413. 413. Chegada em Jerusalém para a festa de Pentecostese disputa com os doutores no templo.
9 de abril de 1946.
413.1 A cidade está cheia de gente. O Templo está repleto. Jesus vai subindo para lá, logo que chegou a Jerusalém, e vai entrando pela porta ao lado da Piscina Probática, quase sem deter-se, antes que o povo possa perceber que Ele está na cidade, e que a notícia se espalhe, a partir da casa onde deixam suas bolsas, e onde se limpam da poeira e do suor, para entrarem mais condignamente no Templo.
A costumeira e indecorosa algazarra dos vendedores e cambistas já se faz ouvir, ajudando a formar o já conhecido caleidoscópio de cores e de rostos.
Jesus com os apóstolos, que já compraram o necessário para a oferta, vai diretamente para o lugar da oração, mas para um tanto afastado. Naturalmente, Ele já foi notado por muitos, tanto dos bons, como dos maus, e um sussurro já está voando como o vento, fazendo aquele rumor que o vento faz nas ramagens, através do longo pátio, onde o povo se põe a rezar. E, quando, depois da oração, Jesus se vira para ir por onde veio, uma onda de pessoas, que se vai avolumando sempre mais, o acompanha pelos outros átrios, pórticos, pátios, até que, tendo-se formado uma multidão, todos o rodeiam, e lhe pedem que fale.
– Noutra hora, meus filhos! Em outro lugar! –diz Jesus, e levanta a mão para abençoar, tentando afastar-se de lá.
Mas, se os escribas, os fariseus, os doutores e os seus discípulos, espalhados pelo meio do povo, sorriem zombeteiramente, dizendo uns aos outros frases pela metade, que são outras tantas zombarias, como estas: “A prudência aconselha”, ou então: “Olha! É bom ter um pouco de medo…”, ou ainda: “Ele já chegou à idade da razão”, e também: “Ele é menos estulto do que se dizia”, e, enquanto isso, a maior parte, aqueles que, por um conhecimento amoroso dele, ou pelo desejo sincero de conhecê-lo, falam sem ira, e insistem, dizendo:
– Queres, então, privar-nos desta festa na Festa? Bom Mestre, não podes fazer assim! Muitos de nós fizeram sacrifícios para ficarem aqui à tua espera…
E alguns também mandam calar, e respondem, através das frestas, a algum motejador.
É claro que a massa estaria pronta para desbaratar as minorias malvadas, as mais astutas e traiçoeiras, e estas compreendem aqueles sinais e, não somente se calam, mas procuram afastar-se dali. E, ainda que estejam dentro da área murada do Templo, muitos não deixam de fazer, às costas dos que se afastam, sinais de censura, ou dizer algum apelido, enquanto alguns outros, dos mais velhos, e portanto mais reflexivos, interpelam a Jesus, dizendo:
– Mas, que é que acontecerá, Tu que tudo sabes, a este lugar, a esta cidade, a todo Israel, se não se render à Voz do Senhor?
413.2 Jesus olha com piedade para aquelas cabeças grisalhas, ou já completamente brancas, e responde:
– Jeremias já vos disse1 que haverá alguns que, ao clarão da ira divina, responderão aumentando os seus pecados, tomando a piedade divina como prova de uma fraqueza da parte de Deus. Mas de Deus não se zomba, meus filhos. Vós, como disse o Eterno por boca de Jeremias, sois a argila nas mãos do oleiro. Como a argila são aqueles que se julgam poderosos, como argila são os moradores deste lugar e os do palácio real. Não há poder humano que possa resistir a Deus. E, se a argila resiste ao oleiro, e quer tomar formas estranhas, horríveis, o oleiro transforma o que já foi feito com ela, de novo, em um punhado de argila, e remodela o seu vaso, até que ele se persuada de que o mais forte é o oleiro, e não se entrega à força dele. E ainda pode acontecer que o vaso vire uns cacos porque ele teima em não deixar-se modelar, por rejeitar a água com a qual o oleiro o molha para podê-lo modelar, sem que ele trinque. E então o oleiro joga fora a argila teimosa, os cacos inúteis e impossíveis de ser trabalhados, joga-os no meio das imundícies, e vai apanhar uma nova argila, e a modela da forma que mais lhe agrada.
Não é assim que diz o profeta, narrando a parábola do oleiro e do vaso de argila? É assim que ele diz. E, repetindo as palavras do Senhor, ele diz: “Assim és tu, Israel, na mão de Deus.” E o Senhor acrescenta, como uma advertência aos teimosos, que só a penitência e o arrependimento, diante da reprovação de Deus é que podem modificar o decreto de Deus de punição contra o povo rebelde.
