515. 515. As razões da dor salvífica de Jesus.Elogio da obediência e lições sobre a humildade.


18 de outubro de 1946.

515.1Mas pouco tempo pode Jesus deter-se em seus pensamentos. João e seu primo Tiago, depois Pedro com Simão Zelotes o alcançam e chamam sua atenção para o panorama que se apresenta aos olhos deles, lá do alto da colina. E talvez com a intenção de distraí-lo, pois Ele está visivelmente muito triste, procuram recordar episódios acontecidos naquelas regiões que se vão apresentando aos olhos deles. A viagem para Ascalon… o retiro de Jesus e Tiago no Carmelo… Cesaréia Marítima e a menina Áurea Gala… o encontro com a Síntique… os gentios de Jope, os ladrões perto de Modin… o milagre das colheitas em casa de José de Arimateia… a velhinha respigadeira… Sim, todas as coisas que pudessem trazer alegria… Mas nas quais, para todos, ou para Ele só, há sempre uma mistura de algum choro ou de alguma lembrança dolorosa. Disso dão-se conta os próprios apóstolos, e murmuram:

– Verdadeiramente em todas as coisas da terra se encontra uma dor. Aqui é um lugar de expiação…

Mas com muito acerto, até André, que se uniu ao grupo, junto com Tiago de Zebedeu, observa:

– A lei é justa para nós pecadores. Mas, para Ele, por que tanto sofrimento?

Surge, então, uma discussão pacífica e se mantém assim até mesmo quando, atraídos pela voz dos outros, unem-se ao grupo todos os demais. Menos Judas Iscariotes, que se impõe a si mesmo um grande trabalho no meio dos humildes, aos quais ele ensina, imitando o Mestre na voz, nos gestos e nos conceitos. Mas a dele é uma imitação teatral, pomposa, à qual falta o calor da convicção, e os seus ouvintes lhe dizem, sem cerimônias, o que faz com que o Judas fique nervoso e lhes lance em rosto que eles são uns obtusos e não entendem nada. E ele declara que os deixa, porque “não vale a pena jogar as pérolas da sabedoria aos porcos.” Mas ele para, porque os humildes, mortificados, lhe pedem que tenha compaixão deles, confessando-se “inferiores a ele, como um animal é inferior a um homem.”

Jesus está distraído, longe daquilo que estão dizendo os onze ao redor dele por estar escutando o que o Judas vai dizendo, e o que Ele ouve certamente não lhe dá alegria… Mas suspira e se cala, 515.2até passar a interessar-se por Bartolomeu, que lhe mostrou diversos pontos de vista sobre a razão pela qual Ele, inocente e sem pecado, deve sofrer.

Bartolomeu diz:

– Eu suponho que isso acontece porque o homem odeia o que é bom. Falo dos homens culpados, ou seja, da maioria. Essa maioria compreende que, na comparação com quem está sem pecados, fica ainda mais em realce a culpabilidade deles, os seus vícios e, por raiva disso, se vingam, fazendo sofrer quem é bom.

– Eu, ao contrário, afirmo que Tu sofres por causa do contraste entre a tua perfeição e a nossa miséria. Ainda que ninguém te desse nenhum desprezo, sofrerias do mesmo modo, porque a tua perfeição deve sentir um calafrio doloroso por causa dos pecados dos homens

– diz Judas Tadeu.

– Eu, por minha vez, acho que Tu, não estando privado da humanidade, sofres por causa do esforço ao teres que frear, com tua parte sobrenatural, as revoltas de tua humanidade contra os teus inimigos –diz Mateus.

– E eu, com certeza vou errar, porque sou um estulto, eu digo que Tu sofres porque o teu amor é rejeitado. Não sofres por não poderes punir como o teu lado humano poderia desejar, mas sofres por não poderes fazer o bem como quererias –diz André.

