432. 432. Com os camponeses de Jocanã, perto de Séforis.
8 de maio de 1946.
432.1 – Virão? –pergunta Mateus aos companheiros, sentados sob um bosque de azinheiras, nas primeiras encostas da colina sobre a qual está Séforis.
A planura de Esdrelon já não está mais visível, pois fica do outro lado da colina, onde eles se encontram. Mas uma colina muito pequena está entre esta e as de Nazaré, que se distinguem, nitidamente, à límpida claridade do luar.
– Eles o prometeram… E virão –responde André.
– Pelo menos alguns deles. Estavam partindo na metade da primeira vigília, e estarão aqui no começo da segunda –diz Tomé.
– Mais tarde –diz Tadeu.
– Nós levamos menos de três horas –objeta André.
– Nós somos homens, e fortes. Eles estão cansados e deverão estar com suas mulheres –responde Tadeu.
– Contanto que o patrão não o perceba! –suspira Mateus.
– Não há perigo. Ele partiu para Jezrael, e foi hospedar-se com um amigo. 432.2O intendente está. Ah! Ele também vem, porque não odeia o Mestre –diz Tomé.
– E aquele homem será sincero? –interroga Filipe.
– Sim. Porque não há motivo para deixar de o ser.
– Será? Poderia fazê-lo para cair nas graças do patrão e…
– Não, Filipe. Depois da vindima, ele foi mandado embora por Jocanã justamente porque não odeia o Mestre –responde André.
– Quem foi que vos disse isso? –perguntam muitos.
– Ele e os camponeses… separadamente. E, quando dois de categoria diferente estão de acordo, ao dizerem uma coisa, é sinal de que o que dizem é verdade. Os camponeses estavam chorando, porque o intendente vai-se embora. Ele se havia tornado muito humano. E ele mesmo nos disse: “Eu sou um homem e não um boneco de argila. No ano passado, ele me disse: ‘Presta honras ao Mestre, aproxima-te dele, faze-te um dos fiéis dele.’ Eu obedeci. Agora, ele me diz: ‘Ai de ti, se amares o meu inimigo, e permitires que eles o amem. Eu não quero maldição sobre minhas terras, se eu acolher aquele maldito.’ Mas, como é que eu posso, agora que o fiquei conhecendo, ouvir uma ordem assim? Eu disse ao patrão: ‘Falavas de modo diferente, no ano passado, e Ele é sempre o mesmo.’ O patrão me bateu uma vez. Eu disse: ‘Eu não sou escravo. E, mesmo que o fosse, tu não terias a posse do meu pensamento. O meu pensamento considera um santo ao que tu chamas de maldito.’ Ele tornou a me bater. Esta manhã ele me disse: ‘A maldição de Israel está em minhas propriedades. Ai de ti, se transgredires as minhas ordens. Não serás mais meu servo.’ Eu lhe respondi: ‘Disseste bem. Não serei mais teu servo. Procura um outro que tenha um coração como o teu, e que seja um surripiador dos teus bens, como tu és das almas dos outros.’ Ele me jogou no chão, e me bateu… Mas logo terminará o trabalho deste ano, e, ao chegar a lua de Tisri, eu estarei livre. Eu só sinto por esses…,” e mostrava os camponeses –narra Tomé.
– Mas onde foi que o vistes?
– No bosque, como se fôssemos uns ladrões. Miqueias, com quem havíamos falado, o tinha advertido, pois ele tinha vindo, ainda sangrando, e pouco a pouco foram chegando os servos e as servas –diz André.
432.3 – Hum! Então Judas tinha razão! Ele conhece os humores do fariseu… –observa Bartolomeu.
– Judas sabe coisas demais! –diz Tiago de Zebedeu.
– Cala a boca! Ele te pode ouvir –aconselha Mateus.
– Não. Ele se afastou, dizendo que está com sono e com dor de cabeça –responde Tiago.
– A lua! Uma lua no céu, e outra na cabeça dele. Ele é assim: mais mutável do que o vento –sentencia Pedro, que até agora estava calado.
