421. 421. O endemoninhado curado, os fariseuse a blasfêmia contra o Espírito Santo.


22 de abril de 1946.

421.1 Tendo passado a Semana Santa, e consequentemente a penitência do não ver, retorna esta manhã a vista espiritual do Evangelho. E toda a minha ânsia fica esquecida com esta alegria, que sempre se anuncia com uma indescritível sensação de um júbilo sobre-humano…

… E eis que estou vendo Jesus, que ainda vai caminhando ao longo dos pequenos bosques que margeiam o rio. Ele se detém, e ordena uma parada nestas horas quentes demais para se poder caminhar. Porque, se é verdade que o denso entrelaçamento dos ramos forma um abrigo contra o sol, ele mesmo produz também uma espécie de capa, que serve de obstáculo para o livre perpassar da brisa, que mal se percebe, e por isso o ar lá debaixo é quente, parado, e com uma umidade que transpira do solo de perto do rio, uma umidade que não é propriamente um reconstituinte, mas um tormento pegajoso, que se mistura ao pó, ao desconfortável suor, que escorre sobre os corpos, aumentando-o.

– Vamos ficar aqui até à tarde. Depois desceremos pelo areal da beira-rio, que está branquicento e visível até com a luz das estrelas, e por ali continuaremos a andar pela noite adentro. Agora vamos tomar algum alimento e repouso.

– Ah! Antes do alimento, eu vou abastecer-me de água. Ela deverá estar morna, como um chá para tosse, mas servirá para lavar-me do suor. Quem quer vir comigo? –pergunta Pedro.

Todos vão com ele. Todos, até Jesus que, como todos os outros, está suando e com a veste pesada pela poeira e o suor. Cada um deles apanha na sacola uma veste limpa, e descem para o rio. Sobre as ervas, como sinal da parada deles, só ficam as treze sacolas e os frasquinhos com água, vigiados pelas árvores anosas e pelo grande número de passarinhos, que estão olhando, curiosos, com os seus olhinhos de azeviche, para os treze saquinhos multicores, cheios, espalhados sobre as ervas. As vozes dos banhistas vão-se perdendo, em meio ao sussurro do rio. Somente de vez em quando alguma risada dos mais jovens ressoa, como se fosse uma nota alta, por entre os acordes graves e monótonos do rio.

421.2 Mas o silêncio é logo quebrado pelo tropel de uns passos. Algumas cabeças vão aparecendo de por entre uns ramos, olham de soslaio, e dizem com a expressão de quem está contente:

– Eles estão aqui. Estão parados. Vamos dizer isso aos outros.

E desaparecem, afastando-se para o outro lado das moitas…

… Enquanto isso, já se tendo refrescado, mas com os cabelos ainda úmidos por terem sido mal enxugados, descalços e com as sandálias lavadas, que vão pingando água, penduradas por uns cordõezinhos, com as vestes limpas já vestidas, tendo posto as outras talvez sobre os caniços, depois de terem sido bem lavadas nas águas azuis do Jordão, voltam os apóstolos com o Mestre. Evidentemente já bem dispostos, depois de um bom e longo banho. Não sabendo que foram descobertos, eles se assentam, depois de Jesus ter oferecido e distribuído o alimento. E, depois do alimento, cheios de sono, se estenderam por ali, e dormiriam. Mas, eis que chega um homem, e depois do primeiro, um segundo e um terceiro…

– Que quereis? –pergunta o Tiago de Zebedeu, que os vê chegar e parar perto de um matagal, na incerteza entre ir para a frente ou parar ali.

Os outros, inclusive Jesus, viram-se para verem com quem é que o Tiago está falando.

– Ah! São aqueles do povoado… Eles vieram atrás de nós –diz sem entusiasmo Tomé, que estava preparando-se para dormir um pouco.

Então os interrogados respondem, um pouco temerosos, ao verem a evidente repugnância dos apóstolos em recebê-los:

– Nós queríamos falar ao Mestre… Dizer que… Não é verdade, Samuel?…

E ficam nisso, sem terem coragem de dizer mais nada.

Mas Jesus, com benignidade, os encoraja:

– Dizei, dizei. Tendes outros doentes?

E vai-se levantando para ir ao encontro deles.

– Mestre, Tu estás cansado, e até mais do que nós. Descansa um pouco, e eles que esperem… –dizem alguns apóstolos.

