268. 268. Lição sobre a caridade com a paráboladas nozes. O jugo de Jesus é leve.
1 de setembro de 1945.
268.1Jesus, tendo Manaém a seu lado, sai da casa da viúva, dizendo:
– A paz esteja contigo e com os teus. Depois do sábado, nos reencontraremos. Adeus, pequeno José. Amanhã, vai descansar e brincar, para depois me ajudares de novo. Por que estás chorando?
– Estou com medo de que não voltes mais…
– Eu digo sempre a verdade. Mas, será que te desagrada tanto que Eu me vá embora?
O menino faz sinal que sim.
Jesus o acaricia, e diz:
– Um dia passa depressa. Amanhã tu estás com a mamãe e os irmãos. E Eu estou com os meus apóstolos, e falando com eles. Nestes dias passados, Eu falei a ti para ensinar-te a trabalhar, e agora Eu vou a eles para ensiná-los a pregar e a serem bons. Tu, um menino, no meio de tantos homens, não irias brincar comigo.
– Oh! Eu me divertiria, porque estaria contigo.
– Eu já entendi, mulher. O teu filho faz como muitos, e que são os melhores. Ele não quer me deixar. Tu o confias a Mim, deixando-o comigo até depois de amanhã?
– Oh! Senhor! Eu tos daria até todos! Contigo eles estão seguros como no Céu… E este menino, que era o que estava mais com o pai do que os outros, tem sofrido demais. Agora, ele tornou a encontrá-lo… Estás vendo?… Outra coisa ele não faz, senão chorar e ir-se enfraquecendo. Não chores, meu filho. Pergunta ao Senhor se não é verdade o que eu estou dizendo. Mestre, eu, para consolá-lo, sempre lhe tenho dito que ele não perdeu o pai, mas que ele somente foi para longe de nós, por algum tempo.
– E é verdade. É assim mesmo como diz tua mãe, pequeno José.
– Mas, enquanto eu não morrer, não tornarei a encontrá-lo. E eu ainda estou pequeno. E, se eu ficar velho como Isaque, quanto tempo terei que esperar?
– Pobre menino! Mas o tempo passa logo!
– Não, Senhor. Há três semanas que eu estou sem o pai, e me parece muito, muito tempo!… Sem ele, para mim nada tem importância… –e chora, sem fazer barulho, mas com muito sentimento.
– Estás vendo? Ele fica sempre assim. Especialmente quando não está ocupado em coisas que lhe prendam a atenção. Aos sábados, é um tormento. Eu fico com medo de que ele morra…
– Não. Eu tenho um outro menino sem pai e sem mãe. Ele era magrinho e triste. Agora está com uma boa mulher de Betsaida e, com a certeza de não estar separado de seus pais, ele floresceu na carne e no espírito. Assim acontecerá com o teu. Pois, pelo que Eu vou dizer a ele, e porque o tempo é um grande médico, e também porque, quando ele te vir mais tranquila por causa do pão de cada dia, ele também ficará mais tranquilo. 268.2 Adeus, mulher. O sol está quente, e Eu preciso ir. Vem, José. Saúda a mamãe, os irmãozinhos e a vovó, e depois procura alcançar-me, correndo.
E Jesus se vai.
– E agora, que dirás aos apóstolos?
– Direi que tenho um discípulo velho e um novo.
Vão caminhando através de Corozaim, que está fervilhando de gente nas ruas.
Um grupo de homens faz Jesus parar:
– Vais indo para a frente? Não paras no sábado?
– Não. Eu vou a Cafarnaum.
– Mas sem dizeres nem uma palavra, durante toda a semana. Não somos dignos da tua palavra?
– Eu não vos dei, durante seis dias, a melhor palavra?
– Quando? E a quem?
– A todos. Falando do banco de carpinteiro. Por alguns dias Eu preguei que o próximo é amado e ajudado de diversos modos, especialmente quando se trata dos fracos, como são as viúvas e os órfãos. Adeus, vós de Corozaim. Meditai, durante o sábado, nesta minha lição.
