323. 323. A visita a Antigônio.


7 de novembro de 1945.

323.1 – Meu filho Tolmai veio para os mercados. Hoje, à sexta hora, ele volta para Antigônio. O dia está morno. Quereis ir até lá, como desejáveis –pergunta o velho Filipe, enquanto serve aos hóspedes um leite quente.

– Iremos sem falta. A que hora falaste?

– À sexta. Podeis voltar amanhã, se quiserdes, ou então antes do sábado, se assim mais vos agradar. Então, todos os servos hebreus, ou os que entraram na fé, virão para as funções do sábado.

– Assim faremos. 323.2E não foi dito que não seja escolhido aquele lugar para estes morarem nele.

– Terei sempre prazer com eles, ainda que eles não fiquem comigo. Porque lá é um lugar saudável. E vós poderíeis fazer muito bem entre os servos, alguns dos quais são ainda daqueles servos deixados pelo patrão. E alguns lá estão por causa da bondade de sua bendita patroa, que os resgatou de patrões cruéis. Portanto, não são todos israelitas. Mas já não são mais nem mesmo pagãos. Eu falo das mulheres, pois os homens são todos circuncidados. Não tenhais aversão para com eles. Mas, muito longe ainda estão da justiça de Israel. Os santos do Templo, que são perfeitos, se escandalizariam com eles…

– Ah! Sim! Sim!… Bem! Agora, poderão progredir, aspirando a sabedoria e a bondade dos enviados do Senhor… Estais ouvindo quanto trabalho tereis? –termina Pedro, dirigindo-se aos dois.

– Nós o faremos. Não decepcionaremos o Mestre –promete Síntique. E sai para ir preparar o que ela julga oportuno.

João de Endor pergunta a Filipe:

– Achas que em Antigônio eu poderia fazer um pouco de bem também aos outros, ensinando como pedagogo?

– Muito bem. O velho Plauto morreu, há três luas, e os meninos pagãos estão sem escola. Quanto aos hebreus, esses estão sem mestre, porque todos os nossos evitam aquele lugar que fica perto de Dafne. Precisamos de um que seja… que seja… como era Teófilo… sem muita rigidez para… para….

– Sim, afinal, sem farisaismo, queres dizer –termina Pedro de modo expedito.

– É isto… sim… Eu não quero criticar. Mas acho… Maldizer não adianta. Melhor seria ajudar… Como fazia a patroa que, com o seu sorriso, ensinava a Lei mais e melhor do que um rabi.

323.3– Eis aí por que foi que eu fui mandado até aqui pelo Mestre! Eu sou mesmo o homem que tem os requisitos necessários… Eu farei a vontade dele. Até o último suspiro. Agora eu creio, creio mesmo, que não é outra coisa, senão uma missão de predileção a minha. Eu vou dizer isso à Síntique. Vereis que nós ficaremos juntos nesse modo de ver… Eu vou, vou dizer a ela –e sai, animado como há tempo não era visto.

– Altíssimo Senhor, eu te agradeço e bendigo! Ele sofrerá ainda, mas não como antes … Ah! Que alívio –exclama Pedro.

E depois se sente no dever de explicar a Filipe um pouco como ele pode fazer, e qual a razão de sua alegria:

– Deves saber que João caiu na mira dos… “rígidos” de Israel … Tu os chamas “rígidos”…

– Ah! Compreendo! Perseguido político, como… como… –e fica olhando para o Zelotes.

– Sim, como eu e, além disso, por outro motivo ainda. Porque, além de o ser por pertencer a uma casta diferente, ele os excita por estar com o Messias. Por isto, e seja dito isto uma vez por todas, à tua fidelidade é que estão confiados ele e ela … Compreendes?

– Compreendo. E saberei me controlar.

– Com que título os chamarás diante dos outros?

– Direi que são dois pedagogos recomendados por Lázaro de Teófilo, ele para os meninos e ela para as meninas. Vejo que ela tem bordados e teares… muitos trabalhos femininos se fazem e se vendem em Antioquia, vindos de fora. Mas, aqueles são uns trabalhios rústicos e pesados. Ontem eu vi um trabalho dela que me fez lembrar de minha boa patroa… Trabalhos assim serão muito procurados.

– E, mais uma vez, seja louvado o Senhor –diz Pedro.

