236. 236. A ceia na casa de Simão, o fariseu,e o perdão a Maria de Magdala.


21 de janeiro de 1944.

236.1Para conforto do meu complexo sofrimento e para fazer-me esquecer das maldades dos homens, meu Jesus me concede esta suave contemplação.

Vejo uma sala muito rica. Um rico lampadário de muitos bicos pende no centro, e está todo aceso. Nas paredes há tapetes muito bonitos, vem na sala cadeiras entalhadas e incrustadas com marfim, há laminações preciosas e também móveis muito belos.

No centro está uma grande mesa quadrada, formada por quatro mesas unidas assimdis%20pg%2039.tif. A mesa certamente foi assim preparada por causa dos muitos convidados (todos homens), e está coberta com toalhas muito finas e tendo sobre ela uma rica baixela. Há também ânforas e taças preciosas, e muitos criados se movem ao redor dela, levando as iguarias e escasseando os vinhos. No centro do quadrado não há ninguém. Estou vendo o pavimento no qual se reflete a luz do lampadário a óleo. Do lado externo, ao contrário, há muitos sofás-camas, todos ocupados pelos comensais.

Parece-me estar no canto semi-escuro, colocado no fundo da sala, perto de uma porta que está escancarada para fora, mas, ao mesmo tempo, fechada por um pesado tapete ou arrás, que está pendente de sua arquitrave.

No lado mais distante da porta, isto é aquiDisegno%20pag%2040%20(I).tif está o dono da casa com os convivas mais importantes. Ele é um homem já de idade, vestido com uma ampla túnica branca, apertada na cintura por um cinturão bordado. Sua veste tem ainda no pescoço e no fundo das mangas e da própria veste orlas de bordado aplicado, como se fossem fitas ou galões, se assim quiserdes chamá-los. Mas o rosto desse senhor de idade não me agrada. É um rosto mau, frio, soberbo e cobiçoso.

No lado oposto, em frente dele, está o meu Jesus. Eu o estou vendo de lado, e quase diria que, pelas costas. Ele está com sua veste branca, com sandálias, longas como sempre.

Noto que, tanto Ele, como todos os comensais, não estão sentados, como eu pensava que iam ficar naqueles sofás-camas, isto é, perpendicularmente à mesa. Mas eles estão colocados paralelamente. Na visão das núpcias de Caná eu não tinha dado muita importância a este particular. Eu tinha visto que comiam estando apoiados sobre o cotovelo esquerdo, mas me parecia que estivessem menos deitados, talvez porque os leitos eram menos luxuosos, e muito mais curtos. Estes são verdadeiros leitos, e se parecem com os modernos divãs turcos.

Jesus está perto de João e, visto que Jesus está apoiado no cotovelo esquerdo,(como todos), resulta que a posição dos dois é assim:

Disegno%20pag%2040%20(II)

Entre a mesa e o corpo do Senhor, João tem o seu cotovelo virado para a virilha do Mestre, de modo a não estorvá-lo para comer, mas que lhe permite, se ele quiser, apoiar-se em seu peito.

Nenhuma mulher está presente. Todos estão conversando, e o dono da casa, de vez em quando, se vira, com afetada condescendência e com evidente consideração, para Jesus. Está claro que ele quer demonstrar a todos os presentes que ele está prestando a Jesus uma grande honra, ao tê-lo convidado a vir à sua rica casa, convidando a Ele, que é um pobre profeta, julgado até por alguns um pouco exaltado…

Vejo que Jesus lhe responde com cortesia, pacatamente. Ele sorri, com aquele seu leve sorriso, a quem o interroga, sorri com um sorriso luminoso a quem lhe fala, ou que somente fica olhando para Ele, como João.