E Jesus se encaminha de novo para onde ia, deixando boquiabertos os cidadãos.
Mas o menino, que o alcança na corrida, faz que esses cidadãos despertem em sua curiosidade, e digam de novo a Jesus, que eles tornaram a parar:
– Vais levando embora o filho homem da viúva? Para quê?
– Para ensiná-lo a crer que Deus é Pai, e que em Deus ele encontrará o pai que ele perdeu. E também para que haja alguém que creia aqui, no lugar do velho Isaque.
– Com os teus discípulos, há três de Corozaim.
– Com os meus. Não aqui. Este irá ficar aqui. Adeus.
E, segurando o menino no meio, entre Ele e Manaém, vai indo depressa, através da campina, rumo a Cafarnaum, e conversando com Manaém.
268.3Chegam a Cafarnaum, quando os outros apóstolos já tinham chegado. Sentados no terraço, à sombra de um suporte, ao redor de Mateus, estão contando o que fizeram a seu companheiro, que ainda não está são. Viram-se, ao leve barulho de umas sandálias na escadinha, e veem a cabeça loura de Jesus, que vai aparecendo aos poucos, por sobre o pequeno muro do terraço. Correm a Ele, que está sorrindo… e ficam espantados por verem que, atrás de Jesus, está um pobre menino. A presença de Manaém, que vai subindo todo pomposo, vestido com sua veste de linho alvo, e tornada ainda mais bela pela cinta preciosa, pelo manto de um vermelho chama, de linho tingido e tão brilhante que parece seda, levemente apoiado sobre seus ombros, a fazer-lhe como uma cauda atrás dos ombros, e pelo turbante de bisso, preso por um leve diadema de ouro, uma lamina burilada, que lhe parte ao meio a fronte espaçosa, dando-lhe quase um ar de rei egípcio, e está com uma avalanche de perguntas, que seus olhos estão mostrando que são bem claras. Mas, depois das saudações recíprocas, sentados junto a Jesus, os apóstolos lhe perguntam: “E este?” –mostrando-lhe o menino.
– Este é a minha última conquista. Um pequenino José, carpinteiro como o grande José, que foi meu pai. Por isso, ele me é muito querido, como querido eu sou para ele. Não é verdade, menino? Vem cá, que Eu vou fazer-te conhecer estes meus amigos, dos quais tanto já tens ouvido falar. Este é Simão Pedro, o homem bom para com os meninos, como nenhum outro. E este é João: um menino grande, que te falará de Deus, até quando está brincando. Este é Tiago, irmão dele, sério e bom como um irmão mais velho. E este é André, irmão de Simão Pedro: tu ficarás logo de acordo com ele, porque é manso como um cordeiro. Depois, aqui está Simão, o Zelotes. Ele gosta tanto dos meninos que não têm pai, que Eu acho que seria capaz de andar ao redor de toda a terra, se não estivesse comigo, só para ir atrás deles. Depois, aqui está Judas de Simão, e com ele Filipe de Betsaida e Natanael. Estás vendo como estão olhando para ti? Eles gostam de tudo o que eu gosto, e por isso gostarão de ti. Agora vamos a Mateus, que está sofrendo com o seu pé, mas que, no entanto, não tem raiva daqueles meninos que, brincando estouvadamente, o feriram com uma pedra cortante. Não é assim, Mateus?
– Oh! não, Mestre. É o filho da viúva?
– Sim. É muito inteligente, mas agora ficou assim, muito triste.
– Oh! Pobre menino! Eu vou mandar chamar o Tiaguinho, e irás brincar com ele –e Mateus o acaricia, puxando-o com uma mão para perto de si.
Jesus termina a apresentação por Tomé, que acha oportuno completá-la, oferecendo ao menino um cacho de uvas apanhado no suporte.