– Aqui há criaturas que me desejam. Por isso elas também não têm repouso, nem paz em seu coração. E o cansaço no coração é mais do que nos membros. Deixai que Eu os ouça.

– Ora, muito bem. Adeus nosso descanso! –respondem os apóstolos, embrutecidos pelo cansaço e pelo calor, a ponto de censurar, até na presença de estranhos, ao seu Mestre, e chegam a dizer:

– E quando, por falta de prudência, fizeres que fiquemos todos doentes, tarde demais compreenderás que te éramos necessários.

Jesus olha para eles… com piedade. Não se vê outra coisa em seus doces e cansados olhos… mas ele responde:

– Não, meus amigos. Eu não pretendo que vós me imiteis. Olhai: vós ficai aqui repousando. Eu vou afastar-me com estes, vou ouvi-los, e depois venho repousar entre vós.

Tão doce foi esta resposta, a ponto de conseguir mais do que uma censura. O bom coração, o afeto dos doze desperta, e toma uma posição vantajosa:

– Agora, não, Senhor! Fica onde estás, e fala a eles. Nós iremos virar as nossas roupas para fazê-las enxugar do outro lado. Assim venceremos o sono, e depois viremos e repousaremos todos juntos.

E os que estão com mais sono vão para a beira do rio… Só ficam Mateus, João e Bartolomeu.

421.3 Pouco a pouco, os três moradores já se tornaram mais de dez, vão sempre aumentando…

– E, então? Vinde para a frente, e falai sem temor.

– Mestre, quando Tu saíste, os fariseus ficaram ainda mais violentos… Eles atacaram o homem, que por Ti foi libertado, e, se ele não ficar doido, será um novo milagre… porque… eles lhe disseram que… que Tu o tomaste de um demônio, que impedia somente a razão dele, mas que lhe deu um demônio mais forte, que venceu o primeiro, porque este último perturba e possui o espírito dele, e que por isso ele não teria que sofrer as consequências na outra vida, porque as suas ações não eram… Como foi que eles disseram, Abraão?

– Eles disseram… oh! um nome esquisito… Afinal, queria dizer que daquelas ações Deus não lhe teria que pedir contas, porque foram praticadas sem liberdade de mente, ao passo que ele agora, adorando por imposição do demônio, que ele tem no coração, e aí colocado por Ti — oh! Perdoa-nos, se nós te dizemos! —, colocado por Ti, príncipe dos demônios, adorando a Ti, já não mais com a mente de um louco, então agora age como um sacrílego e maldito, e será condenado. Por isso, o pobre infeliz tem saudade do seu estado de antes e… e pragueja contra Ti… mais louco do que antes… e a mãe dele fica desesperada, por causa do filho que perde a esperança de salvar-se… e toda a alegria se transformou em aflição. Nós, para termos paz é que te viemos procurar e certamente foi o anjo do Senhor que nos guiou… Senhor, nós cremos que Tu és o Messias. E cremos que o Messias tem em Si o Espírito de Deus. Por isso, Ele é Verdade e Sabedoria. E te pedimos que nos dês paz e explicação.

– Vós estais na justiça e na caridade. Sede benditos. Mas, onde está o infeliz?

– Ele nos acompanha com a mãe, que vem chorando em seu desespero. Estás vendo? Todo o povoado, menos eles, os cruéis fariseus, vem vindo desta vez sem preocupar-se com as ameaças deles. Pois eles ameaçaram punir-nos pela nossa fé em Ti. Mas Deus nos protegerá.

– Deus vos protegerá. Levai-me ao infeliz.

– Não. Nós o traremos a Ti. Espera

E, em grande número, lá se vão eles, rumo ao grupo mais numeroso que vem chegando e gesticulando, enquanto dois coros gritados sobressaem, acima do barulho da multidão. Os outros, os que ficaram, já são muitos e quando a estes se unem os que vinham, tendo em seu meio o endemoninhado e sua mãe, já é verdadeiramente grande a multidão, que está por entre as árvores, ao redor de Jesus, subindo até nos galhos para acharem um lugar, de onde possam ouvir e ver.

421.4Jesus vai ao encontro do seu miraculado que, ao vê-lo, arrancando os cabelos, e ajoelhando-se, diz:

– Entrega-me o primeiro demônio! Por piedade de mim, de minha alma! Que foi que eu te fiz para me fazeres tanto mal?

