590. 590. O pranto sobre Jerusalém e a entrada triunfalna Cidade Santa. Morte de Anália.


30 de março de 1947.

590.1Jesus passa um braço por sobre os ombros de sua Mãe, que se levantou quando João e Tiago de Alfeu a alcançaram, para dizer-lhe. “O teu Filho está chegando”, e depois voltaram para trás para se reunirem com os companheiros, que vão andando lentamente, conversando, enquanto Tomé e André foram correndo a Betfagé a fim de procurar a jumenta com o jumentinho e levá-los a Jesus.

Enquanto isso, Jesus fica falando com as mulheres:

– Eis-nos aqui perto da cidade. Eu vos aconselho a irdes. E que vades com segurança. Entrai antes de Mim na cidade. Perto de En Rogel estão todos os pastores e os discípulos de mais confiança. Eles receberam a ordem para servir-vos de escolta e dar-vos proteção.

– É que… Nós já falamos com Azer de Nazaré e com Abel de Belém, e também com Salomão. Eles tinham vindo até aqui para ver a tua chegada. A multidão prepara uma grande festa. E nós queríamos ver. Estás vendo como se estão sacudindo as copas das oliveiras? Não é o vento que as está agitando desse modo. Mas é o povo que está apanhando ramos para espalhá-los pelo caminho e cobrir-te dos raios do sol. E aquilo lá? Olha como estão despojando as palmeiras de seus leques. Parecem ser uns cachos pendurados, mas são homens que subiram pelos caules das palmeiras e estão colhendo o mais que podem. E nos declives os meninos estão curvados colhendo flores. E as mulheres certamente estão nos hortos e jardins, apanhando corolas e ervas cheirosas para encherem de flores o caminho. Nós queríamos ver… e imitar o gesto de Maria de Lázaro, que recolheu todas as flores pisadas por teus pés quando entraste no jardim de Lázaro

–diz afetuosamente por todas Maria de Cléofas.

Jesus acaricia sobre a face sua velha parenta, que mais parece uma menina cheia de vontade de ver o espetáculo, e lhe diz:

– No meio da grande multidão não veríeis nada. Ide na frente. Ide à casa de Lázaro, aquela que está sob a guarda de Matias. Eu passarei por lá e vós me vereis, lá do alto.

– Meu Filho… e Tu vais sozinho? Não posso estar perto de Ti?

–diz Maria, levantando o seu rosto cheio de tristeza e fitando seus olhos azuis como o céu sobre seu doce Filho.

– Eu gostaria de pedir-te que fiques escondida. Como a pomba na fenda do rochedo1. Mais do que da tua presença, eu preciso é da tua oração, minha Mãe querida.

– Se assim é, meu Filho, nós rezaremos, todas nós, por Ti.

– Sim. Depois de tê-lo visto passar, vireis conosco para o meu palácio em Sião. E eu mandarei alguns servos ao Templo, que irão sempre atrás do Mestre, a fim de que eles nos tragam as ordens dele e suas notícias –assim decide Maria de Lázaro, sempre alerta para compreender o que é melhor fazer e fazê-lo sem demora.

– Tens razão, minha irmã. Ainda que eu sofra por não poder acompanhá-lo, compreendo que a ordem é justa. E, afinal, Lázaro nos disse que não contradigamos ao Mestre em nada. E que lhe obedeçamos até nas menores coisas. E assim faremos.

– Então, ide. Estais vendo? As ruas vão ficando movimentadas. O povo já está quase alcançando os apóstolos. Ide. A paz esteja convosco. Eu vos farei vir nas horas que Eu julgar oportuno. Minha Mãe, adeus. Fica em paz. Deus está conosco.

Beija-a e se despede dela. E as obedientes discípulas lá se vão com cuidado.

590.2Os dez apóstolos alcançam Jesus:

– Tu as mandaste adiante?

– Sim. De alguma casa poderão ver a minha entrada.

– De qual casa? –pergunta Judas de Keriot.

– Ora! Já são tantas as casas amigas! –diz Filipe.

– Por que não vão para a de Anália –insiste Iscariotes.

Jesus responde negativamente e vai-se encaminhando para Betfagé, que fica pouco distante.

Ele já vai chegando perto quando vêm voltando os dois que foram mandados para buscar a jumenta e o jumentinho. E eles gritam:

– Achamos tudo o que disseste e te trouxemos os animais. Mas o dono deles quis escová-los e adorná-los com os melhores arreios a fim de prestar-te uma honra. E os discípulos, unidos aos que passaram a noite nas estradas de Betânia a fim de te prestarem honras, querem ter a honra de conduzi-los a Ti, e nós consentimos. Pareceu-nos que o amor deles merecia um prêmio.

– Fizestes bem. Então, vamos para frente.

– São muitos os discípulos? –pergunta Bartolomeu.

– Oh! São uma multidão. Não se consegue nem entrar pelas ruas de Betfagé. Por isso, eu disse a Isaque que leve o jumento, passando por Cleonte, o queijeiro –responde Tomé.

