165. 165. A eleição dos doze apóstolos.


16 de maio de 1945.

165.1 Há uma aurora embranquecendo os montes que parece suavizar esta encosta selvagem,, na qual a única voz é apenas o pequeno rio, que espuma lá no fundo do vale, e sua voz, repercutindo por aqueles montes cheios de cavernas, produz um ruído muito singular. Ali, no lugar em que os discípulos fizeram sua parada, não há mais do que um ou outro sussurro cauteloso pelo meio da folhagem e do mato: são os primeiros passarinhos, que despertam e os últimos animais noturnos, que estão voltando para suas tocas. Um grupo de lebres ou coelhos selvagens, que estavam roendo uma touceira baixa de amoreira, fogem amedrontados pela queda de uma pedra. Depois, voltam com cuidado, movendo suas orelhas para poderem captar todos os sons e, uma vez que tudo já está em paz, voltam para a sua touceira. O orvalho deu um banho em todas as copas das árvores, em todas as pedras, e agora o bosque recende com o cheiro do musgo, do poejo e da manjerona.

Um pintarroxo desce até a borda de uma caverna, para a qual serve de coberta uma saliência da pedra que se projeta no ar. Movendo sua cabecinha, bem aprumado sobre duas patinhas de seda, está prestes a fugir: olha para dentro da caverna, olha para o chão, dá um dos seus chip-chips, como se estivesse fazendo uma pergunta, como quem está com vontade de ir apanhar algumas migalhas de pão, que vê lá em baixo. Mas não se sente com coragem de descer, enquanto não vê chegar e descer um grande melro que desce à sua frente, pulando meio enviesado, ridículo no seu jeito de menino travesso e no seu perfil de velho tabelião ao qual, para ficar mais parecido, só faltam os óculos. Só então, desce também o pintarroxo, colocando-se atrás do corajoso senhor melro que, com seu bico amarelo, dá bicadas na terra úmida, numa pesquisa… arqueológica de algo que se possa comer. Depois continua, tendo antes dado um tchop, ou um breve assobio, como fazem os moleques. O pintarroxo está se empanturrando com migalhas de pão e fica assombrado, ao ver que o melro, tendo entrado sem perigo na caverna silenciosa, sai de lá com um pedaço de casca de queijo, que ele bate e rebate sobre uma pedra para esmigalhá-la, fazendo um verdadeiro banquete. Em seguida, volta para dentro, olha por toda parte, e não encontrando nada mais, dá um assobio zombeteiro,indo embora, voando, para ir terminar o seu canto no alto de um carvalho, que mergulha sua copa no azul da manhã. Então, o pintarroxo também voa, por causa de um barulho ouvido no fundo da caverna, indo pousar num ramo fino, isolado no ar.

165.2 Jesus vai até a entrada da caverna e fica esmigalhando pão, chamando baixinho os passarinhos, com um assobio modulado, que imita muito bem o pipilar deles. Depois, Ele se afasta dali, subindo um pouco, para ficar encostado numa parede rochosa, para não espantar os seus amigos, que logo começam a descer: primeiro, o pintarroxo, e depois muitos outros, de várias espécies. A imobilidade em que ficou Jesus, e também o seu olhar (eu gosto de pensar assim, porque sei por experiência que os animais, até os mais desconfiados, aproximam-se das pessoas que eles, por instinto, percebem que não são suas inimigas, mas protetoras) e fazem com que pouco a pouco, fiquem perto de Jesus, a poucos centímetros. Os passarinhos mais novos já estão dando pulinhos, e o pintarroxo, já saciado, voa para cima da pedra, à qual Jesus está apoiado e se agarra a um ramo muito fino de clematite, para se balançar sobre a cabeça de Jesus, com muita vontade de descer sobre aquela cabeça loura, ou sobre os ombros dele.

O banquete terminou. O sol doura o pico do monte e depois também os ramos mais altos da mata, enquanto, embaixo, no vale, tudo está ainda na luz pálida da aurora. Os passarinhos estão voando, alegres e satisfeitos, ao sol, e cantando com todas as suas pequenas gargantas.

