22. 22. Os dias transcorridos em Hebron. Os frutosda caridade de Maria para com Isabel.
2 de abril de 1944.
22.1 Vejo Maria costurando. Parece ser de manhã e ela está sentada na sala térrea. Isabel vai e vem, ocupando-se com os trabalhos da casa. E, quando entra, não deixa nunca de ir fazer uma carícia na cabeça loira de Maria, que está parecendo ainda mais loira, agora que vejo no fundo as paredes escuras, ao mesmo tempo em que sua cabeça está sendo iluminada por um belo raio de sol, que entra pela porta aberta, do lado do jardim.
Isabel se inclina para olhar o trabalho de Maria e se diz encantada com sua beleza. É o bordado que ela tinha começado em Nazaré.
– Tenho também linho para fiar –diz Maria.
– É para o teu Menino?
– Não. Para Ele eu já tinha, quando nem pensava…
Maria não continuou a falar. Mas eu entendi: “… quando não pensava que ia ser mãe de Deus.”
– Mas agora terás que usá-lo para Ele. É um linho bonito? É fino? Os bebês, como sabes, precisam de tecidos muito macios.
– Eu sei.
– Eu tinha começado… Comecei tarde, porque quis ter certeza antes de tudo que não era mais do que um engano do maligno. Ainda que… sentisse em mim uma alegria tão grande, que, não podia vir de satanás. Depois… sofri muito. Estou velha, Maria, para ficar neste estado. 22.2Sofri muito. Tu não sofres…
– Eu não. Nunca estive tão bem.
– Como não haveria de ser assim?! Tu… em ti não há mancha, se Deus te escolheu para seres sua mãe. É por isso que não estás sujeita aos sofrimentos de Eva. Aquele que geras é Santo.
– Parece-me ter no coração uma asa, e não um peso. Parece-me ter dentro de mim todas as flores e todos os passarinhos que cantam pela primavera, todo o mel, todo o sol… Oh! Eu estou feliz!
– Bendita és tu! Até eu, depois que te vi, comecei a não sentir mais peso, nem cansaço, nem dor. Parece-me que fiquei mais nova, jovem, livre das misérias de minha carne de mulher. O meu bebê, depois de ter saltado feliz ao som da tua voz, tratou de ficar quietinho, em sua alegria. Parece-me tê-lo dentro de mim como em um berço vivo, parece-me vê-lo dormir satisfeito e feliz, respirando como um passarinho, alegre debaixo da asa da mãe… 22.3Agora, sim, vou começar a trabalhar. Não me será mais pesado. Estou enxergando pouco, mas…
– Deixa disso, Isabel. Eu me ocuparei em fiar e tecer para ti e para o teu bebê. Eu posso fazer depressa o trabalho, pois enxergo bem.
– Mas terás também que pensar no teu…
– Oh! Mas ainda tenho bastante tempo!… Primeiro, vou pensar em ti, que já estás perto de ter o teu pequenino, e depois pensarei no meu Jesus.
Dizer como é doce a expressão e a voz de Maria, como se lhe marejam os olhos de um suave e feliz pranto, e como sorri, ao dizer este Nome, olhando para o céu luminoso e azul, é coisa que está acima das possibilidades humanas. Parece que só ao dizer “Jesus”, o êxtase a arrebata.
Isabel diz:
– Que belo nome! O Nome do Filho de Deus, nosso Salvador!
– Oh! Isabel!
Maria se torna triste, e segura as mãos que sua parenta cruzou sobre o próprio ventre bem avolumado:
– Diz-me tu, que, quando eu cheguei, foste inspirada pelo Espírito do Senhor, que profetizaste isto que o mundo não sabe. Diz-me: que deverá fazer o meu Filho para salvar o mundo? Os Profetas… Oh! Os Profetas que falam no Salvador! Isaías… estás lembrada de Isaías? “Ele é o Homem das dores. Por suas chagas é que fomos curados. Foi transpassado e ferido por causa de nossos crimes. O Senhor quis consumi-lo com padecimentos… Depois de condenado, foi exaltado…” De que exaltação está falando o Profeta? Ele é chamado o Cordeiro e eu fico pensando… no cordeiro da Páscoa, no cordeiro de Moisés, e relaciono tudo isso com a serpente elevada por Moisés1 numa cruz. Isabel!… Isabel!… Que irão fazer com o meu Filho? Que terá Ele que sofrer para salvar o mundo?
