390. 390. A fé de Abrão de Engadie a parábola da semente de palmeira.
21 de fevereiro de 1946.
390.1 Jesus, perto do pôr-do-sol, que está avermelhando as casas muito brancas de Engadi, e dando cores de madrepérola escura ao Mar Morto, põe-se a caminho da praça principal. Está com Ele o jovem que o hospedou e que o vai guiando através dos meandros desta cidade, que é verdadeiramente oriental em sua arquitetura.
Para se defenderem do sol — que deve ser muito forte nestes lugares tão desprotegidos, diante da massa pesada do Mar Salgado, e pelo que eu tenho a impressão de que nos meses de verão tenham que ser soprados por ventos abrasadores, visto estarem num meio árido sobre o qual o sol deve bater desapiedado, queimando o terreno, — os habitantes de Engadi construíram ruas estreitas, que ainda ficam parecendo mais estreitas, por causa dos beirais e cornijas das casas, que são muito salientes, de tal modo que, ao levantarmos o olhar, só vemos uma pequena nesga de um céu que é de um azul violento, e que se vê aparecer lá nas alturas.
As casas são altas, quase todas, de dois andares, terminando em um terraço, no qual, apesar daquela altura, conseguiram subir e estender suas latadas de videiras, para fazerem sombra e oferecerem o prazer dos seus cachos, que devem, quando estiverem bem maduros, sob um sol dominante, por entre o reverberar das paredes e do piso do terraço, devem ser doces como passa murcha. E as videiras competem para ver quem dá mais alimento aos homens e aos passarinhos, que, em muito grande número, desde o pardal até o pombo, fazem seus ninhos em Engadi com o que cai das palmeiras, quando se agitam, e cujas sementes nascem por toda parte, com as árvores que produzem magníficos frutos, e que se erguem pelos pátios, pelos jardins fechados por entre as casas, e se mostram por sobre as sarjeta, e descem dos muros brancos com seus ramos já carregados de frutas que vão amadurecendo ao sol suave, passam para cima das arquivoltas em grande número, formando verdadeiras galerias em certos pontos, interrompidas aqui e ali por exigências arquitetônicas, e sobem para o céu azul, muito igual e pastoso em sua cor, a ponto de dar a impressão de que, se fosse possível tocar-se nele, deveria dar-nos a sensação de estarmos tocando em um veludo bem espesso, ou em um couro liso, pintados e tingidos por algum sábio artesão, com a tinta, adequada, mais carregada da cor de uma turqueza, ou de uma safira muito, muito bonita, inesquecível.
E as águas… Quantas fontes e pequenas fontes devem estar borbulhando pelos pátios e jardins das casas, por entre o verde de milhares de plantas! Passando pelos becos ainda desertos, porque os moradores ainda estão em seus trabalhos, ou nas casas, ouve-se até o gotejar dos telhados, o piar dos pássaros, o frufru do vento nas folhas, como umas notas de harpa tocadas por algum harpista escondido. E, para aumentar o fascínio, as arquivoltas, os diversos cantos da rua, recolhem aquelas vozes das águas, as amplificam, as aumentam em número, por meio dos ecos, e de tudo formam um grande arpejo.
E palmeiras e mais palmeiras. Onde há alguma pracinha, talvez da largura de um quarto comum, lá estão os caules afilados, muito altos, atirando flechas contra o céu, tendo apenas um leve movimento de oscilação lá em cima, no topete das folhas que esvoaçam, colocado a pincel no alto do caule, e a sombra, que certamente cai, ao meio-dia, perpendicularmente, sobre as muretas dos terraços mais altos.
Mas a cidade é limpa, em comparação com outras cidades da Palestina. Talvez as casas, tão perto umas das outras, ou por terem todas seus pátios e jardins cultivados, talvez tenham contribuído para ensinar aos moradores a não jogar todas as imundícies nas ruas, mas a recolher estas e as sujeiras dos animais em determinadas esterqueiras, servindo depois para adubar as árvores e os canteiros, ou então… será um caso raro por aqui de gente civilizada. Os becos são limpos, enxugados pelo sol, e não se encontram aquelas tão pouco elegantes exposições de verduras que foram jogadas fora, nem de sandálias rasgadas, de trapos sujos, de excrementos ou coisas semelhantes que até na própria Jerusalém são vistos, e até em ruas não muito periféricas.