165.3 – E agora vamos despertar estes outros meus filhos –diz Jesus, desce, da sua caverna que está mais no alto, e entra em uma a uma das grutas, chamando por nome, os doze adormecidos.

Simão, Bartolomeu, Filipe, Tiago e André respondem, imediatamente. Mateus, Pedro e Tomé tardam um pouco a responder, enquanto que Judas Tadeu já vai ao encontro de Jesus, já bem desperto e pronto, logo que O vê chegar à sua soleira. O outro primo, Iscariotes e João, estão ainda dormindo pesadamente, a ponto de Jesus precisar sacudi-los em suas camas de folhas, para acordarem.

João, o último que foi chamado, está dormindo tão profundamente, que nem reconhece quem é que o está chamando, e por entre as névoas do sono, já meio interrompido, diz em voz baixa: “Sim, mamãe. Eu já vou…” Mas depois vira-se para o outro lado.

Jesus sorri, assenta-se sobre o tosco enxergão, feito com folhas apanhadas pelo bosque, inclina-se e beija na face seu João, que só então abre os olhos, e fica pasmado ao ver Jesus ali. Num instante, ele se assenta, e diz:

– Estás precisando de mim? Aqui estou.

– Não. Eu te despertei, como a todos os outros. Mas tu pensaste que Eu era a tua mãe. Então, Eu te beijei, para fazer como fazem as mães.

João, seminu, com sua túnica curta, pois usou a túnica longa e a capa para servirem de coberta, agarra-se ao pescoço de Jesus, e esconde sua cabeça entre o ombro e a face dele, dizendo:

– Oh! Bem que Tu és mais do que mãe! Deixei-a por causa de Ti. Mas a Ti eu não deixaria por ela. Ela me deu à luz para este mundo. Mas Tu me dás à luz para o Céu. Eu sei!

165.4 – Que é que sabes mais do que os outros?

– Aquilo que o Senhor me disse nesta caverna. Vê, eu nunca fui a Ti, e acho que os companheiros devem ter dito que isso era indiferença e soberba. Mas o que pensam eles, não me importa. Sei que Tu sabes a Verdade. Eu não vinha a Jesus Cristo, o Filho de Deus Encarnado, mas, sim, ao que Tu és no seio do Fogo, o Amor Eterno da Trindade Santíssima, a sua Natureza, a sua Essência, a sua Verdadeira Essência — oh! eu nem sei dizer tudo o que pude compreender nesta sombria e escura gruta, que para mim se tornou tão cheia de luz, nesta fria caverna na qual fui queimado por um fogo que não se vê, que desceu até às profundezas do meu ser, e as incendiou, como em um doce martírio, aqui neste antro silencioso, que cantou para mim as verdades celestes1 —. Tu és a segunda Pessoa do inefável mistério, que é Deus, no qual eu penetro, porque o próprio Deus aspirou-me e eu o tive sempre comigo. Todos os meus desejos, todos os meus prantos, todos os meus pedidos, derramei-os sobre o teu seio divino, ó Verbo de Deus! E nunca houve palavra, entre as muitas que de Ti ouvi, vasta, como aquela que me disseste aqui, Tu, Deus Filho; Tu, Deus como o Pai; Tu, Deus como o Espírito Santo; Tu, que és o centro da Trindade… oh! talvez eu esteja blasfemando! mas, assim me parece, porque, se não fosses o Amor do Pai e o Amor ao Pai, então ficaria faltando o Amor, o Divino Amor, e a Divindade já não seria trina, pois lhe faltaria o mais conveniente dos atributos de Deus: o seu amor! Oh! Tenho tantas coisas aqui, mas que são como a água que borbulha contra uma barragem, e não pode sair… parece-me quase morrer tão violento e sublime é o tumulto, que me desceu ao coração desde que Te compreendi… mas por nada do mundo quereria perdê-lo… Faz-me morrer deste amor, meu doce Jesus.

