386. 386. Em direção à margem ocidental do Jordão.
17 de fevereiro de 1946.
386.1 Jesus está de novo a caminho. Tendo virado as costas para o norte, vai acompanhando as curvas do rio, procurando achar quem possa passá-lo para o outro lado. Os seus estão todos a seu lado, e vão relembrando os acontecimentos dos poucos dias que ficaram no povoado do Salomão, e na casa dele. Pelo que eu pude depreender, eles lá ficaram, enquanto não se espalhou por entre os inimigos a notícia de que o Mestre estava presente lá, e, logo que isso aconteceu, eles foram-se embora de lá, deixando o velho Ananias encarregado de guardar a casa, agora que ele já se sentia feliz em sua pobreza, já não mais abandonada como antes.
– Esperemos que o estado dos ânimos continue como está agora
–diz Bartolomeu.
– Se formos até lá, e voltarmos, como diz o Mestre, nós os conservaremos naquelas disposições –responde Judas de Alfeu.
– Como estava chorando o pobre do velho! Ele ficou emocionado… –diz ainda, comovido, André.
386.2 – E agradaram-me muito as suas últimas palavras. Não é verdade, Mestre, que ele falou como um sábio? –diz Tiago de Zebedeu.
– Eu digo que ele falou como um santo! –exclama Tomé.
– É verdade. E Eu levarei em conta o seu desejo –responde Jesus.
– Mas, que foi que ele disse, afinal? Eu estava fora com João, pois tínhamos ido dizer à mãe do Miguel que se lembrasse de fazer o que o Mestre mandou, e eu não estou sabendo de que é que se trata –diz Iscariotes.
– Ele disse assim: “Senhor, se Tu passares pelo povoado de minha nora, dize-lhe que eu não conservo rancor dela, e que estou contente por não ser mais um abandonado, para que assim seja menos rigoroso para ela o julgamento de Deus. Dize-lhe que faça que os netos cresçam na fé do Messias, pois assim eu os terei comigo no Céu, e, logo que eu estiver na paz, rezarei por eles e por sua salvação.” E Eu o direi. Irei procurar a mulher, e lho direi, pois isso é bom –diz Jesus.
– Não disse nenhuma palavra de repreensão! Pelo contrário, ele se julga feliz porque, não estando mais morrendo de fome, nem abandonado, ainda diminui o pecado da mulher. É uma coisa admirável!
–observa Tiago do Alfeu.
– Mas aos olhos de Deus diminuirá mesmo a culpa da nora? Isso é para se saber! –diz Judas de Alfeu.
Os pareceres são conflitantes. Mateus se volta para Jesus:
– Que achas, Mestre? As coisas ficarão como estavam antes, ou mudarão?
– Mudarão…
– Estás vendo como eu tenho razão? –diz, triunfante, Tomé.
Mas Jesus faz um sinal para que o deixem falar, e diz:
– Mudarão para o velho, tanto no Céu, como na terra, por causa da doçura e da mansidão dele. Para a mulher, não mudarão. A culpa dela continua e está gritando diante dos olhos de Deus. Somente se ela se arrependesse, é que se poderia mudar o seu julgamento severo. E Eu lhe direi isso.
386.3 – Onde ela mora?
– Em Massada, com os seus irmãos.
– E Tu queres ir até lá?
– Aqueles lugares também precisam ser evangelizados…
– E vais a Keriot também?
– Tornaremos a subir para Keriot, depois de termos ido a Massada, e iremos a Juta, a Hebron, a Betsur, a Beter, para estarmos em Jerusalém, para Pentecostes.
– Lá em Massada costuma estar Herodes…
– Isso não importa. Massada é uma fortaleza. Mas ele não mora lá. E, mesmo que morasse! Não será a presença de um homem que me irá impedir de ser o Salvador.
– Mas, em que ponto atravessaremos o rio?
– Na altura de Gálgala. De lá iremos margeando, guiando-nos pelas montanhas. As noites agora estão frescas, e a lua nova do mês de Ziv já está dando alguma claridade no céu sereno.
– Se vamos andar por aqueles lugares, por que não vamos também ao Monte, onde jejuaste? É justo que nós todos o conheçamos bem –diz Mateus.
– Iremos lá também. Mas lá vem uma barca. Combinai sobre a passagem, a fim de que possamos atravessar para o outro lado.