490. 490. No campo dos galileus com os primos apóstolose encontro com o levita Zacarias.


10 de setembro de 1946.

490.1 – Judas e Tiago, vinde comigo!

Os dois filhos do Alfeu não esperam ser chamados uma segunda vez. Levantam-se logo, saindo com Jesus da casinha de um subúrbio, ao sul de Jerusalém, onde estão hoje.

– Aonde vamos, Jesus? –pergunta Tiago.

– Vamos saudar os galileus no Monte das Oliveiras.

Vão indo por algum tempo no rumo de Jerusalém. Depois, vão-se aproximando das pequenas colinas, onde há umas casas pelo meio do campo verde, certamente casas dos patrões. Atravessam a estrada que vai para Betânia e Jericó, uma outra mais ao sul, que vai acabar em Tofet e Siloan. Dão a volta por detrás de uma outra colina, que já é uma ramificação do Monte das Oliveiras, vão por uma estradinha secundária pelo meio das oliveiras, sobem para o campo dos galileus, onde muitas das tendas já foram desfeitas e só ficaram, como lembrança da multidão, uns ramos já murchos no chão, uns restos de fogões rudimentares, que queimaram superficialmente as ervas, deixando como lembrança as cinzas, os tições, os trapos velhos, como tudo o que sempre fica no lugar onde foi feito um acampamento.

A estação é fria, está precocemente chuvosa e, por isso, apressou a partida dos peregrinos. Caravanas de mulheres e meninos também estão partindo agora. Os homens, especialmente os que estão com saúde, ficaram ainda para terminar a festa.

490.2 Os galileus, que creem no Senhor, devem ter sido talvez avisados por alguns discípulos, pois estou vendo a todos e de cada um dos lugares que me são mais conhecidos. Nazaré com dois discípulos: aquele ao qual Jesus perdoou, depois da morte de sua mãe, e um outro. Mas não estou vendo nem José nem Simão de Alfeu. Em compensação, porém, não faltam outros, entre os quais o sinagogo, que parece visivelmente embaraçado para saudar a Jesus com deferência, depois de lhe ter criado tantos obstáculos. Mas ele sabe sair-se bem, dizendo que os parentes de Jesus estão alojados em casa “daquele amigo que sabes”, por causa das crianças que não poderiam suportar o vento da noite. Caná está presente com o esposo de Susana, o pai dela e outros, e assim Naim, com o seu ressuscitado e Belém da Galileia com muitos dos seus moradores, as cidades ocidentais do lago com seus habitantes…

– A paz esteja convosco! –saúda Jesus, passando por entre eles, acariciando os meninos ainda presentes e os seus pequenos amigos dos lugares da Galileia, ouvindo Jairo dizer-lhe que muito lhe desagradou não ter podido estar aí na última vez.

Jesus procura informar-se sobre se a viúva de Afeca se estabeleceu em Cafarnaum, e se aceitou o órfão de Gíscala.

– Não sei, Mestre. Talvez eu já teria partido –diz Jairo.

– Sim, sim, veio uma mulher, que dá muito mel e carícias às crianças. Faz fogaças para nós. Lá vão sempre comer os meninos que vinham a Ti. E, no último dia, ela nos mostrou um menino muito pequeno. Ela comprou duas cabras para tirar o leite. E nos disse que ele é o filho do Céu e do Senhor. E que não veio à festa como queria, porque não podia trazer, acompanhando-a, um menino tão pequeno. Mandou a nós, para dizer-te que o amará com justiça e que te bendiz.

