480. 480. Partida de Jesrael depois da visitanoturna dos camponeses de Jocanã.


26 de agosto de 1946.

480.1 – João, o dia já raiou. Levanta-te, e vamos –diz Jesus, sacudindo o apóstolo para que ele acorde.

– Mestre! O Sol já nasceu! Eu dormi muito! E Tu?

– Também Eu, a teu lado, sob os nossos mantos.

– Ah! Então, te persuadiste de que os camponeses não vinham, e te foste deitar. Eu o tinha previsto.

Jesus sorri, e responde:

– Eles vieram, quando a posição das estrelas da Ursa dizia que estava começando o galicínio.

– Oh! Eu não ouvi nada! –João está descontente–. Por que não fizeste que eu ficasse acordado?

– Tu estavas muito cansado. Parecias um menino que estivesse dormindo em um berço. Para que, então, despertar-te?

– Ora! Para fazer-te companhia!

– Tu já o fazias com aquele teu sono sereno. Quando ias pegando no sono, falavas de anjos, de estrelas, de almas, de luz… e certamente, durante o sono, continuaste a ver anjos, estrelas e o teu Jesus… Para que fazer-te voltar às maldades do mundo, quando estavas tão longe delas?

– E se… se, em vez dos camponeses, tivessem subido até aqui os salteadores?

– Nesse caso, Eu te teria chamado. Mas, quem é que estava para vir?

– Ora, Eu não sei. Jocanã, por exemplo. Ele te odeia…

– Eu sei disso. Mas vieram somente os servos dele. Ninguém faltou com a palavra… porque tu estás pensando também no seguinte: que alguém tenha falado para me prejudicar e a eles. Mas ninguém faltou com a palavra. Eu fiz bem em ficar esparando-os aqui. O novo intendente é digno do patrão que ele tem, dá ordens muito severas. Eu não falto à caridade, dizendo que eles são cruéis. Porque dizer outra coisa seria mentira. Eles saíram apressados, logo que se fez noite escura, rezando ao Senhor que os fizesse encontrar-me. Deus premia sempre a fé e conforta seus filhos infelizes. Se não me tivessem encontrado, teriam ficado aqui até pela manhã, e depois teriam voltado para trás, a fim de, ao romper do dia, poderem estar já nos campos… 480.2E foi assim que Eu os vi e os abençoei…

– Estás triste assim, por vê-los oprimidos.

– É verdade. Quantas tristezas. Pelo que dizes, por não ter tido nada para dar ao corpo desnutrido deles e por pensares que não os verei mais…

– Disseste a eles?

– Não. Por que colocar uma dor lá onde já tudo é dor?

– Eu os teria saudado com prazer, pela última vez.

– Para ti não é a última vez. Tu, antes, juntamente com os condiscípulos, te ocuparás deles quando Eu me for. Confio a vós todos os meus seguidores, especialmente aqueles que são os mais infelizes e que na fé tem o seu único sustento e a única alegria na esperança do Céu.

– Oh! Mestre! Direi também eu como teu irmão José: vai em paz, Mestre. Eu, assim como sei fazer, continuarei. Acredita-me!

– Estou seguro. 480.3Vamos… O caminho se anima. As nuvens se acumulam no céu e a luz se apaga antes de crescer. Hoje haverá de chover e todos se apressarão para a nova etapa. Mas as nuvens tem sido boas conosco. A noite foi tépida e não houve chuva para nós que estávamos ao relento. O Pai vela sobre os seus filhos diletos.

– Dileto és Tu, meu Mestre. Eu…

– Tu lhe és dileto porque me amas.

– Oh! Isto sim. Até à morte…

E, misturados entre a multidão, se afastam, em direção ao sul…