547. 547. Jesus decide ir a Betânia.


24 de dezembro de 1946.

547.1Na pequena horta da casa do Salomão a luz do dia já vai perdendo sua claridade e as plantas seu perfil. As casas do outro lado da estrada, especialmente no fim dessa mesma estrada, pouco a pouco vão desaparecendo no meio dos bosques e todas as coisas vão perdendo a nitidez de seus contornos, unificando-se numa única linha de sombras, mais ou menos claras, mais ou menos escuras, à sombra da tarde, que vem chegando e crescendo sempre mais. De dia eram as cores, mas agora são os sons que se notam, espalhados por toda parte. Das casas vêm as vozes dos meninos e das mães que os chamam, a voz dos homens incitando as ovelhas ou o jumento, algum último chiado das roldanas nos poços, o barulho das folhas sopradas pelo vento da tarde, os embates duros dos gravetos secos, que esbarram uns nos outros, ou o das árvores secas e nodosas espalhadas pelo bosque. Lá no alto se vê o primeiro palpitar das estrelas, ainda incerto, porque nele permanece ainda uma lembrança da luz e porque as primeiras fosforescências da lua começam a difundir-se pelo céu.

– O resto vós o direis amanhã. Agora basta. É noite. E cada um vá para sua casa. A paz esteja convosco. Sim… Sim… Amanhã. Que é que estás dizendo? Tens algum escrúpulo? Dorme com ele até amanhã e depois, se ele não tiver passado, voltarás. Estaria faltando mais esta! Até esses escrúpulos para cansá-lo ainda mais! Até os preocupados só em obter lucros. E as sogras impertinentes que querem ver as esposas recuperando o juízo, e os esposos que querem tornar menos ácidas as suas sogras e, entre estas e aquelas, mereceriam as duas ter cortadas suas línguas. E que há mais a dizer? E tu? Que dizes? Oh. Isto mesmo, Pobrezinho! João, leva este menino ao Mestre. A mãe dele está doente e o manda dizer a Jesus que reze por ela. Pobrezinho! Ele ficou para trás porque é pequenino. E veio de longe. Como fará a voltar para casa? Aí está! E vós todos? Em vez de ficardes aqui só para gozardes da presença do Mestre, não poderíeis pôr em prática o que o Mestre vos disse: que vos ajudeis uns aos outros, os mais fortes ajudando aos mais fracos? Vamos. Quem é que vai acompanhar o menino até à sua casa? Pode ser, e assim não queira Deus, que ele encontre a mãe morta… Mas que pelo menos ele a veja. Jumentos vós tendes. Já está de noite? E o que há de mais bonito do que a noite? Eu trabalhei, durante vários anos, à luz das estrelas, e estou são e robusto. Tu o levarás à casa dele? Deus te abençoe, Rubens. Aqui está o menino. O mestre te consolou? Sim. Então, vai, e sê feliz. Mas será preciso dar-lhe comida. Talvez não tenha comido nada desde a manhã.

– O Mestre lhe deu leite quente, pão e frutas. Ele pôs dentro da pequena túnica –diz João.

– Então, vai com este homem. Ele te levará até a tua casa, montado no asno.

Finalmente todos já foram embora e Pedro pode descansar, junto com Tiago, Judas, o outro Tiago e Tomé, que o ajudaram a mandar para as suas casas os mais teimosos.

– Vamos fechar. Tomara que ninguém se arrependa e volte para trás, como aqueles dois lá. Arre! Mas o dia que vem depois do sábado é bem fatigante, diz ainda Pedro, entrando na cozinha e fechando a porta: Oh! Agora estaremos em paz.

547.2Olha para Jesus, que está sentado perto da mesa com o cotovelo sobre ela e a cabeça apoiada sobre a mão, pensativo e absorto. Vai para perto dele, põe-lhe a mão sobre o ombro e lhe diz:

– Estás cansado, não? Havia tanta gente! E eles vêm de todos os lados, apesar do tempo que está fazendo.

– Parece que eles têm medo de nos perderem logo –observa André, que está limpando uns peixes.