João sorri e chora, todo ofegante, inflamado do seu amor, abandonado sobre o peito de Jesus, como se aquela chama o tivesse fatigado. E Jesus o acaricia, ardendo de amor, por sua vez.

João volta a si, debaixo de uma onda de humildade, que o faz suplicar:

– Não digas aos outros o que eu Te disse. Certamente eles também terão sabido viver de Deus, como eu vivi nestes dias. Mas, põe sobre o meu segredo a pedra do silêncio.

– Fica tranquilo, João. Ninguém ficará sabendo de tuas núpcias com o Amor. Vai vestir-te, e vem cá. Devemos partir.

165.5 Jesus vai saindo pela trilha na qual já estão os outros. Os rostos deles já estão com um aspecto mais venerável, mais recolhido. Os mais velhos parecem uns patriarcas, os jovens tem um ar de maturidade, de jovens dignos de respeito, que a juventude antes escondia. Iscariotes olha para Jesus com um tímido sorriso, com um rosto marcado pelo choro. Jesus, ao passar, o acaricia. Pedro… nada fala. Está tão estranho em sua pessoa, que só isso causa mais admiração do que qualquer outra mudança. Ele olha atentamente para Jesus, mas com uma dignidade nova, que parece tornar mais ampla a sua fronte já um pouco calva, e seus olhos estão mais severos, quando até então haviam sido um continuo lampejar de chistes. Jesus o chama para perto de Si, enquanto espera João que, finalmente, vem vindo com um rosto, que eu não sei dizer se está mais pálido ou mais corado, mas certamente aceso por um fogo que não chega a mudar a cor, mesmo se presente. Todos olham para ele.

– Vem cá, João, perto aqui de Mim. E tu também, André, e tu, Tiago de Zebedeu. Depois tu, Simão, e tu, Bartolomeu, Filipe, vós, meus irmãos, e Mateus. Judas de Simão, aqui na minha frente. Tomé, vem cá. Sentai-vos. Eu preciso falar-vos.

Eles se assentam, tranquilos como crianças, todos um pouco absortos em seu mundo interior, e também atentos a Jesus, como nunca antes.

165.6 – Sabeis o que Eu vos fiz? Todos vós o sabeis. Vossa alma já falou à vossa razão. Mas a alma, que nestes dias foi rainha, ensinou à nossa razão duas grandes virtudes: a humildade e o silêncio, que é filho da humildade e da prudência, que são as filhas da caridade.

Há apenas oito dias, que teríeis vindo proclamar as vossas bravuras e vossos conhecimentos, como crianças espertas, que querem assustar e superar os demais. Agora estais calados. Transformados de crianças em adolescentes, sabeis que esta proclamação poderia mortificar o companheiro, que talvez tivesse sido menos beneficiado por Deus, e não dizeis nada. Além disso, sois ainda como meninas, que já não são impúberes. Nasceu em vós o santo pudor pela metamorfose, que vos revelou o mistério nupcial das almas com Deus. Estas cavernas, no primeiro dia vos pareciam frias, hostis, repelentes… agora, vós as olhais como perfumadas e luminosas câmaras nupciais. Nelas conhecestes a Deus. Antes, ouvistes falar dele. Mas não O conhecíeis na intimidade, que faz de dois um só. Entre vós há homens que há muitos anos estão casados, outros que não tiveram mais que ilusórias relações com mulheres, e alguns, por causas diferentes, se conservam castos. Mas os castos sabem agora o que é o amor perfeito, assim como os casados. Posso até dizer que ninguém sabe o que é o amor perfeito, a não ser aquele que não conhece nenhum apetite carnal. Porque Deus se revela aos virgens em toda a sua plenitude, pelo prazer de entregar-se a quem é puro, pois reencontrando parte de Si, Puríssimo, na criatura limpa de toda luxúria, para compensá-la de tudo o que ela nega a si mesma, por seu amor.