E sua mãe, também de joelhos:

– Ele está delirando de medo, Senhor! Não dês atenção às suas palavras blasfemas, mas livra-o do medo, que aqueles cruéis infundiram nele, a fim de que não perca a vida da alma. Tu já o livraste uma vez!…

– Sim, mulher. Não tenhas medo. Filho de Deus, escuta!

E Jesus apoia suas mãos sobre a cabeça despenteada do que está delirando por um medo sobrenatural:

– Escuta! E julga bem. Por ti mesmo, julga-te, porque agora o teu juízo está livre, e podes julgar com justiça. Há um modo seguro para se compreender se um prodígio vem de Deus, ou de um demônio. É isso que a alma percebe. Se o fato extraordinário vem de Deus, há uma paz que se infunde na alma, uma paz e uma grande alegria. Se vem do demônio, vem com ele o prodígio da perturbação e da dor. E também da vizinhança com Deus vem uma paz e uma alegria muito grande, enquanto que da vizinhança de espíritos ou homens malvados vem perturbação e dor. Além disso, das palavras de Deus vêm a paz e a alegria, enquanto que das de um demônio, seja demônio espírito ou demônio homem, vem a perturbação e a dor. E até só da vizinhança com Deus já vem paz e alegria, ao passo que da vizinhança com os espíritos e homens malvados o que vem é a perturbação e a dor. Agora, reflete, filho de Deus. Quando, cedendo ao demônio da luxúria, tu começaste a acolher em ti o teu opressor, gozavas de alegria e paz?

O homem reflete e, ficando corado, responde:

– Não, Senhor.

– E, quando o perpétuo Adversário te dominou completamente, tiveste paz e alegria?

– Não, Senhor. Nunca. Até chegar a compreender, até que cheguei a ter uma parte da mente livre, antes tive perturbação e dor, por causa da prepotência do Adversário. Depois… eu não sei… Eu já não tinha mais entendimento capaz de compreender aquilo que eu sofria… Eu era mais do que um animal… Mas mesmo naquele estado em que eu parecia menos inteligente do que um animal… Oh! Como eu ainda podia sofrer, e nem sei dizer de que… O Inferno é horrível. É horrível em tudo, e não se pode dizer em que ele o é mais…

O homem treme diante de uma breve recordação dos seus sofrimentos de possesso. Ele treme, empalidece e sua… A mãe o abraça, beijando-o na face, para distraí-lo daquele íncubo… As pessoas sussurram comentando.

– E quando tu despertaste com a minha mão na tua mão? Que foi que sentiste?

– Oh! Um assombro tão doce… e depois uma alegria, uma paz maior ainda… Parecia que eu estivesse saindo de um cárcere escuro, onde tivessem existido serpentes numerosas, e os ares, os fedores podres de um esgoto, e que de lá eu entrasse em um jardim florido, cheio de sol e de cantos. Eu conheci o Paraíso… mas este também não se pode descrever.

O homem sorri, como se estivesse arrebatado pela lembrança de sua breve e recente hora de alegria. Depois ele suspira, e termina:

– Mas logo acabou…

– Tens certeza disso? Dize-me, agora que estás perto de Mim e longe daqueles que te perturbaram, como te sentes?

– Sinto a paz ainda. Aqui contigo eu nem posso crer que estou condenado, e as palavras deles me parecem blasfêmias… Mas eu acreditei nelas… E terei, então pecado contra Ti?

– Tu não pecaste. Mas eles, sim. Levanta-te, filho de Deus, e crê na paz que há em ti. A paz vem de Deus. Tu estás com Deus. Não peques e não temas –e tira as mãos de sobre a cabeça do homem, fazendo que ele se levante.

421.5 – É verdadeiramente assim, Senhor? –perguntam-lhe muitos.

– Verdadeiramente assim é. A dúvida que surgiu pelas palavras que julgavam nocivas foi a última vingança de Satanás, que saiu deste homem, vencido, mas desejoso de apoderar-se de novo da presa que ele perdeu.

Com muito bom senso, um dos populares diz:

– Mas, então… os fariseus… prestaram serviço a Satanás!

E muitos aprovam aquela justa observação.

– Não julgueis. Há quem julgue.