Também os outros procuram o que fazer, preparando o fogo para assá-los, ou a remexer a chicória em um caldeirão que está fervendo. As sombras deles se projetam sobre as paredes escuras, que o fogo clareia mais do que a lâmpada.

Pedro procura uma xícara para servir leite a Jesus, que parece estar muito cansado. Mas não encontra o leite e vai pedir conta dele aos outros.

– Foi o menino que o bebeu, e era o resto do leite que tínhamos. E o que sobrou, o levamos para aquele velho mendigo e para a mulher, cujo marido está doente –explica Bartolomeu.

– E o Mestre ficou sem leite! Não devíeis dá-lo todo.

– Mas o Mestre assim quis.

– Oh! Ele quereria sempre assim. Mas não se deve deixá-lo fazer, Ele vai ficando sem as vestes, vai ficando sem o seu leite, vai-se dando até a Si mesmo, e se acaba.

Pedro está descontente.

– Bom, meu Pedro! Dar é melhor do que receber –diz Jesus calmamente, saindo de sua abstração.

– Ora! E Tu vais dando, vais dando e te acabas. E cada vez mais te mostras disposto a todas as generosidades, e cada vez mais os homens se aproveitam de Ti.

Enquanto isso, tendo apanhado umas folhas ásperas que soltam um cheiro que é meio de amêndoas amargas e meio de crisântemo, esfrega com elas a mesa, deixando-a bem limpa, a fim de poder colocar sobre ela o pão, a água e um copo diante de Jesus.

Jesus logo se põe a beber, como se estivesse com muita sede. Pedro põe outro copo sobre o outro lado da mesa, perto de um prato que está com azeitonas e alguns ramos de funcho do mato. Pega também uma bandeja com agriões, que Filipe já temperou e, junto com os companheiros, vai buscar uns bancos muito primitivos, que ele ajunta com as quatro cadeiras que estão na cozinha e que não bastam para treze pessoas.

André, que ficou acompanhando o cozimento do peixe sobre as brasas, passa-o para outro prato e, com mais outros pães, vai para a mesa. João tira a lâmpada do lugar onde estava e a coloca no meio da mesa.

Jesus se levanta, enquanto todos vão-se aproximando da mesa para a ceia, e reza em alta voz, oferecendo o pão e depois abençoando a mesa. Ele se assenta e é imitado pelos outros. Distribui o pão e o peixe, isto é, vai colocando os peixes sobre as partes planas e largas dos pães, mas nem todos estão frescos, alguns já estão meio passados, e cada um dos apóstolos colocou o seu em sua frente. Depois eles se servem dos agriões, fazendo uso de um grande garfo se madeira fincado neles. Também para a verdura o pão serve de prato. Somente Jesus é que tem diante de Si um prato largo de metal, um tanto velho, e faz uso dele para dividir o peixe, dando ora a um ora a outro um pedaço saboroso. Parece um pai entre seus filhos, sempre pai, ainda que Natanael, Simão o Zelotes e Filipe pareçam ser pais dele, e Mateus e Pedro pareçam ser seus irmãos mais velhos.

547.3Vão comendo e conversando sobre os acontecimentos do dia, e João ri a valer das caçoadas de Pedro sobre aquele pastor das montanhas de Galaad, que queria que Jesus fosse lá para cima onde estava o rebanho a fim de abençoá-lo e fazê-lo ganhar muito dinheiro para o dote que ele devia dar a sua filha.

