169. 169. Primeiro Discurso da Montanha:a missão dos apóstolos e dos discípulos.


22 de maio de 1945.

169.1 Jesus está andando sozinho ligeiro, por uma estrada principal. Vai na direção de um monte, que é bom descrever, porque somente com um gráfico, creio que não conseguirei. O gráfico1 é assim:

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Portanto, este monte, que se ergue perto da estrada principal, que sai do lago para o oeste, depois de um certo trecho, tem o seu começo propriamente dito com uma elevação pequena e suave, que se prolonga a uma grande distância. Ela está num planalto, do qual se pode ver o lago e a cidade de Tiberíades ao sul, e outras, elevadas, menos belas, ao norte. Depois, o monte começa a erguer-se de modo bem acentuado, até terminar num pico, para depois abaixar-se de novo formando um outro pico semelhante, tomando a forma curiosa de uma sela.

Jesus começa a subida para o planalto por uma vereda ainda bastante aprazível, chegando a um pequeno lugarejo, cujos habitantes com certeza cultivam esse pequeno altiplano onde o trigo está começando a soltar espigas. Jesus atravessa o povoado, depois continua a andar entre os campos e os prados, todos cobertos de flores e de frutos, carregados para a futura colheita.

O dia está sereno e mostra as belezas na natureza circunvizinha. Além da montanha solitária, para a qual Jesus se dirige, vê-se, ao norte, o cume imponente do Hermon, cujo pico parece uma enorme pérola, posta sobre uma base de esmeraldas, de tão alvo que é aquele pico, encapuzado de neve, enquanto a encosta se mostra verde, por causa dos bosques que a cobrem. Depois do lago, até o Hermon, está a planície verde do lago Meron, que daqui não se pode ver, há outros montes na direção de Tiberíades, no lado ocidental. Mais montes que se esboçam ao longe e outras planícies suaves. Ao sul, além da estrada principal, estou vendo colinas, que talvez escondam Nazaré. Quanto mais se sobe, mais a vista se espraia. Daqui não vejo o que há ao ocidente, porque o monte à frente é como uma parede.

169.2 O primeiro que Jesus encontra é o Apóstolo Filipe, que parece estar de sentinela.

– Mestre? Tu estás aqui? Nós te esperávamos na estrada. Eu estou aqui esperando os companheiros, que foram procurar leite com os pastores do lugar. Lá em baixo, na estrada, está Simão com Judas de Simão, e também Isaque e… oh! Aí vêm eles. Vinde! Vinde! O Mestre está aqui!

Os Apóstolos, que descem com frascos e odres, põem-se a correr. Os mais jovens, naturalmente, chegam primeiro. A festa que fazem ao Mestre é comovente. Finalmente, estão todos reunidos e, enquanto Jesus sorri, todos querem falar para contar…

– Nós te esperávamos na estrada!

– Tínhamos pensado que nem virias hoje.

– Há muita gente, sabes?

– Oh! Nós estávamos muito receosos, porque aí estão escribas e alguns discípulos de Gamaliel…

– Senhor! Tu nos deixaste justamente no exato momento! Eu nunca tive tanto medo como naquela hora. Não me faças mais uma brincadeira dessas!

Pedro se lamenta, e Jesus sorri, e pergunta:

– Aconteceu-vos alguma coisa de mal?

– Oh! Não! Pelo contrário…Oh! Meu Mestre! Mas, sabes que João tomou a palavra?… Parecia até que eras Tu que falavas nele. Eu… nós estávamos estupefatos… Este rapaz que, há um ano, só era capaz de jogar a rede… oh!

Pedro ainda está admirado, e sacode o sorridente João, que fica calado:

– Vede bem se é possível que este rapazinho tenha, com esta boca sorridente, dito aquelas palavras! Parecia Salomão.

– Também Simão falou bem, meu Senhor! Ele portou-se mesmo como o “chefe” –diz João.

– Claro! Ele me pegou, e me pôs lá… Dizem que eu falei bem. Que seja. Eu não sei… porque, entre o espanto pelas palavras de João e o medo de falar no meio de tanta gente, e obrigar-Te a fazer uma triste figura, eu estava desorientado…

– De obrigar-me a fazer feio? A Mim? Mas, se eras tu que estavas falando, a triste figura tu é que a terias feito, Simão –provoca-o Jesus.

