428. 428. Parábola da vinha e do Vinhateiro,figuras da alma e do livre arbítrio.


4 de maio de 1946.

428.1 – A paz esteja convosco, meus amigos. O Senhor é bom. Ele nos concede podermos reunir-nos para um banquete fraternal. Por onde estáveis andando? –pergunta Jesus aos ex-pastores, enquanto penetra num pequeno bosque para abrigar-se do sol.

– Uns indo para o mar, outros para os montes. Mas até aqui nós estamos crescendo em número, por causa dos outros grupos que fomos encontrando pelo caminho –diz Daniel, que foi um pastor no Líbano.

– Assim é, e nós quereríamos avançar até o grande Hermon, onde ficassemos apascentando os rebanhos, para apascentar os corações

–diz Benjamim, seu companheiro.

– É uma boa ideia. Irei ficar por algum tempo em Nazaré. Depois estarei em Cafarnaum e Betsaida, até à lua nova do mês de elul. Eu vos digo isso para que possais encontrar-me, em caso de necessidade. Sentai-vos, e vamos pôr em comum os nossos alimentos, a fim de reparti-los conforme a justiça.

E assim fazem, colocando sobre um pano as suas… riquezas: umas fogaças, uns queijos pequenos, peixe salgado, alguns ovos, as primeiras maçãs… e, como com alegria eles as puseram sobre o pano, também com alegria as repartem, depois de Jesus as ter oferecido e abençoado.

E, como estão contentes com esse inesperado banquete de amor o cansaço e o calor ficaram esquecidos por eles, distraídos como estão pela alegria de poderem ouvir Jesus que os interroga sobre tudo o que andaram fazendo, e os aconselha, ou lhes conta o que andou fazendo. E, por mais que aquela hora de um calor muito forte e o dia mormacento lhes cause um atordoamento e sonolência, eles o ouvem com tão grande interesse, que ninguém se deixa vencer pelo sono, e, ao terminarem a refeição, tornam a guardar as provisões que sobraram, dividindo-as em partes iguais para o número deles, retirando-se dali depois, e indo ainda mais para dentro da vegetação cerrada das primeiras matas das colinas, à sombra fresca das árvores, sentados em semicírculo, ao redor de Jesus, e lhe pedem que lhes conte alguma bela parábola, que lhes sirva como regra de vida e de ensinamento.

428.2 Jesus, que está sentado de tal modo, que tem à frente a planície de Esdrelon, que já está limpa dos trigais e cheia agora de vinhedos e de pomares, gira o seu olhar por sobre aquele panorama, como procurando um assunto nas coisas que está vendo. E finalmente achou. E começa com uma pergunta, não restrita a nenhum ponto da paisagem:

– Como são bonitos os vinhedos desta planície, não é verdade?

– Muito bonitos. Estão incrivelmente carregados de uvas, que já estão ficando maduras. São muito bem cultivados. E por isso produzem muito.

– As mudas devem ter sido bem escolhidas… –insinua Jesus.

E termina o seu pensamento:

– Estando a planície toda dividida em propriedades, cujos donos são ricos fariseus, eles as cultivaram com mudas boas, sem precisarem fazer crescer as despesas, se fossem adquirir novas mudas.

– Oh! Não adiantaria nada ter adquirido mudas boas, se, depois de plantadas, não tivesse continuado a tratar delas e Eu entendo do assunto, porque os meus bens consistem todos eles em videiras, mas, se eu não suar para tratar delas, como agora continuam a suar os meus irmãos, podes crer mesmo, Mestre, que na vindima eu não poderia oferecer-te cachos iguais àqueles do ano passado –diz um homem robusto, de seus quarenta anos, que me parece já ter visto, mas de cujo nome eu não me recordo.

– Tens razão, Cléofas. O segredo para se ter bons frutos está no cuidado com que tratamos de nossas propriedades –diz um outro.