– Não há motivo para rir. E terminou, dizendo: “Estou com minhas ovelhas doentes, e, se elas morrerem, estarei arruinado.” Compadeci-me dele. Era como se a nós, pescadores, se nos tornassem carunchadas as barcas. Não se poderia mais nem pescar nem comer. De comer todos têm o direito. Mas quando ele disse: “E as quero sãs, porque quero tornar-me rico e fazer o povo ficar pasmado ao ver o dote que eu darei a Ester, e a casa que para mim construirei”, aí eu fiquei bravo e lhe disse: “E foi para isso que fizeste toda esta viagem? Será que só te preocupas com o dote, com as riquezas e as ovelhas? Será que não existe uma alma?” Ele me respondeu: “Para pensar nela ainda há tempo. Agora o que me preocupa mais são as ovelhas e o casamento, porque se trata de um bom partido e Ester começa a ficar velha.” Então, eis que, se não fosse o ter eu me lembrado de que Jesus diz que devemos ser misericordiosos com todos, aquele homem estaria mal arranjado! Eu cheguei a falar-lhe até como um furacão, um tufão…

– E parecia que não podias mais parar de falar nem tomavas fôlego. As veias do teu pescoço estavam salientes e levantadas como dois bastões –diz Tiago de Zebedeu.

– E o pastor já se havia afastado, indo-se embora e tu continuavas o sermão. Ainda bem que tu dizes que não sabes falar ao povo

–acrescenta Tomé.

E o abraça, dizendo:

– Pobre Simão! Como ficou irado!

– Mas eu não tinha razão? Quem é o Mestre? Será alguém que veio criar fortunas para todos os bobos de Israel? Será Ele talvez o paraninfo de núpcias alheias?

– Não fiques inquieto, Simão. O peixe te fará mal se o comeres com esse veneno –diz caçoando Mateus.

– Tens razão. Estou sentindo o sabor que tem os banquetes em casa de fariseus, quando lá eu como o meu pão com temor e a carne com ira.

Todos se riem. Jesus sorri e fica calado.

547.4Chegaram ao fim da refeição. Saciados, satisfeitos pelo alimento que tomaram e pelo calor que ele lhes comunicou, estão se espreguiçando ao redor da mesa. Estão falando menos e alguns deles já estão cochilando. Tomé está se divertindo em entalhar com o canivete um raminho sobre a madeira da mesa.

Sacode-os a voz de Cristo que, abrindo os braços, que estavam cruzados e apoiados na beira da mesa, e estendendo as mãos como faz o sacerdote quando diz: “O Senhor esteja convosco”, diz:

– Ainda assim é preciso ir.

– Para onde, Mestre? Para a casa daquele das ovelhas? –pergunta-lhe o Pedro.

– Não, Simão. Para a casa de Lázaro. Voltemos para a Judéia.

– Ó Mestre, lembra-te de que os judeus te odeiam! –exclama Pedro.

– Queriam apedrejar-te, não faz muito tempo –diz Tiago do Alfeu.

– Mas, Mestre, isto é uma imprudência! –exclama Mateus.

– Não te importas conosco? –pergunta Iscariotes.

– Oh! Mestre e irmão meu, eu te esconjuro em nome de tua Mãe e em nome também da Divindade que há em Ti. Não permitas que aqueles satanases ponham as mãos sobre a tua Pessoa, para desvirtuarem a tua palavra. Tu estás sozinho, sozinho demais, contra um mundo inteiro que te odeia e que é dono do poder nesta terra –diz Tadeu.

– Mestre, guarda a tua vida! Que seria de mim, de todos, se não te tivéssemos mais?

E João, todo transtornado, olha para Jesus, com os olhos dilatados de um menino espantado e angustiado.

Pedro, depois de uma primeira exclamação, vira-se para falar animadamente com os mais velhos, com Tomé e Tiago de Zebedeu. Todos eles são do parecer que Jesus não deve voltar para Jerusalém, pelo menos enquanto não chegar o tempo pascal, que é o que pode tornar segura a permanência lá, pois, como dizem eles, a presença de um número muito grande de seguidores do Mestre, que chegam para as festas pascais de todas as partes da Palestina, é o que será uma defesa para o Mestre. Nenhum daqueles que o odeiam ousará tocar nele quando o povo todo estiver ao redor dele com amor. E dizem isso muito afobados, quase como quem está dando uma ordem… O amor é que os faz falar.

