620. 620. Considerações sobre a Ressurreição.
[21 de fevereiro de 1944]
620.1Diz Jesus:
– As orações ardentes de Maria anteciparam de algum tempo a minha Ressurreição.
Eu havia dito: “O Filho do Homem está para ser morto, mas no terceiro dia ressurgirá.” Eu havia morrido às três da tarde de Sexta-feira. Quer calculeis os dias dizendo os seus nomes, quer os calculeis por horas, não era a aurora do domingo a que devia me ver ressurgir. Como horas, eram somente trinta e oito, em vez das setenta e duas, aquelas em que o meu corpo permaneceu sem vida. Como dias, devia pelo menos chegar a noite deste terceiro dia para se poder dizer que Eu havia ficado três dias na tumba.
Mas Maria antecipou o milagre. Com sua oração, Ela havia aberto os Céus com a antecipação de alguns anos da época prefixada, para dar ao mundo a sua Salvação. Agora também Ela obteve a antecipação de algumas horas, para dar conforto ao seu coração, que estava morrendo.
620.2E Eu, na primeira aurora do terceiro dia, desci como sol que se põe e com meu fulgor destravei os sigilos humanos tão inúteis diante da potência de Deus, fiz da minha força a alavanca para derrubar a pedra vigiada inutilmente, com minha aparição lancei fulgores que lançaram a terra os três vezes inúteis guardas colocados para vigiar a Morte que era Vida, que nenhuma força humana podia impedir que o fosse.
Bem mais poderoso do que a vossa corrente elétrica, o meu Espírito, como uma espada de Fogo divino, entrou para esquentar os frios despojos do meu cadáver, e ao novo Adão o Espírito de Deus bafejou-lhe a vida, dizendo a Si mesmo: “Torna a viver. Assim Eu quero.”
Eu, que havia ressuscitado mortos, quando não era mais do que o Filho do Homem, a Vítima designada para arcar com as culpas do mundo, Eu não devia ressuscitar a mim mesmo, agora que Eu era o Filho de Deus, o Primeiro e o Último, o Vivente eterno, Aquele que tem em suas mãos as chaves da vida da morte? Foi aí que o meu Cadáver percebeu que a Vida ia voltando Nele.
Olha: assim como o homem que desperta, depois de um sono que sobreveio a um grande cansaço, Eu dou um respiro profundo. E ainda não abro os olhos. O sangue começa a circular de novo nas veias, com pouca velocidade, por enquanto, e de novo leva o pensamento à mente. Mas Eu estou vindo de muito longe! Olha só: como um homem ferido que um poder milagroso curou, o sangue está voltando às veias vazias, enche de novo o Coração, aquece os membros, as feridas vão se cicatrizando, desaparecem os hematomas e as feridas, a força volta. Mas Eu estava muito ferido! Eis que as forças agem. Eu estou curado. Eu despertei. Voltei à Vida. Estive morto. Agora estou vivo! Agora Eu surjo!
Sacudo os linhos da morte, jogo fora o invólucro com os unguentos. Não tenho necessidade deles a fim de aparecer como a Beleza eterna, a eterna Integridade. Eu me visto com uma veste que não é desta Terra, mas que é tecida por Aquele que é Pai e que tece a seda dos lírios virginais. Eu estou vestido de esplendor. Eu me orno com as minhas chagas, que não vertem mais sangue, mas lançam luz. Aquela luz que será a alegria de minha Mãe e dos bem-aventurados, e um terror, insuportável para a vista dos malditos e dos demônios, nesta terra e no último dia.
620.3O anjo da minha vida de homem e o anjo da minha dor estão prostrados diante de Mim e adoram a minha Glória. Os meus dois anjos estão ali. Um para se comprazer da visão do seu Protegido, que agora não necessita mais da sua angélica defesa. O outro, que viu as minhas lágrimas, para ver o meu sorriso; que viu as minhas batalhas, para ver a minha vitória; que viu a minha dor, para ver a minha alegria.
620.4E saio para o horto cheio de botões de flores e de orvalho. E as macieiras abrem as corolas para fazer um arco florido sobre a cabeça do Rei, e as gramas são como tapetes de brotos e de corolas para os meus pés que tocam novamente a terra redenta, depois de ter sido elevado sobre ela para redimi-la. E o primeiro sol me cumprimenta, assim como o vento doce de abril, e a leve nuvem que passa, rosada como as faces de um bebê, assim como os pássaros entre os ramos. Sou o seu Deus. Ele Me adoram.