– Oh! Sim. Uma triste desgraça entre nós… –diz Bartolomeu.
– Não. Não digas isso. Não é uma desgraça. Pelo contrário, é um meio de santificar-nos –diz Zelotes.
– Ou de condenar-nos, pois nos faz perder as virtudes… –diz, terminando a conversa, Tadeu.
– É um infeliz! –comenta com tristeza André.
432.4 Um silêncio. Depois Pedro pergunta:
– Mas o Mestre ainda está rezando?
– Não. Enquanto estáveis cochilando, ele passou e foi ao encontro de João e de Tiago, irmão dele, que estão colocados de guarda na estrada. Ele quer chegar logo perto dos pobres camponeses. Talvez será esta a última vez que os vê –responde o Zelotes.
– Por que última vez? Por quê? Não digas estas palavras. Parecem trazer desgraças! –diz, agitado, Tadeu.
– Mas porque tu o estás vendo… Estamos sempre mais perseguidos… Não sei como iremos fazer no futuro…
– Simão tem razão. Sim! Será muito bonito que sejamos todos espirituais… Mas… se fosse lícito ter um pouquinho de… humanidade, uma pitadinha de proteção de Cláudia não nos haveria de fazer mal –diz Mateus.
– Não. É melhor que estejamos sós… e, sobretudo, livres de contatos com os gentios. Eu… não os aprovo –diz Bartolomeu.
– Um pouco, eu também. No entanto… O Mestre diz que a sua Doutrina deve estender-se por todo o mundo. E que nós é que deveremos fazer isso… Semear por toda parte a sua palavra… E, então deveremos tornar-nos mais aptos para aproximar-nos dos gentios e idólatras… –diz Tadeu.
– Dos imundos. Isso parece-me ser uma coisa sacrílega. Dar a Sabedoria aos porcos!
– Eles também têm uma alma, Natanael! Tu tiveste dó da mocinha ontem…
– Porque… é um… um nada, que vai-se formando. É como uma recém-nascida… Mas, os outros!… Além disso, ela não é romana…
– Achas que os gauleses não são idólatras? Eles também têm os seus deuses cruéis. Não pensas um pouco, se tu tivesses que ir convertê-los? –diz Zelotes, que é muito culto em suas maneiras, ou, como outros diriam, mais cosmopolita.
– Mas ela não é da raça dos profanadores de Israel. Eu nunca irei pregar aos inimigos de Israel, nem aos atuais, nem aos antigos.
– Então terás que ir para muito longe, aos povos hiperbóreos, pois parece que Israel já tenha tentado ir a todos os povos vizinhos –diz Tomé.
– Eu irei para longe… 432.5Mas, eis que o Mestre está aí. Vamos ao seu encontro. Quanta gente! Parece que vieram todos, até as crianças…
– O Mestre se sentirá feliz…
Reúnem-se ao Mestre, que vem vindo com dificuldade pelo prado, apertado como está, por todos os que o rodeiam.
– Judas ainda não chegou? –pergunta Jesus.
– Sim, Mestre. E, se quiseres, o chamaremos…
– Não é preciso. Minha voz chegará até lá onde ele está. E a sua consciência, livre, lhe fala com a sua própria voz. Não é preciso que unais as vossas vozes para forçar uma vontade. Vinde, sentemo-nos aqui, com estes nossos irmãos. E perdoai, se Eu não pude partir convosco o pão numa refeição de amor.
Assentam-se ao redor de Jesus, ficando Ele no centro. E Jesus quer ao redor de si todos os meninos, os quais se agrupam ao lado dele, carinhosos e confiantes.
– Abençoa-os, Senhor! Que eles vejam aquilo pelo que nós estamos suspirando por ver, a liberdade de te amar! –grita uma mulher.
– Sim. Estão tirando-nos também esta. Não querem que em nosso espírito sejam impressas as tuas palavras. E agora nos impedem até de ver-nos, ao nos proibirem de vir a Ti… e não ouviremos mais palavras santas! –diz, gemendo, um velho.