547.5– Paz! Paz! Não é verdade que são doze as horas do dia? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque está vendo a luz deste mundo. Mas se ele caminha de noite tropeça, porque não pode enxergar. Eu sei o que estou dizendo, porque a Luz está em Mim. E vós, deixai-vos guiar por quem enxerga. Depois, ficai sabendo que enquanto não chegar a hora das trevas, nada de tenebroso poderá acontecer. Portanto, quando chegar aquela hora, nenhuma distância e nenhuma força, nem mesmo as forças armadas de César, poderão salvar-me dos judeus. Porque o que está escrito deve acontecer, e as forças do mal já estarão operando ocultamente para completar seu trabalho. Portanto, deixai-me agir. E fazer o bem, enquanto Eu estiver livre para fazê-lo. Chegará a hora na qual não poderei mais mover nem um dedo nem dizer uma palavra para operar o milagre. O mundo ficará vazio, sem a minha força. Será uma hora tremenda de castigo para o homem. Não para Mim. Para o homem que não terá querido me amar. É uma hora que se repetirá pela vontade do homem que terá rejeitado a Divindade, até o ponto de fazer de si mesmo um semideus, um seguidor de Satanás e do seu filho maldito. Essa hora virá quando estiver próximo o fim deste mundo. A falta de fé que impera tornará nulo o meu poder de milagre. Não porque Eu o possa perder. Mas porque o milagre não pode ser concedido onde não houver fé e vontade de obtê-lo, onde do milagre se faria um objeto de escárnio e um instrumento do mal, usando o bem para fazer um mal maior. Agora posso ainda fazer o milagre e fazê-lo para dar glória a Deus. 547.6Vamos, pois, ao nosso amigo, que está dormindo. Vamos despertá-lo deste sono, para que esteja bem disposto e pronto para servir ao seu Mestre.

– Mas se ele está dormindo, tudo bem. Acabará ficando curado. O sono já é um remédio. Para que ir despertá-lo? –ponderam eles.

– Lázaro está morto. Eu esperei que ele morresse para ir até lá, não por causa de suas irmãs nem dele. Mas por vós. Para que acrediteis. Para que cresçais na fé. Vamos até Lázaro.

– Está bem! Então, vamos! Morreremos todos, como ele morreu, e como Tu queres morrer –diz Tomé, como um resignado fatalista.

– Tomé, Tomé! E vós todos que em vosso interior tendes críticas e resmungos, ficai sabendo que quem quiser seguir-me deve ter para com sua vida o mesmo cuidado que tem o passarinho para com a nuvem que passa: deixá-la passar, de acordo com o vento que a impele. O vento é a vontade de Deus, o qual pode dar-vos ou tirar-vos a vida, a seu prazer, e vós não tendes de queixar-vos disso, como não se queixa o passarinho da nuvem que passa, mas continua a cantar do mesmo modo, pois tem a certeza de que depois voltará o tempo sereno. Porque a nuvem é o incidente, o céu é a realidade. O céu fica sempre azul, mesmo se as nuvens parecem torná-lo cinzento. Ele é e permanece azul acima das nuvens. Assim acontece com a Vida verdadeira. Ela é e continua a ser, mesmo quando a vida humana cessa. Quem quer seguir-me não deve conhecer o que é a ânsia pela vida, nem o medo de perder a vida. Eu vos mostrarei como é que se conquista o Céu. Mas, como podereis imitar-me, se estais com medo de ir à Judéia, vós a quem nenhum mal se fará, por enquanto? Tendes o escrúpulo de apresentar-vos em minha companhia? Sois livres se quereis deixar-me. Mas se quereis ficar, deveis aprender a desafiar o mundo, com as suas críticas, suas insídias, suas zombarias, os seus tormentos, para conquistardes o meu Reino. 547.7Vamos, pois tirar da morte Lázaro, que dorme há dois dias no sepulcro, tendo morrido na tarde em que veio o servo de Betânia. Amanhã, à hora sexta, depois de ter atendido aos que estão esperando o dia de amanhã para receberem de mim algum conforto e um prêmio para sua fé, partiremos daqui e atravessaremos o rio, parando à noite na casa da Nique. Depois da aurora, partiremos para Betânia, indo pela estrada que passa por Ensemes. Estaremos em Betânia antes da sexta. E lá haverá muita gente. E os corações ficarão estremecidos. Eu prometi e cumprirei…

– A quem, Senhor –pergunta temeroso Tiago do Alfeu.