390.2 Eis o primeiro cultivador, que vem voltando do trabalho, montado num burrinho cinzento. Para defendê-lo das moscas, o homem colocou sobre ele uma grande gualdrapa, feita com ramos de jasmim, e seu burrinho vem trotando e movendo as orelhas, sacudindo os chocalhos, no centro daquela ondulante e perfumada cortina de ramos. O homem nos vê e nos saúda. O jovem diz:
– Vai à grande praça. Lá ouvirás o Rabi, que está em minha casa.
Eis que um rebanho de ovelhas está invadindo a rua, enfileirando-se no meio dela, e saindo de uma pequena praça, para lá da qual se vê uma campina. As ovelhas vão como se estivessem coladas uma à outra, pondo cada uma seus casquinhos onde a outra pôs os seus, todas de cabeça baixa, como se suas cabeças estivessem pesadas demais para seus pescoços finos, ao contrário de seus corpos pançudos, e elas vêm trotando, com aquele seu modo estranho de trotar. Seus corpos gordos mais parecem uns fardos apoiados sobre quatro pauzinhos… Jesus, João e Pedro imitam o homem que está com eles e se encostam à parede quente de uma casa, para darem passagem. O jovem diz:
– Colocai as ovelhas em lugar fechado, e vinde à praça grande com os vossos pais. Entre nós está o Rabi da Galileia. Ele nos vai falar.
Eis a primeira mulher, que sai de lá, rodeada por uma ninhada de filhos, para ir, sabe-se lá para onde. O jovem diz:
– Vem com João e os filhos para ouvir o Rabi, que chamam o Messias.
As casas vão-se abrindo pouco a pouco, na tarde que vem chegando, e deixam entrever os fundos verdes dos jardins, ou tranquilos pátios onde os pombos fazem sua última refeição. O jovem enfia a cabeça para dentro de cada uma das portas abertas, e grita:
– Vinde ouvir o Rabi, o Senhor.
390.3 Finalmente, entram por uma rua reta, a única reta desta cidade, que não foi construída como se quereria, mas como o quiseram as palmeiras ou as robustas árvores dos pistachos, certamente centenários, e respeitados como notáveis pelo cidadãos que devem a eles o não terem ainda morrido de insolação. Lá no fundo está uma praça que, em lugar de colunas, mostra os caules de numerosas tamareiras. Parece uma daquelas salas hipostilas dos templos e dos paços reais antiquíssimos, formadas por um vasto ambiente cheio de colunas, colocadas a distâncias regulares, uma verdadeira floresta de pedra, que sustenta o teto. Aqui as palmeiras servem de colunas, e, fixas como estão, formam com as folhas, que se beijam, um teto de esmeralda para a praça branca, no meio da qual está uma fonte alta e quadrada, cheia de águas cristalinas, que saem por uma pequena coluna que está no centro da bacia, e vão cair de novo em tanques mais abaixo, nos quais podem os animais abeberar-se. Neste momento, os pombos, mansos e pacíficos, a tomaram de assalto, e estão bebendo e cantando minuetos, com suas patinhas rosadas, na beirada mais de cima, ou então estão borrifando suas penas, que brilham e fazem realçar seu cambiante, por meio das gotas d’água, por um momento suspensas das barbas das penas.
Já chegaram algumas pessoas. Ali já estão também os oito apóstolos, que haviam ido para um lado e para outro, à procura de alojamento, e cada um deles já ajuntou os seus fiéis, que estão desejosos de ouvir Aquele que o apóstolo lhes disse ser o Messias prometido. Os apóstolos se apressam em chegar de todos os lados ao mestre e, como uns cometas, vão levando atrás de si os pequenos grupos que conquistaram.
390.4 Jesus levanta as mãos para abençoar aos discípulos e aos moradores de Engadi.
Judas do Alfeu fala por todos:
– Eis, Mestre e Senhor. Fizemos o que mandaste, e estes sabem que hoje a Graça de Deus está entre eles. Mas eles querem a Palavra também. Muitos te conhecem por terem ouvido falar de Ti. Outros por te terem encontrado em Jerusalém. Todos, especialmente as mulheres, desejam conhecer-te. Eles e, como primeiro entre todos, o sinagogo. Ele está ali. Vem para a frente, Abraão!