– Fizeste bem. Vamos até o cume da colina. E lá esperaremos um pouco à sombra daquelas árvores.

Eles vão para o lugar que Jesus lhes está mostrando.

– Mas assim nos afastamos do caminho. Tu estás à altura de

Betfagé, deixando-a já para trás! –exclama Iscariotes.

– E se assim Eu quero fazer quem é que me pode proibir? Será que Eu já sou um prisioneiro e não me seja mais permitido ir para onde quero? E haverá pressa para que Eu o seja e se teme que Eu possa escapar da captura? E se Eu julgasse justo afastar-me para lugares mais seguros, haverá quem me possa impedir?

Jesus dardeja com os seus olhos sobre o traidor, que não abre a boca e dá de ombros, como se dissesse: “Faze o que te parecer.”

De fato, eles passam por detrás da pequena cidade, eu diria por um subúrbio da cidadezinha, porque do lado oeste estão pouco longe dela, que já faz parte das encostas do Monte das Oliveiras que coroa Jerusalém do lado oriental. Lá embaixo, entre os declives e a cidade, as águas do Cedron brilham ao sol de abril.

Jesus se assenta no meio daquele silêncio verde e se concentra em seus pensamentos. Depois ele se levanta e vai até a borda do outeiro.

590.3Diz Jesus:

– Aqui colocarás a visão de 31 de julho de 1944: “Jesus que chora sobre Jerusalém”, a partir da frase que Eu te disse como começo da visão.

Depois Ele continua a mostrar-me as fases de sua entrada triunfal.

30 de julho de 1944.

590.4Não sei como farei para descrever, porque eu me sinto tão mal do coração que até para ficar sentada tenho dificuldade. Mas é assim mesmo. Eu devo escrever o que vejo. O Evangelho de hoje me ilumina o caminho: hoje é o 9º Domingo depois de Pentecostes.

De uma colina perto de Jerusalém, Jesus olha para a cidade estendida a seus pés. Esta não é uma colina muito alta. No máximo como pode ser a esplanada de São Miniato do Monte, em Florença. Mas é o bastante para que o olho domine sobre a extensão do terreno onde estão as casas e as ruas que sobem e descem pelas pequenas elevações do terreno onde está Jerusalém. Mas esta colina é certamente muito mais alta, se tomarmos por base o nível mais baixo da cidade; não tanto como o Calvário, mas por estar mais perto do muro do que ele. Ela nasce propriamente quase fora dos muros e se ergue com um salto rápido, ao lado dele, enquanto que, do outro lado, desce devagar para o campo todo verde que se estende para o leste. Pelo menos me parece ser o lado do oriente, se eu estiver interpretando bem pela luz solar.

Jesus e os seus estão debaixo de um conjunto de árvores, sentados à sombra delas. Estão descansando do muito que caminharam. Depois Jesus se levanta, deixa aquele espaço cheio de árvores onde estavam sentados e se dirige para onde desejava ir: para um lado do outeiro. Sua alta estatura se destaca nítida no meio do vazio que o circunda. E Ele fica parecendo ser ainda mais alto, estando assim de pé sozinho. Ele tem as mãos cruzadas sobre o peito por cima do manto azul, e está olhando sério, muito sério.

Os apóstolos o estão observando. Mas o deixam tranquilo, não se movem nem falam. Devem estar pensando que Ele tenha se isolado para rezar.

Mas Jesus não está rezando. Depois de ter ficado olhando de lá para a cidade em todos os seus bairros, em suas elevações, em suas particularidades, de vez em quando lança demorados olhares sobre este ou aquele ponto e outras vezes com menor duração. E Ele se põe a chorar sem sacudir-se nem fazer barulho. Suas lágrimas enchem as órbitas, depois escorrem, e vão descendo por sobre as faces, e caem, por fim. São grandes lágrimas, silenciosas e muito tristes. São lágrimas como as de quem sabe que deve chorar sozinho, sem esperar o consolo nem a compreensão de ninguém. Por uma dor que não pode ser anulada e que deve ser sofrida incondicionalmente.

590.5O irmão de João, por sua posição, é o primeiro que vê aquele pranto e fala dele aos outros. Eles olham um para o outro, surpresos.

– Nenhum de nós lhe fez mal –diz um deles.

E um outro diz:

– Não foi ninguém da multidão que o insultou. Pois não havia no meio dela nenhum inimigo dele.

– E, então, por que Ele está chorando? –pergunta o mais velho de todos.

Pedro e João se levantam, ao mesmo tempo, e se aproximam do Mestre. Pensam que a única coisa que podem fazer seria fazê-lo sentir que o amam, e perguntar-lhe o que houve.

– Mestre, Tu estás chorando? –diz João, pousando sua cabeça loura sobre o ombro de Jesus, que é mais alto do que ele da base do pescoço para cima.