– Agora sois amigos –conclui Jesus, que vai sentar-se de novo, enquanto o menino chupa as uvas, e vai respondendo a Mateus, que o conserva perto de si.
268.4– Mas, onde estiveste durante a semana toda?
– Em Corozaim, Simão de Jonas.
– Isto eu sei. Mas, que é que estiveste fazendo? Estiveste em casa de Isaque?
– Isaque, o Adulto, morreu.
– E, então?
– Mateus não te disse?
– Não. Ele somente me disse que estavas em Corozaim, no dia depois da nossa partida.
– Mateus é mais inteligente do que tu. Ele sabe calar-se. E tu não sabes refrear a tua curiosidade.
– Não a minha. Mas a de todos.
– Pois bem. Eu fui a Corozaim para pregar a caridade por meio de obras.
– A caridade por obras? Que é que queres dizer? –perguntam muitos.
– Em Corozaim há uma viúva com cinco meninos e uma velha doente. O marido dela morreu de repente, no banco de trabalho, deixando atrás de si a miséria e muitos trabalhos por acabar. Corozaim não foi capaz de achar uma migalha de piedade para com esta família infeliz. E Eu fui até lá para terminar os trabalhos e…
Aí começou uma gritaria. Uns perguntam, outros protestam, alguns censuram Mateus por havê-lo permitido, uns ficam admirados, outros criticam. E, infelizmente, os que protestam ou criticam são a maioria.
Jesus deixa que a tempestade se acalme, do mesmo modo como se formou e, como resposta, diz somente isto:
– E Eu voltarei para lá depois de amanhã. E assim vou fazer, até terminar os trabalhos. E fico esperando que pelo menos vós o compreendais. 268.5Corozaim é como uma noz, fechada e sem semente. Pelo menos vós, sede nozes com sementes. Tu menino, dá-me cá a noz que Simão te deu, e escuta-me, tu também.
Estais vendo esta noz? E Eu pego esta, porque não tenho aqui qualquer outro caroço de fruta, ao alcance das mãos. Mas, para compreenderdes a parábola, pensai nas nozes dos pinheiros ou das palmeiras, pensai nas mais duras, nas das azeitonas, por exemplo. Elas são uns estojos fechados, sem fendas, muito duros e de uma madeira compacta. Parecem uns escrínios mágicos, que só podem ser abertos, usando muita força. Pois bem. Se um deles for lançado à terra, ou apenas por cima da terra, e algum passante o afundar, pisando em cima dele e fazendo-o penetrar o tanto quanto baste para que ele se acomode na terra, que acontece? Acontece que o escrínio se abre, e lança raízes e folhas. Como é que isso acontece por si mesmo? Nós temos que bater muito com o martelo na noz, para conseguirmos abri-la, e, no entanto, sem que nela batamos, a noz se abre por si mesma. Será talvez uma semente mágica? Não. É que ela tem dentro de si uma polpa. Oh! Uma coisa muito fraca, em comparação com o caroço duro! E, apesar disso, ela tem que alimentar uma outra coisa ainda menor, que é o germe. E este é que é a alavanca, que faz força e abre e produz uma planta com raízes e copa. Experimentai enterrar umas nozes, e ficai esperando. Vereis que umas nascem, outras não. Tirai aquelas que não nasceram. Abri-as com o martelo, e vereis que são sementes chochas. Portanto, não é só a umidade da terra, nem o calor, que fazem que a noz se abra. Mas é a polpa, ou melhor, a alma da polpa: é o germe que, inchando, funciona como uma alavanca, e a abre.
268.6Esta é a parábola. Vamos aplicá-la a vós.
Que foi que Eu fiz, que não ficasse feito? Por enquanto, teremos entendido tão pouco, que ainda não compreendemos que a hipocrisia é um pecado, e que a palavra é apenas um vento, se ela não for confirmada pelas obras, pela ação? Que é que Eu vos tenho sempre dito? “Amai-vos uns aos outros. O amor é o segredo e o preceito da glória.” E Eu, que o prego, deveria ser Eu sem caridade? Deveria Eu dar-vos o exemplo de um Mestre mentiroso? Não. Nunca!