– Assim nos tornarmos uns pecadores abandonados. Tu nos ensinavas o perdão… e nos incutias tanto amor, que podíamos suportar o patrão com sua malevolência… Mas agora… –diz um jovem.
Eu os distingo mal pelo rosto, e não sei exatamente quem é que está falando. Mas me deixo guiar pelo tom das vozes.
– Não choreis. Eu não vos deixarei faltar a minha palavra. E virei ainda, enquanto Eu puder…
– Não, Mestre e Senhor. Ele é mau e os seus amigos também o são. Eles poderiam fazer-te mal, e por causa de nós. Nós faremos o sacrifício de perder-te, mas não queremos dar a nós mesmos a tristeza de ter que dizer: “Por causa de nós é que Ele foi apanhado.”
– Sim, salva-te, Mestre.
– Não tenhais medo. 432.6Lê-se1 em Jeremias como ele mesmo disse ao seu secretário Baruque que escrevesse aquilo que o Senhor lhe ia ditar, e que fosse ler o escrito assim conseguido àqueles que estavam reunidos na Casa do Senhor, e que o lesse em lugar do profeta, que estava preso, e não podia ir. Assim vou fazer Eu. Eu tenho muitos e fiéis Baruques entre os meus apóstolos e discípulos. Eles virão dizer-vos a palavra do Senhor, e não perecerão as vossas almas. E Eu não serei apanhado por causa de vós, porque o Altíssimo me esconderá dos olhos deles, enquanto não chegar a hora, na qual o Rei de Israel deverá ser mostrado às multidões para ser conhecido por todo o mundo.
E não temais nem mesmo perder as palavras que já estão entre vós. Ainda em Jeremias se lê também que, depois da destruição do volume por Joaquim, rei de Judá, o qual, enquanto o rolo estava se queimando, tinha ficado esperando destruir as palavras eternas e verdadeiras, o ditado de Deus permaneceu ileso, porque o Senhor assim ordenou ao profeta: “Apanha de novo outro rolo, e escreve nele todas as coisas que estavam no volume que foi queimado pelo rei.” E Jeremias deu um novo rolo a Baruque, um volume sem nenhuma escrita, e ditou novamente ao seu secretário as palavras eternas, e mais outras, como complemento das primeiras, porque o Senhor conserta os estragos humanos, quando o conserto é bom para as almas, e não permite que o ódio anule o que é uma obra de amor.
Pois bem, ainda que Eu, comparando-me a um volume cheio de verdades santas, chegasse a ser destruído, acreditais vós que o Senhor vos deixaria perecer, sem a ajuda dos outros volumes, nos quais também estarão as minhas palavras e as das minhas testemunhas, que narram o que eu não poderei dizer, porque estarei prisioneiro da violência, e destruído por ela? E credes vós que o que está impresso no volume dos vossos corações possa ser anulado pelo correr do tempo sobre as palavras? Não. O anjo do Senhor vos repetirá aquelas palavras, conservando-as frescas em vossos espíritos tão desejosos de Sabedoria. E não só isso, mas ele vo-las explicará, e sereis sábios pela palavra do vosso Mestre. Com a dor é que selais o amor que me tendes. Por acaso, poderá perecer o que resiste até à perseguição? Não pode perecer. Eu vo-lo digo. Dom de Deus não se cancela. Somente o pecado o anula. 432.7Mas vós certamente não quereis pecar, não é verdade, meus amigos?
– Não, Senhor. Seria perder-te até na outra vida –dizem muitos.
– Mas ele nos fará pecar. Já nos proibiu de sair aos sábados de suas possessões… e para nós não haverá mais Páscoa. Portanto, pecaremos… –dizem outros.
– Não. Vós não pecareis. Ele, sim, pecará. Ele somente, ele que violenta o direito de Deus e dos filhos de Deus, de abraçarem-se e de se amarem, em um doce colóquio de amor, e de ensinamento, no Dia do Senhor.