165.7 Em verdade Eu vos digo que, pelo amor que Eu vos tenho e pela Sabedoria que possuo, se não tivesse o dever de realizar a obra do Pai, gostaria de reter-vos aqui, e ficar convosco, isolados, tendo a certeza de que assim Eu faria de vós, e com todo o cuidado, grandes santos, sem mais nenhum extravio, sem defecções, sem quedas, frouxidões e regressos. Mas Eu não posso. Eu devo prosseguir. E vós deveis andar. O mundo nos espera. O mundo profanado e profanador, que tem necessidade de mestres e de redentores. Eu vos quis fazer conhecer a Deus, para que o amásseis bem mais do que o mundo que, com todos os seus afetos, não vale um só sorriso de Deus. Eu quis que pudésseis meditar sobre o que é o mundo e sobre o que é Deus, para fazer-vos desejar o melhor. Neste momento vós não estais desejando outra coisa senão Deus. Oh! Se Eu pudesse fixar-vos nesta hora, neste desejo! Mas o mundo nos está esperando. E nós iremos ao mundo que espera. Pela santa Caridade que, como enviou-Me ao mundo, assim também vos envia, por ordem minha, ao mundo. Mas Eu vos suplico! Como pérola no escrínio, guardai fechado o tesouro destes dias em que vos conservastes, vos cuidastes, vos erguestes, vos revestistes, vos desposastes com Deus no vosso coração. Como as pedras do testemunho, erguidas pelos Patriarcas para lembrança das alianças com Deus, conservai e guardai estas preciosas lembranças em vossos corações.

165.8 A partir de hoje, já não sois mais discípulos prediletos, mas apóstolos, chefes da minha Igreja. De vós há de vir nos séculos dos séculos toda a hierarquia dela., Vós sereis chamados mestres, tendo como vosso Mestre, Deus em seu tríplice poder, sabedoria e caridade. Eu não vos escolhi por serdes os mais merecedores. Mas por um complexo de causas que não é necessário que conheçais agora. Eu vos escolhi para ocupardes o lugar dos pastores, que foram os meus discípulos, desde quando eu dava os meus primeiros vagidos. Por que foi que Eu fiz assim? Porque era bom que assim se fizesse. Entre vós há galileus e judeus, doutos e indoutos, ricos e pobres. Isto para o mundo: para que não se diga que Eu preferi uma categoria só. Vós não bastareis para tudo o que é preciso fazer. Nem agora, nem depois.

Nem todos vós lembrais de um ponto do Livro. Eu vos farei lembrar deles. No segundo livro dos Paralipômenos, no capitulo 29, está narrado2 que Ezequias, rei de Judá, fez purificar o Templo e, depois que ficou purificado, fez que se oferecesse um sacrifício pelo pecado, pelo reino, pelo Santuário e por Judá, depois do que tiveram início as ofertas de cada um. Mas, como os Sacerdotes não eram suficientes para as imolações, foram chamados, para ajudar, os levitas, que eram consagrados com um rito mais breve que os sacerdotes.

Isto é o que Eu farei. Vós sois sacerdotes, preparados com muito cuidado por Mim, Pontífice Eterno. Mas não sois suficientes para o trabalho, que sempre irá sendo mais vasto, da imolação de cada um ao Senhor seu Deus. Por isso, Eu associo a vós os discípulos, que permanecerão como tais, os que nos ficam esperando ao pé do monte, os que estão mais acima, os que estão espalhados pela terra de Israel e os que estarão espalhados por todas as partes do mundo. A eles serão dadas tarefas iguais, porque a missão é uma só, mas a classificação deles aos olhos do mundo será diferente. Não será assim aos olhos de Deus, junto ao qual está a justiça, de tal modo que um discípulo desconhecido, que os apóstolos e coirmãos nem sabem que existe, mas que vive santamente levando Deus às almas, será maior do que um grande apóstolo muito conhecido, mas que de apóstolo só tem o nome, pois ele desce de sua dignidade de apóstolo para se entregar a objetivos humanos.

A tarefa de apóstolos e de discípulos há de ser sempre dos sacerdotes e levitas de Ezequias: promover o culto, derrubar as idolatrias, purificar os corações e os lugares, pregar o Senhor e sua palavra. Tarefa mais santa não há sobre a Terra. Nem haverá dignidade mais alta do que a vossa. Mas por isso é que Eu vos disse: “Ouvi-vos, exami nai-vos.”

