460. 460. Fariseus em Cafarnaum com José e Simão de Alfeu.Jesus e a Mãe prontos ao Sacrifício.


18 de julho de 1946.

460.1 – Não levas o menino para a mãe dele? –pergunta Bartolomeu a Jesus, ao encontrar-se no terraço com Ele, todo absorto em profunda oração.

– Não. Esperarei que ela volte da sinagoga…

– Esperas que lá dentro o Senhor lhe fale… e que ela… compreenda o seu dever? Estás pensando como um sábio. Mas ela não é sábia. Uma outra mãe teria vindo correndo, ontem de tarde, para apanhar o seu filho. Enfim… Tínhamos navegado por um mar tempestuoso… ela não sabia de onde nós vínhamos… Teria ela ficado preocupada, porque talvez com seu menino tivesse acontecido alguma coisa? Será que ela vem esta manhã? Olha só quantas mães já estão de pé, mesmo estando o dia ainda começando, estão ocupadas em estender as roupas de festa para que enxuguem e os meninos possam vesti-las limpas no dia do Senhor. Um fariseu diria que elas estão fazendo um trabalho servil, ao estenderem aquelas roupinhas. Eu digo que elas estão fazendo um trabalho de amor para com Deus e para com os seus filhos. Além disso, são umas mulheres pobres, quase todas. Olha Maria de Benjamim e Rebeca de Miqueias.

E em cima daquele pobre terraço está Joana, desenredando pacientemente as franjas da pobre veste do seu filho homem, a fim de que ele pareça menos pobre, para que com ela possa participar da sagrada função. E, também sobre a margem, que até há pouco estava toda ensolarada, está Sélida estendendo um tecido ainda cru, a fim de que ele pareça mais fino, pois é um tecido grosseiro, mas bonito somente com o sacrifício que está custando tantos bocados de pão tirados da boca e do ventre, para transformá-los em estopa de cânhamo. E ali não está Adina, esfregando com ervas verdes o vestidinho de sua filhinha, para que ele pareça mais verde? Mas ela não está sendo vista…

– Que o Senhor lhes mude o coração! Nada mais há a dizer…

460.2 Ficam apoiados no pequeno muro do terraço, olhando a natureza, agora refrescada pelo temporal, que fez ficar limpa a atmosfera e limpas as verduras. O lago, ainda um pouco agitado e menos azul que de costume, porque está listrado pelas águas das torrentes, que estão cheias por poucas horas, e que arrastam toda poeira dos leitos requeimados, que estão bonitas, apesar de tudo, embora tenham tomado levemente uma cor de ocre. Parece um grande lápis azul sarapintado com pérolas, indo por baixo de um sol límpido, que vem surgindo agora por detrás dos montes, acendendo todas as gotas que ainda não caíram das ramagens. As andorinhas e os pombos festivos estão sulcando o ar purificado, e, por entre os ramos os passarinhos de todas as espécies pipilam e gorgeiam.

– O calor vai-se indo embora. Que bela estação esta! Rica e bela como uma idade madura. Não é verdade, Mestre?

– Bela, sim…

Mas pode-se ver que Jesus está com seu pensamento longe dali.

Bartolomeu olha para Ele… Depois pergunta:

– Em que estás pensando? No que vais dizer na sinagoga?

– Estou pensando nos doentes que estão esperando. Vamos curá-los, nós dois.

– Nós, sozinhos?

– Simão, André, Tiago e João foram retirar as nassas colocadas por Tomé, prevendo a nossa volta. Os outros estão dormindo. Então vamos nós dois.

460.3 Descem eles, dirigindo-se para a campina, indo às casas espalhadas pelo meio das hortas, ou já por entre os campos, à procura dos doentes, que se abrigaram nas casas dos pobres, sempre hospitaleiros. Mas há alguém que vai correndo na frente, procurando adivinhar para onde vai o Mestre, e um outro lhe diz:

– Espera aqui na minha horta. Nós os traremos para cá…

E logo, de diversas partes, como as águas de rios pequenos, que se reúnem em uma única lagoa, os doentes estão vindo, ou sendo carregados até Aquele que os cura. Os milagres se realizam.

