254. 254. O encontro com Síntique, escrava grega,e a chegada a Cesareia Marítima.
15 de agosto de 1945.
254.1Não estou vendo a cidade de Doras. O sol está se pondo e os peregrinos se dirigiram para Cesareia. Mas a permanência deles em Doras eu não vi. Talvez tenha sido apenas uma parada sem nada de importante para se assinalar. O mar parece incendiado, de tanto que ele está refletindo, em sua calma, o vermelho do céu, um vermelho quase irreal, de tão violento que está. Parece que se tenha derramado sangue em toda a abóbada do firmamento. Ainda está fazendo calor, por mais que o ar marítimo o torne suportável. Vão caminhando sempre à beira do mar, para evitar a quentura do terreno enxuto, e muitos deles já tiraram as sandálias, e sungaram as vestes, para entrarem na água.
Pedro declara:
– Se não estivessem aqui as discípulas, eu ficaria nu, e iria enfiar-me lá dentro com água até o pescoço.
Mas ele deve sair também dali, porque Madalena, que ia indo na frente com as outras, volta lá atrás para dizer:
– Mestre, eu conheço bem esta região. Estás vendo aquele ponto em que o mar está com aquela mancha amarela sobre o seu azul? Lá um rio que não seca nem mesmo nestes tempos de verão entra no mar. E é preciso saber atravessá-lo…
– Já temos atravessado tantos rios. Esse aí não vai ser o rio Nilo! Atravessaremos também esse –diz Pedro.
– Não é o Nilo. Mas em suas águas e nas beiras há uns bichos d’água, que são perigosos. É preciso não passar muito depressa, nem descalços, para não sermos feridos.
– Oh! Que bichos serão esses? Serão os leviatãs1?
– Disseste bem, Simão. São crocodilos mesmo. São pequenos, é verdade, mas bastam para não te deixarem caminhar nem um pouco.
– E que eles ficam fazendo aí?
– Para aí eles foram trazidos, a fim de que se lhes prestasse culto, desde quando aqui reinavam os fenícios. E ficaram aí, tornando-se sempre menores, mas nem por isso menos agressivos, tendo passado dos templos para a lama dos rios. Agora eles são lagartos grandes, mas com uns dentes! Os romanos costumam vir aqui para caçá-los e para outros divertimentos… Eu também vim até aqui com eles. Tudo serve para… matar o tempo. Além disso, as peles dos crocodilos são bonitas, e servem para fazer muitas coisas. Deixai pois, que pela minha experiência eu vos guie.
– Está bem. Eu gostaria de vê-los… –diz Pedro.
– Talvez possamos ver alguns deles, ainda que já estejam quase exterminados, de tão caçados que são.
254.2Deixam a margem e dobram para o interior, até encontrarem uma estrada mestra, lá pela metade da distância entre as colinas e o mar, e chegam logo a uma ponte muito arqueada, lançada sobre um riozinho, de leito de bom tamanho, mas que agora está pobre de águas, que foram recolher-se ao centro do leito que, onde não tem água, mostra taboas e caniços, agora meio queimados pelo verão, mas que, em outras estações, formam pequeninas ilhas no meio das águas. Nas beiradas, no entanto, têm moitas e árvores viçosas.
Por mais que seus olhos perscrutem, não veem nenhum dos animais, e muitos ficam decepcionados por isso. Mas, quando já estão para terminar a travessia da ponte, cujo arco único é muito alto, talvez para não ser invadido pelas águas em tempo de enchente, — é uma robusta construção, talvez romana — Marta dá um grito muito agudo, e foge para trás, horrorizada. Um lagarto bem grande, que não parece mais um crocodilo, está atravessado sobre o caminho, fingindo estar dormindo.
– Mas não tenhas medo –grita Madalena–. Quando eles estão assim, não são perigosos. O perigo é quando estão escondidos, e vamos até em cima deles sem os vermos.