– Oh! Por mim… Não me importava comigo mesmo. Eu não queria é que escarnecessem de Ti, como de um tolo, por haveres tomado um idiota para ser teu apóstolo.

Jesus está radiante de alegria por causa da humildade e do amor de Pedro. Mas pergunta somente isto:

– E os outros?

– O Zelota também falou bem. Mas ele… já se sabe. Este aqui é que foi a surpresa! Pois agora, desde que estivemos naquela oração, o rapaz parece estar sempre com a alma no Céu.

– É verdade. É verdade.

Todos confirmam as palavras de Pedro. Depois continuam a contar.

– Sabes de uma coisa? Agora há dois discípulos que, segundo o parecer de Judas de Simão, são muito importantes. Judas está sempre muito ocupado. É natural. Ele conhece muitos daqueles que estão no alto e sabe lidar com eles. Gosta de falar… E fala bem. Mas o povo prefere ouvir Simão, e aos teus irmãos e, sobretudo, este rapaz. Ontem ainda, um homem me disse: “Como fala bem este jovem — era de judas que estava falando —, mas eu prefiro a ti.” Oh! Coitado! Preferir logo a mim, que só sei dizer quatro palavras!… Por que é que vieste por aqui? O lugar combinado para o nosso encontro era lá na estrada onde ficamos.

– Porque eu sabia que vos teria encontrado aqui. 169.3Agora escutai. Descei e ide dizer aos outros que venham. Também aos discípulos conhecidos. Que o povo não venha hoje. Quero falar somente a vós.

– Então, é melhor deixar tudo para a tarde. Quando o sol já está se pondo, o povo costuma espalhar-se pelas aldeias vizinhas, e volta na manhã seguinte, para ficar te esperando. Se não… quem vai poder deter esse povo?

– Está bem. Façam assim, então. Eu vos fico esperando lá no cume. As noites já não estão frias. Poderemos dormir até ao ar livre.

– Onde quiseres, Mestre. Basta que estejas conosco.

Os discípulos se afastam, e Jesus começa de novo a subir até o cume, que é aquele já visto na visão do ano passado2, no fim do Sermão da Montanha, no primeiro encontro com a Madalena. O panorama vai-se tornando ainda mais amplo, à medida que vai ficando mais iluminado pelo pôr-do-sol que está começando. Jesus se assenta sobre uma pedra e se recolhe em meditação. E fica assim, até que o barulho dos passos na vereda começam a fazê-lo perceber que os apóstolos já estão de volta. A tarde já chegou. Mas, naquela altitude, o sol ainda continua a extrair odores de todas as ervas e pequenas flores. Os lírios selvagens têm um cheiro forte, e os altos pedúnculos dos narcisos estão projetando para fora as suas estrelas e seus botões, como se quisessem atrair as orvalhadas.

Jesus se põe de pé, e saúda com a sua saudação de costume:

– A paz esteja convosco.

Muitos são os discípulos que vão subindo com os apóstolos. Isaque vai à frente deles, com o seu sorriso de asceta brilhando em seu rosto delgado. Todos se ajuntam ao redor de Jesus, que agora está saudando, de um modo particular, Judas Iscariotes e Simão, o Zelota.

– Quis que viésseis todos comigo, para estar algumas horas convosco e para falar a vós somente. Tenho algumas coisas para dizer-vos, a fim de preparar-vos, sempre melhor, para a missão. Vamos tomar a refeição, e depois falaremos. Assim, durante o nosso sono, nossas almas continuarão a saborear a doutrina.

Terminam a ceia frugal e depois se ajuntam em círculo ao redor de Jesus, que se assentou em uma grande pedra. São eles mais ou menos uma centena, talvez até mais, somando os discípulos e os apóstolos. Uma coroa de rostos atentos, que as chamas de dois fogos iluminam, dando-lhes um ar misterioso.

169.4 Jesus fala baixo, fazendo gestos calmos, com um rosto que está parecendo mais branco, porque está em realce pelo azul escuro de sua veste, exposta ao fraco luar da lua nova, que vem subindo justamente ao lado do Senhor, uma lua ainda parecendo uma pequena vírgula no céu, ou uma pequena lâmina de luz acariciando o Senhor do Céu e da terra.