– Bons frutos e bons lucros. Porque, se a terra produzisse somente o tanto que se gastou com ela, seria sempre um mau emprego de dinheiro. A terra há de produzir o fruto do capital, que ela nos custa, mas acrescido de um ganho que nos possibilite aumentar as nossas riquezas. Porque é preciso que nos lembremos de que o pai vai ter que repartir seus bens entre os filhos, e dos seus haveres, tanto em terras, como em dinheiro, ele tem que fazer tantas partes, quantos são os seus filhos, para que todos tenham com que viver. Eu acho que isso de multiplicar os haveres em benefício dos filhos não seja uma coisa reprovável –insiste em dizer Cléofas.

– Não é reprovável, se foi conseguido com um trabalho honesto, e de uma maneira honesta. Portanto, tu dizes que, além dos valores que produzem os capitais postos a juros, para que se tenha alguma vantagem, ainda é preciso trabalhar muito, e acompanhar atentamente o crescimento deles?

– Isto mesmo! Bem antes de produzirem os primeiros cachos… Porque tudo requer tempo, e… E por isso é necessário ter paciência e continuar a trabalhar, até que a vinha comece a encher-se de folhas. Depois disso, quando já estão se formando os frutos, e eles são sadios, é preciso olhar bem para se descobrir se não há ramos inúteis, insetos nocivos, se as ervas parasitas não estão empobrecendo o terreno, ou sufocando os sarmentos, ao crescerem por debaixo das folhas do mato e das trepadeiras, limpar ao redor dos pés e fazer com a terra solta anéis ao redor deles, para que as orvalhadas neles sejam recolhidas, e as águas lá se ajuntem um pouco mais do que em outros pontos, para assim nutrirem as plantas e darem-lhes o adubo. É um trabalho duro. mas é necessário, ainda que penoso, para que a uva, tão doce, tão bonita, que cada cacho fica até parecendo ser uma penca de pedras preciosas, se vá formando forte, ao chupar aquele adubo preto e fedorento. Parece impossível, mas assim é. Depois é preciso desfolhar, para fazer que os raios do sol cheguem até os cachos e, ao terminar a vindima, arrumar as plantas, amarrando-as, podando, cobrindo-lhes as raízes com palhas e excrementos, para defendê-las das geadas durante o inverno, e também ir ver se os ventos, ou algum malandro não andou por lá arrancando os espeques, ou se o tempo não desatou os vimes que foram colocados para conservar os ramos unidos aos espeques… Oh! Sempre há o que fazer, enquanto a videira não tiver morrido inteiramente… Mas há ainda um trabalho a fazer, que é o de tirá-la do solo e arrancar dela todas as raízes, a fim de deixá-lo pronto para receber uma nova muda… E sabes como é necessário que se tenha uma mão leve e paciente, e ter uns olhos perspicazes para separar dos sarmentos das plantas mortas, que estão misturados com os das plantas ainda vivas? Se se fosse fazer estas coisas de um modo descuidado, e com a mão pesada, com certeza isso iria causar prejuízos. É preciso que se seja do ramo, para se saber como se faz!… As videiras? Elas são como filhos! E, antes que um filho se faça homem, quanto temos que suar, a fim de conservá-lo são de corpo e de espírito… 428.3Mas eu fico falando, falando, e não te deixo falar. Tu nos prometeste uma parábola…

– Na verdade, tu já a inventaste. Bastaria aplicar a ela a tua conclusão e dizer que as almas são como as videiras…

– Mas, Mestre, fala Tu. Eu… andei falando umas bobagens, e nós não podemos ficar fazendo por nós mesmos o trabalho da aplicação…

– Está bem. Então, escutai.

Quando nós tínhamos só uma carne animal no seio de nossa mãe, Deus no Céu criou a alma1, para fazer à sua semelhança o futuro homem, e a colocou na carne, que no seio já se ia formando. E o homem, ao chegar o seu tempo de nascer, nasceu com sua alma, a qual, até chegar o uso da razão, foi como uma terra deixada sem ser cultivada pelo dono. E, tendo chegado à idade da razão, o homem começou a raciocinar, a distinguir o Bem do Mal. E foi então que ele descobriu que tinha uma vinha a ser por ele cultivada a seu gosto. E se lembrou de pôr um vinhateiro à frente dessa vinha: o seu livre arbítrio. De fato, a liberdade de guiar-se, dada por Deus ao homem, seu filho, é como um criado muito útil dado por Deus ao homem, seu filho, para ajudá-lo a tornar fértil a vinha, isto é, a sua alma.