– Sim. Isto diminuirá em nós a tristeza pela próxima partida.

– Já estais querendo partir?

– Precisamos. O tempo nos atrasou. Nos primeiros dias de shebat, devemos estar com o Mestre. Ele já nos está esperando, porque já estamos atrasados –explica Tadeu.

323.4 Separam-se, e cada um vai andando para as suas tarefas, ou seja, Filipe para onde o está chamando uma mulher, e os apostólos para cima, para o sol.

– Poderíamos partir no dia depois do sábado. Que achais –pergunta Tiago de Alfeu.

– Por mim!… Imagina! Todos os dias eu me levanto com a preocupação por Jesus estar sozinho, sem suas roupas, sem quem cuide dele, e todas as noites vou-me deitar com esses pensamentos. Mas hoje nós nos decidiremos.

– Dizei-me uma coisa. Mas, o Mestre sabia de tudo isso? Eu pergunto a mim mesmo como é que Ele sabia que teríamos encontrado o cretense, como é que Ele previu o trabalho de João e de Síntique, como, como… Tantas coisas, enfim –diz André.

– Na verdade, eu acho que o cretense tem épocas fixas para suas paradas em Selêucia. Talvez Lázaro tenha dito isso a Jesus, e Jesus por isso tenha decidido partir, sem esperar a Páscoa… –explica o Zelotes.

– Sim. Está bem. E, pela Páscoa, como fará João –pergunta Tiago de Alfeu.

– Ora, fará como os outros israelitas… –diz Mateus.

– Não. Isso seria ir cair na boca do lobo.

– Nada disso. No meio de tanta gente, quem iria descobri-lo?

– O Iscar… Oh! Que foi que eu disse? Não penseis nisso.É uma brincadeira da minha mente…

Pedro ficou corado e aflito por ter falado.

Judas de Alfeu põe-lhe uma mão sobre o ombro, sorrindo com o seu sorriso sério, e diz:

– Deixa para lá! Vamos todos pensar a mesma coisa… Mas não a contemos a ninguém. E bendigamos ao Eterno que desviou deste pensamento a mente de João.

Calam-se todos, absortos. Mas para eles, verdadeiros israelitas, é preciso pensar como vai poder fazer a sua Páscoa em Jerusalém aquele discípulo exilado… e voltam a falar do assunto.

– Eu creio que Jesus proverá a isso… Talvez João o esteja sabendo. É só perguntar a ele –diz Mateus.

– Não lho pergunteis. Não ponhais desejos e preocupações, onde apenas se refez a paz –suplica o apóstolo João.

– Sim. É melhor perguntar isso ao Mestre mesmo –confirma Tiago de Alfeu.

– Quando é que vamos vê-lo? Que achais –pergunta André.

– Oh! Se partirmos no dia depois do sábado, lá pelo fim da lua estaremos certamente em Ptolemaida… –diz Tiago de Zebedeu.

– Se encontrarmos navio… –observa Judas Tadeu.

E o irmão dele acrescenta:

– E se não houver tempestade.

– Quanto a navio, sempre há algum que parte para a Palestina. E, pagando, faremos escala em Ptolemaida, ainda que o navio se esteja dirigindo para Jope. Tens ainda com que pagar, Simão –pergunta o Zelotes a Pedro.

– Sim. Por mais que aquele ladrão do cretense me tenha esfolado como quis, fazendo sempre os seus protestos de querer fazer gentilezas a Lázaro. Mas eu tenho que pagar pela parada da barca e pela do Antônio… No dinheiro dado para João e Síntique, eu não quero nem tocar. Ainda que eu fique sem comer, nele eu não toco.

– Fazes bem. Aquele homem está muito doente. Ele pensa que ainda pode ser um pedagogo. Eu acho que ele só poderá ser um enfermo, e que logo… –diz o Zelotes.

– Sim, eu também acho. Síntique, mais do que os seus trabalhos, o que terá que fazer são os seus ungüentos –confirma Tiago de Zebedeu.

– Mas, aquele ungüento, hein? Que prodígio! Síntique me disse que quer compô-lo de novo, a fim de com ele poder penetrar nas famílias daqui –diz João.

– Boa idéia! Um doente, que fica curado, é sempre mais um discípulo conquistado e, com ele, os de sua família –proclama Mateus.