Oh! Meus amigos. O nosso corpo é a noz dura. Na noz dura está encerrada a polpa: e a alma, e nela está o germe, que Eu nela coloquei. Ele é formado por muitos elementos. Mas o principal é a caridade. Ela é que serve de alavanca, para abrir a noz, e livrar o espírito das constrições da matéria, unindo-a de novo a Deus, que é Caridade.
A Caridade não se pratica só com palavras ou com dinheiro. Caridade só se faz com caridade. E que isso não vos pareça um jogo de palavras. Eu não tinha dinheiro, e para este caso só palavras não bastavam. Neste caso havia sete pessoas nas soleiras da fome e da angústia. O desespero vinha avançando, com suas garras pretas, para arrebatar e sufocar. O mundo se retirava, duro e egoísta, diante daquela desventura. O mundo mostrava não ter compreendido o mestre nas palavras que Ele disse. O Mestre evangelizou por meio de suas obras. Eu tinha capacidade e liberdade para fazê-lo. Eu tinha o dever de amar, por todo o mundo, àqueles infelizes que o mundo desama. E Eu fiz tudo isso.
Podereis criticar-me ainda? Ou deverei Eu criticar-vos na presença de um discípulo que não ficou com vergonha, por ter que expor sua pessoa ao trabalho com o serrote e apanhar das aparas para não abandonar o Mestre, e que — estou convicto disso terá ficado mais persuadido do que Eu, ao ver-me inclinado sobre a madeira, mais do que teria ficado se me visse sentado no trono, e de um menino que percebeu em Mim o que deveras Eu sou, apesar de sua ignorância, da desventura que o torna rude, e da sua absoluta virgindade de conhecimento do Messias, como Ele é na realidade?— ou deverei ser Eu que devo criticar-vos? Não dizeis nada? Vós não quereis humilhar-vos, a não ser quando Eu levanto a voz para corrigir ideias erradas. É por amor que assim faço. Mas, ponde em vós o germe que santifica, e que abre a noz. Se não, sereis sempre uns seres inúteis.
O que Eu fiz, vós deveis estar prontos a fazer. Por amor ao próximo, para levar até Deus uma alma, nenhum trabalho vos deve ser pesado. O trabalho, seja ele qual for, nunca é humilhante. Ao passo que humilhantes são as ações baixas, as falsidades, as denúncias mentirosas, as durezas, os abusos, as agiotagens, as calunias, as luxúrias. Estas humilham o homem. E estas coisas se praticam, mesmo por aqueles que querem dizer-se perfeitos e que certamente ficaram escandalizados por me verem trabalhar com o serrote e com o martelo.
Oh! Oh! O martelo! O indigno martelo, mas que, se for usado para fincar pregos em uma madeira, para se fazer uma coisa que possa dar comida a uns órfãos, então, ele se tornará uma ferramenta nobre! O martelo, ainda que não seja nobre, se for posto em minhas mãos, e para um fim santo, já não aparecerá mais o que era, e como desejarão ter um todos os que gostariam agora de gritar que estão escandalizados por causa dele! Oh! homem, tu que deverias ser luz e verdade, como tu és treva e mentira!
Mas vós, pelo menos vós, compreendei o que é o Bem! O que é a Caridade. O que é a Obediência. Em verdade, Eu vos digo que os fariseus são muitos. E que eles não estão ausentes entre estes que me rodeiam.
– Não, Mestre. Não digas isso! Nós… é porque Te amamos que não queremos certas coisas!