Se o homem não tivesse que afadigar-se para fazer-se rico, a fim de fazer para si mesmo um futuro eterno de uma prosperidade sobrenatural, se tudo ele tivesse que receber de Deus, que merecimento ele teria em criar-se de novo uma vida de santidade, depois de Lúcifer ter corrompido a santidade inicial da humanidade, que havia sido dada gratuitamente por Deus aos primeiros homens? Já é muito que às criaturas, decaídas por terem herdado a culpa, Deus conceda ainda que possa merecer o prêmio de se fazerem santas, nascendo de novo, por sua própria vontade, para aquela natureza do começo, de criaturas perfeitas, que o Criador havia dado a Adão e Eva e aos seus filhos, se os progenitores deles se tivessem conservado imunes da Culpa original. O homem decaído deve tornar-se homem eleito, por sua livre vontade.

Pois bem. Que é que sucede às almas? Sucede o seguinte: o homem confia sua alma à sua própria vontade, ao seu livre arbítrio, o qual se põe a trabalhar a vinha, que ficou até agora como um terreno sem plantas que durem para sempre. Só umas ervas mirradas e umas florezinhas caducas, nos primeiros anos ainda se viam aqui e ali sobre ela: eram flores da instintiva bondade de um menino, que ainda é bom, porque é como um anjo, que não conhece o Bem e o mal.

Vós direis: “Por quanto tempo durará isso?” Geralmente se fala assim: “Até os seis anos.” Mas, na verdade, há um uso precoce da razão2, pelo qual já vemos meninos responsáveis por suas ações, já antes dos seis anos. Vemos meninos responsáveis por suas ações até aos três anos, aos quatro anos, responsáveis porque sabem o que é Bem e o que é mal, e querem livremente isto ou aquilo. Desde o momento em que uma criatura sabe distinguir a má ação da boa ação, ela é responsável. Antes, não. Por isso, o excepcional, mesmo com cem anos de idade, é um irresponsável. Mas, por sua vez, já têm responsabilidade os seus tutores, que devem amorosamente velar sobre ele e sobre o próximo que, pelo excepcional ou pelo louco pode ser atacado, a fim de que o excepcional não faça mal a si mesmo nem aos outros. Mas Deus não atribui ao excepcional nem ao louco nenhuma culpa, porque, para sua desgraça, ele é privado da razão. Mas nós estamos falando de seres inteligentes e sãos de mente e de corpo.

428.4 Portanto, o homem confia a sua vinha inculta a um trabalhador: é o livre arbítrio, e ele começa a cultivá-la. A alma, que é a vinha, tem, porém, uma voz, e a faz ouvir ao arbítrio. É uma voz sobrenatural, alimentada por vozes sobrenaturais, que Deus não nega nunca às almas: é o Anjo da Guarda, a de espíritos mandados por Deus, é a da Sabedoria e das recordações sobrenaturais3, de que todas as almas se lembram, ainda que delas o homem não tenha uma percepção exata. E fala ao arbítrio, com uma voz suave, e até suplicante, para pedir-lhe que a adorne com plantas boas, que seja ativo e sábio, para não fazer dela uma mata selvagem, maligna e venenosa, onde ficam aninhadas as serpentes e os escorpiões, onde se entoca a raposa e a fuinha, e outros quadrúpedes malvados.

O livre arbítrio nem sempre é um bom cultivador. Nem sempre ele guarda a vinha, nem a defende com uma sebe intransponível, isto é, com uma vontade firme e boa, atenta para defender a alma dos ladrões, dos parasitas, de todas as coisas perniciosas, dos ventos violentos que poderiam fazer cair as pequeninas flores das boas resoluções, mal estas começaram a formar-se no desejo. Oh! Que sebe alta e forte se faz necessário que se levante ao redor do coração para salvá-lo do mal! Como é necessário vigiá-la, para que não seja forçada, para que não se abram nela nem grandes aberturas, pelas quais entram as dissipações, nem aberturas, pequenas, mas traiçoeiras, em sua base, nas quais se entocam as víboras: os sete vícios capitais. Como, pois, é preciso sachar, queimar as ervas más, podar, fazer diques, adubar com a mortificação, cuidar com o amor a Deus e ao próximo, a sua própria alma! E vigiar, com olhos abertos e cheios de luz, e com a mente desperta, para que os mergulhões, que podiam parecer bons, não se revelem maus depois, e, se isto acontecer, será preciso arrancá-los sem dó. É melhor uma planta só, mas perfeita, do que muitas que causem prejuízo ou são inúteis.

