570. 570. Em Lebona, a parábola dos mal aconselhados.


28 de fevereiro de 1947.

570.1Estão para entrar em Lebona, cidade que não me parece muito importante nem bonita, mas que, em comparação com outras, vive sempre cheia de gente, visto que já se vão movimentando as caravanas que descem pela Páscoa até Jerusalém, vindas da Galileia e da Itureia, da Gaulanítide, da Traconítide, da Auranítide e da Decápole. Eu diria que Lebona era uma rota caravaneira, ou melhor, um ponto de encontro de várias estradas caravaneiras vindas daquelas regiões, desde o Mediterrâneo até os montes a leste da Palestina e do norte da mesma, para se reunirem neste lugar formando a grande estrada que conduz a Jerusalém. Provavelmente esta preferência de todos provenha do fato dessa estrada ser muito vigiada pelas forças armadas dos romanos e, por isso, os viandantes se sentiam mais seguros contra o perigo de encontros inconvenientes com os ladrões. Eu penso assim. Mas talvez a preferência deles possa ser por outras causas, como, por exemplo, recordações históricas ou sacras. Eu não sei.

As caravanas, quando chega a hora propícia — eu julgaria pelo sol serem agora oito da manhã — vão-se pondo em movimento com um grande barulho de vozes, de gritos, de zurros, de guizos e das rodas. Há mulheres chamando seus meninos, homens instigando seus animais, vendedores que oferecem mercadoria, contratações que se fazem entre os vendedores samaritanos e os que são… não tão hebreus, ou seja, os da Decápole e de outras regiões, pouco intransigentes porque mais misturados com elementos pagãos; ouvem-se recusas desdenhosas e até com impropérios, quando algum infeliz vendedor de Samaria se aproxima para oferecer os seus gêneros a algum dos exemplares do judaísmo. Fica parecendo que se tenham aproximado do próprio diabo, pelo tanto que gritam e amaldiçoam… suscitando reações muito fortes dos samaritanos ofendidos. E uma grande confusão sucederia se não estivessem ali os soldados romanos, formando uma boa guarda.

370.2Jesus entra no meio dessa confusão. Ao redor dele estão os apóstolos, atrás as discípulas e atrás delas a fila dos que vieram de Efraim, junto com muitos que vieram de Silo.

Um contínuo sussurro vai-se ouvindo à frente do Mestre. E o sussurro se espalha por entre aqueles que o veem e também entre os que estão mais longe e que ainda não o podem ver. Um, que é mais forte, o segue. Muitos resolvem partir mais tarde para poderem ver o que vai acontecer.

E perguntam uns aos outros:

– Como? Ele vai-se afastando da Judéia sempre mais? Estará pregando agora na Samaria?

Alguém falou com uma voz cantada, como na Galileia:

– Repeliram-no os santos e Ele se volta para os não santos a fim de escarnecer dos judeus.

Ouve-se uma resposta mais áspera do que um veneno azedo:

– Ele encontrou o seu ninho e os que entendem sua palavra de demônio.

Outra voz diz:

– Calai-vos, assassinos do Justo! Esta perseguição vos marcará através dos séculos com o mais feio dos nomes. Vós, corruptos, três vezes mais do que nós da Decápole.

Outra voz se ouve, e é de um velho sarcástico:

– Ele é tão justo que foge do Templo na Festa das festas. Eh! Eh! Eh!

Um de Efraim, vermelho de raiva, diz:

– Não é verdade. Tu estás mentindo, velha serpente. Ele está indo agora para sua Páscoa.

Um escriba barbudo diz com desprezo:

– Vai indo pelo caminho de Garizim.

– Não. Pelo de Mória. Ele vem abençoar-nos porque sabe amar. Depois subirá ao encontro do vosso ódio, malditos!

– Cala-te, samaritano!

– Cala-te, demônio!

– Quem faz subversão irá para as galeras. Pôncio Pilatos assim ordena. Lembrai-vos disso. E dispersai-vos, ordena um graduado romano, movimentando os seus dependentes a fim de separar os que já estão para se engalfinharem em uma das muitas disputas regionais ou religiosas, que estão sempre prontas para surgir na Palestina dos tempos de Cristo.

