vasta e importante. Mas, escutai-me bem, e ficai sabendo que, se no primeiro Eu fui Homem-Mestre, o Sábio que invoca a Sabedoria com sua humanidade perfeita e sua perfeição intelectual, e que no segundo fui o Salvador e Amigo, o Misericordioso, que passa acolhendo, perdoando, compadecendo-se e suportando, no terceiro Eu serei o Deus Redentor e Rei, o Justo: não vos espanteis, pois, se virdes em Mim formas novas, se no Cordeiro virdes brilhar o Forte. Que foi que Israel me respondeu, ao meu convite de amor, ao abrir-lhe Eu os braços, dizendo “Vem, Eu amo e perdôo”? Foi com uma sempre crescente e obstinada obtusidade e dureza de coração, com a mentira e com suas ciladas. Pois bem. Assim seja. Eu o havia chamado, em todas as suas classes, inclinando minha fronte até o pó. E, sobre essa Santidade, que se humilhava, ele ainda escarrou. Eu o havia convidado a santificar-se. E ele me respondeu, endemoninhando-se. Eu cumpri o meu dever, em tudo. E ele chamou o meu dever de “pecado”. Eu calei-me. E ele tomou o meu silêncio por culpabilidade. Eu falei. E ele chamou a minha palavra de blasfêmia. Agora basta! Ele Não me deixou respirar. Não me concedeu nenhuma alegria. E a alegria para Mim consistia em fazer que Eu crescesse na vida espiritual dos recém-nascidos para a Graça. São-lhes armadas ciladas, e eles vêm a Mim, que os devo tirar do meu peito, causando a eles e a Mim a angústia que sentem os progenitores e os filhos separados uns dos outros, a fim de colocá-los a salvo de um Israel malévolo. Eles, os poderosos de Israel, que se dizem os “santificadores”, e se gabam de o serem, impedem a Mim e gostariam de impedir-me de salvar e de alegrar-me com os salvos por Mim. Eu tenho, há muitos e muitos meses um Levi publicano em minha amizade e a meu serviço, e o mundo pode ver se Mateus é um escândalo, ou uma emulação. Mas a acusação continuará a ser feita: e continua a ser feita por causa de Maria de Lázaro e de tantos e tantos outros, que Eu salvarei. Agora, basta! Eu vou indo pelo meu caminho sempre áspero e molhado pelo pranto… Eu vou… Nenhuma de minhas lágrimas cairá em vão. Elas gritam ao meu Pai… E depois, haverá de gritar um outro humor bem mais poderoso. Eu vou. Eu não me detenho. Quem me ama, que me siga, e tenha coragem, porque vêm-se aproximando as horas da dureza. Eu não me detenho. Nada me faz parar. Eles também não pararão… Mas, ai deles! Ai deles! Ai daqueles por cuja causa o Amor tem que virar Justiça!… O sinal do novo tempo vai ser o de uma Justiça severa para todos aqueles que estão obstinados no seu pecado contra as palavras do Senhor e contra a ação do Verbo do Senhor!…
313.10 Jesus está parecendo um arcanjo punidor. Eu diria que Ele está em chamas, contra a parede enfumaçada, de tanto que seus olhos estão brilhando… Parece que Ele brilha até em sua voz, que está com sons agudos como os do bronze e da prata, quando nesses metais se bate com violência.
Os oito apóstolos estão pálidos e como que diminuídos pelo temor. Jesus olha para eles… Com piedade e amor. E diz:
– Não digo isto para vós, meus amigos. Não são para vós estas ameaças. Vós sois os meus apóstolos, e Eu vos escolhi.
Sua voz se torna doce e profunda. E Ele termina:
– Vamos até lá. Vamos fazer que os dois perseguidos ouçam — e Eu vos lembro que eles crêem que estão partindo para irem preparar-me o caminho em Antioquia — que nós os amamos mais do que a nós mesmos. Vinde…
1 lá pela metade da primeira vigília pode corresponder, em nossos tempos, às sete / oito da noite. O dia judeu corria de sol a sol a sol e foi dividido em duas partes. A primeira parte do dia e da noite, consistia em quatro vigílias de três horas. (Galicinio, o que significa canto do galo, foi o nome dado à terceira vigília). A segunda parte do dia, a diurna, incluía as restantes 12 horas. Uma vez que as duas partes do dia foram regulamentadas, respectivamente, do pôr do sol e do nascer do sol, o comprimento do tempo das horas noturnas (agrupados em vigílias) e das diurnas variavam de uma estação para outra.
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