Nós temos nossos corações, temos, por isso, vinhas que são sempre trabalhadas, plantadas com novas plantas por um cultivador desordenado, que amontoa as plantas novas: esse trabalho, essa ideia, essa vontade, ainda que não sejam maus, contudo, depois se tornam maus, pois caindo as plantas no solo, se mestiçam, e morrem… Quantas virtudes perecem, porque estão misturadas com a sensualidade, por não serem cultivadas, porque, afinal, o livre arbítrio não é ajudado pelo amor! Quantos ladrões começam a roubar, a pôr a mão nas coisas e a arrebatar, porque sua consciência está dormindo, em vez de ficar vigilante, ou porque a vontade se enfraquece e se corrompe, ou porque o arbítrio se deixa seduzir, e se faz escravo, ele que era livre, agora escravo do Mal.

Mas pensai bem! Deus o deixa livre, e o arbítrio se faz escravo das paixões, do pecado, das concupiscências, do Mal, afinal. A soberba, a ira, a avareza e a luxúria, que se misturaram antes, depois triunfam sobre as plantas boas! É um desastre. Grande é a aridez que resseca as plantas, porque não há mais a oração que é a união com Deus e, por isso, uma orvalhada de sucos benéficos deixa de descer sobre a alma! Muito gelo vem entorpecer as raízes pela falta de amor a Deus e ao próximo! O terreno está muito magro, porque rejeita a adubação, que é a mortificação e a humildade Que emaranhamento intrincado de ramos bons com ramos não bons, porque não se tem a coragem de passar pela dor, ou de se ter que cortar o que é nocivo! Este é o estado de uma alma que tem, para com o seu guarda e cultivador, um arbítrio desordenado e voltado para o Mal.

Bem diferente é a alma que tem um arbítrio vivendo em ordem e na obediência à Lei dada ao homem para que ele saiba o que é, como é, e como se conserva a ordem - se ele é heroicamente fiel ao Bem, porque o Bem eleva o homem, e o torna semelhante a Deus, enquanto que o Mal o enfeia, e o faz semelhante ao demônio. O homem fiel é uma vinha irrigada por águas puras, abundantes e úteis, de uma fé que há de estar sob a sombra da esperança, iluminada pelo sol da caridade, corrigida pela vontade, adubada pela mortificação, atada pela obediência, podada pela fortaleza, conduzida pela justiça, vigiada pela prudência e pela consciência. E então, a Graça cresce, ajudada por tudo isso, cresce a Santidade, e a vinha se torna um jardim maravilhoso, ao qual desce Deus para saborear as suas delícias, até que, tendo-se conservado essa vinha sempre como um jardim perfeito, e tendo chegado a morte, pelos seus anjos4 Deus faz transportar esse trabalho de um livre arbítrio, decidido e bom, para o grande e eterno Jardim dos Céus.

Certamente vós quereis ter essa sorte. E, então, velai para que o Demônio, o Mundo e a Carne não seduzam o vosso arbítrio, nem devastem a vossa alma. Velai até o fim, e as tempestades poderão molhar-vos, mas não vos farão mal, e vós, carregados de frutos, ireis para o vosso Senhor receber o prêmio eterno.

Terminei. 428.5Agora meditai, e ficai descansando até o pôr-do-sol, enquanto Eu vou retirar-me para rezar.

– Não, Mestre. Não devemos tardar em pôr-nos a caminho, para chegarmos às casas –diz Pedro.

– Mas, por quê? Ainda há tempo, até o pôr-do-sol –dizem muitos.