O povo se dispersa. Mas ninguém mais vai embora. Os asnos são levados de novo para as estrebarias, ou então, para onde Jesus se dirigiu. As mulheres e os meninos descem das selas e acompanham os maridos e os pais ou, então, ficam em um grupo tagarelando, se a opinião dos maridos ou dos pais assim achar conveniente, “para que eles não fiquem ouvindo o demônio falar.” Mas os homens amigos, os inimigos e até os simplesmente curiosos vão correndo para o lugar aonde Jesus foi. E se confortam com essa inesperada alegria, ou fazem perguntas aos amigos, aos inimigos, os amigos uns aos outros, e igualmente os curiosos.

570.3Jesus parou em uma praça, como sempre, perto de uma fonte sombreada por uma árvore. Está lá, na frente da parede úmida da fonte, meio recoberta por um pequeno pórtico aberto somente de um lado. Talvez seja mais um poço do que uma fonte. Parece com o poço de En Rogel.

Jesus está falando com uma mulher, que lhe apresenta o filhinho que ela segura em seus braços. Vejo como Jesus a atende, pondo sua mão sobre a cabeça do menino. E, logo depois, vejo que a mãe levanta o menino e grita:

– Malaquias, Malaquias, onde estás? O nosso filho não está mais aleijado –e a mulher entoa o seu hosana, ao qual se une toda a multidão, enquanto um homem vai abrindo caminho até chegar diante do Senhor.

O povo está comentando. As mulheres, muitas delas são mães, estão dando parabéns à mulher que recebeu a graça. Os que estão mais longe espicham o pescoço e perguntam: “Mas que é que houve?”, depois de terem gritado “hosana” para se unirem àqueles que já sabem o que foi que aconteceu.

– Um menino corcunda, tão corcunda que nem podia ficar em pé, a não ser com dificuldade. Era deste comprimento assim, eu vos digo, assim mesmo, de tão corcunda que era. Parecia ter uns três anos, mas já tinha sete. Agora, olhai para ele! É alto como todos, aprumado como uma palmeira, esbelto. Vede-o lá como está subindo no muro da fonte, para ser visto e para ver. E como ri feliz!

570.4Um galileu se vira para um que, pelas franjas largas na cintura, eu creio que adivinho se eu disser que é um rabi, e lhe pergunta:

– E então? Que é que dizes sobre isto? Será obra do demônio também esta? Na verdade, se o demônio estiver fazendo assim, acabando com tantas desventuras para fazer felizes os homens e Deus louvado, será preciso dizer que ele é o melhor servo de Deus!

– Blasfemador, cala a boca!

– Eu não estou blasfemando, rabi. Estou comentando o que vejo. Por que a vossa santidade só nos põe nas costas pesos, desventuras e impropérios sobre os lábios, enquanto que as obras do Rabi de Nazaré nos dão a paz e a certeza de que Deus é bom?

O rabi não responde, mas afasta-se dali e vai conversar com outros seus amigos. 570.5E um deles sai de lá, abre caminho e vai colocar-se na frente de Jesus, e o interpela sem tê-lo saudado antes, dizendo:

– Que é que tens a intenção de fazer?

– Falar àqueles que querem ouvir minha palavra –responde Jesus, olhando-o nos olhos sem desprezo, mas também sem medo.

– Isto não te é lícito. O Sinédrio não quer.

– Mas quem quer é o Altíssimo, a quem o Sinédrio deveria servir.

– Estás condenado. Tu o sabes. Cala-te, ou…

– O meu nome é Palavra. E a Palavra fala.

– Aos samaritanos. Se fosse verdade que Tu és quem dizes ser, não darias aos samaritanos a tua palavra.

– Eu a dei e a darei aos galileus, como aos judeus e como aos samaritanos, porque aos olhos de Jesus não há diferenças.

– Experimenta dá-la na Judéia, se tens coragem…

– É certo que Eu a darei. Esperai-me. Não és tu Eleazar ben Parta? Sim? Então, com certeza antes de Mim tu verás Gamaliel. Dize-lhe que Eu lhe darei a resposta que ele espera há vinte e um anos. Adeus.