– Mas, pelo menos nós somos sinceros em julgar… e Deus vê que julgamos sobre culpas evidentes. Eles fingem ser o que não são. Agem com mentiras e com propósitos não bons. E, no entanto, eles triunfam mais do que nós, que somos honestos e sinceros. Eles são o nosso terror. Estendem o seu poder até sobre a liberdade da fé. Deve-se crer e agir como lhes agrada. E ainda nos ameaçam, porque te amamos. Eles tentam reduzir os teus milagres a feitiçarias, fazer que tenhamos medo de Ti. Eles conspiram, oprimem, prejudicam.

421.6 A multidão fala tumultuadamente. Jesus faz um gesto, impondo silêncio, e diz:

– Não acolhais em vosso coração o que é deles. Não às suas insinuações, nem aos seus sistemas. E também nem a esta ideia: “eles são maus, e, no entanto, triunfam.” Não vos lembrais mais das palavras1 da Sabedoria: “Breve é o triunfo do celerado,” e mais esta dos Provérbios: “Não sigas, ó filho, os exemplos dos pecadores, e não escutes as palavras dos ímpios, porque eles ficarão enredados nas correntes de suas culpas, e enganados por sua grande estultícia?” Não coloqueis em vós aquilo que é daqueles que vós mesmos, ainda que imperfeitos, julgais injustos. Colocareis em vós o mesmo fermento que os corrompe. O fermento dos fariseus é a hipocrisia. Que nunca haja esta entre vós, nem quanto ao modo de tratar os irmãos. Guardai-vos do fermento dos fariseus. Pensai que nada há de oculto, que não possa ser descoberto, nada de escondido, que não acabe sendo conhecido.

Vós estais vendo. Eles me haviam deixado partir, e depois semearam a cizânia onde o Senhor havia lançado a semente escolhida. Eles pensavam ter agido de modo sutil e vitorioso. E teria bastado que vós não me tivésseis encontrado, que Eu tivesse atravessado o rio, sem deixar nenhum rasto sobre as águas, pois elas voltam ao seu lugar, depois de terem sido abertas pela proa, a fim de que o mal que eles fizeram, querendo dar a impressão de estarem fazendo o bem, assim triunfasse. Mas bem depressa é descoberto o jogo, e a obra má deles é desfeita. E assim é com todas as ações do homem. Mas um não fica enganado: é Deus, que tudo conhece, e a tudo provê. Tudo o que é dito no escuro acaba sendo revelado pela Luz, e o que é tramado em segredo dentro de um quarto pode ser revelado, como se tivesse sido executado numa praça. Porque qualquer homem pode ter o seu delator. E porque todos os homens são vistos por Deus, o qual pode intervir para desmascarar os culpados.

421.7 Por isso é preciso agir sempre com honestidade para se viver em paz. E quem vive assim não tenha medo. Não tenha medo desta vida, nem medo da outra vida. Não, meus amigos, Eu vo-lo digo: quem age como justo, não tem o que temer. Não tenhas medo daqueles que matam, sim, daqueles que podem matar o corpo, mas que, depois disso, nada mais podem fazer. Eu vos direi de quem deveis ter medo. Tende medo daqueles que, depois de vos terem feito morrer, podem mandar-vos para o inferno, isto é, os vícios, os maus companheiros, os falsos e todos aqueles que insinuam o pecado, ou põem a dúvida em vossos corações, aqueles que procuram corromper mais a alma do que o corpo e levar-vos ao afastamento de Deus e a pensamentos de falta de esperança na divina Misericórdia. Disso deveis ter medo, Eu vo-lo repito. Porque senão estareis mortos para sempre. Mas, afinal, pela vossa existência não temais. O vosso Pai não perde de vista nem mesmo um desses pequenos passarinhos que fazem os seus ninhos por entre as ramagens das árvores. Nem um só deles cai na rede, sem que o Criador o saiba. E, no entanto, é bem pequeno o valor material deles: cinco pardais por dois asses. E nulo é o seu valor espiritual. E, não obstante isso, Deus cuida deles. Como, então não terá Ele cuidado de vós? De vossa vida? Do vosso bem? Até os cabelos de vossa cabeça são conhecidos pelo Pai, e nenhuma injustiça que for praticada contra seus filhos ficará sem ser observada, pois vós sois os seus filhos, isto é, muito mais do que os pardais, que fazem os seus ninhos por debaixo dos telhados, ou por entre as folhagens.