– Não estou pensando no pôr-do-sol, nem no sábado. Estou pensando que, antes de uma hora, está para vir uma furiosa tempestade. Estais vendo aquelas faixas de nuvens escuras, que vêm elevando-se sobre as cordilheiras da Samaria? E aquelas outras, muito brancas, que vêm galopando velozmente do lado do ocidente? Um vento alto vem empurrando estas, e um vento alto empurra aquelas. Mas, quando elas estiverem aqui em cima, o vento alto cederá seu lugar ao siroco e às nuvens escuras, que são nuvens de granizo, e, quando abaixarem, irão chocar-se contra as brancas, que estão carregadas de raios, e, então, ouvireis o que é música. Vamos! Ficai todos despertos Eu sou pescador, e leio nos céus como num livro.

Jesus é o primeiro a obedecer e, apressados, todos se põem a caminhar, indo para as fazendas da planície…

428.6 Perto da ponte, encontram-se com Judas, que grita:

– Oh! Meu Mestre! Como tenho sofrido sem Ti. Graças sejam dadas a Deus, que premiou a minha constância em esperar-te aqui. Como vão as coisas em Cesareia?

– A paz esteja contigo, Judas –responde Jesus brevemente.

E acrescenta:

– Conversaremos lá nas casas. Vem, porque o temporal já está aí.

De fato, começam as lufadas do vento, um vento que levanta nuvens de poeira das estradas ressequidas, e o céu vai cobrindo-se de nuvens de todas as formas e cores, e o ar se torna de um amarelo plúmbeo… As primeiras grandes gotas quentes, aqui e ali, já começam a cair, e as primeiras centelhas riscam o céu, e fica parecendo o começo da noite…

Todos se põem a correr, e somente as boas pernas, instigados pelo desejo de não ficarem inundados por um aguaceiro O que os faz chegar à primeira casa, quando, no meio do estrondo de um raio, que caiu pouco longe dali, um dilúvio de água, misturada com granizo, desaba sobre aquela zona, espalhando um forte cheiro de terra molhada e do ozônio, que foi liberado pelos relâmpagos, que se sucedem sem parar…

Eles entram e, por sorte deles, a casa foi construída tendo pórticos, e, habitada por camponeses que creem no Messias, e que, com veneração, convidam o Mestre a usá-la como alojamento, junto com os seus companheiros, “como se a casa fosse tua. Mas levanta a tua mão para afugentar o granizo, tendo piedade do nosso trabalho”, dizem eles, agrupando-se ao redor de Jesus.

Jesus levanta a mão, na direção dos quatro pontos cardeais, e somente a água passa a descer sozinha do céu, para ir abeberar os pomares, os vinhedos, os prados, e para purificar a atmosfera, que está muito pesada.

– Seja bendito, Senhor! –diz o chefe família–. Entra, meu Senhor!

Enquanto a barulhada continua, Jesus, cansado, se assenta em um quarto muito grande, rodeado pelos seus.

1 a alma, segundo a obra valtortiana, é criada e incutida simultaneamente na concepção do corpo, fazendo do concebido uma pessoa, como explicamos em nota em 290.9. Portanto, as presentes expressões sobre carne animal e sobre futuro homem não são afirmações de peso doutrinal, mas servem somente para introduzir com simplicidade um discurso sobre alma, verdade pela qual o homem deve, de qualquer modo, cuidar da idade da razão, portanto ele nasce com a sua alma.
2 um uso precoce da razões, como é explicado em 7.7.
3 recordações sobrenaturais que são explicadas pela seguinte nota de MV em uma cópia datilografada: Deus colocou no homem, além da razão, a consciência. E a consciência tem sua própria voz que lembra, aconselha e reprova. Recorda o que é bom fazer e o que não se deve fazer por que é mal. Aconselha de não fazer o mal, porque é contra toda lei natural e sobrenatural. Reprova pelo que foi feito mal, estimulando a reparação e arrependimento. Faz sentir que o mal feito na Terra provoca a perda de um prêmio futuro, a perda do Bem supremo. Isto faz a consciência, porque, doada por Deus, não pode que não tê-Lo ou suscitar na criatura a lembrança d’Ele que a doou para guiar o homem.
4 anjos, cujo papel é indicado pela seguinte nota de MV em uma cópia datilografada: Não é que a alma necessite dos anjos para subir a Deus. Mas diz que o trabalho “bom” vem dos anjos como apresentado a Deus porque permanece evidenciado nos livros eternos.


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