– Eu vos quis aqui, assim em particular, porque vós sois os meus amigos. Eu vos chamei, depois da primeira prova feita pelos doze, tanto para ampliar o círculo dos meus discípulos ativos, como também para ouvir de vós as primeiras reações do serdes dirigidos por quem Eu vos dou como meus continuadores. Sei que tudo correu bem. Eu apoiava as almas dos apóstolos com minha oração, que tinham uma nova força na mente e no coração. Uma força que não procede de estudo humano, mas do abandono completo em Deus.

169.5 Os que mais deram são os que mais se esqueceram de si mesmos. E esquecerem-se de si mesmos é uma coisa difícil. O homem é feito de recordações. As que falam mais alto são as recordações do próprio eu. É preciso fazer uma distinção. Há o eu espiritual, dado pela alma que se recorda de Deus e de sua origem em Deus, e há o eu inferior, da carne, que se recorda de mil exigências, ou de si mesma, ou das paixões. Visto serem tantas as vozes que formam um coro, que vence a voz solitária do espírito, que recorda sua nobreza de filho de Deus, se o espírito não for bem robusto. Por essa recordação santa, que é necessário estimular sempre mais, conservando-a viva e forte, como perfeitos discípulos, é preciso esquecer-se de si mesmos, de todas as suas recordações, exigências e medrosas reflexões do eu humano.

Nesta primeira prova, com os meus doze, aqueles que mais se doaram foram os que mais se esqueceram de si mesmos. Esquecidos, não só do seu passado, mas também de sua limitada personalidade.Os que não se recordaram mais do que eram, ao ponto de se unirem a Deus, e não terem medo. Medo de nada. Por que a severidade de alguns? Porque se recordaram dos seus escrúpulos habituais, de suas considerações habituais, de suas habituais prevenções. Por que o laconismo de outros? Porque eles se lembraram de suas incapacidades doutrinárias, e recearam pela sua imagem ou pela minha. Por que ainda as vistosas exibições de outros? Porque eles se lembraram de sua habitual soberba, de seu desejo de se mostrarem, de serem aplaudidos, de sobressaírem, de serem “alguma coisa.” Enfim, porque o repentino desejo de revelar-se de outros, com uma oratória rabínica, firme, persuasiva, triunfal? Porque eles, e só eles, souberam lembrar-se de Deus assim como os que até agora foram humildes e procuravam não serem observados, enfim, no momento certo, souberam assumir a dignidade do primado que lhes fora conferida, e que eles não quiseram exercer, por temor de estarem presumindo demais. As primeiras três categorias lembraram-se do eu inferior. A outra, a quarta, do eu superior, e não tiveram medo. Sentiam que Deus estava com eles, que Deus estava neles, e não temeram. Oh! Santa audácia de quem está com Deus!

169.6 Agora, pois, escutai, apóstolos e discípulos. Os apóstolos, já ouviram estes conceitos. Mas agora os entendereis, mais em profundidade. Os discípulos, não ouviram ainda, ou só ouviram fragmentos. Esculpi-os no vosso coração. Porque Eu sempre precisarei de vós, uma vez que, o rebanho de Cristo, cada vez mais, está aumentando. O mundo sempre vos atacará, crescendo nele os lobos contra Mim, e contra o meu rebanho. Eu quero pôr em vossas mãos as armas para a defesa da Doutrina e do meu rebanho. O que basta para o rebanho não é suficiente para vós, pequenos pastores. Se é compreensível que as ovelhas cometam erros, ao comerem ervas que fazem o sangue ficar amargo, ou os seus desejos tornarem-se loucos, não se pode compreender que vós cometais os mesmos erros, levando muitos rebanhos para a sua perdição. Pensai bem, onde houver um pastor ídolo que só cuida de si mesmo, as ovelhas morrem envenenadas ou assaltadas pelos lobos.