Maria chora. Isabel a consola:
– Maria, não chores. Ele é teu Filho, mas é também Filho de Deus. Deus pensará em Seu Filho e em ti, que és a mãe dele. Se muitos vão ser cruéis com Ele, também muitos o haverão de amar. E tantos!… Pelos séculos dos séculos. O mundo olhará para o teu Filho, e te bendirá com Ele. Bendirá a ti, como à fonte de onde jorra a salvação. A sorte de teu Filho! Exaltado como Rei de todas as criaturas. Pensa nisso, Maria. Rei, porque terá resgatado todas as criaturas e, como tal, será delas o Rei universal. Até sobre a terra, com o tempo, Ele será amado. O meu filho irá à frente do teu, e O amará. Assim disse o anjo a Zacarias. Zacarias escreveu isso para mim… 22.4Ah! Que dor que eu sinto por ver assim mudo o meu Zacarias! Mas espero que, quando o menino nascer, o pai ficará livre do seu castigo. Reza, tu que és a sede do poder de Deus e a causa da alegria do mundo. Para obter isso, ofereço, como posso, o meu filho: porque ele é do Senhor, e Ele o emprestou à sua serva para dar-lhe a alegria de ser chamada “mãe.” Para dar testemunho de tudo o que Deus me fez. Quero que ele se chame “João.” Pois, não é uma graça o meu menino? E, não foi Deus que me deu essa graça?
– Deus te fará essa graça, estou certa disso. Eu rezarei… contigo.
– Como eu sinto, por vê-lo mudo!… –Isabel está chorando–. Quando ele escreve, porque não pode mais falar, parece-me que montes e mares estejam entre mim e o meu Zacarias. Depois de tantos anos de doces palavras, agora só há silêncio em sua boca. Agora, de modo especial, quando seria tão belo falar daquele que está para vir. Eu me abstenho até de falar, para não vê-lo afadigar-se naquele esforço para fazer gestos, tentando responder-me. Tenho chorado tanto! Quanto eu tenho desejado a tua presença aqui! O povoado todo fica olhando, falando e criticando. O mundo é assim. Quando se tem uma dor ou uma alegria, tem-se necessidade de alguém que compreenda, e não de alguém que critique. Agora me parece que a vida está bem melhor. Sinto em mim uma alegria, desde que vieste ficar comigo. Sinto que a minha provação está para ser superada, e que logo serei totalmente feliz. Assim vai ser, não é verdade? Eu me conformo com tudo. Mas, se Deus perdoasse o meu esposo! Se eu pudesse ouvi-lo rezar de novo!
22.5 Maria a acaricia e conforta, e a convida, para distraí-la, a sair um pouco pelo jardim ensolarado.
Caminham debaixo de uma parreira bem cuidada, e chegam até uma torrinha de construção rústica, em cujos buracos os pombos fazem ninhos.
Maria joga comida para os pombos, e ri, porque eles se precipitam sobre ela, com um contínuo arrulhar, em revoadas, formando círculos iridescentes ao redor dela. Sobre sua cabeça, sobre os ombros, sobre os braços e as mãos, eles vêm pousar, espichando os pecoços para, com seus bicos rosados, catar os grãozinhos nas palmas das mãos, bicando de um modo gracioso os lábios rosados da virgem, e seus dentes que brilham ao sol. Maria vai tirando de um saquinho alguns dourados grãos de trigo, e os joga, e fica sorrindo, ao ver aquele torneio, do qual participam os mais vorazes.
– Como eles gostam de ti –diz Isabel–. Há poucos dias que estás conosco e eles gostam de ti tanto quanto gostam de mim, que sempre tratei deles.
O passeio prossegue, até chegarem a um recinto fechado, onde estão umas cabras com seus cabritinhos.
– Voltaste do pasto? –pergunta Maria a um pequeno pastor que ela acaricia.
– Sim, porque meu pai me disse: “Vai para casa, porque daqui a pouco vai chover, e temos umas ovelhas que estão para dar cria. Providencia que elas tenham erva enxuta e que a cama dos animais esteja preparada.” Ele lá vem vindo.
E acena, mostrando para o outro lado do bosque, de onde está vindo um balido continuado e trêmulo.
Maria está acariciando um cabritinho loiro como uma criança, que se roça contra ela, e, junto com Isabel, bebe leite tirado na hora e que o pastorzinho lhes oferece.