Mas Marta, por via das dúvidas, foi ficar lá atrás. Também Susana não quer brincadeiras… Maria de Alfeu é mais corajosa em sua cautela e, estando perto de seus filhos, vai adiante, olhando. Quanto aos apóstolos, eles não têm propriamente medo, e olham, fazendo comentários sobre a feiura do animal, o qual ainda resolve girar lentamente a cabeça, para ser visto também de frente, e depois dá sinais de querer mover-se e ir em direção dos que o estão observando. Marta dá outro grito, e foge lá para trás e agora é imitada por Susana e por Maria de Cléofas. Maria de Magdala, porém, apanha uma pedra e atira no animal e este, tendo sido acertado num dos seus lados, foge pelo areal abaixo e vai afundar-se na lama.
– Vem para a frente, medrosa. Ele não está mais aqui –diz ela à sua irmã.
As mulheres voltam a aproximar-se.
– Mas é feio mesmo –comenta Pedro.
254.3– É verdade, Mestre, que nos tempos passados davam a estes animais vítimas humanas como alimento? –pergunta Iscariotes.
– Era considerado um animal sagrado, representava um deus e, como nós consumimos o sacrifício oferecido ao nosso Deus, eles, os pobres povos idólatras também assim faziam, com os modos e erros que a condição deles lhes facultava.
– Mas fazem assim ainda? –pergunta Susana.
– Eu creio que não se pode dizer que não se faça mais em lugares de idolatrias –diz João de Endor.
– Mas, então, as matarão antes, não?
– Não. São-lhes dadas vivas. Meninas, meninos, quase sempre. São as primícias do povo. Pelo menos, isso é o que eu li –continua João a responder às mulheres que, espavoridas, olham ao redor de si.
– Eu morreria de medo, se tivesse que ir para perto deles –diz Marta.
– É mesmo? Mas isso ainda não é nada, mulher, em comparação com o verdadeiro crocodilo. Ele é comprido e grosso, pelo menos três vezes mais do que este.
– E também esfomeado. Este certamente estava saciado com cobras e coelhos selvagens.
– Misericórdia! Até cobras? Mas, a que lugar nos foste trazer, Senhor –geme Marta, tão espantada, que a vontade de rir toma conta de todos.
Hermasteu, que até agora estava calado, diz:
– Não tenhais medo. Basta que se faça muito barulho, que todos fogem. Eu tenho experiência com eles. Estive no Baixo Egito muitas vezes.
Põem-se em marcha, batendo as mãos e dando pauladas nos troncos, até ficar para trás o ponto perigoso.
Marta foi colocar-se perto de Jesus, e muitas vezes já lhe fez esta pergunta:
– Será que não estarão mais por aí mesmo?
Jesus olha para ela e sacode a cabeça sorrindo, mas a tranquiliza:
– A planície do Saron só tem beleza, e nós já estamos nela. Mas em verdade hoje as discípulas me reservaram umas surpresas! E Eu não sei mesmo porque é que estás tão medrosa!
– Eu também não sei. Mas tudo o que anda deslizando me aterroriza. Parece-me estar sentindo o frio daqueles corpos, pois certamente são frios, viscosos, vindo sobre mim. E fico me perguntando porque é que eles estão aqui. Serão talvez necessários?
– Isto devia ser perguntado Àquele que os fez. Mas podes crer que, se Ele os fez, é sinal de que são úteis. Se não o fossem para mais nada, pelo menos para pôr em evidência o heroísmo de Marta –diz Jesus com um brilho significativo nos olhos.
– Oh! Senhor! Tu estás gracejando e tens razão. Mas eu tenho medo e não me controlarei nunca.
– Isso nós veremos… 254.4Que é que se está movendo lá no meio daquelas moitas? –diz Jesus, levantando a cabeça e dirigindo o olhar para a frente, para uns espinheiros emaranhados e outras árvores de ramos compridos, que tomaram de assalto um grande muro formado por figueiras da índia, que ficam do outro lado, com suas pazinhas duras fazendo frente aos flexíveis ramos assaltantes.
– Mais um crocodilo, Senhor?!… –geme, aterrorizada, Marta.