– Mas ele compensa com muitos jejuns e ofertas. Nós não podemos, porque já pouca demais é a comida, em proporção ao cansaço em que ficamos, e não temos o que oferecer… Nós somos pobres…
– Vós ofereceis aquilo a que Deus dá valor: o vosso coração. Diz Isaías2, falando em nome de Deus, aos falsos profetas: “Eis. No dia do vosso jejum é que aparece a vossa vontade, e fazeis que passem apertos os vossos devedores. Pois vós jejuais para litigardes, questionardes e brigardes, sem piedade, aos socos. Não queirais mais jejuar como até hoje, para fazerdes ouvir bem alto os vossos clamores. Será esse o jejum que Eu quero? Que o homem se limite apenas a afligir por um dia a sua alma, e a atormentar o seu corpo, dormindo sobre as cinzas? A isto chamarás jejum e dia aceito pelo Senhor? Bem outra coisa é o jejum que me agrada: que arrebentes as correntes do pecado, que perdoes as dívidas que oprimem demais ao devedor que ponhas em liberdade o que está em dificuldades, que tires todo o peso de cima dos outros. Parte o teu pão com quem tem fome, socorre e acolhe aos pobres e peregrinos, veste os que estão nus, e não desprezes o teu próximo.”
Mas isso Jocanã não faz. Vós, pelo trabalho que fazeis para ele, tornando-o rico, sois seus credores, e ele vos trata pior do que a devedores em atraso, e ainda levanta a voz para ameaçar-vos, e a mão para bater em vós. Não é misericordioso para convosco, e vos despreza como a servos. Mas o servo é um homem como o patrão; e, se ele tem o dever de servir, tem também o direito de receber o que é necessário a um homem, tanto materialmente, como espiritualmente. Não é honrado o sábado, mesmo quando é passado na sinagoga, se no mesmo dia aquele que o guarda põe correntes em seus irmãos, e os faz beber aloés. Vós guardais os vossos sábados, pensando no Senhor. E o Senhor estará entre vós. Perdoai, e o Senhor vos glorificará.
432.8 Eu sou o Bom Pastor, e tenho piedade de todas as ovelhas. Eu amo com particular amor àquelas ovelhas nas quais os pastores-ídolos andaram dando pancadas, para que elas se afastassem dos meus caminhos. Para elas, mais do que para quaisquer outras, é que Eu vim. Porque o meu e vosso Pai me deu esta ordem. “Apascenta estas minhas ovelhas, que estão esperando o açougue, sendo abatidas sem dó nem piedade por seus donos, que as venderam dizendo ‘Ficamos ricos,’ e das quais os pastores não tiveram compaixão.” Pois bem. Agora Eu apascentarei o rebanho para o açougue, ó pobres do rebanho, abandonando às suas maldades aqueles que vos afligem, e afligem ao Pai, que sofre nos seus filhos. Eu estenderei a mão aos pequenos entre os filhos de Deus, e os trarei a Mim para que tenham a minha glória.
Assim o promete o Senhor pela boca dos profetas que celebram a piedade e o poder de Mim Pastor. E Eu o prometo diretamente a vós, que me amais. Eu tomarei providências, quanto ao meu rebanho. A quem acusa as ovelhas boas de estarem sujando a água e estragando a pastagem, para chegarem até Mim, Eu direi: “Retirai-vos. Vós sois aqueles que fazeis faltar a fonte e ficar seco o pasto para os meus filhos. Mas Eu os levei para outros pastos, e os levarei. Aqueles pastos que saciam o espírito. Deixarei para vós o pasto para as vossas grosseiras barrigas, deixarei a fonte amarga que vós fizestes jorrar, e Eu de lá sairei com estes, separando as falsas ovelhas das verdadeiras de Deus, e não serão mais atormentados por coisa alguma os meus cordeiros, mas se alegrarão para sempre nos pastos do Céu.”
Perseverai, amados filhos! Um pouco de paciência tende ainda, como Eu a tenho. Sede fiéis fazendo aquilo que vos é permitido pelo patrão injusto. E Deus julgará que fizestes tudo, e por tudo vos premiará. Não odieis, mesmo quando tudo conjura para levar-vos a odiar. Tende fé em Deus. Vós estais vendo: Jonas foi aliviado em seu sofrimento e Jabé foi levado ao amor. Mas, como fez com o velho e como fez com o menino, assim o Senhor fará convosco, parcialmente nesta vida, e totalmente na outra.