Chegam as ovelhas, guiadas por um pastor cabeludo como um urso. Mas deve ser um bom homem, pois vai levando sobre os ombros uma ovelha que se lamenta. Ele a põe no chão, devagar, e explica:
– Está para ter o cordeirinho. Já não podia mais caminhar, de tão cansada. Eu a coloquei sobre os ombros. Tive que dar uma boa carreira para chegar a tempo.
A ovelha, mancando por causa das dores, é conduzida até o redil pelo menino.
Maria sentou-se sobre uma pedra, e está brincando com os cabritinhos e os cordeiros, oferecendo-lhes folhas de trevo, que ela coloca diante de seus focinhos rosados. Um cabritinho branco e preto põe-lhe a patinha sobre os ombros, e lhe cheira os cabelos.
– Não é pão –diz Maria rindo–. Mas amanhã te trarei uma crosta de pão. Fica bonzinho, por enquanto.
Também Isabel ri, agora mais tranqüilizada.
22.6 Estou vendo Maria fiando, muito ligeira, debaixo da parreira, onde as uvas já estão aumentando de tamanho. Deve ter passado um bom tempo, porque as maçãs já começam a avermelhar-se nos ramos, e as abelhas já estão zumbindo ao redor dos figos maduros.
Isabel está bem volumosa, e caminha com dificuldade. Mariaolha para ela com atenção e amor. Também Maria, quando se levanta para apanhar o fuso que caiu, parece mais arredondada nos quadris, e a expressão de seu rosto está diferente. Está mais madura. Antes, uma menina; agora, uma mulher.
As mulheres entram para a casa, porque a tarde vem chegando e no quarto já estão sendo acesas as lâmpadas. Enquanto espera a ceia, Maria está tecendo.
– Será mesmo que não ficas cansada? –pergunta Isabel, mostrando o tear.
– Não. Podes crer.
– A mim, este calor me deixa prostrada. Já não tenho sofrido mais, mas agora o peso é grande para os meus velhos rins.
– Coragem! Daqui a pouco estarás livre. E, então, como ficarás feliz! 22.7Eu não vejo a hora de ser mãe. De ver o meu Menino! O meu Jesus! Como será ele?
– Será bonito como tu, Maria.
– Não. Será mais bonito! Ele é Deus, e eu sou a serva dele. Mas eu queria dizer: será loiro, ou será moreno? Terá uns olhos como o céu sereno, ou como os dos cervos das montanhas? Eu faço idéia de que Ele será mais belo que um querubim, com os cabelos encaracolados e cor de ouro, com os olhos da cor do nosso Mar da Galiléia no momento em que as estrelas começam a mostrar-se lá nos confins do céu; com uma boca pequenina e vermelha como pedaço de uma romã, que se abriu, depois de ter amadurecido ao sol; e nas faces terá um rosado como esta pálida rosa, e duas mãozinhas, que caberiam na cavidade de um lírio, de tão pequenas e bonitas. Seus dois pezinhos poderiam caber no côncavo de minha mão, delicados e lisos como uma pétala de flor. Olha: eu acrescento à idéia que eu faço Dele todas as belezas que a terra me pode sugerir. Eu já ouço a sua voz. Será sua voz, quando chora, porque, o meu Menino haverá de chorar um pouco, por fome ou por sono, isso será sempre uma grande dor para a sua mãe, que não suportará, oh! não suportará ouvi-lo chorar, sem ficar com o coração transpassado. Seu choro será como aquele balido do cordeirinho que agora estamos ouvindo, que nasceu há poucas horas, e que está procurando a teta e, depois, o calor da lã de sua mãe, para poder dormir. Ele terá um sorriso que me encherá o coração enamorado pelo meu Filho de céu. Posso ficar enamorada por Ele, porque Ele é meu Deus, e amá-lo, não vai contra a minha virgindade consagrada. Ele será, em seu sorriso, como esse festivo arrulhar do pombinho, feliz por ter-se saciado, e contente, por estar em seu morno ninho. Fico pensando como serão os seus primeiros passos… como um passarinho saltitante sobre um prado em flor. O prado vai ser o coração de sua mamãe, que estará atenta aos seus pezinhos cor-de-rosa, para que não esbarrem em nada que os machuque. Como haverei de amá-lo, o meu Menino! Meu Filho! 22.8E José também o amará!
– Tu deverás dizer tudo isso a José!