Mas o barulho das folhas aumenta, e de lá surge um rosto humano, de mulher. Ela está olhando. Vê todos esses homens, e fica na dúvida se deve sair fugindo pela campina, ou se deve ir esconder-se debaixo do mato. Mas a primeira ideia vence, e ela, com um grito agudo, foge dali.
– Será uma leprosa? Uma doida? Uma endemoninhada? –perguntam, perplexos, uns aos outros.
Mas a mulher volta, porque de Cesareia, que já está perto, vem vindo um carro romano. A mulher está como um rato na ratoeira. Não sabe para onde ir, porque Jesus com os seus discípulos estão agora perto da moita, que lhe estava servindo de refúgio, e porque não pode voltar, e para o lado do carro não quer ir… Com as primeiras sombras da tarde, pois a noite nesse tempo chega depressa, depois de um pôr-de-sol sem nuvens, pode-se ver que ela é jovem e bonita, ainda que esteja com as vestes rasgadas, e despenteada.
– Mulher! Vem cá –ordena-lhe Jesus.
A mulher estende os braços, suplicante:
– Não me faças mal!
– Vem cá. Quem és? Não quero te fazer mal –e diz isso de um modo tão manso, que a persuade.
A mulher vai para a frente, encurvada, e se joga no chão, dizendo:
– Sejas tu quem fores, tem piedade. Mata-me, mas não me entregues ao patrão. Eu sou uma escrava fugitiva…
– Quem era o teu patrão? E tu de onde és? Hebreia, certamente não és. O teu modo de falar já o diz. E tuas vestes também.
– Eu sou grega. A escrava grega do… Oh! Piedade! Escondei-me! O carro está quase chegando…
Fazem todos um grupo ao redor da infeliz, que está encolhida no chão. A veste rasgada pelos espinhos põe à mostra as costas sulcadas pelos golpes e cheias de arranhões. O carro passa sem que ninguém dos que vão nele mostrem algum interesse pelo grupo que está parado ao lado da sebe.
– Já se foram eles para a frente, podes falar agora. Se pudermos, nós ajudaremos –diz Jesus, colocando as pontas de seus dedos na cabeleira desfeita.
254.5– Eu sou Síntique, a escrava grega de um nobre romano, que acompanha o Procônsul.
– Mas, então, tu és a escrava de Valeriano! –exclama Maria de Magdala.
– Ah! piedade! piedade! Não me denuncies a ele –suplica a infeliz.
– Não tenhas medo. Eu não falarei nunca mais com Valeriano! –responde Madalena.
E explica a Jesus:
– É um dos mais ricos e sujos romanos que temos. E, como é sujo, é cruel.
– Por que é que fugiste? –pergunta Jesus.
– Porque eu tenho uma alma. Não sou uma mercadoria…( a mulher se desabafa, ao ver que encontrou pessoas que tem dó dela). Não sou uma mercadoria. Ele me comprou. É verdade. Ele poderá ter comprado a minha pessoa para embelezar sua casa, para que eu lhe alegre as horas fazendo leituras, para que eu o sirva. E nada mais. A alma é minha! Não é uma coisa que se compre. E ele a queria também.
– Como sabes que tens uma alma?