Os meninos de Cafarnaum parecem uns pardaizinhos, que pipilam ao redor de Jesus, orgulhosos por estarem sabendo até o que nem o sinagogo sabe, de fazerem de embaixadores junto ao bom Mestre, que os escuta com a atenção com que ouviria aos adultos, e que lhes responde:

– Vós lhe direis que Eu também a bendigo e que ela ame os meninos por Mim. Vós, querei-lhe bem, não abusando da bondade dela, e não fiqueis gostando dela só por causa do mel e das fogaças, mas porque ela é boa para convosco. É tão boa que chegou a compreender que quem ama uma criança em meu nome Me faz feliz. Imitai-a todos, quer sejais pequenos ou adultos, pensando sempre que quem acolhe uma criança em meu nome tem seu lugar reservado no Céu. Porque a misericórdia sempre é premiada, ainda que seja somente um copo d’água dado em meu nome a misericórdia praticada com as crianças, salvando-as não somente da fome, da sede, do frio, mas da

corrupção do mundo, terá um prêmio infinitamente grande… 490.3Eu vim para abençoar-vos, antes de partirdes. Levareis a minha bênção às vossas mulheres, às vossas casas…

– Mas não voltas mais a nós, Mestre?

– Voltarei… Mas não agora. Depois da Páscoa…

– Oh! Se ficas por lá tanto tempo, com certeza vais esquecer-te de tua promessa…

– Não tenhais medo. É mais fácil que o sol pare de brilhar do que Jesus se esquecer de quem espera nele…

– Será um tempo longo!

– E triste!

– E, se nós ficarmos doentes…

– Se tivermos que sofrer…

– Se a morte vier a nossas casas,…

– Quem nos ajudará? –dizem muitos de diversos lugares.

– Deus. Ele está convosco, se vós estiverdes com Ele, com a vossa vontade.

– E nós? Nós, faz pouco tempo que cremos em Ti. E o confessamos. Então, não teremos nenhum conforto? Especialmente agora, depois de te termos visto fazer milagres, de te termos ouvido falar no Templo. Oh! Sim, nós cremos em Ti…

– Com isso Eu tenho uma grande alegria, ao saber que os meus conterrâneos estão no caminho da Salvação, isto é o meu mais ardente desejo.

– Tu nos amas assim. Mas nós por muito tempo te ofendemos e zombamos de Ti…

– Isso é coisa do passado. Não existe mais. Sede fiéis para o futuro, e em verdade Eu vos digo que, tanto na terra, como no Céu, está cancelado o vosso passado.

– Ficarás Tu conosco? Dividiremos o pão, como tantas vezes o fizemos em Nazaré, quando éramos todos iguais, e aos sábados íamos descansar nos olivais, ou então, como quando Tu eras apenas Jesus, e ias conosco, como um de nós a Jerusalém para as festas…

Surge dentro deles uma saudade, uma lembrança dos tempos passados, ao ouvirem a voz dos nazarenos que já se converteram.

– Eu queria ir às casas de José e de Simão. Mas irei lá depois. Todos vós sois meus irmãos em Deus. Para Mim têm mais valor o espírito e a fé do que a carne e o sangue, porque estes últimos perecem, enquanto que os outros são imortais.

490.4 Enquanto alguns se apressam em ir acender o fogo para assar as carnes, a enfiam nelas os espetos de oliveira, para que já fiquem em condições de poderem ser levadas para as mesas, os mais velhos e os mais notáveis de todos os lugares da Galileia se ajuntam ao redor de Jesus para perguntar-lhe porque foi que naquela manhã e no dia anterior Ele não estava no Templo e se Ele vai voltar amanhã, que é o último dia da festa.

– Eu estava em outro lugar. Mas amanhã com certeza lá estarei.

– E vais falar?

– Se Eu puder…

Alfeu de Sara abaixa a voz e, olhando ao redor de si, sussurra ao Mestre:

– Os teus irmãos foram providenciar ajuda para Ti na cidade… Aquele tal sabe de muitas coisas, sendo parente de um dos do Templo, por meio das mulheres… José se preocupa contigo, sabes? Afinal, ele é bom.

– Eu o sei. Ficará cada vez melhor, quando for espiritualmente bom.

Chegam outros galileus, vindos da cidade. O número dos que estão ao redor de Jesus aumenta, com grande desgosto por parte das crianças, afastadas de lá pelos adultos, que não conseguem abrir caminho até Jesus, enquanto Ele olha para o bando inocente tão amado, e, sorrindo, diz:

– Deixai vir a mim as minhas crianças.

