153. 153. As mulheres dos discípulos a serviço de Jesus.
3 de maio de 1945.
153.1 – Que é que tens, Pedro? Pareces estar descontente –pergunta Jesus, enquanto vai caminhando por uma estradinha do campo, sob ramos floridos das amendoeiras, que anunciam ao homem que o tempo mais feio terminou.
– Estou pensando, Mestre.
– Estás pensando. Eu vejo. Mas o teu semblante diz que não estás pensando em coisas alegres.
– Mas Tu, que sabes tudo de nós, já estás sabendo que coisas são.
– Sim. Já sei. Também Deus Pai sabe as necessidades do homem, mas quer da parte do homem a confiança dele em expor as próprias necessidades e em pedir ajuda. Eu posso dizer-te que não tens razões para ficares assim inquieto.
– Então, a minha mulher não é por Ti menos estimada?
– De modo algum, Pedro. E por que haveria de ser? São tantas no Céu as moradas de meu Pai. São tantas na terra as mansões do homem. E, desde que sejam santamente feitas, todas são abençoadas. Poderia Eu dizer que serão malvistas por Deus todas as mulheres que não seguem as Marias e Susana?
– Não. Pois também minha mulher crê no Mestre, mas não segue o exemplo das outras –diz Bartolomeu.
– Tampouco a minha com as filhas. Ficam em casa, mas sempre prontas a dar hospedagem, como fizeram ontem –diz Filipe.
– Creio que minha mãe fará igualmente. Não pode deixar tudo… ela é sozinha –diz Iscariotes.
– É verdade. É verdade. Eu estava assim triste porque me parecia que a minha fôsse assim… assim pouco… oh! não sei dizer!
– Não a critiques, Pedro. É uma mulher honesta –diz Jesus.
153.2 – Ela é muito tímida. A mãe dela dominou todas as filhas e noras, como quem dobra umas palhas –diz André.
– Mas, depois de tantos anos comigo, devia mudar!
– Oh! Irmão! Tu também não és muito doce, sabes? Sobre um tímido, tu produzes o efeito de uma grossa trave entre as pernas. A minha cunhada é muito boa e, só já ter suportado com paciência a mãe com a sua ruindade, e a ti com a tua prepotência, prova o que eu digo.
Riem todos da conclusão tão sem rodeios de André e do rosto admirado de Pedro, ao ouvir que o chamam de prepotente.
153.3 Jesus também ri, com gosto. Depois diz:
– As mulheres fiéis, que não podem deixar a casa para seguir-me, servem-me do mesmo modo, ficando em suas casas. Se todas tivessem querido vir Comigo, Eu teria precisado mandar a algumas que ficassem onde estavam. Agora que as mulheres vão unir-se a nós, Eu devo pensar também nelas. Não seria decente, nem prudente que as mulheres ficassem sem uma morada, andando para cá e para lá. Nós, em qualquer lugar podemos ficar. A mulher tem outras necessidades e precisa de um abrigo. Nós podemos ficar numa só enxerga. Elas não poderiam ficar no meio de nós. Tanto pelo respeito, como pela prudência, por causa da compleição mais delicada delas. Não se deve nunca tentar a Providência e a natureza, além dos limites. Agora, Eu farei de todas as casas amigas, onde estiver uma de vossas mulheres, um abrigo para as suas irmãs. Da tua, Pedro; da tua, Filipe; da tua, Bartolomeu; e da tua, Judas. Não podemos impor às mulheres o incessante andar, que nós faremos. Mas as colocaremos à espera no lugar do reencontro, do qual partiremos todas as manhãs, para voltarmos todas as tardes. A elas daremos instrução nas horas de descanso, e o mundo não poderá mais murmurar, se outras infelizes criaturas vierem a Mim, nem me será impedido poder ouvi-las. As mães e as esposas, que nos seguirem, serão colocadas como defesa de suas irmãs e de Mim contra a maledicência do mundo. Vós estais vendo que Eu estou fazendo uma rápida viagem de saudação por onde tenho amigos ou por onde sei que terei amigos. Isso não é por Mim. Mas pelas mais fracas entre os discípulos que, com a sua fraqueza, ampararão a nossa força e a tornarão útil junto a tantas e tantas criaturas.
– Mas agora vamos para Cesareia, como disseste. E lá quem mora?
– As criaturas que tendem para o verdadeiro Deus estão em todos os lugares. A primavera já se anuncia neste candor rosado das amendoeiras em flor. Os dias gelados terminaram. Dentro de poucos dias Eu terei estabelecido os pontos de etapa e de abrigo para as discípulas e recomeçaremos, então, nossas viagens, espalhando a palavra de Deus sem preocupação para com as irmãs, sem medo da calúnia, e a paciência delas será para vós uma lição e a doçura delas também. Para a mulher também está chegando a hora de sua reabilitação. De virgens, de esposas e de mães santas haverá uma grande florada na minha Igreja.