421.8 E permaneceis como filhos, enquanto não renunciais a sê-lo, por vossa livre vontade. E renuncia-se a essa filiação, quando se renega a Deus e ao Verbo que Deus manda ao meio dos homens para levar os homens a Deus. Então, quando alguém não me quer reconhecer diante dos homens porque teme algum prejuízo por causa desse reconhecimento, nesse caso também Deus não o reconhecerá por seu filho, e o Filho de Deus e do homem não o reconhecerá diante dos anjos de Deus. E quem tiver falado mal contra o Filho do homem será ainda perdoado, porque Eu falarei a favor do seu perdão junto ao Pai. Mas quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo não será perdoado. Por que é assim? Porque nem todos podem conhecer a extensão do Amor, a sua perfeita infinidade, e ver a Deus em uma carne semelhante a toda carne humana. Os gentios, os pagãos não podem crer nisto pela fé, porque a religião deles não é amor. Também entre nós, o respeito, por medo que Israel tem para com Javé, pode impedir que se creia que Deus se tenha feito homem, e o mais humilde dos homens. É uma culpa não crer em Mim. Quando, porém, ela se apoia em um sucessivo temor de Deus, ainda é perdoada. Mas perdoado não pode ser quem não se rende à verdade, que transluz dos meus atos, e diz que o Espírito do Amor não foi capaz de manter a palavra dada, mandando o Salvador no tempo estabelecido, o Salvador precedido e acompanhado pelos sinais que foram preditos.

421.9Esses tais, que agora me perseguem, conhecem os profetas. As profecias estão cheias de Mim. Eles conhecem as profecias, e conhecem o que Eu faço. A verdade é evidente. Mas eles a negam, pela vontade de negar. Sistematicamente eles negam que Eu seja, não só o Filho do homem, mas o Filho de Deus predito pelos profetas, o nascido de uma Virgem, não por vontade do homem, mas do Amor Eterno, do Eterno Espírito, que me anunciou, para que os homens me pudessem conhecer. Eles, para poderem dizer que a escuridão da Espera do Cristo ainda existe, obstinam-se em conservar fechados os olhos, para não verem a Luz que está no mundo, e por isso renegam o Espírito Santo, a sua Verdade, a sua Luz. E para esses haverá um juízo mais severo do que para aqueles que não sabem. E o dizerem que Eu sou Satanás não lhes será perdoado, porque o Espírito, por meio de Mim, faz obras divinas, e não satânicas. E levar a outros ao desespero, quando o Amor os levou à paz, não lhes será perdoado. Porque todas essas são ofensas ao Espírito Santo. A este Espírito Santo, que é Amor, e dá amor, e pede amor, e que espera o meu holocausto de amor, para derramar-se em um amor cheio de sabedoria e de luz nos corações dos meus fiéis. E, quando isso tiver acontecido, e ainda vos perseguirem, acusando-vos diante dos magistrados e dos príncipes das sinagogas e nos tribunais, não vos preocupeis, pensando no modo com que havereis de justificar-vos. O próprio Espírito vos dirá o que devereis responder para servirdes à Verdade, e conquistardes a vida, assim como o Verbo vos está dando tudo o que é preciso para poderdes entrar no reino da Vida Eterna.

421.10 Ide em paz. Na minha Paz. Naquela paz que é de Deus, e que de Deus emana, para saciar com ela os seus filhos. Ide, e não temais. Eu não vim para enganar-vos, mas para instruir-vos, não para perder-vos, mas para redimir-vos. Felizes daqueles que souberem crer nas minhas palavras. E tu, homem, duas vezes salvo, sê forte, e lembra-te da minha paz, para dizeres aos tentadores: “Não tenteis seduzir-me. A minha fé é que Ele é o Cristo.” Vai, ó mulher. Vai com ele, e ficai em paz. Adeus. Voltai para vossas casas, e deixai o Filho do homem em seu humilde repouso sobre as ervas, antes de retomar o caminho de perseguido, à procura de outros para salvar, até que chegue o fim. A minha paz esteja convosco.

Ele os abençoa, e volta para o lugar onde comeram. E os apóstolos com Ele. E depois que a multidão se dispersou, eles se estendem, põem as cabeças sobre as sacolas, e logo pegam no sono, apesar do calor cansativo da tarde, e do silêncio pesado destas horas tórridas.

1 palavras, que estão em Provérbios 5,22-23; e aproximadamente em Sabedoria 2,5; 5,9.


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