169.7 Vós sois o sal da terra e a luz do mundo. Mas, se deixásseis de cumprir vossa missão, tornar-vos-íeis um sal insípido e inútil. Nada poderia restituir-vos sabor, uma vez que Deus não vos pode dar, visto que, tendo-o recebido como dom de Deus, vós lhe tirastes o gosto, lavando-o com as águas insípidas e sujas da humanidade, adoçando-o com a corrompida doçura da sensualidade, misturando ao puro sal de Deus os detritos da soberba, da avareza, da gula, da luxúria, da ira, da preguiça, de modo que apenas um grãozinho de sal resista para cada sete grãozinhos de seus vícios. O vosso sal já não é mais do que uma mistura de pedras, onde desaparece o pobre grãozinho perdido; de pedras que gritam embaixo do dente, que deixam na boca um gosto de terra, e fazem repugnante e desagradável a comida. Nem mesmo para outros usos inferiores serve, pois seria nocivo até para qualquer outro uso humano, uma sabedoria mergulhada nos sete vícios. O sal, então, já não serve mais, senão para ser jogado fora, e pisado pelos pés descuidados do povo. Quantas, quantas pessoas vão poder pisar assim nos homens de Deus! Porque estes, que foram chamados, terão permitido que o povo descuidado pisasse neles, porque não têm mais a substância à qual se pede socorro com um sabor escolhido, de coisas do céu, mas serão apenas detritos.

Vós sois a luz do mundo. Vós sois como este cume, que foi o último a receber o sol, e é o primeiro a pratear-se com a lua. Quem está colocado no alto, brilha, e é visto, porque até o olho mais desatento para, de vez em quando, para nas alturas. O olho material, que se costuma dizer ser espelho da alma, reflete a aspiração da alma, uma aspiração muitas vezes inadvertida, mas sempre viva, enquanto o homem não for um demônio, aspiração do alto, onde a razão instintiva coloca o Altíssimo. E buscando o Céu, pelo menos alguma vez na vida, ergue os olhos para as alturas.

Eu vos peço que vos recordeis do que todos nós fazemos, desde a nossa infância, quando entramos em Jerusalém. Onde colocamos os nossos olhares? No monte Mória, coroado pelo triunfo do mármore e pelo ouro do Templo. E quando estamos dentro do recinto? Nas cúpulas preciosas que resplandecem ao sol. Tudo o que é belo no sagrado recinto, tudo o que há nos seus átrios, nos seus pórticos e pátios! Mas os olhares correm depois para cima. Ainda vos peço que vos recordeis quando se está a caminho. Para onde se dirige o nosso olho, como que para nos esquecermos das grandes distâncias do caminho, da monotonia, do cansaço, do calor ou da lama? Para os picos, mesmo se pequenos, mesmo se distantes. Com que alívio os vemos aparecer, quando estamos em uma planície plana e uniforme! Aqui há lama? Lá há esplendor. Aqui há mormaço? Lá existe frescor. Aqui há limitação para o olho. Lá há a amplidão. Basta olhar para eles, e o dia já nos parece menos quente, a lama menos pegajosa, menos triste o caminhar. Por isso, se uma cidade brilha no alto de um monte, não há olho que não a admire. Dir-se-ia que até um lugarejo fica embelezado, se se coloca, quase aéreo, no cume de uma montanha. É por isso que na verdadeira e nas falsas religiões, sempre que tenha sido possível, os templos eram postos em lugares altos e, se não havia um monte ou colina, fazia-se para eles um pedestal de pedra, construindo, às custas de braços, a elevação sobre a qual colocar o templo. Por que se faz isso? Porque se quer que o templo seja visto, para elevar, com a sua visão, o pensamento para Deus.

Igualmente, Eu disse que vós sois uma luz. Quem acende uma luz à noite em sua casa, onde a coloca? No buraco debaixo do forno? Na gruta que serve de adega? Ou fechada dentro de um cofre? Ou, simplesmente e somente, a abafamos sob o alqueire? Não. Porque, então, seria inútil acendê-la. Mas coloca-se a luz no alto de uma viga, ou pendurada em um gancho, para que estando alto, ilumine toda a sala e a todos os habitantes nela. Mas, justamente porque o que está sendo posto no alto tem a incumbência de fazer-nos lembrar de Deus, e de produzir luz, é que deve estar à altura da tarefa a ser cumprida.