– Enfim, eu penso que Tu sofres, porque tens que sofrer toda dor para redimir toda dor. Não predominando em Ti esta ou aquela Natureza, mas igualmente estando essas duas naturezas em Ti fundidas em perfeito equilíbrio, para formarem a Vítima perfeita. Tão sobrenatural, a ponto de poder ser válida para aplacar a ofensa feita à Divindade, e tão humana, a ponto de poder representar a Humanidade e reconduzi-la ao estado imaculado do primeiro Adão, a fim de anular o passado e gerar uma nova humanidade. Tornar a criar uma humanidade nova, segundo o pensamento de Deus, isto é, uma humanidade na qual esteja realmente a imagem e a semelhança de Deus e o destino do Homem: a posse, o poder aspirar à posse de Deus, no seu Reino. Tu deves sofrer sobrenaturalmente, e sofres por tudo o que vês fazer e pelo que está ao redor de Ti, eu poderia dizer: com uma perpétua ofensa a Deus. Tu deves sofrer humanamente, e sofres, para extirpar a libidinagem de nossa carne, que foi envenenada por Satanás. Com o sofrimento completo das duas perfeitas naturezas, Tu anularás completamente a ofensa feita a Deus, a culpa do homem –diz Zelotes.

Os outros ficam calados. Jesus lhes pergunta:

– E vós, não dizeis nada? Segundo vós, qual foi a definição mais justa?

Uns dizem que foi esta, outros que aquela. Somente Tiago de Alfeu fica calado, junto com João.

– E vós dois? Não aprovais nenhuma? –incita-os Jesus.

– Não. Percebemos em todas algo de verdadeiro ou até muito de verdadeiro. Mas percebemos que falta a verdade mais verdadeira.

– E não a sabeis achar?

– Talvez eu e João a teríamos achado. Mas nos parece quase uma blasfêmia dizê-lo, porque… Nós somos uns bons israelitas e tememos tanto a Deus a ponto de quase não podermos dizer o seu Nome. E pensar que, se o homem do povo eleito, o homem filho de Deus quase nem pode pronunciar o Nome bendito, e cria outros nomes para dá-los ao seu Deus, que Satanás possa ousar fazer mal a Deus, parece-nos um pensamento blasfemo. E, no entanto, percebemos que a dor te está sempre perseguindo, porque tu és Deus, e Satanás te odeia. Ele te odeia como a nenhum outro. Tu encontras o ódio, meu irmão, porque Tu és Deus –diz Tiago.

– Sim. Encontras ódio porque és o Amor. Não são os fariseus nem os rabis, não é este nem aquele, nem por isto ou por aquilo, que se levantam para fazer-te sofrer. É o ódio que se apodera dos homens e os levanta contra Ti, lívido pelo ódio, porque com o teu Amor Tu arrebatas ao ódio muitas presas –diz João.

– Está faltando ainda uma coisa às muitas definições. Procurai a razão mais verdadeira. Aquela pela qual Eu sou… –encoraja-os Jesus.

Mas ninguém a acha. Pensam, pensam. E, afinal, se entregam, dizendo:

– Não achamos…

– É tão simples. Ela está sempre diante de vós. Ela ressoa nas palavras de nossos livros, nas figuras de nossas histórias… Vamos! Coragem! Procurai! Em todas as vossas definições há verdades, mas está faltando a razão principal. Procurai-a, não no dia de hoje, mas num passado bem distante, antes dos profetas, antes dos patriarcas, antes da criação do Universo…

Os apóstolos ficam pensativos… mas não acham.

Jesus sorri. Depois diz:

– No entanto, se vos lembrardes de minhas palavras encontrareis a razão. Mas não podeis lembrar-vos de tudo por enquanto. Mas um dia vos lembrareis.