– É porque não entendestes nada ainda. 268.7Eu vos falei da Fé1 e da Esperança, e pensava que não fosse preciso falar-vos de novo sobre a Caridade, porque Eu tanto a exalo, que dela deveríeis estar já saturados. Mas estou vendo que vós a conheceis só de nome, sem saberdes qual é a natureza e a forma dela. Tendes dela um conhecimento como o que tendes da Lua. Estais lembrados de quando Eu vos disse que a Esperança é como o braço atravessado do doce jugo, que regula a Fé e a caridade, que é o patíbulo da humanidade, e o termo da salvação? Sim? Mas não compreendestes as minhas palavras, qual o significado delas. E, por que não me pedistes explicação delas? Pois Eu vos vou dá-las. É um jugo, porque obriga o homem a conservar baixa a sua soberba estulta, sob o peso das verdades eternas. E é um patíbulo para esta vossa soberba. O homem, que espera em Deus, seu Senhor, necessariamente humilha o seu orgulho, que gostaria de proclamar-se “deus”, mas reconhece que ele não é nada, e que Deus é tudo, que ele nada pode e que Deus pode tudo, que ele, homem, é um pó que passa, e que Deus é eternidade, que eleva o pó a um grau superior, dando-lhe um prêmio de eternidade. O homem se prega em sua cruz santa, para chegar à Vida. E aí o fixam as chamas da Fé, da Caridade, mas é a Esperança que o levanta até o Céu, pois ela está entre as outras duas. Mas guardai bem esta lição: se faltar a Caridade, o trono fica sem luz, e o corpo, despregado de um lado, inclina-se para a lama, por não ver mais o Céu. Ele anula assim os efeitos salutares da Esperança, e acaba tornando estéril até a Fé, porque, afastados de duas das três virtudes teologais, caem num enfraquecimento e enregelamento mortal.
Não recuseis a Deus, nem nas coisas muito pequenas. E já é recusar-se a Deus deixar de prestar ajuda ao próximo, por um orgulho pagão.
268.8A minha doutrina é um jugo que dobra a humanidade culpada e é um malho que rompe a casca dura para libertar o espírito. É um jugo e um malho, sim. Mas também quem a aceita não sente o cansaço que produzem as outras doutrinas humanas, e todas as outras coisas humanas, mas também quem se deixa ferir por elas não sente a dor de ser esmagado no seu eu humano, mas experimenta uma sensação de libertação. Por que é que procurais livrar-vos dela, para substituí-la por tudo o que é pesado e doloroso?
Vós todos tendes as vossas dores e as vossas canseiras. Toda a humanidade tem dores e canseiras, às vezes até acima das forças humanas. Desde o menino, como este, que já traz em seus pequenos ombros um grande peso, que o faz encurvar-se, e que afasta o sorriso infantil dos seus lábios, e a despreocupação de sua mente, que sempre, humanamente falando, não terá por isso nunca sido de um menino, até o velho que se inclina já para a tumba, com todos os seus desenganos e canseiras, com o peso e as feridas de sua longa vida. Mas na minha Doutrina e na minha Fé está o alívio para estes pesos opressores. Por isso, é chamada a “Boa Nova.” E quem a aceita e a obedece, será feliz desde esta terra, porque terá Deus para seu alívio, e as virtudes para lhe tornarem fácil e luminoso o caminho, como se elas fossem boas irmãs que, segurando-o pela mão, com suas lâmpadas acesas, lhe alumiarão o caminho e a vida, e lhe cantam as promessas eternas de Deus, até quando, depois que seu corpo tiver se inclinado em paz, já cansado nesta terra, e despertar-se no Paraíso.
Por que quereis, ó homens, ficar afadigados, desolados, cansados, desgostosos, desesperados, quando podeis ser aliviados e confortados? Porque vós também, meus apóstolos, quereis sentir os cansaços da missão, as suas dificuldades, a sua severidade, enquanto que, se tiverdes a confiança de um menino, podereis ter somente uma risonha tarefa, uma luminosa facilidade para cumpri-la, e compreender e sentir que ela é severa, somente para com os impenitentes, que não conhecem a Deus, mas que para os seus fiéis é como uma mãe, que segura a mão do menino pelo caminho, mostrando aos passos incertos do pequenino onde é que estão as pedras, os espinheiros, os ninhos das serpentes e os buracos, para que ele os fique conhecendo, e não corra perigos?