165.9 Ai do apóstolo que cai! Consigo ele arrasta muitos discípulos, e eles arrastam um número ainda maior de fiéis, e a ruína irá sempre crescendo, como uma avalancha que despenca, ou como um círculo que vai-se estendendo pela superfície do lago, por um continuado atirar de pedras num mesmo ponto.

Sereis todos perfeitos? Não. O espírito de hoje continuará? Não. O mundo jogará os seus tentáculos para destroçar as vossas almas. Vitória do mundo por cinco partes, filho de satanás por outras três, servo indiferente para com Deus nas outras duas., Apaga a luz nos corações dos santos. Defendei-vos de vós mesmos do mundo, da carne e do demônio. Mas sobretudo defendei-vos de vós mesmos. Ide à defesa, ó filhos, contra a soberba, a sensualidade, o fingimento, a tibieza, a modorra espiritual e a avareza! Quando o eu inferior fala, e começa a choramingar, falando de pretensas crueldades de que esteja sendo vítima, fazei-o calar, dizendo: “Por um momento de provação que eu te dou, estou preparando para ti, e para sempre, um banquete com aquele êxtase que tivemos na caverna do monte, no fim da Lua de Shebat.”

165.10Vamos. Vamos ao encontro dos outros que, em grande número, estão me esperando. Depois eu irei, por algumas poucas horas, a Tiberíades.,Vós, pregando a a Meu respeito, me esperareis ao pé do monte que fica na estrada que vai de Tiberíades para o mar. Eu estarei lá e subirei para pregar. Tomai bolsas e capas. A parada terminou, e a eleição está feita.

17 de maio de 1945.

165.11 Diz Jesus:

– Estás mal, e Eu te deixo quieta. Somente te faço observar como uma só frase que se omite ou uma palavra mal transcrita pode mudar tudo. E tu, escrevente, estás atenta e podes consertar logo. Pensa, pois, e compreende como vinte séculos puderam privar de partes, não prejudiciais à doutrina, mas, sim, à facilidade para se entender o Evangelho, o Evangelho apostólico. Isto — uma obra que, se remontarmos às origens, descobrimos estar ainda a serviço da Desordem — explica muitas coisas e serve aos filhos da Desordem para muitas outras coisas. E tu estás vendo como é fácil cair em erro de transcrição… Pequeno João, fica quieto, hoje. Tu és uma flor quebrada. Passarei depois Eu para restaurar a tua haste. Deus está contigo.



1 cantou para mim as verdades celestes: Estas palavras do Apóstolo do amor – assim escreve MV em uma cópia datilografada – ilustrando muito bem o mistério da casa de Deus em nós. No santuário da alma, o Espírito Divino se encontra com o nosso espírito e Deus fala e se revela na alma, instruindo-a ao amor d’Ele e assim comunicando a Sua semelhança mais viva, transformando-a n’Ele, não substancialmente, porque só Deus é Deus, mas por participação. Nessa cópia datilografada, o trecho 170.1, MV insere a seguinte nota: o Espírito de Deus tanto mais ilumina e revela quanto mais pode fazer morada em um espírito puro, vazio de nada que preenche o homem não espiritual. Quando o homem libera o seu eu das coisas terrenas e passageiras, então Deus preenche de Si aquele vazio e o homem, tornando-se puro – melhor seria se se conservasse assim –, vê e compreende Deus intelectualmente; misteriosamente o possui como é possuído e como pode ser enquanto o homem está ainda em seu exílio, o possui pelo ardente desejo ao qual responde o desejo de Deus de possuir os seus filhos, isto é, constitui o pequeno paraíso da Terra, arauto da bem-aventurança eterna e completa do Céu. O tema dessa posse divina, contrária aquela diabólica, será tratado em 88.2 - 149.6 - 166.9/11 - 224.3/4 - 356.6 - 597.3 - 602.8 - 649.6 - 650.10.
2 está narrado em: 2 Crônicas 29.