E Pedro, pondo-lhe a mão na cintura e apertando-o, como se o abraçasse, puxa-o para si e lhe diz:

– Que é que te faz sofrer, Jesus? Dize-o a nós que te amamos.

Jesus apoia a face sobre a cabeça loura de João e abrindo os braços passa, por sua vez, o braço sobre o ombro do João. Ficam assim abraçados todos os três, em uma postura de muito amor. Mas o pranto continua a gotejar.

João o percebe descer por entre seus cabelos e torna a perguntar:

– Por que estás chorando, Mestre meu? Será que nós é que te fazemos sofrer?

Os outros apóstolos se reuniram ao grupo amoroso e com ansiedade esperam uma resposta.

– Não –diz Jesus–. Não sois vós. Vós sois meus amigos, e a amizade, quando é sincera, é um bálsamo e um sorriso, mas nunca um pranto. 590.6Eu gostaria que vós permanecêsseis sempre meus amigos. E principalmente agora, quando vamos entrar na corrupção que fermenta, que corrompe a quem não tem a vontade decidida de permanecer honesto.

– Para onde vamos, Mestre? Não é para Jerusalém? A multidão já te saudou com alegria. Queres desiludi-la? Será que vamos a Samaria ver algum milagre? E justamente agora que a Páscoa está perto?

As perguntas são feitas por muitos ao mesmo tempo.

Jesus levanta as mãos para impor silêncio e depois, com a mão direita, mostra a cidade. É um gesto largo como o do semeador que joga as sementes para frente de si. Ele diz:

– Ali está a corrupção. Nós estamos entrando em Jerusalém. Estamos entrando. E somente o Altíssimo é que sabe como Eu quereria santificá-la, trazendo-lhe a Santidade que vem dos Céus. Santificá-la de novo, a esta que já deveria ser a Cidade Santa. Mas não poderei fazer nada por ela. Está corrompida, e corrompida irá ficar. E os rios da santidade que jorram do Templo vivo, e que ainda jorrarão por alguns dias até deixá-lo vazio de vida, não serão suficientes para redimi-la. Virá ao Santo a Samaria e o mundo pagão. Sobre os templos mentirosos surgirão os templos do verdadeiro Deus. Os corações dos gentios adorarão o Cristo. Mas este povo, esta cidade será sempre inimiga dele, e o seu ódio a levará ao maior dos pecados. 590.7Isto deve acontecer. Mas ai daqueles que vão ser instrumentos desse delito. Ai deles!…

Jesus olha fixamente para Judas, que está quase à sua frente.

– Isto a nós não acontecerá nunca. Nós somos os teus apóstolos e cremos em Ti, e estamos dispostos a morrer por Ti.

Judas mente despudoradamente e não abaixa o olhar, ainda que sinta que o olhar de Jesus continua sobre ele… Os outros protestam todos juntos.

Jesus responde a todos, mas evita responder a Judas diretamente.

– Queira o céu que vós sejais assim. Mas ainda há muita fraqueza em vós, e a tentação poderia tornar-vos semelhantes àqueles que me odeiam. Rezai muito e velai muito sobre vós. Satanás sabe que está para ser vencido e quer vingar-se afastando-vos de Mim. Satanás está ao redor de todos nós. Ao redor de Mim, para impedir-me de fazer a vontade do Pai e de cumprir a minha missão. E de vós para fazer de vós servos seus. Vigiai. Do lado de dentro daqueles muros, Satanás pegará aquele que não souber ser forte. Aquele para o qual terá sido uma maldição ter sido escolhido, porque ele fez dessa escolha um plano humano. Eu vos escolhi para o Reino dos Céus, e não para o do mundo. Lembrai-vos disso. 590.8E tu, cidade que queres a tua ruína e sobre a qual Eu choro, fica sabendo que o Cristo ora pela tua redenção. Oh! Se pelo menos nesta hora que te resta soubesses vir a quem seria a tua paz! Pelo menos que compreendesses nesta hora o Amor que está passando no meio de ti e te despojasse do ódio que te torna cega e louca, cruel para contigo mesma e para com o teu bem! Mas o dia virá em que te lembrarás desta hora! Já será tarde demais, então, para chorares e te arrependeres. O Amor terá passado e terá desaparecido de tuas estradas, e só ficará o ódio, que foi o preferido por ti. E o ódio se porá contra ti e contra os teus filhos. Porque se tem aquilo que se quis, e ódio se paga com ódio. E não será mais o ódio dos fortes contra o desarmado. Mas ódio contra ódio e, por isso, guerra e morte. Cercada por trincheiras e homens armados, já terás definhado, mesmo antes de seres destruída; e verás caindo os teus filhos pelas armas e pela fome, e os que sobreviverem serão levados como prisioneiros e escarnecidos e, então, tu pedirás misericórdia, mas não a encontrarás mais, porque te recusaste a reconhecer a tua Salvação. Eu choro, meus amigos, porque tenho um coração de homem e por isso as ruínas da Pátria me fazem chorar. Mas é justo que isso se cumpra, pois a corrupção campeia do lado de dentro destes muros e passa acima de todos os limites, atraindo o castigo de Deus. Ai dos cidadãos que são causa do mal da Pátria! Ai dos reitores que são a causa principal disso. Ai daqueles que deveriam ser santos para levarem os outros a serem honestos, pois, ao contrário disso, eles estão profanando a casa do seu ministério e a si mesmos! Vinde. Minha ação nada mais valerá. Mas façamos que a Luz brilhe ainda uma vez no meio das Trevas!