O homem, já bastante velho, vem para a frente. Está comovido. Gostaria de falar, falar, mas, na emoção em que está, não se lembra mais de nenhuma daquelas palavras que ele havia preparado. Ele se curva para ajoelhar-se, apoiando-se em seu bastão, mas Jesus o impede de fazê-lo, e o abraça primeiro, dizendo:
– Paz ao velho e justo filho de Deus!
E ele, cada vez mais comovido, só sabe responder:
– Louvado seja Deus! Meus olhos viram o Prometido. E, que é mais que eu devo pedir a Deus?
E, levantando os braços, numa postura hierática, entoa o salmo1 34 de Davi:
– “Esperei ansiosamente o Senhor, e Ele para mim se voltou.”
Mas não o recita todo. Só o diz nos pontos que se referem ao acontecimento:
– “Ele ouviu o meu grito e me tirou do abismo da miséria e da lama do pântano…
Ele pôs em minha boca um cântico novo.
Feliz do homem que põe sua esperança no Senhor.
Muitas coisas maravilhosas Tu fizeste, ó Senhor meu Deus, e não há quem te iguale em teus desígnios. Eu quereria enunciá-los, falar sobre eles, mas sua multiplicidade está além de todos os números.
Tu não quiseste sacrifícios nem oblações, mas me abriste os ouvidos… –(E se comove sempre mais).
Está dito que devo fazer a tua vontade… A Lei está no meio do meu coração.
Eu anunciei a tua justiça à grande assembleia. Eis que eu não conservei fechados os meus lábios, Tu o sabes, ó Senhor.
Não conservei escondida dentro de mim a tua justiça, proclamei a tua verdade e a salvação que vem de Ti…
Mas Tu, ó Senhor, não afastes de mim a tua compaixão.
Desgraças sem número –(e chora em um choro solto, e vai dizendo as palavras com uma voz de quem já fosse mais velho e trêmula, por causa do pranto)– vieram sobre mim…”
Eu sou um mendigo e um necessitado, mas o Senhor tem cuidado comigo. Tu és a minha ajuda, o meu protetor, ó meu Deus, não tardes!…”
Este é o salmo, meu Senhor, e eu acrescento palavras minhas: Dize-me: “Vem”, e eu te direi o que diz o salmo: “Eis que eu vou!”
E ele se cala, chorando, com toda aquela fé que se vê em seus olhos, ofuscados pelos anos.
390.5 As pessoas explicam:
– A filha dele morreu, deixando-lhe netinhos pequenos. A mulher ficou cega e hebetada, por causa dos muitos sofrimentos, e do único filho homem ela nem tem notícia. Ele sumiu assim de um dia para outro…
Jesus põe a mão sobre o ombro do velho, e lhe diz:
– Os sofrimentos do justo têm a rapidez de uma andorinha, em comparação com a duração do prêmio eterno. Mas devolveremos à tua Sarai seus olhos de outros tempos, e a mente dos seus vinte anos, a fim de que conforte a tua velhice.
– Ela se chama Colomba –lembra alguém do povo.
– Para ele, ela é a sua princesa2. Mas agora ouvi a parábola que Eu vos apresento…
– Mas, antes, não libertarás das trevas os olhos e a mente de minha mulher, para que ela também possa saborear o que é a Sabedoria? –pergunta, ansioso, o velho sinagogo.
– Podes tu crer que Deus tudo pode, e que de um outro mundo é que vem o seu poder?
– Sim, ó Senhor. 390.6Eu me lembro de uma tarde de muitos anos atrás. Naquele tempo eu estava feliz, e acreditava também na alegria. Porque assim é. O homem, enquanto está feliz, pode até esquecer-se de Deus. Eu cria em Deus também naquele tempo de alegria, no qual minha mulher era jovem e sadia, e estava me criando Elisa, jovem bonita como uma palmeira, já prometida em casamento, e Elisa a igualava em beleza, e a superava em robustez, o que é a alegria de um homem… Eu tinha ido com o menino às fontes, perto dos vinhedos, que são de Colomba, deixando a mulher e a filha nos teares em que estava sendo tecido o enxoval de casamento… Mas talvez eu te esteja aborrecendo? O infeliz sonha com a alegria passada, recordando-se dela… mas ela aos outros não interessa.
– Fala, fala!