236.2Vejo que se levanta o rico toldo, que cobre o vão da porta, e que entra uma mulher ainda jovem, muito bonita, ricamente vestida e cuidadosamente penteada. Sua cabeleira, loura e abundante, faz-lhe na cabeça um fino ornato de cachos entrelaçados com arte. Parece trazer na cabeça um elmo de ouro todo em relevos, pois a cabeleira brilha, e é farta. Tem uma veste que, se eu a comparasse com a que sempre vemos na Virgem Maria, diria que é muito excêntrica e complicada. Fivelas nos ombros, joias para segurar os frisados no alto do peito, pequenas correntes de ouro para contornar o próprio peito, cintura com broches de ouro e pedras preciosas. Uma veste procaz, que põe em relevo as linhas de um corpo muito bem feito. Na cabeça, ela tem um véu tão fino, que não cobre nada. Tudo para pôr em destaque a sua afetação, e basta. Nos pés tem umas sandálias muito ricas, com fivelas de ouro, feitas com pele vermelha e com laços trançados nos tornozelos.

Todos, menos Jesus, se viram, olhando para ela. João a observa por um instante, depois se volta para Jesus. Os outros fixam nela os olhos, com aparentes e malignos desejos. Mas a mulher não olha para eles, por nenhum motivo, nem se incomoda com o murmúrio que ela despertou com sua entrada, nem pelo piscar de olhos de todos os presentes, menos de Jesus e de seu discípulo. Jesus aparenta não estar percebendo nada. E continua a falar, terminando a conversação que havia começado com o dono da casa.

A mulher vai para o lado de Jesus, e se ajoelha perto dos pés do Mestre. Ela põe no chão um pequeno vaso, em forma de ânfora muito bojuda, tira o véu da cabeça, corta a ponta do alfinete precioso que o conservava preso aos cabelos, tira dos dedos os anéis, e coloca tudo sobre o sofá-cama, perto dos pés de Jesus, depois toma entre as suas duas mãos os pés, primeiro o direito, depois o esquerdo, tira deles as sandálias e as coloca no chão, em seguida beija, no meio de uma grande explosão de pranto, aqueles pés, e os apoia contra a sua fronte e os acaricia, enquanto suas lágrimas caem como uma chuva, que brilha à luz do lampadário e rega a pele daqueles pés adoráveis.

236.3Jesus volta lentamente a cabeça, e seu olhar azul escuro vai pousar, por um instante, naquela cabeça inclinada. É um olhar que absolve. Depois, torna a olhar para o centro. Deixa-a livre em seu desabafo.

Mas os outros, não. Eles estão zombando dela, piscando os olhos e ridicularizando-a. E o fariseu põe-se, então, sentado, por um momento, para poder ver melhor, e está com um olhar cheio de desejos e, ao mesmo tempo, aborrecido, irônico. Cheio de desejos da mulher. Esse sentimento dele é evidente. E ele está aborrecido, porque ela entrou lá, tomando tanta liberdade, que até poderia fazer os outros pensarem que aquela mulher é… alguma hóspede que frequenta sempre a sua casa. E é um olhar irônico, quando dirigido a Jesus…

Mas a mulher não percebe nada. Ela continua a chorar muito, mas sem gritar. São grandes lágrimas, e um ou outro soluço. Depois, ela se despenteia, tirando os grampos de ouro, que prendiam o complicado penteado, vai pôr também esses grampos perto dos anéis e do alfinete. As madeixas de ouro rolam pelas costas abaixo. Ela as segura com as duas mãos, leva-as para cima de seu peito, e as passa sobre os pés molhados de Jesus, até vê-los enxutos. Em seguida, mergulha os dedos no pequeno vaso, tira dele uma pomada amarelo escura e muito cheirosa. É um perfume entre o do lírio e o da angélica, e que se espalha por toda a sala. A mulher continua a mergulhar os dedos no pequeno vaso e, sem ter mãos a medir, vai passando e espalmando a pomada, beijando os pés e acariciando-os.

Jesus, de vez em quando olha para ela com grande e amorosa piedade. João que se virou, espantado, quando ouviu aquele pranto, não sabe mais apartar seus olhares do grupo, de Jesus e da mulher. Olha, alternativamente, para um e para a outra. O rosto do fariseu se torna cada vez mais carrancudo.

236.4Ouço aqui as conhecidas palavras1 do Evangelho e as ouço acompanhadas por um tom e um olhar, que fazem ao velho irado abaixar a cabeça.