– Eu não sou analfabeta, Senhor. Fui feita prisioneira de guerra, desde minha tenra idade. Mas não sou plebeia. Este é o meu terceiro patrão e é um fauno sujo. Mas em minha memória ficaram ainda as palavras dos nossos filósofos. E eu sei que em nós não há somente carne. Há alguma coisa imortal, encerrada em nós. Alguma coisa cujo nome exato não sabemos. Mas recentemente passei a saber o seu nome. Certo dia passou um homem por Cesareia, fazendo prodígios, e falando melhor do que Sócrates e Platão. Muito se falou dele nas termas e nos triclínios, ou nos peristilos dourados, e emporcalharam o seu augusto nome, dizendo que ele vivia nos salões das orgias imundas. E o meu patrão, a mim, justamente a mim, que já percebia que existe alguma coisa de imortal, que só pertence a Deus e que não se compra como uma mercadoria em mercados de escravos, a mim ele me fez ler as obras dos filósofos, para confrontá-los e pesquisar nelas, se esta coisa ignorada que o Homem de Cesareia chama de “alma”, se esta palavra naquelas obras estava escrita. A mim, a mim ele me fez ler estas coisas! Ele queria escravizar-me à sua sensualidade! Assim é que eu fiquei sabendo que essa coisa imortal é a alma. E, enquanto Valeriano, com outros seus pares, ouvia a minha voz e, entre um arroto e um bocejo, tentava compreender, comparar e discutir, eu comparava os discursos deles, que se referiam ao Desconhecido e as palavras dos filósofos, e os retinha comigo, e ia formando em mim um sentimento de dignidade cada vez mais forte, para poder rejeitar a libidinagem dele… Ele me bateu para matar-me, há algumas noites, porque eu o repeli, dando-lhe dentadas…e fugi no dia seguinte… Há cinco dias que eu vivo naquela moita, apanhando amoras e figos da índia, de noite. Mas eu vou acabar sendo apanhada. Certamente, ele me está procurando. Eu lhe custei muito dinheiro, e agrado demais à sensualidade dele, para que ele me deixe sossegada… Tem dó! 254.6Eu te peço, tu és hebreu e certamente sabes onde é que ele está, eu te peço que me leves ao Desconhecido, que fala aos escravos e que fala da alma. Disseram-me que ele é pobre. Passarei até fome, mas quero estar perto dele, para que me instrua, e me levante de novo. Viver com os brutos embrutece, ainda que se lhes resista. Eu quero voltar a possuir a minha dignidade moral.
– Aquele homem, o Desconhecido que procuras, está diante de ti.
– Tu? O Deus desconhecido da Acrópole, ave! –e se inclina com a fronte até o chão.
– Aqui não podes ficar. Mas Eu vou para a Cesareia…
– Não me deixes, Senhor.
– Eu não te deixo… Estou pensando…
– Mestre, o nosso carro está precisamente no lugar que foi combinado, à espera. Manda avisar. No carro estará segura como em nossa casa –aconselha Maria de Magdala.
– Oh! Sim, Senhor. Nós, no lugar do velho Ismael. Nós a instruiremos sobre Ti. Será uma arrebatada ao paganismo –suplica Marta.
– Queres vir conosco? –pede Jesus.
– Com qualquer um dos teus, contanto que não seja mais com aquele homem. Mas… mas aqui uma mulher disse que o conhece? Não me irá trair? Não virão em sua casa os romanos? Não…
– Não tenhas medo. A Betânia os romanos não vão, e sobretudo os daquele gênero –afiança Madalena.
– Simão e Simão Pedro, ide a procura do carro. Nós vos esperaremos aqui. Entraremos na cidade depois –ordena Jesus.
254.7… Quando o pesado carro coberto se anuncia com o rumor dos cascos e das rodas e com a luz pendente da coberta, aqueles que estavam esperando se levantam da margem, onde certamente terão ceado, e se põem a caminho.
O carro para, oscilando sobre a margem da estrada mal arranjada e dele descem Pedro e Simão, imediatamente seguidos por uma mulher de idade, que corre para abraçar Madalena, dizendo:
– Nenhum momento, nenhum momento de atraso para dizer-te que eu estou feliz, para dizer-te que tua mãe se rejubila comigo, para dizer-te que tu te tornaste a loura rosa da nossa casa, como quando dormias no berço depois de me teres sugado o seio, e a beija –e torna a beijar.
Maria chora entre seus braços.
– Mulher, Eu te confio esta jovem, e te peço o sacrifício de ficares aqui a noite inteira. Amanhã poderás ir à primeira aldeia, à margem da estrada consular e esperar ali. Viremos a hora terça –diz Jesus à nutriz.
– Que tudo seja como Tu queres, bendito sejas Tu! Deixa somente que eu dê à Maria as vestes que eu lhe trouxe.
E sobe de novo para o carro com Maria Santíssima e Marta.