515.3Escutai. Vamos subir de novo pelo curso dos séculos, até além dos limites do tempo. Quem foi que desgastou o espírito do homem, vós o sabeis. Foi Satanás, a Serpente, o Adversário, o Inimigo, o ódio. Dai-lhe o nome que quiserdes. Mas, por que o desgastou? Por uma grande inveja: a de ver o homem destinado ao Céu, do qual ele havia sido expulso. Quis para o homem o exílio que ele tinha recebido. Por que ele foi expulso? Por ter-se rebelado contra Deus. Vós o sabeis. Mas em quê? Na desobediência. E então, não é também necessariamente lógico que, para restabelecer a ordem, que é sempre Alegria, não deva existir uma obediência perfeita? Obedecer é difícil, especialmente se se trata de matéria grave. O que é difícil faz sofrer a quem o executa. Pensai, pois, que, se Eu, que fui interrogado pelo Amor se queria trazer Alegria aos filhos de Deus, se Eu não devo sofrer infinitamente para cumprir o dever da obediência ao Pensamento de Deus. Portanto, Eu devo sofrer para vencer, para cancelar não um ou mil pecados, mas o próprio Pecado por excelência que, no espírito angélico de Lúcifer ou naquele que animava Adão, esteve e estará sempre, até o último homem, o pecado da desobediência a Deus.

Vós, homens, deveis obedecer limitadamente aquele pouco — parece-vos muito, mas é tão pouco — que Deus exige de vós. Em sua Justiça, Ele exige de vós somente o que podeis cumprir. Mas Eu conheço todo o seu Pensamento, quanto aos grandes e pequenos acontecimentos. Para mim não foram postos limites quanto ao conhecer e ao realizar. O amoroso sacrificador, o Abraão divino, não poupa sua Vítima, o seu Filho. É o Amor, não saciado e ofendido, que exige reparação e oferta. Se Eu vivesse mil e mais mil anos, não seria nada se não consumasse o Homem até sua última fibra, assim como nada teria acontecido se, desde a eternidade, Eu não tivesse dito “Sim” ao meu Pai, dispondo-me a obedecer, como Filho de Deus e como homem, no momento achado justo por meu Pai.

A obediência é dor e é glória. A obediência, como o espírito, não morre nunca. Em verdade eu vos digo que os verdadeiros obedientes se tornarão deuses, mas depois de uma luta contínua contra si mesmos, contra o mundo e contra Satanás. A obediência é luz. Quanto mais obedientes formos, mais luminosos seremos e veremos. A obediência é caridade, porque é um ato de amor e paciência, e quanto mais obedientes formos, mais suportaremos as coisas e as pessoas. A obediência é humildade e, quanto mais obedientes formos, mais humildes seremos para com o próximo. A obediência é caridade, porque é um ato de amor e, quanto mais formos obedientes, mais os atos serão numerosos e perfeitos. A obediência é heroicidade. E o herói do espírito é o santo, o cidadão dos Céus, o homem divinizado. Se a caridade é a virtude na qual se reencontra a Deus Uno e Trino, a obediência é a virtude na qual se encontra a Mim, o vosso Mestre. Fazei com que o mundo vos conheça como meus discípulos por uma obediência absoluta a tudo o que é santo.

515.4Chamai Judas. Tenho alguma coisa a dizer também a ele.

Judas chega. Jesus mostra o panorama, que aos poucos vai desaparecendo, à medida que vão descendo, e diz:

– Uma pequena parábola para vós, futuros mestres de espíritos. Tanto mais vereis, quanto mais subirdes pelo caminho da perfeição, que é árduo e penoso. Antes nós víamos as duas planícies, a Filistéia e a de Saron, com muitos povoados, campos e pomares, e até um azul longínquo, que era o grande mar, e o Carmelo, lá no fundo. Agora não vemos quase nada. O horizonte se restringe e mais ainda se restringirá, até desaparecer no fundo do vale. O mesmo acontece com quem desce nas coisas do espírito, em vez de subir, a sua virtude e sabedoria vai-se tornando sempre mais limitada , e seu juízo vai-se restringindo até anular-se. Nesse caso, um mestre de espírito terá morrido em sua missão. Já não discerne mais nem guia. É um cadáver, e pode corromper como ele mesmo se corrompeu. A descida, às vezes, ou quase sempre, convida, porque lá embaixo estão as satisfações da sensualidade. Nós também descemos ao vale para achar repouso e alimento. Mas se isso é necessário ao nosso corpo, não é necessário satisfazer ao apetite da sensualidade e à preguiça do espírito descendo aos vales do sensualismo moral e espiritual. Somente em um vale é permitido tocar: no da humildade. Mas é porque nesta o próprio Deus desce para arrebatar o espírito humilde e elevá-lo a si. Quem se humilha, será exaltado. Qualquer outro vale é letal, porque se afasta do Céu.

– Foi para isso que me chamaste, Mestre?

– Foi para isso, Tu andaste falando muito com aqueles que te estavam interrogando…

– Sim, e não vale a pena. São mais tapados do que uns burros.

– E Eu bem que quis pôr um pensamento onde não ficou mais nada. Para que possas nutrir o teu espírito.

Surpreso, Judas olha para Jesus. Mas ele não sabe se as palavras de Jesus são um elogio ou uma reprovação. Os outros que não haviam assistido aos discursos do Iscariotes com os acompanhantes, não compreendem que Ele está censurando Judas por sua soberba.

515.5E Judas prefere levar com cuidado o assunto para outros rumos e pergunta:

– Mestre, que pensas? Aqueles romanos, como o homem de Petra, poderão algum dia aprender a tua Doutrina, tendo tido eles tão pouco contato contigo? E aquele Alexandre? Ele lá se foi… Não o veremos mais. E estes também. Dir-se-ia que neles há um instintiva busca da verdade, mas estão mergulhados até o pescoço no paganismo. Será que chegarão a aprender alguma coisa de bom?

– Queres dizer, a encontrar a Verdade?

– Sim, Mestre.

– E, por que não haveriam de consegui-lo?

– Porque são uns pecadores.

– E serão só eles pecadores? Entre nós não os há?

– Há, e muitos, eu admito. Mas por isso eu digo que, se nós, já nutridos com a sabedoria e a verdade há tantos séculos, somos pecadores e não conseguimos tornar-nos justos e seguidores da Verdade que Tu ensinas, como poderão fazer eles, saturados de imundícies como estão?

– Todos os homens podem alcançar, conseguir e possuir a verdade, isto é, Deus. Seja lá qual for o ponto de onde eles partirem para chegar a ela. Quando não há soberba na mente nem depravação na carne, mas uma sincera busca da Verdade e da Luz, pureza de intenção e o desejo de Deus, uma criatura está com toda a segurança no caminho para Deus.

– Soberba da mente… e depravação da carne… Mestre… então…

– Continua no teu pensamento, porque ele é bom.

Judas pensa em alguma evasiva, e depois diz:

– Então, eles não podem chegar a Deus, porque são uns depravados.

– Não era bem isso que tu querias dizer, Judas. Por que puseste uma mordaça em teu pensamento e em tua consciência? Oh! Como é difícil que o homem suba até Deus! Pois o obstáculo maior está nele mesmo, que não quer confessar, refletir sobre si mesmo e sobre seus defeitos. Na verdade, também Satanás é caluniado muitas vezes, pois muitos debitam a ele todas as causas de ruína espiritual. E mais caluniado ainda é Deus, ao qual debitam tudo o que acontece. Deus não viola a liberdade do homem. E Satanás não pode prevalecer contra uma vontade firme no Bem. Em verdade, Eu vos digo que setenta vezes em cem o homem peca por sua vontade. E não se pensa nisso, mas assim é, e não se levanta do pecado, porque evita examinar-se e, mesmo quando a consciência, com um movimento imprevisto, se levanta nele e grita a verdade sobre a qual ele não quis meditar. O homem sufoca aquele grito, apaga aquela figura que se levantou, enérgica e aflita, diante de sua inteligência, e altera, contrariado, o pensamento que lhe foi sugerido por aquela voz acusadora, e não quer dizer, por exemplo, assim: “Mas, então, nós, eu, não podemos alcançar a verdade, porque temos a soberba da mente e a corrupção da carne.” Sim, na verdade, entre nós não se vai pelos caminhos de Deus, porque entre nós há a soberba da mente e a corrupção da carne. Uma soberba verdadeiramente semelhante à de Satanás, enquanto são julgadas ou obstaculizadas as ações de Deus, quando elas são contrárias aos interesses dos homens e dos partidos. E este pecado fará de muitos de Israel os condenados para sempre.