Ouço as palavras de absolvição à mulher, que lá se vai, deixando aos pés de Jesus as suas joias. Ela enrolou o véu ao redor da cabeça, colocando nele do melhor modo que pôde, sua cabeleira despenteada. Jesus, ao dizer-lhe: “Vai em paz”, põe-lhe a mão sobre a cabeça inclinada, por um instante. Mas com um gesto de grande bondade.

236.5Agora Jesus me diz:

 O que fez inclinar a cabeça ao fariseu e aos seus companheiros, e que não está relatado no Evangelho, são as palavras que o meu espírito, através do meu olhar, dardejaram e cravaram naquela alma árida e cobiçosa. Eu respondi muito mais do que tudo o que foi dito, porque nada para Mim estava escondido dos pensamentos dos homens. E ele me compreendeu na linguagem do que Eu não disse, que era ainda mais carregada de reprovação, do que pudessem ter sido as minhas palavras.

Eu lhe disse: “Não. Não fiques fazendo insinuações más para justificares a ti mesmo, diante de ti mesmo. Eu não tenho a tua libidinagem. Esta mulher não veio a mim por uma atração de sensualidade. Eu não sou como tu, nem como os teus semelhantes. Ela vem a Mim, porque o meu olhar e a minha palavra, que por acaso ela ouviu, iluminaram sua alma, na qual a luxúria havia criado a treva. E vem, porque quer vencer a sensualidade, compreende, pobre criatura, que sozinha nunca o conseguirá. Em Mim ela ama o espírito, nada mais do que o espírito, que ela percebe ser sobrenaturalmente bom. Depois de tantos males, que recebeu de vós todos, que desfrutastes de suas fraquezas com os vossos vícios, dando-lhe em troca, depois, as chicotadas do vosso desprezo, ela vem a Mim, porque percebe que encontrou o Bem, a Alegria, a Paz, inutilmente procuradas em meio as pompas do mundo. Cura-te desta tua lepra da alma, ó fariseu hipócrita, aprende a olhar as coisas com justiça. Depõe a soberba da mente e a luxúria da carne. Estas são lepras bem mais fétidas do que as de vossa pessoa. Desta última o meu toque vos pode curar, porque para isso me invocais, mas da lepra do espírito não, porque desta vós não quereis ficar curado porque vos agrada. Esta mulher o quer. E eis que eu a purifico, eis que Eu a livro das correntes da sua escravidão. A pecadora morreu. Ela está lá, naqueles ornatos que ela tem vergonha de me oferecer, para que eu os santifique usando-os para as minhas necessidades e as dos meus discípulos, para os pobres, que Eu socorro com o que sobra dos outros, porque Eu, o Senhor do Universo, não possuo nada, agora que Eu sou o Salvador do homem. Ela está lá, naquele perfume derramado a meus pés, aviltado como os seus cabelos, colocados sobre aquela parte do meu corpo, que tu descuidaste de refrescar com a água do teu poço, depois de Eu ter feito uma grande caminhada para vir trazer luz também a ti. A pecadora morreu. E renasceu Maria, tornada bela como menina pudica pela sua viva dor e pelo seu reto amor. Ela se lavou em seu pranto. Em verdade Eu te digo, ó fariseu, que, entre este que me ama em sua juventude pura e esta que me ama em sua sincera conversão, com um coração que renasceu para a Graça, Eu não faço diferença, e ao Puro como à arrependida Eu os encarrego de compreenderem o meu pensamento, como nenhuma outra pessoa, e de prestarem ao meu corpo as últimas honras e a primeira saudação (não conto aquela particular de minha Mãe), quando Eu tiver ressuscitado.”

Eis o que Eu queria dizer com o meu olhar ao fariseu. 236.6Mas a ti Eu faço observar uma outra coisa: para tua alegria e para alegria de muitos.

