624. 624. Aparição aos pastores.
4 de abril de 1945.
624.1Também os pastores vão apressadamente para os olivais, e têm tanta certeza da sua Ressurreição que falam com a alegria de crianças felizes. Vão diretamente à cidade.
– Diremos a Pedro que olhe bem para Ele e nos diga como é belo o seu Rosto –diz Elias.
– Oh! Eu, por mais que Ele possa ser belo, nunca poderei esquecer como Ele era quando foi torturado –murmura Isaque.
– Mas tu te recordarás como era quando foi levantado com a cruz? –pergunta Levi–. E vós?
– Eu, perfeitamente. Até ali a luz ainda estava boa. Depois com os meus olhos velhos eu vi bem pouca coisa –diz Daniel.
– Eu, ao contrário, fiquei olhando para Ele enquanto não pareceu estar morto. Mas eu preferia ser cego para não ver –diz José.
– Oh! Tudo bem. Agora Ele está ressuscitado e isso deve fazer-nos felizes –diz João para consolá-lo.
– E o pensamento de que nós não o abandonamos, a não ser para fazer alguma caridade –acrescenta Jônatas.
– Mas o nosso coração ficou lá em cima. Para sempre –murmura Matias.
– Sempre, sim. Tu que o viste no Sudário, dize-nos: Como é Ele? Saiu parecido? –pergunta Benjamim.
– Saiu tão parecido como se estivesse falando –responde Isaque.
– Como se falasse –responde Isaque.
– Nós veremos aquele véu? –perguntam muitos.
– Oh! A Mãe o mostra a todos. E certamente o vereis. Mas é uma triste visão. Melhor seria ver… 624.2Oh! Senhor!
– Servos fiéis. Eis-me aqui. Ide. Eu vos espero daqui a alguns dias na Galileia. Ainda quero dizer-vos que vos amo. Jonas está feliz com os outros no Céu.
– Senhor! Oh! Senhor.
– Paz a vós os de boa vontade.
O Ressuscitado desaparece no raio vivo do sol do meio-dia. Quando eles levantam as cabeças, Ele já não está mais lá. Mas o que lá está é a grande alegria de tê-lo visto como Ele está agora. Glorioso.
Eles se levantam, transfigurados de alegria. Em sua humildade, eles não conseguem compreender que mereceram vê-lo, e dizem:
– A nós! Logo a nós! Como é bom o Nosso Senhor. Desde o seu nascimento até o seu triunfo, foi sempre humilde e bom para com os seus servos!
– E como Ele estava bonito!
– Oh! Bonito daquele modo nunca foi! Que majestade.
– Parece mais alto ainda e mais maduro em anos.
– Ele é realmente o Rei.
– Oh! Chamavam-no de o Rei Pacífico! Mas Ele é também o Rei tremendo, para aqueles que devem ter medo do seu julgamento!
– Viste os raios que escapavam do seu Rosto?
– E que relampejos em seus olhos!
– Eu não tinha coragem de fitá-lo. E fitá-lo eu acho que eu teria podido, porque eu penso que talvez não me será mais concedido vê-lo daquele modo, a não ser no Céu. E quero conhecê-lo para que naquela hora não fique com medo.
624.3– Oh! Não devemos temer de continuar a ser o que somos: seus servos fiéis. Ouviste: “Ainda quero dizer-vos que vos amo. A paz a vós, os de boa vontade.” Oh! Nenhuma palavra a mais. Mas nesse pouco está todo o consenso sobre o que fizemos até agora e toda a mais alta promessa para a vida futura. Oh! Entoemos o canto de alegria. Da nossa alegria:
“Glória a Deus no mais alto do Céu e paz na Terra aos homens de boa vontade.
Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, como Ele havia dito pela boca dos profetas e com sua palavra sem defeito.
Ele perdeu, com o Sangue, tudo que o beijo de um homem tinha deixado nele de corrupção;
e, sendo limpo como é o altar, o seu Corpo assumiu a inexprimível beleza de Deus.
Antes de subir ao Céu, Ele se mostrou aos seus servos. Aleluia!
Vamos cantando, Aleluia! A Eterna Juventude de Deus!
Vamos anunciando aos povos que Ele ressuscitou, aleluia!
O Justo, o Santo, ressuscitou, aleluia, aleluia!
Do sepulcro Ele saiu imortal. E o homem justo ressuscitou com Ele.
No pecado, como na gruta, estava fechado o coração do homem.
E Ele morreu para dizer: ‘Levantai-vos’. E os que estavam dispersos se levantaram, aleluia!
Tendo aberto as portas do Céu para os eleitos, Ele disse: ‘Vinde’.
Que Ele nos conceda, pelo seu Santo Sangue, que subamos até lá, nós também. Aleluia!”
Matias, o ancião ex-discípulo de João Batista, vai na frente, cantando, como talvez noutros tempos Davi tenha cantado diante do seu povo pelas estradas da Judeia. Os outros o acompanham, fazendo coro a cada aleluia, com um júbilo santo.
624.4Jônatas, que faz parte do grupo, diz, enquanto Jerusalém já está a seus pés, do alto da colina que eles estão descendo com passo veloz:
– Por causa do seu nascimento eu perdi a pátria e a casa, e por causa da sua morte perdi a nova casa onde trabalhei honestamente por trinta anos. Mas, mesmo se a minha vida tivesse sido tirada por Ele, eu morreria na alegria, porque por Ele eu a teria perdido. Não sinto rancor por aquele que está sendo injusto comigo. O meu Senhor me ensinou com a sua morte a mansidão perfeita. E não me preocupo com o amanhã. A minha morada não é aqui. Mas no Céu. Viverei na pobreza, que é tão amada por Ele, e o servirei até a hora em que Ele me chamar… e… sim… eu lhe oferecei também a renúncia… à minha patroa… Esse é o espinho mais doído… Mas, agora que eu vi o sofrimento de Cristo e a sua glória, não devo medir a minha dor, mas somente aguardar a glória celeste. Vamos dizer aos apóstolos que Jonas é o servo dos servos de Cristo.