– Eu tinha ido com o menino… As fontes… Se Tu vieste pela estrada do ocidente, sabes onde elas estão. As fontes estavam no limite do bendito lugar. Olhando, podia ver-se, lá adiante, o deserto, a estrada branquicenta com suas pedras romanas que, então, estavam ainda bem visíveis sobre as arei-as de Judá… Depois… sumia até aquele sinal! E não é nada perder-se um sinal na areia! Mas é um mal que ele tenha sumido, pois era o sinal de Deus, mandado para mostrar-te aos espíritos de Israel. A muitíssimos espíritos!
O meu filho homem disse: “Pai! Olha! Uma grande caravana com cavalos, camelos, com servos e senhores, ao redor de Engadi. Talvez estejam vindo às fontes, antes que chegue a tarde…” Levantei os olhos dos sarmentos, que eu estava escolhendo, cansados depois de uma grande vindima, e vi… Os homens tinham mesmo vindo às fontes. Eles apearam, e me viram, e me perguntaram se podiam acampar-se naquele lugar por uma noite.
“Engadi tem hospedarias, e está perto daqui,” respondi-lhes eu.
“Não. Nós vamos ficar acordados, a fim de estarmos prontos para fugir, por que Herodes nos está procurando. Daqui os guardas verão a estrada toda, e será fácil fugir de quem nos está procurando.”
“Qual foi a falta que cometestes?” perguntei eu, espantado, e pronto a mostrar-lhes as cavernas de nossos montes, como a um costume sagrado para com os perseguidos. E acrescentei: “Vós sois estrangeiros e de lugares diferentes… Eu não sei como é que tereis podido cometer faltas contra Herodes…”
“Nós fomos adorar o Messias, que nasceu em Belém de Judá, e até Ele guiou-nos a estrela do Senhor. Herodes o está procurando, para dar-lhe a morte. Talvez nós também encontremos a morte, nos desertos, indo por algum caminho longo e desconhecido, mas não denunciaremos o Santo, que desceu dos Céus.”
O Messias! O sonho de todo verdadeiro israelita! O meu sonho! E Ele já estava no mundo. E estava em Belém de Judá, como havia sido predito3!… Eu pedi, tendo sobre o coração o meu menino, notícias e mais notícias, dizendo: “Escuta, Eliseu! Procura lembrar-te. Tu certamente o verás!” Eu já estava com cinquenta anos, e não esperava mais vê-lo… nem esperava viver tanto para poder vê-lo, já homem feito… Eliseu já não o pode mais adorar…
O velho chora novamente. Mas continua. E diz:
– Os três Sábios falaram com paciente doçura, e te descreveram em tua santidade infantil, falaram da Mãe e do pai… Eu teria passado a noite com eles. Mas Eliseu estava dormindo em meus braços. Saudei os três Sábios, prometendo-lhes calar-me para não dar ocasião a possíveis delações contra eles. Mas à Colomba, no quarto nupcial, eu narrei tudo, e isso foi o sol em nossas futuras desventuras. Depois ficou se sabendo do morticínio… e, por muitos anos, fiquei sem saber se Tu te tinhas salvado. Mas agora o sei. Contudo, somente eu, porque Elisa morreu, Eliseu não está mais aqui, e Colomba não pode entender a feliz notícia… Mas a fé no poder de Deus, já viva, tornou-se perfeita, desde aquela longínqua tarde, na qual três homens de raças diferentes deram testemunho do poder de Deus, com a união que havia entre eles, pela voz dos astros e das almas, indo pelo caminho de Deus, para adorarem o seu Verbo.
– E a tua fé será premiada. 390.7Agora escutai.
Que é a fé? É parecida com uma dura semente de palmeira, que às vezes é minúscula, formada por uma breve frase: “Deus existe,” e alimentada por uma afirmação: “Eu o vi.” Assim como foi a fé de Abraão em Mim pelas palavras dos três sábios do Oriente. Assim como foi a fé de nosso povo, desde os mais antigos patriarcas, transmitida por uns aos outros, de Adão aos pósteros, de Adão pecador, mas que teve suas palavras acreditadas, quando ele disse: “Deus existe, e nós aqui estamos, porque Ele nos criou. E eu o conheci.” Assim como foi aquela fé, cada vez mais perfeita, porque cada vez mais revelada, que veio mais tarde, e que é a nossa herança, que brilha nas manifestações divinas, nas aparições angélicas, nas luzes do Espírito. São sementes sempre pequeninas, em comparação com o infinito. Pequeninas sementes. Mas elas, lançando raízes, abrindo a camada dura da animalidade cheia de dúvidas e com suas tendências, triunfando das ervas nocivas das paixões, sobre o mofo do aviltamento, sobre a traça dos vícios, sobre tudo, ergue-se nos corações, cresce, joga-se em direção ao sol, ao céu, e vai subindo, subindo… até ver-se livre das restrições da carne, e se une a Deus, em seu conhecimento perfeito, em sua posse completa, que está para lá da vida e da morte, na verdadeira Vida.