Oh! Agora, sim. Agora que o cerco se rompe, alegre de novo, como uma revoada de passarinhos, eles correm até Jesus, que os acaricia, enquanto continua a falar com os adultos. Sua longa mão, amorenada ainda pelo muito Sol que apanhou no verão, passa e repassa por sobre as cabecinhas negras e acastanhadas, com alguma cabecinha de ouro, perdida por entre as cabeças morenas, que estão o mais perto que podem dele, com seus rostinhos escondidos nas dobras de suas vestes, por baixo do manto, abraçados aos seus joelhos, aos seus lados, gulosos de suas carícias, felizes ao consegui-las.

490.5 Comem ao redor dele, depois que Jesus abençoou o alimento e o repartiu, com uma serena e amigável união de corações. Os outros, que não são seguidores de Jesus, ficam olhando de longe, rindo-se dos que o são, e não querendo crer no que estão vendo. Mas ninguém se importa com eles…

A refeição terminou. Jesus se levanta em primeiro lugar e chama Jairo, Alfeu, Daniel de Naim, Elias de Corozaim, Samuel (o ex-aleijado, que não sei de onde é), depois um certo Urias, um dos muitos Joãos, um dos muitos Simões, um Levi, um Isaque, Abel de Belém etc. Um de cada localidade, afinal, ajudado por seus primos, faz muitas partes iguais das duas bolsas bem cheias, e delas vai dando a cada um que foi chamado para que a distribua aos pobres de cada localidade.

Depois, tendo ficado sem nenhum dinheiro, abençoa a todos e se despede. Ele bem que desejaria despedir-se e dirigir-se depois para o Getsêmani a fim de entrar na cidade pela Porta das ovelhas. Mas quase todos o acompanham, especialmente os meninos, que o estão segurando pela veste, pelo manto, impedindo-o de andar, o que certamente o aborrece, mas Ele os deixa fazer…

490.6 Aquele menino de Magdala, Benjamim, que um dia falou claro1 qual era o seu juízo a respeito de Judas de Keriot, o puxa pela veste, até que Jesus se inclina para ouvi-lo em particular:

– Ainda tens contigo aquele malvado?

– Que malvado? Comigo não há malvados –diz Jesus, sorrindo.

– Sim que há. Aquele homem alto e negro, que estava rindo… Sabes, aquele que eu lhe disse que era bonito por fora e feio por dentro… aquele é malvado.

– Ele está falando de Judas –diz Tadeu, que está atrás de Jesus, e está ouvindo.

– Eu o sei –responde-lhe Jesus, virando-se.

E depois diz ao menino:

– É certo que está comigo aquele homem. É um dos meus apóstolos. Mas agora está muito bom… Por que sacodes a cabeça? Não se deve pensar mal do próximo, especialmente daquele que não se conhece!

O menino inclina a cabeça e se cala.

– Não me respondes?

– Tu não queres que eu diga mentiras… e eu te prometi não dizê-las, assim fiz. Mas agora eu te digo que, sim, que eu creio que ele é bom, mas digo uma coisa não verdadeira, porque acho que ele é mau. Posso ficar com a boca fechada para dar-te um prazer, mas não posso conservar fechada a cabeça para não pensar.

Esta saída foi tão impetuosa e lógica, em sua simplicidade ainda infantil, que aqueles que a ouviram, todos se riem. Todos, menos Jesus, que suspira, e diz:

– Está bem. Tu deves fazer uma coisa. Rezar para que ele fique bom, se é mesmo que ele te parece mau. Tu deves ser o anjo dele. Farás isso? Se ele ficar melhor, Eu com isso terei muita alegria. Portanto, rezando tu para isso, estás rezando para que Eu seja feliz.

– Assim farei. Mas, se ele é mau e não fica bom contigo, minha oração não fará nada.

Jesus interrompe a discussão, parando, e inclinando-se para beijar os meninos. Depois ordena a todos que voltem para trás.