– Onde? Onde é que queres falar, onde é que vais responder ao grande Gamaliel? Ele, com certeza, já deixou Gamala da Judéia para entrar em Jerusalém. Mas mesmo que ele ainda estivesse em Gamala, Tu não lhe poderias falar.

– Onde? E onde é que se reúnem os escribas e os rabis de Israel?

– No Templo? Tu, no Templo? E ousarias? Mas não sabes…

– Que vós me odiais? Eu sei. Basta-me não ser odiado por meu Pai. Daqui a pouco tempo, o Templo tremerá pela minha palavra.

E sem dar mais atenção ao seu interlocutor, Ele abre os braços para impor silêncio ao povo, que se agita em correntes opostas, e se tumultua contra os perturbadores. 570.6 De repente, fazem silêncio e, no silêncio, Jesus fala:

– Em Silo Eu falei sobre os maus conselheiros e de tudo o que pode fazer de um conselho uma coisa boa ou má. A vós, e não mais aos de Lebona somente, mas aos de todas as partes da Palestina, Eu proponho agora esta parábola. Nós lhe daremos o nome de “A parábola dos mal aconselhados.”

Ouvi. Tempos atrás, havia uma família muito numerosa que mais parecia uma tribo. Os filhos em grande número se haviam casado, e formaram, ao redor da primeira família, muitas outras famílias ricas de filhos, e estes, por sua vez, casando-se, haviam formado outras famílias. Desse modo o velho pai se achou à frente de um pequeno reino, do qual ele era o rei. Como sempre acontece nas famílias, entre os muitos filhos e os filhos dos filhos, bem diverso era o caráter deles. Uns eram bons e justos, outros eram prepotentes e injustos. Uns estavam contentes com o que tinham, outros estavam invejosos, parecendo a estes que sua parte era menor do que a do irmão ou do parente. Ora, ao lado do mais malvado, estava o melhor de todos. E era natural que o bom fosse mais ternamente amado pelo pai de toda a grande família. E, como sempre, aconteceu que o malvado e aqueles mais semelhantes a ele, passaram a odiar o bom, porque ele era mais amado, sem refletirem que eles também teriam podido ser amados se tivessem sido bons como ele. E o bom, ao qual o pai confiava os seus pensamentos para que ele os fosse transmitir a todos, era acompanhado pelos outros bons. De tal modo que, depois de muitos anos, a grande família se havia dividido em três partes. A dos bons e a dos maus. E entre esta e aquela, estava a terceira parte, formada pelos duvidosos, os quais se sentiam atraídos pelo filho bom, mas tinham medo do filho mau e dos que eram do partido dele. Esta terceira parte procurava acomodar-se entre uma e a outra das duas primeiras, e não sabia decidir-se nem por uma nem por outra, com firmeza.

Então o velho pai, vendo aquela incerteza, disse ao seu filho predileto: “Até agora, tu fizeste uso da tua palavra especialmente a favor daqueles que a recebem bem e por aqueles que não a recebem, porque os primeiros a querem para me amarem sempre com mais justiça, e os outros são uns estultos, que devem ser chamados à justiça. Mas tu estás vendo como estes estultos não só não a aceitam, ficando como eram, mas à primeira injustiça contra ti, que és cumpridor da minha vontade, eles unem ainda a de corromper com maus conselhos aqueles que ainda não sabem querer de verdade o caminho melhor. Vai, então, a eles e fala-lhes sobre o que é que eu sou, e sobre o que tu és, e sobre o que é que eles devem fazer para estarem comigo e contigo.”

570.7O filho, sempre obediente, foi fazer como o pai queria, e cada dia ia procurando conquistar os corações. Assim o pai pôde ver claramente quais eram os seus filhos que eram claramente rebeldes, e olhava para eles com severidade, mas sem reprová-los, por ser pai, e queria atraí-los com paciência, com amor e com o exemplo dos bons.