Jesus vai-se despedindo deles, dizendo:

– Não conteis a ninguém, se alguém vos perguntar, que eu vos curei. Voltai para as casas em que estáveis. Este meu discípulo, antes do pôr de sol, levará uns socorros para os mais pobres.

– Sim. Não conteis. Pois lhe faríeis mal. Lembrai-vos de que hoje é sábado e de que muitos o odeiam –recomenda Bartolomeu.

– Não faremos o mal a quem nos fez o bem. Nós o iremos contar em nossas cidades, mas sem falar em que dia foi que ficamos curados –diz um que antes era paralítico.

– Eu até vos diria que vos espalhásseis pelo campo e esperásseis o pôr de sol. Os fariseus sabem onde é que estávamos hospedados, poderiam vir ver… –diz um que antes sofria da vista.

– Dizes bem, Isaque. Ontem eles faziam muitas perguntas sobre várias coisas. Pensarão que, cansados de esperar, tenhamos partido antes do pôr de sol.

– Mas ontem à tarde o apóstolo nos viu? –pergunta um que era cego–. Não era ele que estava falando?

– Não. Era um dos irmãos do Senhor. Ele não nos trairá.

– Dizei somente para onde ides, a fim de que eu possa encontrar-vos, quando eu vier –diz Bartolomeu.

Os doentes estão trocando ideias entre eles. Uns gostariam de ir para Corozaim e outros para Magdala. Vão procurar Jesus.

E Jesus lhes diz:

– Pelos campos, ao longo do caminho, que vai para Magdala. Ide acompanhando a segunda torrente e pouco depois encontrareis uma casa. Ide até lá e dizei: “Jesus nos mandou.” E eles vos receberão como a irmãos. Ide, Deus esteja convosco, e vós com Deus, não pecando para o futuro.

460.4 E Jesus se põe a caminho, não voltando logo ao lugarejo pelo caminho já feito, mas fazendo um semicírculo por entre as hortas, o que o leva para perto da nascente, ao lado do lago, tomada de assalto pelas mulheres que querem fazer sua provisão de água, enquanto ela está fresca e o sol está alto.

– O Rabi! O Rabi!

Estão chegando mulheres e crianças e até homens do povo, na maior parte velhos, e que não estão fazendo nada, por ser sábado.

– Uma palavra, Mestre, para tornar alegre este dia –diz um velhinho que vai levando um menino pela mão, talvez um seu bisneto, pois se o velho está quase com cem anos, o menino não tem mais do que uns seis.

– Sim, contenta ao velho Levi, e a nós com ele.

– Hoje tendes a explicação de Jairo. Eu estou aqui para ouvi-lo. Vós tendes um sinagogo sábio…

– Por que estás falando isso, Mestre? Tu és o sinagogo dos sinagogos, o Mestre de Israel. Nós só conhecemos a Ti.

– Não deveis fazer assim. Os sinagogos aí estão colocados para serem vossos mestres, para realizarem o culto entre vós, dando-vos o exemplo, para fazer de vós fiéis israelitas. Os sinagogos aí estarão, mesmo quando Eu não estiver mais aqui. Eles terão um outro nome haverá outras cerimônias, mas serão sempre os ministros do culto. Vós os deveis amar, deveis rezar por eles. Porque onde houver um bom sinagogo, lá haverá bons fiéis e, portanto, lá está Deus.

– Assim faremos. Mas agora fala para nós. Ouvimos dizer que Tu estás para deixar-nos…

– Tenho muitas ovelhas espalhadas pela Palestina. Todas estão esperando o seu Pastor. Mas vós tendes os discípulos, sempre em maior número, e sábios…

– Sim. Mas o que Tu dizes é sempre bom e mais fácil para as nossas mentes ignorantes.

– Que vos direi?

– Jesus, nós te estivemos procurando por toda parte!, grita José de Alfeu, que, junto com seu irmão Simão e um grupo de fariseus, acabou de chegar.