Também em Betânia Maria repete aquele gesto que assinalou a aurora de sua redenção. Há gestos pessoais que se repetem, e denunciam uma pessoa como sendo parte de seu estilo próprio. Gestos inconfundíveis. Mas, como era justo, em Betânia seu gesto foi menos aviltado e mais confidencial, em sua respeitosa adoração. Muito caminhou Maria desde aquela aurora de sua redenção. Muito. O amor a arrebatou como vento rápido para o alto e para a frente. O amor a fez arder como um incêndio destruindo nela a carne impura e fazendo que dominasse nela um espírito purificado. E Maria, diferente em sua renovada dignidade de mulher como diferente em suas vestes, agora simples com as de minha Mãe, em sua maneira de arranjar-se, no olhar, em sua compostura, na palavra agora nova, tem um novo modo de honrar-me com o mesmo gesto. Ela pega o último de seus vasos de perfume, conservado para Mim, e o espalha em meus pés, sem pranto, mas com um olhar que o amor e a segurança de estar perdoada e libertada faz feliz, e sobre minha cabeça. Maria agora pode bem ungir-me e tocar em minha cabeça. O arrependimento e o amor a purificaram com o fogo dos serafins, e ela é um serafim.

236.7Dize isto a ti mesma, minha pequena ‘voz’. dize-o às almas. Vai, dize-o às almas que não ousam vir a Mim, porque se sentem culpadas. Muito, muito, muito é perdoado a quem muito ama. A quem muito me ama. Vos não sabeis, ó pobres almas, como o Salvador vos ama! Não tenhais medo de Mim. Vinde Com confiança. Com coragem. Eu vos abro o coração e os braços.

Recordai-o sempre: “Eu não faço diferença entre aquele que me ama com sua pureza íntegra e aquele que me ama na sincera contrição de um coração renascido pela Graça.” Eu sou o Salvador. Recordai-o sempre.

Vai em paz. Eu te abençôo.

22 de janeiro de 1944

236.8Hoje passei o dia todo pensando no ditado de Jesus de ontem à tarde, e em tudo o que eu via, e compreendia, mesmo se não dito.

No entanto, por digressão, lhe digo que os discursos dos comensais, por aqueles que eu entendia, isto é, aqueles particularmente referentes a Jesus, tratavam de fatos do dia: os romanos, a Lei transgredida por eles, e depois, da missão de Jesus como Mestre de uma nova escola. Mas, sob aquela aparente benevolência, compreende-se que eram perguntas viciosas e capciosas, feitos para arrastá-lo e fazê-lo cair em alguma cilada. Coisa não fácil, porque Jesus, com poucas palavras, dava-lhes sempre uma resposta justa e conclusiva para cada discurso.

A pergunta, por exemplo, em qual escola ou seita particular fez-se Mestre novo, respondeu simplesmente:

 Na escola de Deus. É a Ele que Eu sigo na sua santa Lei e é dele que eu cuido, fazendo assim que a estes pequenos (e olhava para João, e em João olhava para todos os retos de coração) ela seja renovada em toda a sua essência assim como foi no dia em que o Senhor a promulgou no Sinai. Eu levo de novo os homens para a Luz de Deus.

A uma outra, sobre o que é que Ele pensava do abuso de César, que se fizera dominador da Palestina, Ele havia respondido:

 César é o que é, porque Deus o quer assim. Recorda o profeta Isaías. Não chama2 ele, por inspiração divina, Assur de ‘bastão’ de sua cólera? A vara que pune o povo de Deus, que muito se afastou de Deus, e tem a mentira como sua veste e seu espírito? E não diz que, depois de tê-lo usado como punição, o despedaçará, porque ele abusou no cumprimento de sua tarefa, tornando-se soberbo e feroz demais?

Estas foram as duas respostas que mais me impressionaram.

236.9Esta tarde, depois, meu Jesus me diz, sorrindo:

 Eu te deverei chamar como Daniel. És a dos desejos e a que me é cara, porque desejas tanto o teu Deus. E poderei continuar a dizer-te o que foi dito3 a Daniel pelo meu anjo: “Não tenhas medo porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a afligir-te na presença de Deus, foram ouvidas as tuas preces e Eu vim por causa delas.” Mas aqui não é o Anjo que fala. Sou Eu que te falo: Jesus.