Quem possui a fé, possui o caminho da Vida. Quem sabe crer, não erra. Vê, reconhece, serve ao Senhor, e tem a salvação eterna. Para ele, o Decálogo é uma coisa vital, e cada um dos seus mandamentos é uma pedra preciosa, com a qual se vai enfeitando sua futura coroa. Para ele é salvação a promessa do Redentor. Já havia morrido o homem de fé, antes que Eu estivesse nesta Terra? Não importa. Sua fé o iguala aos que agora estão perto de Mim pelo amor e pela fé. Os justos que morreram logo se encherão de júbilo, porque a fé deles continua firme na esperança do prêmio. Eu me irei embora, depois de ter cumprido a vontade do meu Pai, e direi: “Vinde!” E todos os que morreram com Fé, subirão comigo para o Reino do Senhor.
Imitai na fé as palmeiras das vossas terras, nascidas de pequeninas sementes, e tão fortes na vontade de crescer, e de crescer assim tão eretas, já esquecidas do solo, mas enamoradas pelo sol, pelos astros, pelo céu. Tende fé em Mim. Sabei crer naquilo que muito poucos em Israel creem, e Eu vos prometo a posse do Reino celeste, pelo perdão da culpa original, e pela justa recompensa a todos os que praticam a minha doutrina, que é a dulcíssima perfeição do Decálogo de Deus.
390.8 Eu ficarei entre vós hoje e amanhã, que é o sábado sagrado, e partirei ao romper do dia depois do sábado. Quem estiver aflito, venha a Mim! Quem tem dúvidas, venha a Mim! Quem quer a Vida, venha a Mim! Venha sem temor, porque Eu sou a Misericórdia e o Amor.
E Jesus faz um amplo gesto de bênção para despedir-se de seus ouvintes, a fim de que eles possam ir tomar sua refeição da tarde e o repouso, e já vai tomar o seu caminho, quando uma velhinha, que até agora estava escondida no canto de uma pequena rua, vem abrindo a multidão, que ainda está querendo ficar com o Mestre, e, por entre a gritaria da mesma multidão assombrada, vai ajoelhar-se aos pés de Jesus, dizendo em alta voz:
– Bendito sejas Tu. E o Altíssimo que te enviou! E as vísceras que te geraram e que são mais do que vísceras de uma mulher, já que te puderam trazer!
Um grito de homem se une ao dela:
– Colomba! Oh! Tu estás vendo! Tu estás entendendo. Tu estás falando e reconhecendo com sabedoria o Senhor! Oh! Deus! Deus dos meus pais! Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó! Deus dos Profetas. Deus de João, o Profeta! Deus! Meu Deus! Filho do Pai! Rei como o Pai! Salvador, em obediência ao Pai. Deus como o Pai, e meu Deus, Deus do teu servo! Que Tu sejas bendito, amado seguido, e adorado para sempre!
E o velho sinagogo cai de joelhos, ao lado da sua velhinha, e, abraçando-a com o braço esquerdo, apertando-a ao coração, inclina-se e a faz inclinar-se para beijarem os pés do Salvador, enquanto uma gritaria de alegria de todas as pessoas faz vibrar os troncos das árvores, de tão forte que ela é, e espantar os pombos, que já estavam pousados em seus ninhos, e que levantam voo, dão uma volta por cima de Engadi, como se estivessem querendo espalhar por todos os lugares a boa nova que é estar o Salvador do lado de dentro de seus muros.
1 salmo, que não é o 34°, mas o 39° na vulgata e o 40° na neo-vulgata.
2 princesa é o significado do nome Sarai (ou Sara).
3 predito, em Miqueias 5,1.
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