169.8 Vós deveis lembrar-vos do Verdadeiro Deus. Tomai, pois, cuidado com o paganismo septiforme. Do contrário, vos tornareis lugares altos profanos, com pequenos bosques consagrados a este ou aquele deus, e arrastareis para o vosso paganismo, aqueles que vos consideram templos de Deus. Vós deveis portar a luz de Deus. Um pavio sujo, sem azeite, produz fumaça, e não luz, solta mau cheiro, não claridade. Uma luz escondida atrás de um quartzo sujo não cria a beleza esplendida, não cria o fúlgido jogo de luz sobre o lúcido mineral. Mas definha atrás do véu da fumaça escura que torna o diamantífero anteparo opaco.

A luz de Deus brilha onde há vontade de polir diariamente as escórias que o próprio trabalho, com seus contatos, e reações, e desilusões, produz. A luz de Deus brilha, onde o pavio está imerso em abundante líquido de oração e de caridade. A luz de Deus, se multiplica em infinitos esplendores, conforme são as perfeições de Deus, das quais, cada uma suscita no santo, uma virtude praticada heroicamente, se o servo de Deus conserva limpo o cristal inatacável de sua alma, longe da fumaça escura de toda fumacenta má paixão. Cristal inatacável! Inatacável! (Jesus troveja neste fechamento, e a voz ribomba no anfiteatro natural). Somente Deus tem o direito e o poder de riscar este cristal, e de escrever nele com o diamante de sua vontade, o seu Santíssimo Nome. Então, esse Nome se torna um ornamento, que provoca viva cintilação de sobrenaturais belezas, sobre o cristal puríssimo.

Mas, se o estulto servo do Senhor perdendo o controle de si, e a visão de sua missão, toda e unicamente sobrenatural, se deixa imprimir falsos ornamentos, arranhões e não incisões — misteriosas e satânicas figuras, feitas pela garra de fogo de satanás — então não, a lâmpada admirável já não resplende mais bela e sempre integra, mas se quebra e se arruína, sufocando a chama, sob os detritos do cristal quebrado, ou, se não se quebra, faz um emaranhado de sinais, de inequívoca natureza, nos quais a fuligem se deposita, e neles penetra, estragando-os.

169.9 Ai, três vezes ai dos pastores que perdem a caridade, que se recusam a subir cada dia para elevar o rebanho, que o está esperando para subir. Eu os golpearei, derrubando-os do seu lugar, apagando até o fim a sua fumaça.

Ai, três vezes ai dos mestres que rejeitam a Sabedoria, para se saturarem de uma ciência frequentemente contrária, sempre soberba, às vezes satânica, porque os faz homens, enquanto — ouví bem e acreditai —, enquanto o destino de todo homem é tornar-se semelhante a Deus, com a santificação que faz do homem um filho de Deus, o mestre, o sacerdote deveria ter, nesta terra, o aspecto de filho de Deus. De criatura, toda alma e perfeição, deveria ter o aspecto. Deveria ter, para aspirar a Deus, os seus discípulos. Maldição aos mestres de doutrina sobrenatural que se tornam ídolos de saber humano.

Ai, sete vezes ai aos mortos de espírito entre os meus sacerdotes, aos que com a insipidez, com o torpor de uma carne meio viva, com os que são cheios de alucinadas aparições de tudo o que existe, exceto do Deus Uno e Trino, cheios de cálculos de tudo, exceto do sobre-humano desejo de aumentar as riquezas dos corações, e de Deus, vivem nas coisas humanas, mesquinhas, torpes, arrastando através de suas águas mortas os que os seguem, acreditando serem “vida”. Maldição de Deus para os corruptores do meu pequeno e amado rebanho. Não àqueles que perecem por vossa negligência, ó inadimplentes servos do Senhor, mas a vós, de todas as horas e de todos os tempos, e por todas as contingências, e por todas as consequências, Eu pedirei contas e exigirei punição.

Recordai-vos destas palavras. E agora ide. Eu vou para cima. Vós ide dormir. Amanhã, para o rebanho, o Pastor abrirá as pastagens da Verdade.



1 gráfico, no qual são legíveis, além dos quatro pontos cardeais, o vilarejo da primeira elevação do monte e da passagem principal aos pés do monte. A leste, pouco legível, o início da passagem principal à margem do lago de Genezaré e Tiberíades. A nordeste, o sinal em forma de cone poderia indicar a posição do monte Hermon.
2 visão do ano passado que estará em 174.11/14.