– E onde pode estar o Filho do homem, senão entre os pequenos e os simples de coração? Vós me queríeis? Eis-me aqui. Mas antes deixai que Eu diga uma palavra a estas pessoas…

460.5 Ouvi. Foi-vos dito que Eu estou para deixar-vos. É verdade. Eu não o neguei. Mas, antes de deixar-vos, dou-vos este mandamento: o de vigiar-vos muito, a vós mesmos, para conhecer-vos muito, e o de aproximar-vos sempre mais da Luz, para podermos ver-nos. A minha palavra é luz. Guardai-a em vós, e, quando à sua luz, descobrirdes manchas ou sombras, persegui-as, para expulsá-las dos vossos corações. Aquilo que éreis antes que Eu vos conhecesse, não deveis sê-lo mais… Antes, vós estáveis como que em um crepúsculo. Agora tendes a Luz em vós.

Olhai o céu pela manhã, quando a aurora o vem clareando: ele pode parecer estar sereno, só porque não está todo coberto por nuvens de tempestade. Mas, à medida que a luz vai aumentando, o vivo clarão do sol se mostra do lado do oriente, eis que nossos olhos, espantados, veem como se vão formando umas manchas rosadas sobre o azul do céu. Que são elas? Oh! São umas leves nuvenzinhas, tão leves, que pareceriam estar lá só enquanto a luz era ainda incerta, mas que, agora, visto que o sol as atinge, aparecem como umas espumas ligeiras sobre o campo do céu. E lá estão, até que o sol as derreta e as anule, com seu grande fulgor. Vós, fazei assim com a vossa alma. Trazei-a sempre mais perto da luz para descobrirdes toda névoa, ainda que muito leve, depois conservai-a sob o grande Sol da Caridade e a Caridade operará em vós contínuos prodígios.

Ide agora, e sede bons…

460.6 Jesus se despede deles, vai para perto dos dois primos, que Ele beija, depois de ter feito profundas inclinações para os fariseus presentes, entre os quais está Simão, o fariseu de Cafarnaum. Os outros são rostos novos.

– Nós te procuramos mais por estes, do que por nós. Eles foram a Nazaré para procurar-te, e então… –explica Simão de Alfeu indicando os fariseus.

– A paz esteja convosco. De que é que precisáveis?

– Oh! De nada. Queríamos ver-te. Somente ver-te. E ouvir a sabedoria das tuas palavras…

– Somente para isso?

– Também para aconselhar-te, verdade seja dita… Tu és muito bom e o povo abusa disso. Este povo não é bom. E Tu sabes disso. Por que não amaldiçoas os pecadores?

– Porque o Pai me manda salvar e não perder.

– Irás ao encontro de muitas desventuras.

– Não tem importância. Eu não posso transgredir uma ordem do Altíssimo, por causa de nenhuma vantagem humana.

– E se… Sabes… dizem em voz baixa que Tu acaricias o povo para te servires dele em alguma revolução. Nós viemos perguntar-te se é verdade isso.

– Vós viestes ou fostes mandados?

– É a mesma coisa.

– Não. Mas Eu respondo a vós e a quem vos mandou que a água que extravasa do meu balde é uma água de paz, e que a semente que Eu semeio é semente de renúncia. Eu podo os ramos soberbos. Eu estou pronto para arrancar as plantas más, a fim de que não façam mal às boas, se elas não aceitarem o enxerto. Mas o que Eu chamo de “bom” não e o que vós chamais de bom. Porque Eu chamo de boa a obediência, a pobreza, a renúncia, a humildade, a caridade que se inclina a todas as humildades e misericórdias. Não tenhais medo de ninguém. O Filho do homem não arma insídias para obter os poderes humanos, mas vem para ensinar o poder dos espíritos. Ide e refleti bem que o Cordeiro nunca será lobo.

– Que queres dizer? Tu nos compreendes mal, e nós te compreendemos mal.

– Não. Eu e vós até que nos compreendemos muito bem…

– Pois bem, então sabes para o que viemos?

– Sim. Para dizer-me que não devo falar às turbas. E não penseis que não podeis proibir-me de entrar, como qualquer outro israelita, lá onde se leem e se explicam as Escrituras, onde todo circuncidado tem o direito de falar.