E Jesus vai descendo acompanhado pelos seus. Vai andando depressa pelo caminho com um rosto sério e, eu diria, quase fechado. Ele nem fala mais. Entra em uma casinha aos pés da colina e eu não vejo nada mais.

590.9Diz Jesus:

– A cena narrada2 por Lucas parece desconexa, quase sem lógica. Eu me compadeço das desventuras de uma cidade culpada e não sei compadecer-me dos costumes desta cidade? Não. Não os conheço e não posso me compadecer deles, pois que são esses próprios costumes que geram as desventuras. E ao vê-las torna-se ainda mais aguda a minha dor. A minha ira contra os profanadores do Templo é uma lógica consequência da minha meditação sobre as próximas desventuras de Jerusalém.

São sempre as profanações do culto de Deus, da Lei de Deus, que provocam os castigos do Céu. Fazendo da Casa de Deus uma espelunca de ladrões, aqueles sacerdotes indignos e aqueles crentes indignos, pois o são somente de nome, atraíam sobre todo o povo maldição e morte. É inútil dar este ou aquele nome ao mal que faz um povo sofrer. Procurai o nome justo, que é este: “Punição por viverem como uns brutos”. Deus se retira e o Mal avança. Eis o fruto de uma vida nacional indigna do nome de cristã.

Como naqueles tempos, também agora, neste fim de século, não tenho faltado com prodígios que fazem estremecer e reclamar… Mas, hoje como ontem, Eu não atraí sobre Mim e sobre meus instrumentos nada mais do que escárnio, indiferença e ódio. Cada um em particular e as nações recordem-se de que choram inutilmente quando, tempos atrás, não quiseram conhecer sua salvação. Inutilmente me invocam quando, no tempo em que Eu estava com eles, me perseguiram com uma guerra sacrílega que, partindo das consciências individuais devotadas ao Mal, espalhou-se por toda a Nação. As Pátrias não se salvam somente com as almas, mas também com uma forma de vida que atraia as proteções do Céu.

Repousa, pequeno João. E faze por onde para ser sempre fiel à tua escolha. Vai em paz.

Que cansaço. Não aguento mais…

[30 de março de 1947.]

590.10Jesus quase não consegue chegar a tempo para entrar na casa e dar a bênção aos seus moradores, quando se ouve um alegre chocalhar de guizos e vozes de festa. E logo depois, na abertura da saída, aparece o rosto descarnado e pálido de Isaque, e o pastor fiel entra e se prostra diante do seu Senhor Jesus.

No vão da porta escancarada se comprimem rostos e mais rostos, e atrás deles se veem outros… É um esbarrar-se, um atropelar-se, uma vontade de abrir passagem… Ouve-se um ou outro grito de mulher, algum choro de menino no meio da confusão, e gritos de saudação, aclamações festivas:

– Feliz é este dia que te traz de novo a nós. A paz a Ti, Senhor! É bom que voltes para premiar a nossa fidelidade.

Jesus se põe de pé e faz o gesto de quem vai falar. Todos se calam, e se ouve muito clara a voz de Jesus.

– Paz a vós! Não fiqueis vos amontoando. Agora iremos subir juntos para o Templo. Eu vim para estar convosco. Paz! Paz! Não vos machuqueis. Abri caminho, meus queridos! Deixai-me sair e acompanhai-me, para entrarmos juntos na Cidade Santa.

590.11O povo, bem ou mal, obedece. E se põe um pouco para os lados, o tanto necessário para que Jesus possa passar e montar sobre o jumentinho. Pois Jesus monta o potrinho, que até agora nunca foi montado, como sua cavalgadura, e alguns peregrinos ricos que se encontram apertados no meio da multidão põem sobre o dorso do animal os seus suntuosos mantos, e um deles põe um joelho no chão, enquanto o outro faz de degrau para o Senhor, que vai ficar assentado sobre o dorso do potrinho da jumenta. E a viagem começa, enquanto Pedro vai caminhando ao lado do Mestre e Isaque vai do outro lado, segurando as rédeas do animal ainda não domado, mas que vai indo tranquilamente para frente, como se estivesse acostumado com aquele trabalho, sem se enfezar nem empacar, sem espantar-se com as flores que são jogadas sobre Jesus, mas que muitas vezes batem nos olhos do animal ou sobre seu focinho, e ele não se incomoda com os ramos de oliveira nem com as folhas das palmeiras que são agitadas na frente dele e ao seu redor, ou são jogadas no chão para formarem um tapete com flores; nem se importa com os gritos, cada vez mais fortes, dos que dizem: “Hosana ao Filho de Davi!”, gritos que sobem ao Céu sereno, enquanto a multidão vai crescendo sempre mais com novos acompanhantes que vão chegando.