Mas os malvados, vendo-se sozinhos, disseram: “Assim, fica parecendo muito claramente que nós somos os rebeldes. Antes nos confundiam com aqueles que não eram nem bons nem maus. Agora, olhai-os lá! Vão indo todos atrás do filho dileto. É preciso agir. Destruir o trabalho dele. Vamos, finjamo-nos de arrependidos, entre aqueles que acabaram de converter-se agora e também entre os melhores dentre os mais simples. E espalhemos por aí que o filho dileto apenas finge que está servindo ao pai, mas na verdade ele atrai seguidores para depois revoltar-se contra ele. Ou, então, digamos que o pai tem a intenção de eliminar o filho e seus seguidores, porque estão triufando demais e ofuscando a sua glória de pai-rei, longe da casa paterna, onde o que o espera é a traição.”

E lá se foram, tão astutamente sutis em sugerir e em espalhar boatos e conselhos, que muitos caíram na armadilha, especialmente aqueles que há pouco tempo se tinham convertido, e aos quais os maus conselheiros davam este mau conselho: “Estais vendo quanto ele vos amou? Ele achou melhor vir para o meio de vós do que ficar com o pai, e muito menos com os bons irmãos. Tanto ele fez, que à vista do mundo vos levantou de vossa abjeção de seres que não sabiam nem o que queriam, e por isso eram objeto de zombaria para todos. Por causa dessa predileção dele por vós, vós tendes o dever de defendê-lo, e até de contê-lo com a força, se não bastarem as vossas palavras para persuadi-lo. Ou então, revoltai-vos, proclamando-o vosso chefe e rei, e marchai contra o pai iníquo e os filhos iníquos como ele.”

Estavam ainda falando a quem estava hesitando, e faziam esta observação: “Mas ele quer, sempre quis, que nós fôssemos com ele prestar honras ao pai e conseguiu para nós bênçãos e perdão”, e diziam a esses: “Não acrediteis. Nem tudo o que ele disse é verdade, nem toda a verdade ele vos mostrou. Ele fez assim porque percebe que o pai está para traí-lo e quis submeter à prova os vossos corações, a fim de saber onde encontrar proteção e refúgio. Mas talvez… ele seja muito bom. Talvez depois se arrependerá de ter duvidado do pai e quererá voltar para ele. Não permitais isso.”

E muitos prometeram: “Não o permitiremos”, e se entusiasmaram com seus planos para deterem o filho predileto, sem se darem conta de que, enquanto isso, os maus conselheiros diziam: “Nós vos ajudaremos a salvar o bendito”, e os olhos deles estavam cheios de um brilho de mentira e de crueldade, e que eles se davam piscadelas enquanto esfregavam as mãos, e diziam sussurrando: “Estão caindo na armadilha! Nós triunfaremos!”, a cada vez que mais alguém aderia às traiçoeiras palavras deles.

570.8Depois eles se foram, os maus conselheiros. Lá se foram, espalhando por outros lugares o boato de que dentro em breve se haveria de ver a traição do filho dileto, que sairia das terras do pai para criar um reino contra o pai, com aqueles que tinham ódio ao pai, ou pelo menos tinham um amor duvidoso. E os que acolhiam as sugestões dos maus conselhos, enquanto isso tramavam quanto ao modo de fazer o filho dileto cair no pecado de rebelião, que haveria de escandalizar o mundo.

Somente os mais sábios entre eles, aqueles nos quais havia penetrado mais profundamente a palavra do justo e neles havia lançado suas raízes por terem caído em terreno desejoso de acolhê-la, é que disseram, depois de terem refletido: “Não. Não é bom fazer isso. É um ato de maldade contra o pai, contra o filho e até contra nós. Nós conhecemos a justiça e a sabedoria tanto de um como do outro. E a conhecemos, ainda que infelizmente não lhe tenhamos obedecido sempre. E não devemos ficar pensando que os conselhos daqueles que sempre estiveram abertamente contra o pai e a justiça, e até contra o filho predileto do pai, possam ser mais justos do que aquele que nos deu o filho bendito.” E não os acompanharam. Pelo contrário, com amor e com dor, deixaram ir o filho lá para onde queria, e se limitaram a acompanhá-lo com sinais de amor até os limites de seus campos, e a prometer-lhe, ao se despedirem: “Tu vais. Nós ficamos. Mas as tuas palavras estão em nós e, de agora em diante, faremos o que o pai quer. Vai tranquilo. Tu nos tiraste para sempre do estado em que nos encontraste. Agora, colocados no bom caminho, saberemos ir para frente por ele até chegarmos à casa do pai, de tal modo, que sejamos abençoados por ele.”