– Ah! Isso, não –exclama Pedro.

– Como? Então, queres dizer que um milagre não atrai as pessoas para o Senhor? –pergunta-lhe André, e com ele mais dois ou três outros.

– Oh! criancinhas! Parece que estais chegando agora do Céu! Mas, não vedes como eles fazem a Jesus? Eli de Cafarnaum, por acaso se converteu? E Doras? E o Oséias de Corozaim? E Melquias de Betsaida? E — perdoai-me, vós de Nazaré — e toda Nazaré pelos cinco, seis, dez milagres lá feitos, até o último aquele em favor do vosso sobrinho? –pergunta Pedro.

Ninguém responde nada, porque é uma amarga verdade.

– Ainda não encontramos o soldado romano. Jesus o tinha feito compreender… –diz João, pouco depois.

– Nós diremos isso aos que vão ficar. E, então isso será mais uma coisa que eles terão em vista em suas vidas –responde o Zelotes.

323.5 Filipe está de volta:

– Meu filho1 está pronto. Ele faz as coisas depressa. Ele está com a mãe, que prepara os presentes para os netinhos.

– A tua nora é boa, não é mesmo?

– Ela é boa. Ela me consolou pela perda do meu José. É como uma filha. Era serva de Euquéria e educada por ela. Vinde tomar uma refeição, antes da partida. Os outros já estão comendo…

… E, precedidos pelo carro de Tolmai, neto do Filipe, lá se vão trotando para Antigônio… Logo chegam à pequena cidade. Escondida pelo viço dos seus jardins, protegida pelas cadeias de montanhas, que estão ao seu redor, bastante longe dela para não sufocá-la, mas bastante perto para protegê-la e para lançar sobre ela os aromas de seus bosques de plantas resinosas e de essências vegetais, toda cheia de sol, alegrando, ao mesmo tempo, a vista, o olfato e o coração dos que a atravessam.

323.6 Os jardins de Lázaro ficam ao sul da cidade e têm, à sua frente uma alameda, que agora está despojada de folhas e, ao longo da qual, estão as casas dos que cuidam dos jardins. São umas casinhas baixas, mas bem conservadas, e às soleiras delas se mostram os rostos de meninos e e de mulheres, que estão observando, curiosos, e que saúdam, sorrindo. As raças diferentes podem ser notadas pela diferença dos rostos.

Tolmai, mal passou a cancela, que marca o começo da propriedade, faz ao passar por diante de cada casa, um estalido especial com o chicote, o que deve ser algum sinal. Então, os moradores de cada casa, depois de terem observado aquilo, entram para as suas casas, e depois saem, tendo fechado as portas, e ido pela alameda, atrás dos dois carros, que vão, com os animais andando passo a passo, parar no centro de um círculo, em que os raios são os caminhos, que dali partem em todos os sentidos, como os raios de uma roda, por entre campos e mais campos, dispostos em canteiros, alguns deles despidos de vegetação, outros em seu verde perene, vigiados pelos loureiros, as acácias, ou plantas semelhantes e por outras plantas que, pelos cortes feitos em seus troncos, nos estão dizendo que produzem algum látex odorífero ou resinas. No ar sente-se um odor mesclado de aromas balsâmicos, resinosos, perfumados. Há colméias por toda parte. E também tanques para irrigação, aonde vão beber uns pombos alvíssimos. E, em certas faixas especiais de terra nua, capinada há pouco, estão esgaravatando o chão umas galinhas, também brancas, das quais umas mocinhas estão cuidando.

323.7Tolmai continua dando estalidos com o seu chicote, repetidamente, até que todos os súditos do pequeno reino se reúnam ao redor dos recém-chegados. E, então, ele dá começo ao seu pequeno discurso:

– Aí está. Filipe, o nosso chefe, e pai de meu pai, manda e recomenda a estes santos de Israel, que até aqui vieram, para que Deus esteja sempre com ele e com sua casa. Muitos de nós nos lamentávamos, porque aqui nos faziam falta as palavras dos santos rabis. E eis que a bondade do Senhor e de nosso patrão, que está lá longe, mas que nos tem tanto amor — que Deus lhe retribua pelo bem que ele faz aos seus servos — nos vieram trazer o que nossos corações desejavam. Em Israel surgiu o Prometido aos povos. Assim no-lo haviam dito nas Festas do Templo e na casa de Lázaro. Mas agora realmente chegou para nós o tempo da graça, porque o Rei de Israel pensou em seus menores servos e mandou aos seus ministros trazer-nos as suas palavras. Estes são os seus discípulos, e dois destes vão viver no meio de nós aqui ou em Antioquia, ensinando-nos a Sabedoria para sermos doutos nas coisas do Céu, e também nas que se referem às necessidades desta terra. João, pedagogo e discípulo de Cristo, ensinará aos meninos as duas sabedorias. Síntique, discípula e mestra em trabalhos de agulha, ensinará a ciência do amor a Deus e a arte dos trabalhos femininos às meninas. Recebei-os como uma bênção do Céu, e amai-os como os ama Lázaro de Teófilo e de Euquéria, — glória e paz às suas almas —, e como os amam as filhas de Teófilo: Marta e Maria, nossas amadas patroas e discípulas de Jesus de Nazaré, o Rabi de Israel, o Prometido, o Rei.

O pequeno povoado, formado por homens de túnicas curtas, que têm as mãos sujas de terra, e manejam ferramentas de jardinagem, por mulheres e meninos de todas as idades, fica escutando assombrado, depois começa a cochichar e, por fim, se inclina profundamente.

Tolmai começa as apresentações:

– Simão de Jonas, o chefe dos enviados do Senhor. Simão, Cananeu, amigo de nosso patrão. Tiago e Judas, irmãos do Senhor. Tiago e João. André e Mateus.

E depois diz aos apóstolos e discípulos:

– Esta é Ana, minha mulher, da tribo de Judá, como minha mãe, por outro lado, porque somos genuínos, vindos por Euquéria, de Judá. José, o varão consagrado a Deus, e Teoquéria, a primogênita, que em seu nome traz a lembrança dos justos patrões, sábia filha e amante de Deus, como uma verdadeira israelita. Nicolau e Dositeu, terceiro filho, este já é esposo (um profundo suspiro acompanha esta nota) e que há muitos anos está com Hermion. 323.8 Vem cá, mulher…

E vem para a frente uma moreninha muito jovem, com um menino lactante nos braços.

– Vede-a. É filha de um prosélito2 e de uma grega. Meu filho a viu em Alexandrocene, na Fenícia, quando lá esteve a negócios e a desejou. Lázaro não se opôs, mas até disse: “É melhor assim, antes que suceda coisa pior”. Pior, não é. Mas eu queria um sangue de Israel, eu…

A pobre da Hermion está de cabeça baixa, como se estivesse sendo acusada. Dositeu está tremendo e sofrendo. Ana, que é mãe e sogra, os fica olhando com olhares cheios de dó…

João, ainda que seja o mais jovem de todos, sente a necessidade de socorrer aos espiritos humilhados, e diz:

– No Reino do Senhor não há mais gregos e israelitas, romanos nem fenícios, mas somente filhos de Deus. Quando, por meio destes que vieram, tiveres conhecido a Palavra de Deus, teu coração se iluminará com novas luzes, e esta mulher não será mais a “estrangeira”, mas a discípula, como tu e como todos, de Nosso Senhor Jesus.

Hermion levanta a cabeça abatida, sorri com gratidão para João e, nos rostos de Dositeu e de Ana vê-se a mesma expressão de reconhecimento.

Tolmai responde sério:

– E assim queira Deus que aconteça, porque, ela é de outra origem, mas nada se pode censurar em minha nora. 323.9 Aquele, que está em seus braços, é Alfeu, que tomou o nome do pai dela, um prosélito. A pequenina, com aqueles olhinhos da cor do céu, por baixo de uns cabelos anelados e da cor do ébano, é Mírtica, do nome da mãe de Hermion, e este aqui, que é o primogênito, é Lázaro, porque o patrão desejou esse nome, e o outro é Hermes.

– O quinto se deverá chamar Tolmai, e a sexta Ana, para dizer ao Senhor e ao mundo que o teu coração se abriu para novas compreensões –diz ainda João.