Passar por Betfagé, por aquelas trilhas estreitas e sinuosas, não é coisa fácil, e as mães precisam tomar nos braços as crianças, e os homens precisam proteger as mulheres contra os choques violentos demais, e alguns dos pais puseram a cavalo sobre seus ombros os seus filhinhos, transportando-os assim bem no alto, acima da multidão enquanto as vozinhas dos meninos parecem uns balidos de cordeiros ou um estridular de andorinhas, e suas mãozinhas jogam flores e folhas de oliveira que as mães lhes dão, e até beijos ao manso Jesus…

Ao sair do beco da pequena vila, o cortejo se põe em ordem e vai-se alongando, com muitos voluntários à sua frente, como batedores, que fazem ficar livre a estrada. E outros vão atrás deles, espalhando ramos no chão, enquanto alguns outros tiveram a ideia de estender seus mantos sobre o chão para servir de tapete; e, logo em seguida, mais outros, já uns quatro, depois dez, cem, mil, fazem a mesma coisa. A estrada agora virou uma faixa de muitas cores, formada pelas vestes estendidas no chão. E depois de Jesus ter passado sobre elas, os mantos vão sendo recolhidos e levados lá para a frente com outros e mais outros, sempre junto com as flores e os ramos, enquanto os leques das palmeiras são agitados e balançados, e os gritos mais fortes se elevam ao redor do Rei de Israel e em seu nome, ao Filho de Davi e ao seu Reino!

590.12Os soldados da guarda, que estavam à porta, saem para ver o que é que está acontecendo. Mas logo eles veem que não se trata de nenhuma sedição. E, então, com suas lanças, vão postar-se aos lados do cortejo e ficam observando, espantados uns e irônicos outros, aquela estranha homenagem a um Rei, que vem cavalgando um potrinho de uma jumenta, belo como um Deus, humilde como o mais pobre dos homens, manso, abençoando… rodeado pelas mulheres, pelos meninos e pelos homens desarmados, que gritam: “Paz! Paz!” E os soldados acham estranho que este Rei, antes de entrar na cidade, pare um momento à altura dos sepulcros de Hinon e de Siloan (acho que estou dizendo bem os nomes desses lugares, onde eu vi milagres com os leprosos outras vezes); e pondo-se em pé, pisando no único estribo que a sela tem, abre os braços e grita na direção daqueles declives horrendos (onde rostos e corpos amedrontados se mostram, olhando para Jesus e lançando seu grito lamentoso de leprosos. “Nós somos infectados!”, a fim de repelir os imprudentes, que para conseguir ver bem Jesus, poderiam subir até mesmo naquelas encostas corrompidas e infectadas):

– Quem tem fé em Mim invoque o meu Nome e assim tenha saúde!

E os abençoa, retomando seu caminho e dando esta ordem a Judas de Keriot:

– Comprarás alimentos para os leprosos e, com Simão, os levarás a eles antes da tarde.

590.13Quando o cortejo vai entrando por baixo do arco da porta de Siloan, e depois, como uma torrente, se revira para dentro da cidade passando pela vila de Ofel — na qual cada terraço se transformou em uma pequena praça cheia de pessoas que proclamam hosanas, jogando flores e derramando perfumes lá do alto sobre a rua, procurando que eles caiam sobre o Mestre, e o ar está saturado pela fragrância das flores, que vão morrendo sob os pés da multidão enquanto exalam suas essências, que se espalham pelo ar, antes de caírem no meio da poeira da rua — os gritos da multidão parecem aumentar e vão ficando muito fortes, como se cada um estivesse urrando ou usando de uma buzina, porque as numerosas arquivoltas, das quais Jerusalém está cheia, os amplificam em contínuas ressonâncias.

Ouço alguém gritar, e creio que queira dizer aquilo que dizem3 os evangelistas: “Salém, Salém, Melquit” (ou malquit: eu procuro reproduzir o som das palavras, mas é difícil, porque eles têm sons aspirados que nós não temos). Um grito contínuo, semelhante ao urro de um mar tempestuoso no qual não cessou ainda o fragor dos vagalhões que continua a esbofetear as praias e os escolhos, e um novo vagalhão aproveita para formar um novo e maior fragor, sem nunca haver uma trégua. Com este barulho eu estou ensurdecida!

Perfumes, odores, gritos, o agitar de ramos e de vestes, as cores, os urros. É uma visão que estonteia.