268.9Vós agora estais decepcionados. A vossa decepção teve um começo bem miserável! Vós estais decepcionados, primeiro, pela minha humildade, como se tivesse sido um delito contra Mim mesmo. E agora estais decepcionados, porque compreendestes que Me entristecestes, e que ainda estais tão longe da perfeição. Mas em alguns poucos esta segunda decepção é sem soberba. Sem aquela soberba que se sente pela verificação de que ainda nada são, visto que, pelo orgulho, já vos julgaríeis perfeitos. Tende somente a humildade cheia da boa vontade de aceitar a censura e de confessar que errastes, prometendo em vossos corações querer a perfeição, mas para um fim sobre-humano. E, depois disso, vinde a Mim. Eu vos corrijo, mas vos compreendo e me compadeço de vós.
Vinde a Mim, vós apóstolos, e vinde a Mim, vós todos, ó homens que sofreis por dores materiais, por dores morais, por dores espirituais. Estas últimas, produzidas pela dor de não saberdes santificar-vos como quereríeis por amor a Deus e com solicitude, e sem voltardes ao Mal. O caminho da santificação é longo e misterioso, e às vezes por ele se anda, sem que o caminhante saiba que vai indo pelas trevas, com o sabor de um tóxico na boca, e achando que não está indo para a frente, e que não está bebendo nenhum líquido celeste. Ele não sabe também que essa cegueira espiritual é um dos elementos da perfeição.
Felizes aqueles, três vezes felizes, os que continuam a andar, sem poderem gozar da luz e de doçuras, e não param porque nada estão vendo, nem ouvindo, e não ficam parados, dizendo “Enquanto Deus não me der delícias, eu não vou para a frente.” Eu vo-lo digo: a estrada mais escura se tornará mais clara, de repente, abrindo-se para paisagens celestes. O tóxico, depois de ter tirado todos os gostos pelas coisas humanas, se transformará em doçura do Paraíso para estes corajosos, que dirão, espantados “Como foi isso? Como é que eu estou sentindo tanta doçura e alegria?” Porque eles terão perseverado, e Deus os fará exultar, desde esta terra, com as coisas do Céu.
Mas, enquanto isso, para resistirdes, vinde a Mim, vós todos que estais afadigados e cansados, vós, apóstolos, e convosco todos os homens que procuram a Deus, que choram por causa da dor desta terra, que se extenuam, lutando sozinhos, e Eu vos restaurarei. Tomai sobre vós o meu jugo. Ele não é um peso, é um apoio. Abraçai a minha Doutrina, como se fosse uma esposa amada. Imitai o vosso Mestre, que não se limita a falar bem dela, mas faz o que ensina. Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração. Encontrareis o repouso para as vossas almas, porque mansidão e humildade vos dão o reino nesta terra e nos Céus. Eu já vo-lo disse que os verdadeiros triunfadores entre os homens são os que os conquistam pelo amor, pois o amor é sempre manso e humilde. Eu não vos mandaria nunca fazer coisas superiores às vossas forças, porque Eu vos amo e vos quero comigo no meu Reino. Tomai, pois, a minha insígnia e o meu tribunal e esforçai-vos para serdes semelhantes a Mim, e tais quais a minha Doutrina ensina. Não tenhais medo, porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve, enquanto que infinitamente poderosa é a glória de que gozareis, se me fordes fiéis. Infinita e eterna…
268.10Vou deixar-vos por algum tempo. Vou com o menino para o lado do lago. Ele encontrará amigos… Depois, partiremos juntos o pão. Vem, José. Eu vou fazer-te conhecer os pequenos que me amam.
1 falei da Fé, em 252.7/10; e da Esperança, em 256.6/7.
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