Tolmai se inclina sem dizer nada. Depois, continua a fazer as apresentações:

– Estes são dois irmãos de Israel, Míriam e Salviano, da tribo de Neftali. E estes são Elbônida, da tribo de Dã e Simeão da de Judá. Depois, aqui estão os prosélitos romanos, que a caridade de Euquéria trabalhou para resgatar da escravidão e do paganismo. São eles: Lúcio, Marcelo e Solón, filho de Helateu.

– É um nome grego –observa Síntique.

– É de Tessalônica. Escravo de um servo de Roma –e o desprezo é evidente na expressão “servo de Roma”–. Euquéria o acolheu, junto com seu pai já moribundo, em uma hora de grande confusão e, se o pai morreu pagão, Solón já é um prosélito. Priscila, vem cá para a frente com os teus filhos…

Uma mulher alta e esguia, de aspecto aquilino, anda para a frente, empurrando uma menina e um menino e, levando, enroladas em suas vestes, duas pequeninas irriquietas.

– Aqui está a mulher de Solón, que foi liberta de uma romana que já morreu, e Mário, Cornélia, Maria e Martila, que são gêmeas. Priscila tem experiência com essências. Amicléia, vem agora com os teus filhos. Esta mulher é filha de prosélitos. Prosélitos são também os dois meninos, Cássio e Teodoro. Tecla, não fiques te escondendo. É mulher de Marcelo. A sua tristeza é por ser estéril. Ela também é filha de prosélitos. Estes são os colonos. 323.10Agora estão nos jardins. Vinde.

E ele os conduz, através da vasta propriedade, acompanhados pelos jardineiros, que vão explicando quais as culturas e os trabalhos, enquanto as meninas vão voltando para as suas galinhas, que aproveitam a ausência de suas vigilantes, para irem desaparecendo por outros lugares.

Tolmai explica:

– Elas são trazidas para cá para limparem a terra das lagartas, antes da primeira semeadura de sementes, que se faz cada ano.

João de Endor sorri, ao ouvir as galinhas cacarejando, e diz:

– Parecem com as que eu tinha, há tempo… –e se inclina, jogando-lhes pequenas migalhas de pão apanhadas na sacola, até que as frangas comecem a rodeá-lo, e se ri, porque uma, mais atrevida, lhe arranca as migalhas de entre os dedos.

– Ainda bem! –exclama Pedro, dando uma cotovelada em Mateus, e mostrando João, que está brincando com os frangos, enquanto Síntique está falando em grego com Solón e Hermion.

Depois, voltam para a casa de Tolmai, que diz:

– Este é o lugar. Mas, se quereis ensinar, pode-se fazer uma escola ou ficar aqui, ou…

– Sim, Síntique! Aqui mesmo. Aqui é muito bonito. Antioquia me oprime com as recordações que faz crescer em mim… –pede em voz baixa João à sua companheira.

– Mas, sim… Como desejas. Contanto que tu te sintas bem. Para mim tudo é indiferente. Eu não olho mais para trás. Só para frente, para frente… Vamos, João. Aqui estaremos bem. Meninos, flores, pombos, galinhas para nós que somos umas pobres criaturas. Que dizeis vós a isso –diz ela dirigindo-se aos apóstolos.

– Nós pensamos como tu, mulher.

– Então, fica como foi dito.

– Muito bem. Nós partiremos contentes!

– Oh! Vós não partireis! Eu não vos verei mais! Por que tão cedo? Por quê?

João recai em sua tristeza.

– Nós não nos estamos indo agora! Aqui estamos, enquanto… enquanto aqui estiveres!

Pedro não sabe dizer o que João vai ser e, para não deixar que se veja que seus olhos também estão cheios de lágrimas, ele abraça o choroso João, e procura consolá-lo assim.

1 Meu filho é chamado de Tolmai pelo velho Philip, seu avô, pai de José, seu pai. Os judeus chamavam sobrinho também de filho, como também chamavam pai e mãe seus avós e primos e cunhados estendendiam a qualificação de um irmão ou irmã. Não era usado (como em 100,12) dizer tio e tia. Na Obra valtortiana encontram-se ambas as formas de chamar os diferentes graus de relacionamento: a do tempo de Jesus e dos nossos tempos (especialmente “tia” em 95.5/6).
2 prosélito era um gentio convertido à religião judaica e circuncidado. Recorrente na obra valtortiana, a figura do prosélito é uma ênfase particular no contexto deste capítulo


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