590.14Estou vendo como a multidão se mistura de novo continuamente, aparecendo e desaparecendo rostos conhecidos: todos os discípulos de todos os lugares da Palestina, todos os acompanhantes. Por um instante, eu vejo Jairo, Jaia, o jovenzinho de Pela (ao que me parece), que era cego como sua mãe, e que Jesus curou; vejo Joaquim de Bozra e aquele camponês da planície de Saron com os seus irmãos, vejo o velho e solitário Matias daquele lugar lá perto do Jordão (na margem oriental), junto ao qual Jesus foi refugiar-se enquanto todos os lugares estavam inundados; vejo Zaqueu com os seus amigos convertidos; vejo o velho João de Nobe com quase todos os cidadãos; vejo o marido da Sara de Juta… Mas quem pode guardar a lembrança dos rostos e dos nomes das pessoas vistas mais vezes, e também uma vez só?… Eis aí agora o rosto do pastorzinho que foi apanhado em Enon. E perto dele, por um momento, eu vejo o pai e a mãe de Benjamim de Cafarnaum com o seu filho, que por pouco caía debaixo das patas do jumentinho por querer passar depressa para a frente e ir receber uma carícia de Jesus.

590.15E — infelizmente! — vejo também rostos de fariseus e escribas, lívidos de ira por verem este triunfo, que desfazem prepotentes o círculo de amor que se forma ao redor de Jesus, e lhe urram:

– Manda que esses doidos calem a boca! Chama-os à razão! Só se cantam hosanas a Deus. Dize-lhes que se calem!

E Jesus lhes responde docemente:

– Ainda que Eu lhes dissesse que se calassem, e eles me obedecessem, as pedras gritariam os prodígios do Verbo de Deus.

Porque na verdade, o povo — além de gritar: “Hosana! Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em Nome do Senhor. Hosana a Ele e ao seu Reino! Deus está conosco! O Emanuel chegou. Já veio o Reino do Cristo do Senhor! Hosana! Hosana, da Terra até o alto dos Céus. Paz! Paz, meu Rei. Paz e bênção a Ti, Rei Santo! Paz e glória nos céus e na terra! Glória a Deus pelo seu Cristo! Paz aos homens que o sabem acolher. Paz na Terra aos homens de boa vontade e glória nos Céus Altíssimos, porque a hora do Senhor chegou” (e quem dá este último grito é o grupo compacto dos pastores, que repetem o grito do Natal) — além desses gritos contínuos, as pessoas da Palestina contam aos peregrinos da Diáspora os milagres que elas viram. E a quem não sabe o que aconteceu, por ser algum estrangeiro talvez de passagem pela cidade, que lhe pergunte: “Quem é esse homem? E que foi que aconteceu?”, eles explicam: “É Jesus, o Mestre de Nazaré da Galileia! É o Profeta! O Messias do Senhor! O Prometido! O Santo!”

De uma casa, e faz pouco tempo que passaram diante da porta dela, pois vão andando muito devagar, sai um grupo de jovens robustos trazendo vasos de cobre cheios de carvões acesos e incenso, que se vai queimando e lançando nuvens de uma fumaça cheirosa. E essa cerimônia é bem aceita e repetida, e muitos outros jovens saem correndo para frente ou já estão voltando, passando pelas casas e pedindo fogo e resinas cheirosas para queimarem em homenagem a Cristo.

590.16A casa de Anália aparece. O terraço todo engrinaldado pela videira com suas folhas novas, que tremulam ao sopro de um vento suave de abril, tem, do lado da estrada, uma fila de jovenzinhas vestidas de branco, com véus também brancos, e no centro delas está Anália com cestos cheios de rosas despetaladas e de lírios, que elas já estão começando a jogar para o ar.

– As virgens de Israel te estão saudando, ó Senhor –diz João, que havia conseguido atravessar a multidão e agora está ao lado de Jesus, chamando a sua atenção para aquela grinalda de pureza que se estende para a frente, sorrindo lá do parapeito, espalhando sobre a rua pétalas vermelhas como sangue e lírios do vale brancos como pérolas.

Jesus segura as rédeas, por um instante, e faz parar o poldro da jumenta. Levanta o rosto e a mão para abençoar aquela virgindade tão enamorada por Ele, a ponto de renunciar a qualquer outro amor terreno.

Anália se assoma ao parapeito e grita:

– Eu vi o teu triunfo, ó meu Senhor! Toma a minha vida pela tua glorificação universal!

E com um grito muito alto, enquanto Jesus vai passando pelo lado de baixo de sua casa, ela o saúda:

– Jesus!

Ouve-se um outro grito, diferente, mais forte do que o clamor das turbas. Mas as pessoas, mesmo tendo-o ouvido, não param. É um rio de entusiasmo, um rio de delírio tão grande que nem pode parar. E enquanto as últimas ondas do rio estão ainda fora da porta, as primeiras ondas já vão indo pelas subidas que conduzem ao Templo.

590.17– Tua Mãe! –grita Pedro, mostrando uma casa quase no canto de uma rua que sobe para o Mória e pela qual se encaminha o cortejo. Jesus levanta o rosto, a sorrir para sua Mãe, que está lá em cima entre as mulheres fiéis.