– Quem foi que te disse isso? Foi Jairo, não é mesmo? Nós lho diremos.

– Eu ainda não vi Jairo.

– Tu estás mentindo.

– Eu sou a Verdade.

Lá do meio da multidão, que tornou a reunir-se, um homem diz:

– Ele não está mentindo. Jairo partiu ontem, antes do pôr de sol, com sua mulher e a filha. Ele as acompanhou até à casa da mãe, que está à morte, e não voltará, senão depois das purificações.

Os fariseus não tiveram a alegria de poder mostrar que Jesus mentiu, mas têm outra que é a de saberem que Ele está sem seu amigo mais poderoso em Cafarnaum. Olham-se uns aos outros, fazendo uns para os outros muitos sinais com os seus olhares.

460.7José de Alfeu, que é o chefe da família, sente-se no dever de defender a Jesus, se vira para Simão, o fariseu:

– Tu me honraste, querendo partir comigo o pão e o sal, o Altíssimo levará em conta esta honra prestada aos descendentes de Davi. Tu te mostraste justo para comigo. Este meu irmão está sendo acusado por estes fariseus. Ontem eles me disseram, a mim chefe da família, que sua única dor era que Jesus abandonasse a Judeia, porque, sendo Ele o Messias de Israel, tinha o dever de amar e evangelizar igualmente a todo Israel. Eu achei justa essa observação e o teria dito ao meu irmão. Mas, por quê, então, hoje estão falando assim? Pelo menos, que digam por que é que Ele não deve falar. Não vejo em que ponto Ele diz coisa contra a Lei e as Escrituras. Dizei o porquê e eu persuadirei a Jesus de que Ele deve falar de outro modo.

– A tua observação é justa. Respondei ao homem… –diz Simão, o fariseu–. Terá Ele dito coisas… sacrílegas?

– Não. Mas o sinédrio o acusa de separar, de tentar separar a Nação. O Rei deve ser de Israel e não só da Galileia.

– Toda querida há de ser a Pátria e caríssima, dentro da Pátria, é a nossa região nativa. Não é uma causa tão grave, a ponto de merecer punição, esse amor dele pela Galileia. Afinal, nós somos de Davi, e por isso…

– Que Ele venha, então para a Judeia. Não nos despreze.

– Tu o odeias? Isto é uma honra para ti e a família –diz, entre severo e jactancioso, José.

– Eu o odeio.

– Eu te aconselho a atender ao desejo deles. É bom, é uma grande honra. Tu dizes que queres paz. Então, põe um fim nisso, nessa briga entre as duas regiões, pois és amado nas duas regiões. Acaba com esta desavença entre as duas. Certamente o fará. Oh! É certo que o fará. Eu o garanto, porque Ele é obediente aos seus maiores.

– Está escrito: “Não há ninguém maior do que Eu. Não existe outro deus na minha frente.” Eu obedecerei sempre ao que Deus quer.

– Estais ouvindo? Ide, então,em paz.

– Nós estamos ouvindo. Mas, ó José, antes de nos irmos, queremos saber o que é que para Ele é o que Deus quer.

– O que Deus quer é que Eu faça a sua Vontade.

– E qual seria? Dize-a.

– Que Eu recolha as ovelhas de Israel e as reúna em um só rebanho. Eu o farei.

– Contamos com as tuas palavras.

– Será bom. Deus esteja convosco –e Jesus vira as costas para o grupo dos fariseus e vai para casa.

460.8 José, seu primo, põe-se ao lado dele, meio contente, meio descontente, e, com um ar de protetor, que sabe levá-los (como ele fez), que está sendo apoiado pelos parentes (como afortunadamente ele está hoje), que recordando que eles têm direito ao trono (como descendentes de Davi), e assim por diante, até os fariseus se tornam seus bons amigos.

Jesus o interrompe, dizendo:

– E tu crês nisso? Crês nas palavras deles? Em verdade o orgulho e o elogio mentiroso bastam para cobrir, como com duas lajes, até as vistas mais agudas.