490.7 Quando estão sozinhos, Jesus, os dois primos e Judas de Alfeu, depois de um pouco de silêncio, como se antes houvesse raciocinado consigo mesmo, diz, concluindo:

– Ele tem razão! Tem razão em tudo. Eu penso como ele.

– Mas, de quem estás falando? –pergunta-lhe o seu irmão Tiago, que ia andando à frente, um pouco absorto, indo por uma sendazinha, que mal permite a uma pessoa dar um passo para voltar.

– De Benjamim, eu estou falando. Daquilo que ele disse… E… mas Tu não o queres ouvir, eu te digo também que Judas é… não um verdadeiro apóstolo… Não é sincero, não te ama, não…

– Judas! Judas! Por que fazer-me sofrer?

– Meu irmão, porque eu te amo. Eu tenho medo de Isacriotes, mais medo dele do que de uma serpente…

– Tu és injusto. Sem ele, talvez eu já teria sido capturado.

– Jesus tem razão. Judas já fez muitas coisas. Ele atraiu sobre si ódios e zombarias, sem ser poupado, mas trabalhou e trabalha por Jesus –diz Tiago.

– Eu não posso pensar que tu sejas um tolo, que sejas um mentiroso… E me pergunto a mim mesmo por que será que ainda conservas Judas… Eu não falo por ciúme, nem por ódio. Falo, porque sinto dentro de mim que ele é mau, que ele não é sincero… Tudo aquilo que por teu amor eu posso admitir é que ele seja um doido. Um pobre doido que hoje delira para um lado e amanhã para outro. Mas bom, não, ele não é. Desconfia, Jesus! Desconfia. Nenhum de nós é bom. Mas, olha-nos bem, os nossos olhos estão limpos. Observa-nos bem. A nossa conduta é igual. Mas não te diz nada o fato de que as zombarias dirigidas aos fariseus não sejam descontadas por eles? Não te diz nada que os do Templo não reajam às palavras dele? Não te diz nada que ele tenha sempre amigos, justamente entre aqueles que aparentemente ele está ofendendo? Não te diz nada o fato de ele ter sempre dinheiro? Não digo nós dois, mas até Natanael que é rico, e até Tomé, ao qual não faltam os meios, só têm o que é necessário. Mas ele…Oh…

Jesus se cala…

Tiago observa:

– Em parte, meu irmão tem razão. É certo que Judas sempre encontra um modo de… ficar sozinho, de andar sozinho… de… Mas eu não quero murmurar, nem julgar. Tu sabes…

– Sim. Eu sei. Por isso digo que não quero juízos. Quando estiverdes no mundo, em meu lugar tereis que tratar com pessoas bem mais estranhas do que Judas. E, que apóstolos seríeis vós, se os eliminásseis porque são estranhos? Ao contrário, justamente: porque assim são, é que deveríeis amá-los com um paciente amor, para torná-los uns cordeirinhos do Senhor. 490.8Agora vamos às casas de José e de Simão. Vós ouvistes, não é verdade? Eles trabalham em segredo por Mim. Vós direis: é um amor de família. Sim, é verdade. Mas é sempre amor. Vós vos ficastes mal na última vez. Apaziguai-vos agora. Eles e vós tínheis razão. Cada um reconheça o seu erro, não fique levantando a voz naquilo em que tem razão.

– Ele me ofendeu muito, ao ofender muito mais a Ti –diz Tiago.

– Tu te pareces muito com José, o meu pai. José, teu irmão, se parece com Alfeu, teu pai. Pois bem. José foi muitas vezes criticado por seu irmão mais velho, mas José teve pena dele e o perdoou sempre. Porque era um grande justo, o meu pai. Que o sejas tu também.