O encontro com uma grande caravana faz parar o cortejo poucos metros depois que a casa foi deixada para trás. E enquanto Jesus para com os outros, acariciando os meninos que as mães lhe apresentam, chega correndo um homem, que abre caminho gritando:

– Deixai-me passar! Uma mulher morreu. É uma moça. A mãe invoca o Mestre. Deixai-me passar! Ele já a salvou uma vez!

O povo abre caminho e o homem corre até perto de Jesus, e lhe diz:

– Mestre, a filha de Elisa morreu. Ela te saudou com aquele grito e depois se virou para trás, dizendo: “Eu vou feliz”, e expirou. O coração dela se partiu com a grande alegria de ver-te triunfante. A mãe dela me viu no terraço ao lado da casa dela e me mandou chamar-te. Vem, Mestre!

– Morreu! Anália morreu! Mas se ela estava sã, cheia de saúde, ainda ontem?

Os apóstolos se reúnem agitados e os pastores também. Todos a viram ontem em perfeita saúde… Faz pouco tempo que a viram rosada, sorridente… Não entendem essa desventura… Fazem perguntas, querem saber os particulares…

– Não sei. Todos vós ouvistes as suas palavras. Ela estava falando alto e firme. Depois eu a vi dobrar-se para trás, mais branca do que suas vestes, e ouvi a mãe gritar… E não sei mais nada.

590.18– Não vos agiteis. Ela não morreu. Caiu uma flor. E os anjos do céu a colheram para levá-la ao seio de Abraão. Brevemente o livro da terra se abrirá feliz lá no Paraíso, ignorando para sempre o horror do mundo. Homem, dize a Elisa que não chore a sorte de sua filha. Dize-lhe que ela recebeu uma grande graça de Deus e que, dentro de seis dias, ela compreenderá qual foi a graça que Deus concedeu à sua filha. Não choreis. Que ninguém chore. O triunfo dela é ainda maior do que o meu, porque a uma virgem fazem cortejo os anjos, para levá-la à paz dos justos. E é um triunfo eterno que subirá de grau sem nunca conhecer descida. Em verdade Eu vos digo que por vós todos, mas não por Anália, tendes razão de chorar. Vamos.

E repete aos apóstolos e aos que o rodeiam:

– Caiu uma flor. Ela descansou em paz e os anjos a acolheram. Feliz daquela que é pura de carne e de coração, porque logo verá a Deus.

– Mas como? De que ela morreu, Senhor? –pergunta Pedro, que não está convencido.

– De amor. De êxtase. De um gozo infinito. Feliz morte!

Os que vão muito adiante não sabem, e os que vão muito atrás também não sabem. É por isso que os hosanas continuam, mesmo que aqui, perto de Jesus, se tenha formado um círculo de um pensativo silêncio.

E é João quem o quebra:

– Oh! Eu gostaria de ter a mesma sorte antes das horas futuras!

– Eu também –diz Isaque–. Eu gostaria de ver o rosto da moça morta por amor a Ti…

– Eu vos peço que façais um sacrifício do vosso desejo. Eu preciso de vós, que estejais perto de Mim…

– Não te deixaremos, Senhor. Mas àquela mãe não se lhe dá um conforto? –pergunta Natanael.

– Eu tomarei providências quanto a isso…

590.19Chegaram aos portões do muro do Templo. Jesus apeia do jumentinho e um de Betfagé toma conta do animal.

É preciso considerar que Jesus não parou na primeira porta do Templo, foi beirando o muro, indo parar somente quando chegou ao lado norte dele, perto da Fortaleza Antônia. É de lá que Ele desce e entra no Templo, como para mostrar que não se esconde do poder dominante, sentindo-se Inocente em cada uma de suas ações.

No primeiro pátio do Templo ouve-se a costumeira algazarra dos cambistas e dos vendedores de pombas, de pardais e de cordeiros, com a diferença de que hoje os vendedores são deixados sozinhos, porque todos correram para ver Jesus. E Jesus já vai entrando, com sua solene veste purpúrea, e corre o olhar por sobre aquele mercado e sobre um grupo de fariseus e escribas que estão debaixo de um pórtico, e o observam.

Seu rosto fulgura de indignação. Ele pula no centro do pátio. Foi um salto imprevisto, que mais parecia um voo. O voo de uma chama, pois de chama parece ser a sua veste exposta ao sol que inunda o pátio. E Ele troveja com voz forte:

– Fora da casa de meu Pai! Aqui não é lugar de usura e de comércio. Está escrito4: “A minha casa será chamada casa de oração.” Por que é, então, que vós a transformastes em uma espelunca de ladrões, esta casa na qual é invocado o Nome do Senhor? Fora! Limpai a minha casa. Que não vos aconteça que Eu, em vez de usar cordas, tenha que golpear-vos com os raios da ira celeste. Fora! Fora daqui os ladrões, os vendilhões, os impudicos, os homicidas, os sacrílegos, os idólatras da pior das idolatrias, que é a do próprio eu soberbo, dos corruptores e dos mentirosos. Fora! Fora! Ou, então, o Deus Altíssimo, Eu vo-lo digo, varrerá para sempre este lugar e fará suas vinganças sobre o povo todo.