– Mas eu… os contentaria. Não podes pretender que te levem em triunfo, entre gritos de hosana. De repente… É que precisas conquistá-los. Um pouco de humildade, Jesus. Um pouco de paciência. A honra merece todos os sacrifícios…

– Basta! Tu falas com palavras humanas, é pior ainda. Deus te perdoe. E te dê luz, meu irmão. Afasta-te, porque me fazes sofrer. Deixa de dar à tua mãe, aos irmãos e à minha Mãe estes conselhos estultos.

– Tu queres perder-te! Tu és a causa da nossa ruína e da tua!

– Porque vieste, se és sempre o mesmo? Ainda nao sofri por ti. Mas eu o farei. E então…

José saiu de lá inquieto.

– Tu o desgostas… Ele é como o nosso pai, tu o sabes. É o velho israelita… –sussurra-lhe Simão.

– Quando ele compreender, verá que a minha ação, que agora tanto o aborrece, era santa…

460.9 Chegaram à porta da casa. Entram. Jesus dá uma ordem a Pedro:

– Faze que a barca esteja pronta, ao pôr de sol. Acompanharemos até Tiberíades as duas Marias, e Simão as acompanhará até em casa. Irá contigo Mateus, além dos dois companheiros pescadores. Os outros ficarão aqui, esperando-nos.

Pedro puxa Jesus para um lado:

– E se vier aquele de Antioquia? É por causa de Judas de Keriot que eu falei…

– O teu Mestre te diz que o encontraremos no molhe de Tiberíades.

– Ah! Então!

E, com voz forte, diz:

– A barca ficará pronta!

460.10– Minha Mãe, sobe comigo. Estaremos juntos por algumas horas.

Maria o acompanha, sem falar. Entram no quarto alto, fresco e sombreado pela videira, que o cobre, pelos toldos armados para fazerem sombra.

– Tu já te vais, meu Jesus?!

Maria está muito pálida.

– Sim. Já é tempo.

– E eu não? Devo ir para a festa dos Tabernáculos? Meu Filho!

Maria dá um soluço.

– Minha Mãe! Por quê? Não é a primeira vez que nos deixamos!

– Não. É verdade. Mas… Oh! eu me estou lembrando de tudo o que me disseste1 no bosque de Gamala… Meu Filho! Perdoa a uma pobre mulher… Eu te obedecerei… Eu, com a ajuda de Deus, serei forte… Mas quero de Ti uma promessa.

– Qual é, minha Mãe?

– Que Tu não me esconderás a hora tremenda. Não por piedade, nem por desconfiança de mim… Seria um sofrimento grande demais… Sofrimento, porque… eu ficaria sabendo de tudo de repente, e por quem não me ama, como Tu amas a tua pobre Mãe… E seria uma tortura, se eu ficasse pensando que talvez no momento em que eu estiver fiando, ou tecendo, ou cuidando dos pombos, Tu, meu Filho, estejas sendo levado para a morte…

– Não tenhas medo, minha Mãe. Tu ficarás sabendo… Mas este ainda não é o último adeus. Nós ainda nos veremos…

– É verdade mesmo?

– Sim. Ver-nos-emos ainda.

– E Tu me dirás: “Vou consumar o Sacrifício”? Oh!…

– Eu não falarei assim. Mas tu compreenderás… E depois será a paz, uma paz tão grande… Pensa bem: ter feito tudo o que Deus quer de nós, seus filhos, para o bem de todos os outros filhos. Uma paz tão grande… A paz do perfeito amor…

Ele a aperta sobre o coração e a conserva assim num abraço filial, Ele muito mais alto e forte, ela pequena, jovem, com sua juventude incorrupta, nas carnes e na expressão, colocada na eterna juventude do seu espírito imaculado.

Ela repete, com heroismo, e que heroísmo:

– Sim, sim. Seja o que Deus quiser…

Não há mais palavras. Os dois Perfeitos já consumam o sacrifício de sua mais pura obediência. Não há nem lágrimas. E também nem beijos. O que há são apenas duas almas, que amam perfeitamente, e depõem aos pés de Deus o seu amor.

1 me disseste, em 455.4/5.


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