Sempre, ó Maria, Eu venho quando alguém “aplica seu coração a compreender.” Eu não sou um Deus duro e severo. Eu sou a Misericórdia Viva. E, mais rápido do que o pensamento, Eu vou a quem se dirige a Mim. 236.10Também à pobre Maria de Magdala, tão mergulhada em seu pecar, Eu fui veloz, com o meu espírito, logo que senti surgir nela o desejo de compreender o seu estado de trevas. E Me fiz Luz para ela.

Falava a muitos naquele dia, mas, na verdade, eu falava somente para ela. Eu não via senão ela, que se havia aproximado trazida por um impulso da alma que se revoltava contra a carne, que a tinha subjugada. Eu não via nada mais que ela, com seu pobre rosto em tempestade, com seu sorriso forçado que escondia debaixo de uma veste de esperança e de uma alegria mentirosa, e era um desafio ao mundo e a ela mesma todo aquele pranto interior. Eu não via senão ela, bem mais envolvida nas sarças da ovelhinha tresmalhada da parábola, ela que se afogava no desgosto de sua vida, vindo à tona d’água como aquelas ondas imensas, que trazem consigo as águas lá do fundo.

Eu não disse grandes palavras, nem toquei num assunto indicado por ela, pecadora bem conhecida, para não mortificá-la e não constrangê-la a fugir, a se envergonhar ou a vir. Eu a deixei em paz. Eu deixei que a minha palavra e o meu olhar descessem sobre ela e lá fermentassem para fazerem daquele impulso de um instante o seu glorioso futuro de santa. Eu lhe falei com uma das mais doces parábolas: um raio de luz e de bondade emitido mesmo para ela.

236.11E, naquela tarde, enquanto colocava os pés na casa do rico soberbo, na qual a minha palavra não podia fermentar em futura glória porque morta pela soberba farisaica, já sabia que ela haveria de vir, depois de ter chorado tanto em seu quarto de vício, e já haver decidido o seu futuro, à luz daquele pranto.

Os homens, incendiados pela luxúria, ao vê-la entrar, estremeceram em suas carnes e insinuado com o pensamento. Todos a desejaram, menos os dois ‘puros’ do banquete: Eu e João. Todos achavam que ela tivesse vindo por um daqueles caprichos fáceis que, verdadeira possessão diabólica, a lançavam em imprevistas aventuras. Mas satanás estava então vencido. E todos, então, com inveja, pensaram, vendo que ela não olhava para eles, que ela tivesse vindo por causa de Mim. O homem suja sempre também as coisas mais puras quando ele é somente homem de carne e sangue. Somente os puros veem de modo correto porque neles não há pecado que lhes perturbe o pensamento.

236.12Mas que o homem não compreenda, não te deve assustar, Maria. Deus compreende. E isso basta para o Céu. A glória que vem dos homens não aumenta nem um grama a glória que é a sorte dos eleitos no Paraíso. Lembra-te disso sempre.

A pobre Maria de Magdala foi sempre julgada mal em seus atos bons. Não o tinha sido em suas ações más porque estas eram iscas da luxúria, que se ofereciam à fome insaciável dos libidinosos. Criticada e julgada mal em Naim, na casa do fariseu, criticada e censurada em Betânia4, na casa dela. Mas João, que diz uma grande palavra, dá a razão desta última crítica: “Judas… porque era ladrão.” Eu digo: “O fariseu e os seus amigos, porque eram luxuriosos.” Aí está, vês? A cobiça da sensualidade, a cobiça do dinheiro levantam a voz para criticar uma ato bom. Os bons não criticam. Nunca. Eles compreendem.

Mas, Eu repito, a crítica do mundo não importa. O que importa é o julgamento de Deus.

[…].

1 palavras, aquelas de Lucas 7,40-50.
2 chama… diz…, em Isaías 10, 5-26.
3 foi dito, em Daniel 10, 12.
4 em Betânia, em 586.7; dá a razão, em João12,6.


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