Do outro lado, alguns aderiram aos maus conselhos e pecaram, tentando levar ao pecado o filho predileto e zombando dele, chamando-o de bobo, quando ele teimava em cumprir o seu dever.

570.9Agora Eu vos pergunto: “Por que foi que um mesmo conselho produziu efeitos diferentes?” Não respondeis? Eu vo-lo direi, como já o disse em Silo. Foi porque os conselhos ganham valor ou não valem nada, conforme o caso, se são ou não são bem recebidos. Inutilmente alguém é tentado com maus conselhos, porque se ele não quer pecar, não pecará. E não será punido por ter tido que ouvir as insinuações dos malvados. Não será punido porque Deus é justo e não pune por culpas não cometidas. Só será punido se, depois de ter ouvido o Mal que tenta, sem fazer uso da inteligência para meditar na qualidade do conselho nem na origem dele, coloca-o em prática. E não terá desculpa, se disser: “Eu pensei que era bom.” Bom é aquilo que agrada a Deus. Poderá por acaso Deus aprovar e receber com agrado uma desobediência? Pode Deus abençoar uma coisa que redunda em desobediência? Pode Deus abençoar uma coisa que esteja em contraste com sua Lei, isto é, com sua Palavra? Em verdade Eu vos digo que não, Eu vos digo que é necessário saber morrer em vez de transgredir a Lei divina.

Em Siquém tornarei a falar para tornar-vos justos em saber querer ou não querer praticar o conselho que vos foi dado. Ide.

570.10O povo ao sair de lá, vai comentando.

– Ouviste? Ele sabe o que foi que nos disseram! E nos conclamou para a justiça no querer –diz um samaritano.

– Sim. E tu viste como ficaram perturbados os judeus e os escribas que estavam presentes?

– Sim. Eles nem esperaram o fim para irem embora.

– Víboras más! Contudo… Ele diz o que vai fazer. E faz mal. Poderia causar aborrecimentos a si mesmo. Aqueles lá do Hebal e do Garizim ficaram bem exaltados!…

– Eu… eu nunca me deixei iludir. O Rabi é o Rabi. E dizer isso é dizer tudo. Pode o Rabi pecar, se não subir até o Templo de Jerusalém?

– Lá Ele encontrará a morte. Tu verás. E estará tudo acabado!…

– Para quem? Para Ele? Para nós? Ou… para os judeus?

– Para Ele. Se morrer.

– Tu és um tolo, homem. Eu sou de Efraim. E o conheço bem. Morei perto dele dois meses inteiros e até mais. Sempre Ele falava conosco. Será uma dor… Mas não será o fim. Nem para Ele nem para nós. Não pode morrer, acabar o Santo dos santos. Nem pode terminar assim para nós. Eu… sou um ignorante, mas acho que o Reino virá quando os judeus acharem que ele terminou… Mas o que terá terminado serão eles…

– Tu achas que os discípulos irão vingar a morte do Mestre? Ou que eles farão uma rebelião? Uma mortandade? E os romanos?…

– Oh! Não há necessidade de discípulos, de vingança dos homens, de morticínios. Será o Altíssimo quem os vencerá. Ele nos puniu muito bem, durante séculos, e por muito menos! Queres que Ele não os puna pelo pecado de atormentar o seu Cristo?

– Vê-los vencidos! Ah!

– Tu tens um desejo que o Mestre não aprovaria. Pois Ele reza pelos seus inimigos…

– Eu… vou atrás dele amanhã. Quero ouvir o que Ele vai dizer em Siquém.

– Eu também.

– E eu também…

Muitos de Lebona têm o mesmo pensamento e, confraternizando com os de Efraim e de Silo, estão indo preparar-se para partirem amanhã.