Ele não repete as chicotadas da outra vez5, mas, visto que os feirantes e os cambistas estão tardando em obedecer, Ele vai à banca mais vizinha e a vira de pernas para o ar, jogando no chão as balanças e as moedas.

Os vendedores e os cambistas se apressam em cumprir a ordem de Jesus, depois de terem recebido esse primeiro exemplo. E Jesus vai gritando atrás deles:

– E quantas vezes Eu terei que dizer que este lugar não deve ser lugar de imundície, mas de oração?

E olha para os do Templo que, obedientes às ordens pontificais, não fazem nenhum gesto de represália.

590.20Depois de limpar o pátio, Jesus vai aos pórticos, onde estão refugiados os cegos, os paralíticos, os estropiados e outros doentes, que o invocam em alta voz.

– Que quereis que Eu vos faça?

– A vista, Senhor! Os membros! Que meu filho fale! Que minha mulher fique sã. Nós cremos em Ti, Filho de Deus!

– Que Deus vos ouça. Levantai-vos e cantai hosanas ao Senhor!

Ele não cura um por um os doentes, pois são muitos. Mas faz um gesto largo com a mão, e a graça e a salvação descem dessa mão sobre os infelizes, que dali saem sãos, com gritos de júbilo, e vão misturar-se àqueles dos muitos meninos que foram agarrar-se a Ele, repetindo:

– Glória, glória ao Filho de Deus! Hosana ao Filho de Davi! Hosana a Jesus de Nazaré, ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores!

Alguns dos fariseus, com uma fingida deferência, lhe gritam:

– Mestre, não os estás ouvindo? Estes meninos estão dizendo o que não deve ser dito. Repreende-os. Que eles se calem!

– E por quê? O rei Profeta, o rei da minha estirpe, por acaso não terá dito6: “Da boca das crianças e dos lactentes fizeste brotar o louvor perfeito para a confusão dos teus inimigos”? Não lestes estas palavras do Salmista? Deixai que os pequenos digam meus louvores, pois esses lhes são sugeridos pelos seus anjos, que veem constantemente ao meu Pai, e sabem os segredos dele e os sugerem a estes inocentes. Agora deixai que todos vão adorar o Senhor.

E passando diante das pessoas, atravessa o Átrio dos israelitas para rezar…

Depois, saindo por uma porta, beirando a piscina Probática, sai da cidade e volta para as colinas do Monte da Oliveiras.

590.21Os apóstolos estão entusiasmados… O triunfo os faz ficar seguros, completamente esquecidos de todos os terrores que as palavras do Mestre haviam suscitado… Eles falam de tudo… Estão ansiosos para saber notícias de Anália. Com dificuldade, Jesus consegue fazer que eles não vão até lá, garantindo-lhes que Ele tomará as providências que sabe… Surdos, surdos, surdos a toda voz que traz um aviso divino… Eles são homens, homens aos quais um grito de hosana faz esquecer tudo o mais…

Jesus fala aos servos de Maria de Magdala, que o encontraram no Templo, e depois os despensa…

– E agora, aonde vamos? –pergunta Filipe.

– À casa de Marcos de Jonas? –diz João.

– Não. Ao campo dos Galileus. Talvez tenham vindo os meus irmãos e Eu gostaria de saudá-los –diz Jesus.

– Poderias fazer isso amanhã –observa-lhe Tadeu.

– Boa coisa é fazer enquanto se pode fazer. Vamos aos Galileus. Eles ficarão contentes por ver-nos. Vós tereis notícias de vossas famílias. Eu verei as crianças…

– E nesta noite? Onde iremos dormir? Na cidade? Em que lugar? Onde está tua Mãe? Ou, então, na casa da Joana? –pergunta Judas Iscariotes.

– Não sei. Certamente não vai ser na cidade. Talvez ainda sob alguma tenda galileia…

– Mas por quê?

– Porque Eu sou o Galileu e amo a minha pátria. Vamos.

Eles se põem de novo a caminho subindo para o campo dos galileus, que fica sobre o Monte da Oliveiras, perto de Betânia, e lá é um completo branquejar de tendas ao alegre sol de abril.

590.22Diz Jesus:

– Minha paciente secretária, põe aqui a visão: “Na tarde do Domingo de Ramos” (4 de março de 1945); e a minha paz esteja contigo.

1 a pomba na fenda do rochedo, comoem: Cântico dos cânticos 2,14.
2 narrada, em: Lucas 19,41-46.
3 dizem, em: Mateus 21,9; Marcos 11,9-10; Lucas 19,37-38; João 12,12-13.
4 Está escrito, em: Isaías 56,7; Geremias 7,11.
5 da outra vez, no primeiro ano de vida pública, em 53.4.
6 dito, em: Salmo 8,3.


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