O rosto de Maria fica anuviado, e ela suspira:
– Deverei dizer-lhe, sem dúvidatudo isso… Eu gostaria que o céu lhe dissessetudo por mim, porque é uma coisa difícil de dizer.
– Queres que lhe diga eu? Nós vamos convidá-lo para a circuncisão do João, e…
– Não. Eu entreguei a Deus o encargo de instruir o José sobre sua sorte feliz de ter sido escolhido para nutrir o Filho de Deus, e o Senhor fará isso. O Espírito me disse, naquela tarde: “Cala-te. Deixa a Mim a tarefa de justificar-te.” E Ele o fará. Deus não mente nunca. Para mim é uma grande provação. Mas, com a ajuda do Eterno, será superada. De minha boca, com exceção de ti, a quem o Espírito Santo o revelou ninguém, vai ficar sabendo a benignidade que o Senhor fez para com sua serva.
– Eu sempre deixei de falar nisso até com Zacarias, que teria ficado muito alegre, se o soubesse. Ele acha ainda que tu és mãe, mas pelas leis da natureza.
– Eu sei. E assim quis por prudência. Os segredos de Deus são santos. O anjo do Senhor não revelou a Zacarias a minha maternidade divina. Ele teria podido fazê-lo, se Deus o tivesse querido, porque Deus sabia que estava iminente o tempo da Encarnação do seu Verbo em mim. Mas Deus conservou escondida a Zacarias esta luz de alegria, que rejeitava como coisa impossível que em vossas idades pudésseis ter um filho. Eu me conformei com a vontade de Deus. E tu o estás vendo. Tu ouviste o segredo que está vivo em mim. Ele não percebeu nada. Enquanto não cair o obstáculo, que é a sua incredulidade diante do poder de Deus, ele ficará afastado das luzes sobrenaturais.
Isabel suspira e fica calada.
22.9 Zacarias está entrando. Oferece os rolos a Maria. É hora da oração antes da ceia. É Maria quem reza, em voz alta, em lugar de Zacarias. Depois, assentam-se à mesa.
– Quando não estiverdes mais aqui, como iremos sentir a falta de quem reze por nós –diz Isabel, olhando para o seu marido mudo.
– Tu, então, já estarás rezando, Zacarias –diz Maria.
Ele sacode a cabeça e escreve:
– Não poderei mais rezar pelos outros. Tornei-me indigno disso, desde o dia em que duvidei de Deus.
– Zacarias, tu rezarás. Deus perdoa.
O velho enxuga uma lágrima, e suspira.
Depois da ceia, Maria volta ao tear.
– Basta –diz Isabel–. Tu estás te cansando demais.
– O tempo está chegando, Isabel. Eu quero fazer para o teu menino um enxoval digno daquele que precede ao Rei da estirpe de Davi.
Zacarias escreve:
– De quem nascerá Ele? E onde?
Maria responde:
– Onde os Profetas disseram e de quem for escolhida pelo Eterno. Tudo o que o Senhor Altíssimo faz é bem feito.
Zacarias escreve:
– Então, vai ser em Belém! Na Judéia. Iremos lá venerá-lo, mulher. Irás tu também a Belém, com o teu José.
E Maria, inclinando a cabeça sobre o tear, diz:
– Irei.
Assim cessa a visão.
22.10 Maria diz:
– A primeira caridade para com o próximo há de ser exercida para com o próximo. Não penses que isso seja um jogo de palavras. Porque a caridade se exerce para com Deus e para com o próximo. Na caridade para com o próximo está compreendida também a que é dirigida a nós mesmos. Mas, se nos amarmos mais do que aos outros, já não estaremos sendo caridosos, e, sim egoístas. Mesmo nas coisas lícitas, precisamos ser tão santos, a ponto de darmos sempre a precedência às necessidades do próximo. Ficai bem atentos, meus filhos, que Deus compensa os generosos com os meios do seu poder e dasua bondade.
22.11 Esta certeza me fez ir a Hebron, ajudar minha parenta no estado em que ela se achava. E, a esta minha intenção de prestar socorro humano, Deus, acima de toda medida, como Ele costuma fazer, uniu um dom de socorro sobrenatural, que ninguém esperava. Eu vou para prestar ajuda material, e Deus santifica a minha reta intenção, fazendo que ela santificasse o fruto do ventre de Isabel, e, através dessa santificação, com a qual o Batista foi pré-santificado, Deus suavizou os sofrimentos físicos daquela filha de Eva já madura, que concebeu em idade não mais apropriada.