432.9 Eu só tenho algumas moedas para dar-vos, a fim de tornar menos dura a vossa condição material. Eu vo-las dou. Entrega-lhas, Mateus. Que eles as repartam entre si. São muitas, mas, para vós que sois tantos e tão necessitados, elas são poucas. Mas Eu não tenho outra coisa… Outra coisa material. Tenho, ainda, o meu amor, a potência do meu ser como Filho do Pai, para pedir em vosso favor os infinitos tesouros sobrenaturais, a fim de consolar os vossos prantos e dar luz às vossas escuridões.
Oh! Que triste vida, mas Deus a pode tornar luminosa! Só Ele! Só Ele! E Eu digo: “Pai, por eles Eu rezo. Não rezo a Ti pelos felizes e os ricos do mundo. Mas por estes que só têm a Ti e a Mim. Faze que eles se elevem tanto nos caminhos do espírito, que encontrem todo o conforto em nosso amor, e demo-nos a eles com o amor, com todo nosso amor infinito, para cobrir de paz, de serenidade, de força sobrenatural as suas jornadas, as suas ocupações, para que, como uns estranhos para o mundo, por nosso amor possam resistir ao seu calvário e, depois da morte, ter a Ti, a Nós, felicidade infinita.”
Jesus pregou, tendo-se posto em pé, separando-se pouco a pouco das crianças, que haviam adormecido ao lado dele. E está cheio de majestade e de doçura, em sua oração.
Agora Ele volta a baixar seu olhar, e diz:
– Eu já me vou. É hora de fazer-vos voltar para vossas casas em tempo. Ainda nos veremos. E Eu trarei Marziam. Mas, mesmo quando Eu não puder mais vir, o meu Espírito estará sempre convosco, e estes meus apóstolos vos amarão como Eu vos amei. O Senhor derrame sobre vós a sua bênção. Ide!
E se inclina para acariciar os pequeninos adormecidos, e se entrega às expansões da pobre multidão, que não sabe afastar-se dele…
Mas enfim, cada um por sua vez, vai tomando seu rumo, e os dois grupos se separam, enquanto a lua vai descendo, e os ramos acesos vão ter que tornar a clarear o caminho. E a fumaça áspera dos ramos acesos, que estavam um pouco úmidos, é uma boa desculpa para os olhos que começam a brilhar…
432.10 Judas os está esperando, encostado a um tronco. Jesus olha para ele, e não diz nada, nem mesmo quando Judas lhe diz:
– Estou melhor.
Vão indo assim, do melhor modo que podem, pela noite adentro, e depois andam mais despachadamente, ao aproximar-se a aurora.
Diante de um quadrívio, Jesus para, e diz:
– Separemo-nos aqui. Comigo venham Tomé, Simão Zelotes e os meus irmãos. Os outros vão para o lago, e lá me esperem.
– Obrigado, Mestre… Eu não tinha coragem de to pedir. Mas Tu vieste ao meu encontro. Se mo permites, eu paro em Tiberíades…
– Na casa de algum amigo! –não pode conter-se sem o dizer, Tiago de Zebedeu.
Judas arregala os olhos… mas fica só nisso.
Jesus se apressa em dizer:
– A Mim me basta que tu, no sábado, vás a Cafarnaum com os companheiros. Vinde para que Eu vos beije, a vós que aqui me deixais.
E, com afeto, beija os que vão partir, dizendo a cada um, um conselho, em voz baixa…
Ninguém diz nada. Somente Pedro, que já ia andando, é que diz:
– Vem logo, Mestre.
– Sim, vem logo –dizem os outros.
E o João termina:
– Estará muito triste o lago sem Ti.
Jesus os abençoa de novo, e promete:
– Logo!
E depois cada um vai para o seu lado.
1 Lê-se, em Jeremias 36.
2 Diz Isaías, em Isaías 58,3-7.
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