Passo por entre os guardas desfalecidos, símbolos das almas em culpa mortal, que não percebem a passagem de Deus.
É a Páscoa, Maria. Esta é a “Passagem do Anjo de Deus!” A sua Passagem da morte para a vida. Sua Passagem para dar Vida aos que creem em meu Nome. É Páscoa! É a paz que passa pelo mundo. A Paz não mais velada pela condição de homem. Mas livre, completa em sua eficiência divina que voltou.
620.5E vou até minha Mãe. É muito justo que Eu vá até Ela. Foi justo para os meus anjos. É muito mais justo para aquela que, além de ter sido minha guardiã e conforto, foi quem me doou a vida. Antes de voltar para o Pai na minha veste glorificada de Homem, vou até a minha Mãe. Vou no fulgor da minha veste paradisíaca e das minhas Joias vivas. Ela pode Me tocar, Ela pode Me beijar, porque Ela é a Pura, a Bela, a Amada, a Bendita, a Santa de Deus.
O Novo Adão vai à Nova Eva. O mal entrou no mundo pela mulher, e pela Mulher foi vencido. O Fruto da Mulher desintoxicou os homens da baba de Lúcifer. Agora, se eles quiserem, podem ser salvos. Ele salvou a mulher, que ficou tão frágil depois da ferida mortal.
620.6E depois de me apresentar à Pura, à qual é justo que vá o Filho-Deus, por direito de santidade e de maternidade, apresento-me à mulher redimida, à inauguradora, à representante de todas as criaturas femininas que livrei das mordidas da luxúria. Para que ela diga a elas que se aproximem de Mim para serem curadas, que tenham fé em Mim, que creiam na minha Misericórdia que compreende e perdoa; que, para vencer Satanás, que tenta a sua concupiscência, olhem para a minha Carne ornada com as cinco feridas.
Eu não me deixo tocar por Ela. Ela não é a Pura que, sem contaminá-lo, pode tocar no Filho que volta para o Pai. Muito ela tem que purificar-se com a sua penitência. Mas o seu amor bem que merece esse prêmio. Ela soube ressurgir por sua vontade do sepulcro do seu vício, estrangular Satanás que a possuía, desafiar o mundo por amor ao seu Salvador, ela soube despojar-se de tudo aquilo que não fosse amor, aprendeu a não ser mais do que amor que se consuma pelo seu Deus. E Deus a chama: “Maria!” Escuta como ela lhe responde: “Raboni!” Nesse grito está o seu coração.
A ela, que o mereceu, dou a tarefa de ser a mensageira da Ressurreição. E uma vez mais ela será um pouco escarnecida, como se estivesse devaneando. Mas Maria de Magdala, Maria de Jesus não se importa com o que os homens pensam. Ela me viu ressuscitado, e isso lhe dá uma alegria tal que ofusca todo e qualquer outro sentimento.
Estás vendo como Eu amo até quem foi culpado, mas que quer sair da culpa? Nem mesmo a João Eu me mostrei em primeiro lugar. Mas, sim, a Madalena. João já tinha recebido de Mim o grau de Filho. E ele o podia receber, porque ele era puro e podia ser filho não só espiritual, mas também alguém que podia dar e receber à Pura de Deus aqueles cuidados e necessidades que nascem da carne.
Madalena, que ressuscitou para a Graça, foi a que teve, por primeira, a visão da Graça ressuscitada.
620.7Quando me amais ao ponto de vencer tudo por Mim, Eu seguro em minhas mãos transpassadas a vossa cabeça e o vosso coração doente e sopro em vosso rosto o meu Poder. E vos salvo, filhos que Eu amo. Vós sois de novo belos, sadios, livres, felizes. Vós sois de novo os filhos queridos do Senhor. Faço de vós os portadores da minha Bondade entre os pobres homens, aqueles que testemunham a minha Bondade a eles para persuadi-los dessa Bondade e de Mim.
Tende, tende, tende fé em Mim. Tende amor. Não tenhais medo. Que vos faça confiantes no Coração de vosso Deus tudo o que Eu padeci para salvar-vos.
620.8E tu, pequeno João, podes sorrir depois de ter chorado. O teu Jesus não sofre mais. Não existem mais nem sangue nem feridas. Mas luz, luz, luz e alegria e glória. A minha luz e a minha alegria estejam em ti até que chegue a hora do Céu.