Isabel, mulher de fé intrépida e confiante abandono à vontade de Deus, merece compreender o mistério escondido em mim. O Espírito Santo lhe fala, através do saltar de seu ventre que ela sente. Assim, o Batista pronunciou o seu primeiro discurso de anunciador do Verbo, através dos véus e das paredes formadas pelas veias e pela carne, que o separa de Isabel e, ao mesmo tempo, o unem à sua santa mãe.
A Isabel eu não nego a minha qualidade de mãe do Senhor, pois ela é digna de sabê-lo. A Luz se revela a ela. Negar-lhe isso teria sido negar a Deus um louvor que era justo Lhe dar, o louvor que eu levava em mim e que, não podendo dizer a ninguém, eu o dizia às ervas, às flores, às estrelas, ao sol, aos pássaros canoros, às pacientes ovelhas, às águas murmurantes e à luz de ouro que me vinha beijar, descendo do céu. Mas, rezarmos juntas, é muito mais doce do que ficarmos dizendo, cada uma sozinha, a sua oração. Eu teria querido que o mundo todo soubesse da minha sorte, não por mim, mas para que o mundo se unisse a mim, em dar louvor ao meu Senhor.
Foi a prudência que me impediu de revelar a Zacarias a verdade. Teria sido isso dar passos além do plano de Deus. Se eu era Sua esposa e mãe, continuava a ser sempre sua serva, e não devia, porque Ele me tinha amado sem medida, permitir-me a ousadia de me substituir a Ele, tomando o seu lugar, por uma decisão minha.
Isabel, em sua santidade, compreende tudo isso, e se cala. Pois quem é santo é sempre indulgente e humilde.
22.12 É preciso que o dom de Deus nos torne sempre melhores. Quanto mais recebemos Dele, mais devemos dar. Porque, se recebemos muito, isso é sinal de que Ele está em nós. Quanto mais Ele estiver em nós, mais devemos esforçar-nos, para alcançar a perfeição que recebemos Dele.
Este é o motivo porque eu, deixando de lado o meu trabalho, trabalho para Isabel. Não me deixo tomar pelo medo de não ter tempo. Deus é o Senhor do tempo. A divina Providência nada deixa faltar a quem espera Nele, mesmo as coisas mais comuns. O egoísmo não faz nada andar depressa, mas atrasa. A caridade não atrasa, mas faz andar depressa. Tende sempre isso presente.
22.13 Quanta paz na casa de Isabel! Se eu não tivesse tido sempre o pensamento de José e do meu Menino, que era o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas é que a cruz já vinha projetando sua sombra sobre a minha vida e eu ouvia as vozes dos Profetas, como um som fúnebre…
Eu me chamava Maria. E a amargura desse nome estava sempre misturada com as doçuras que Deus derramava em meu coração. Essa amargura foi aumentando, até à morte de meu Filho. Mas, quando Deus nos chama, Maria, como as escolhidas vítimas para a sua honra, então, é doce sermos trituradas, como o grão no moinho, para que da nossa dor seja feito o pão que fortalece os fracos, e os torna capazes de chegar ao céu!
Agora basta. Estás cansada e feliz. Descansa com a minha bênção.
1 elevada por Moisés, como se narra em: Números 21,8-9. A citação será recorrente na obra, a partir provavelmente de 116.9. Outros factos referentes a Moisés são anotados, uma vez por todas, em: 114.6 (prodígios) -119.4 (os dez mandamentos) -212.5 (vitelo de ouro, aliança renovada, tábua da lei) -229.3 (nascimento e infância) -295.5 (com Josué) -324.10 (fórmula de bênção) -340.9 (passagem do Mar Vermelho) -354.9 (maná no deserto) -354.12 (arca da aliança) -411.6 (morte) -436.2 (profeta do Cristo) -457.2 (águas de Meriba, recusa de Edom, morte de Aarão) -506.3 (manifestação divina) -588.6 (maldição) -625.6 (opressão dos hebreus no Egipto). Outras citações no episódio da Transfiguração (capitulo 349) e em: 402.6 -483.9 -549.8 -594.6 -630.5 -635.7. As notas sobre as leis de Moisés são chamadas de novo no índice temático, no fim do volume, intituladas “Festas hebraicas” e “Leis”.