– A quem me odeia e a quem me ama, a ambos de um modo justo. Não vos lembrais da discussão1 em Quedes com os escribas? Podiam eles dizer que Eu era farsante por ter ressuscitado uma menina que tinha acabado de morrer e um morto depois de um dia. Eles disseram: “Ainda não soubeste reconstruir uma coisa que se desfez.” De fato, só Deus pode, do barro, tirar o homem e da podridão fazer de novo um corpo intacto e cheio de vida. Pois bem. Eu o farei. No mês de Casleu, às margens do Jordão, Eu mesmo fiz com que os escribas se lembrassem desse desafio, e lhes disse: “Na Lua Nova isso se fará”. Isso para os que me odeiam. Mas às irmãs, que me amam de um modo absoluto, Eu lhes prometi premiar a sua fé se tivessem continuado a esperar contra toda evidência. Eu as submeti a muitas provas e a muitas aflições, só Eu conheço os sofrimentos dos corações delas durante estes dias, e também o seu perfeito amor. Em verdade Eu vos digo que merecem um grande prêmio, porque, além de não terem visto ressuscitado o seu irmão, ainda estão angustiadas por poder estar Eu sendo escarnecido. Eu vos parecia estar absorto, cansado e triste. Eu estava perto delas com o meu espírito, ouvia os seus gemidos e contava suas lágrimas. Pobres irmãs! Eu agora tenho o desejo ardente de reconduzir um justo à vida sobre a Terra, um irmão aos braços de suas irmãs, um discípulo ao meio de meus discípulos. Tu estás chorando, Simão? Sim. Tu e Eu somos os maiores amigos de Lázaro, e no teu pranto há uma dor pela dor de Marta e de Maria, e pela agonia do amigo, mas ela é também já a alegria de saber que brevemente ele será restituído ao nosso amor.

547.8Levantemo-nos para prepararmos as sacolas e irmos repousar e pôr de novo as coisas em ordem aqui… aonde não temos certeza de voltar. Será necessário distribuir aos pobres o que tivermos e dizer aos mais ativos que detenham os peregrinos para que não vão ao meu encontro, enquanto Eu não estiver em outro lugar seguro. Também será preciso dizer-lhes que avisem aos discípulos a fim de que vão procurar-me na casa de Lázaro. Há muitas coisas a fazer. Todas serão feitas antes que cheguem os peregrinos… Vamos. Apagai o fogo e acendei as tochas, cada um vá fazer o que deve e depois vá descansar. A paz a todos vós.

Ele se levanta. Abençoa e se retira para o seu pequeno quarto…

– Ele morreu há vários dias! –diz Zelotes.

– Isto é um milagre! –exclama Tomé.

– Eu só quero ver o que é que vão encontrar depois para duvidarem ainda –diz André.

– Mas quando foi que veio o servo? –pergunta Iscariotes.

– Na tarde antes da sexta-feira –responde Pedro.

– Sim? E por que não o disseste? –pergunta Iscariotes.

– Porque o Mestre me havia mandado ficar calado –rebate Pedro.

– Então… quando chegarmos lá… ele já estará há quatro dias no sepulcro?

– Com certeza. Na tarde de sexta-feira, um dia. Na tarde de sábado, dois dias. Nesta tarde, três dias. Amanhã, quatro… Por isso serão quatro dias e meio. Poder eterno! Mas o morto já estará em pedaços! –diz Mateus.

– Já estará em pedaços. Eu também quero ver isso e depois…

– E depois o quê, Simão Pedro? –pergunta Tiago de Alfeu.

– Depois, se Israel não se converter, nem mesmo Javé, com relâmpagos e trovões, o poderá converter.

E, assim falando, eles se vão.

1 da discussão, em 342.6; lhe disse, em 525.16.


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