Quando voltam para fora, Madalena é qual a veremos em seguida, sempre: com uma veste simples, com um amplo e sutil linho como véu, e um manto sem ornatos.
– Vai também tranquila, Síntique. Amanhã nós também iremos. Adeus –saúda Jesus. E retoma o caminho para Cesareia…
254.8A beira-mar está cheia de gente que passeia, à luz de tochas ou lanternas levados por escravos, respirando o ar que vem do mar, um grande refrigério para os pulmões cansados com este mormaço do verão. E quem passeia é exatamente a classe dos ricos romanos. Os hebreus estão reclusos em suas casas e gozam o frescor do alto das mesmas. A beira-mar parece um longuíssimo salão na hora das visitas. Passar por ela quer dizer ser literalmente examinado em todos os particulares. Porém, Jesus passa exatamente por ali… por mais que seja longa a beira-mar, descuidado de quem o observa, comenta e dele se ri.
– Mestre, Tu aqui? A esta hora? –pergunta Lídia, sentada sobre uma espécie de poltrona ou pequeno leito, levado para ela pelos escravos no limite da rua. E se põe de pé.
– Estou vindo de Doras, e o fiz tarde. Vou em procura de alojamento.
– Eu te diria: aqui está a minha casa –e mostra um belo edifício às suas costas–. Mas eu não sei se…
– Não. Te agradeço. Mas não aceito. Eu estou com muitos, e dois deles já se foram para a frente, a fim de avisar pessoas que Eu conheço. Acho que elas me hospedarão.
254.9Os olhos de Lídia pousam também sobre as mulheres que Jesus mostrou junto com os discípulos e, de repente, reconhece Madalena:
– Maria? És tu? Mas, então é verdade?
Maria de Magdala tem um olhar de gazela cercada: torturado. E tem razão, porque não é somente Lídia que ela tem que enfrentar, mas muitos e muitos a olham… Mas olha também para Jesus, e se reanima.
– É verdade.
– Então, nós te perdemos.
– Não. Me achastes. Ao menos espero reencontrar-vos um dia, e com uma amizade melhor, no caminho, que finalmente encontrei. Dize-o, eu te peço, a todos aqueles que me conhecem. Adeus, Lídia. Esquece todo o mal que me viste fazer, e dele eu te peço perdão…
– Mas, Maria! Por que te aviltas? Vivemos a mesma vida de ricos e ociosos e não há…
– Não. Eu levei uma vida pior. Mas dela eu saí. E para sempre.
– Eu te saúdo, Lídia –abrevia o Senhor, e se dirige para seu primo Judas, que, com Tomé, vem vindo ao seu encontro.
Lídia detém ainda por instantes Madalena:
– Mas, dize-me a verdade, agora que estamos sozinhas: tu estás realmente convencida?
– Convencida, não: eu estou feliz por ser a discípula. Só tenho um sentimento: o de não ter conhecido antes a Luz e o de em vez de alimentar-me com ela, ter andado comendo lama. Adeus, Lídia.
A resposta soou clara, em meio ao silêncio que se fez ao redor das duas mulheres. Nenhum dos muitos presentes diz nada… Maria se vira e, rápida, procura alcançar o Mestre.
Um jovem para diante dela:
– É tua última loucura? –diz ele, e faz como se quisesse abraçá-la.
Mas, meio bêbado como está e não conseguindo o que queria, Maria livra-se dele, e grita:
– Não, é a minha única sabedoria.
Alcança as companheiras, veladas como maometanas, tanta é a repugnância que elas têm de serem vistas por aqueles viciados.
– Maria –diz trepidante Marta–, sofreste muito?
– Não. E, tem razão, agora já não sofrerei mais por isso. Ele tem razão…
Mudam todos de direção, e se dirigem para um beco escuro, entrando depois em uma casa ampla, que certamente é um albergue, já de noite.
1 Leviatã, monstro marinho, símbolo das potências do mal, está mencionado em Jó 3,8; 40,25-32; 41; Salmo 74,14; 104,26; Isaías 27,1. No livro de Jó está identificado com o crocodilo o qual encontraremos um aceno em 398.3.
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