– Se ele me censura, como se eu fosse ainda uma criança? Tu sabes que, quando ele fica exaltado, não atende a nenhuma razão…

– Tu, fica calado. É o único remédio para acalmar as iras. Cala-te com humildade e, se percebes que não podes mais ficar calado sem dizer alguma grosseria, vai-te embora dali. É preciso saber calar-se! Saber fugir! Não por vileza, não porque lhe faltem palavras, mas por virtude, por prudência, por caridade, por humildade. Nas discussões é muito difícil guardar a justiça! E a paz do espírito. Alguma coisa sempre desce para transtornar profundamente tudo, para perturbar e fazer grande barulho. Então, a imagem de Deus, que se reflete em todo espírito bom, fica ofuscada, se esvai, e já não pode mais ouvir suas palavras. Paz! Paz aos irmãos. Paz até com os inimigos. Se eles são nossos inimigos são amigos de Satanás, odiando a quem nos odeia? Como poderíamos levar-lhes amor, se nós estivéssemos fora do amor? Vós me dizeis: “Jesus, Tu já o disseste muitas vezes, e o praticas, mas sempre és odiado.” Eu o direi sempre. Quando Eu não estiver mais convosco, vo-lo inspirarei lá do Céu. E vos digo também que não fiqueis contando com derrotas, mas com vitórias. Louvemos o Senhor. Não passa mês que não assinale alguma conquista. Isto é o que deve anotar o operário de Deus, jubilando-se no Senhor, sem o furor que os do mundo têm, quando perdem uma de suas pobres vitórias. Se assim fizerdes…

490.9 – A paz a Ti, Mestre. Não me conheces? –diz um jovem que ia subindo da cidade para o Getsêmani.

– Tu?… Tu és o levita que no ano passado foste junto2 conosco ao sacerdote.

– Sou eu. Como me reconheceste, Tu que vês um mundo inteiro ao redor de Ti?

– Eu não me esqueço dos rostos e dos espíritos em suas características.

– Que característica tem o meu espírito?

– Boa. E insatisfeita. Estás cansado com o que está ao redor de ti. O teu espírito se inclina para coisas melhores. Percebes que elas existem. Percebes que é hora de decidir-te por um Bem eterno. Percebes que, do outro lado da escuridão, há um Sol, a Luz. Tu queres a Luz.

O jovem se joga de joelhos:

– Mestre, Tu o disseste! É verdade. Eu tenho isso no coração. E não sabia decidir-me. O velho sacerdote Jônatas acreditou, e depois morreu. Já estava velho. Eu sou jovem. Mas ouvi-te falar no Templo… Não me rejeites, Senhor, porque nem todos te odeiam lá, e eu sou um daqueles que te amam. Dize-me o que devo fazer como levita…

– O teu dever, até a chegada do tempo novo. Refletir, porque, ao vires a Mim, não vieste ao encontro da glória terrena, e sim da dor. Se perseverares, terás a glória no Céu. É preciso que te instruas na minha doutrina. E que te confirmes nela…

– Com quê?

– O próprio Céu te confirmará com os seus sinais. Reconfirma-te com a ajuda dos meus discípulos, procura conhecer sempre mais e praticar o que Eu ensinei. Faze isto e terás a vida eterna.

– Eu o farei, Senhor. Mas… posso servir ainda no Templo?

– Eu já te disse: até o tempo novo.

– Abençoa-me, Mestre. Será a minha nova consagração.

Jesus o abençoa e o beija. E se separam.

490.10 – Estais vendo? Assim é a vida dos operários do Senhor… Faz um ano que naquele coração caiu a semente. Não pareceu uma vitória, porque ele não veio logo a nós. Um ano depois, para confirmar as minhas palavras de pouco antes, eis que ele vem. É uma vitória. E ela não faz ficar belo este dia para nós?

– Sempre tens razão, meu Jesus. Mas fica atento com Judas. Eu sou um estulto ao dizer isso. Tu sabes… Mas no coração há este tormento… e eu não o conto aos outros, mas ele está aí… e estou certo de que os outros também o sentem.

Jesus não replica. Ele diz:

– Estou contente que José e Nicodemos me tenham dado este dinheiro. Assim posso mandar uma ajuda aos meus pobrezinhos da Galileia…

Chegaram à porta, por ela entram, indo confundir-se com a multidão.

1 falou claro, em 184.7.
2 foste junto, em 281.11 e 281.14/16.


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