– Mas nós não somos todos assim.

– Não. Ainda há espíritos bons, e em todas as classes. Mais numerosos entre os humildes do povo do que entre os doutos e os ricos. Mas há. E quantos são? Quantos, tendo em vista este povo da Palestina ao qual há três anos eu venho evangelizando e fazendo-lhe benefícios, e pelo qual Eu me consumo? Há mais estrelas em uma noite nublada, do que espíritos desejosos de vir ao meu Reino em Israel.

– E os gentios, aqueles gentios, virão?

– Não todos, mas muitos. Mesmo entre os meus discípulos nem todos perseverarão até o fim. Mas não nos preocupemos com os frutos que, apodrecidos, caem do ramo. Procuremos, enquanto pudermos, não deixá-los apodrecer, usando de doçura, firmeza, com a censura e o perdão, com paciência e caridade. Depois, quando eles disserem “não” a Deus e aos irmãos que os querem salvar, e se jogarem nos braços da morte, de Satanás, e morrerem impenitentes, inclinemos a cabeça e ofereçamos a Deus a nossa dor por não o termos podido fazer ficar alegre por aquela alma, salvando-a. Todos os mestres conhecem seus fracassos. E elas também são úteis. Para conservar humilde o orgulho do mestre de almas e provar sua constância no ministério. O fracasso não deve cansar a vontade do educador de espíritos. Mas, pelo contrário, deve animá-lo a fazer mais e melhor no futuro.

515.6– Por que disseste ao decurião que o tornarias a ver em um monte? Como consegues saber isso?

Jesus olha para Judas com um olhar longo e estranho, um misto de tristeza e de sorriso, e diz:

– Porque ele será um dos que estarão presentes à minha elevação, e dirá ao grande doutor de Israel uma palavra de verdade. E a partir daquele momento começará o seu caminho seguro para a Luz. Mas eis-nos chegados a Gabaon. Pedro, vai com os outros anunciar-me. Eu falarei logo, para despedir-me dos que me acompanham e que vieram de povoados vizinhos. Os outros ficarão comigo até depois do sábado. E tu, Judas, fica junto com Mateus, Simão e Bartolomeu.

(Eu não reconheci no decurião1 nenhum dos soldados presentes à Crucifixão. Mas devo também dizer que, preocupada em uma observação atenta do meu Jesus, não prestei muita atenção neles. Para mim, eles eram um grupo de soldados postos à frente do serviço. Nada mais. Além disso, quando eu podia observá-los melhor, havia uma luz que apenas permitia ver e reconhecer os rostos já conhecidos. Penso, porém, pelas palavras de Jesus, que seja aquele soldado que diz a Gamaliel algumas palavras de que não me lembro, e que eu não posso citar porque estou sozinha, e não posso pedir que alguém me dê o caderno da Paixão).

1 decurião é o chefe do manípulo romano, ou graduado, encontrado em 514.7/9; preocupada em uma observação atenta do meu Jesus, na cena da Crucificação, escrita antes (27 de março de 1945), mas colocada em seguida, no capítulo 609.


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