Israel não se arrependeu. Por isso, as ameaças de Deus continuaram mais fortes uma e dez vezes contra Israel. E Deus, que sempre teve para com Israel a maior das misericórdias, ainda me mandou, e agora vos diz: “Pois que não dais ouvidos à minha Voz, Eu me arrependerei do bem que vos fiz, e prepararei contra vós a desventura.” E Eu, que sou a Misericórdia, mesmo sabendo que estou perdendo inutilmente a minha voz, ainda grito a Israel: “Que cada um volte atrás na má estrada por onde vinha. Cada um de vós torne retas a sua conduta e as suas tendências. Porque, pelo menos, quando os desígnios de Deus se cumprirem contra a Nação culpada, os melhores dela, com perda geral de seus bens, da liberdade, da união, conservem pelo menos seu espírito livre de culpas, unido a Deus, e não percam os bens eternos, depois de terem perdido os bens terrenos.”
As visões dos profetas não deixam de ter uma meta, que é a de avisar aos homens sobre o que está para acontecer. E foi-nos explicado pela figura do vaso de argila cozida, que foi quebrado à vista do povo, o que é que podem esperar as cidades e os reinos que não se tenham rendido ao Senhor, e…
413.3 Os anciãos, os escribas, os doutores e os fariseus se haviam afastado antes, devem ter ido avisar às milícias do Templo e aos magistrados mantenedores da ordem. E um deles, acompanhado por uma daquelas cômicas milícias de papelão, que de batalhadores nada têm, a não ser os seus rostos, que revelam uma boa mistura de bobice com um pouco de malícia e uma grande pitada de dureza, para não dizer de delinquência, e que vêm vindo para o lado de Jesus, que está falando encostado a uma coluna do pórtico dos Pagãos, e, vendo que não podem passar pela sebe formada pela multidão, que está ao redor de Jesus, grita:
– Vai-te! Ou eu te farei jogar para fora da área murada pelos meus soldados…
– Uuú! Uuú! Olhai os moscardos verdes! Os que são heróis contra os carneirinhos! Mas não sabeis entrar na cidade para levar como prisioneiros aqueles que fazem de Jerusalém um lupanar, e do Templo uma feira? Vai-te embora, ó cara de coelho, vai-te para o meio das fuinhas… Uuú! Uuú!
O povo se revolta contra aqueles soldados caricatos, e mostra claramente que não pretende deixar que se injurie o Mestre.
– Eu obedeço às ordens recebidas –é como se desculpa o chefe daqueles… mantenedores da ordem.
– Tu obedeces a Satanás e não o percebes? Vai. Vai agora mesmo pedir perdão, por teres insultado e ameaçado o Mestre. No Mestre não se toca. Compreendestes? Vós sois nossos opressores. Ele é amigo dos pobres. Vós sois nossos corruptores. Ele é o nosso Mestre Santo. Vós sois nossa ruina. Ele é a nossa Salvação. Vós sois uns pérfidos. Ele é bom. Fora, ou faremos de vós o que Matatias fez2 em Modin.
Nós vos faremos despencar lá embaixo pela descida do Monte Moria, com todos os vossos altares de ídolos, e faremos uma limpeza, lavando depois este lugar profanado pelo vosso sangue, e os pés do único santo em Israel haverão de pisar nesse sangue, para depois ir para o Santo dos Santos, e de lá reinar, Ele que o merece! Fora daqui! Vós e os vossos patrões. Fora, vós, ó valentões, que servis a outros valentões…
Faz-se um tumulto medonho… Da Fortaleza Antônia acorrem os guardas romanos com um mais velho e graduado, severo e expedito.
– Dai o fora, fedorentos! Que é que está acontecendo? Será que vos estais dilacerando uns aos outros por causa de vossos cordeirinhos cheios de sarna?
– Eles se rebelam contra as milícias… –tenta explicar o magistrado.
– Por Marte invencível! Estes… são as milícias? Ah! Ah! Vai fazer guerra às baratas, ó guerreiro de taberna… falai vós –ele ordena ao povo.
– Eles queriam impor silêncio ao Rabi da Galileia. Queriam expulsá-lo. Talvez prendê-lo.
– Ao Galileu? Não é lícito! Na língua de Roma, eu vos digo a palavra daquele que foi degolado. Ah! Ah! Marcha já para o canil tu com os teus cachorrinhos. E manda que no canil estejam também os mastins. A Loba sabe despedaçar a esses também… Entendestes? Somente Roma tem direito a julgar. E Tu, Galileu, podes ir contando as tuas fábulas… Ah! Ah!
E ele se vira todo de uma vez, deixando ver brilhar ao sol suas couraças, e lá se vai.
– Justamente como Jeremias…
– Como todos os profetas, deves dizer…
– Mas Deus triunfa do mesmo modo.
– Mestre, continua a falar. As víboras fugiram.
– Não, deixai-os ir, para que não voltem com mais força, e o ponham na cadeia os novos Fassur3…
– Não há perigo. Enquanto dura o rugido do leão, não saem para fora as hienas…
O povo está falando e comentando, fazendo uma grande confusão.
413.4 – Vós estais enganados –diz, todo melífluo, um empertigado fariseu, acompanhado por outros seus semelhantes e por alguns doutores da Lei–. Vós estais enganados. Não deveis crer que uma casta inteira seja como um dos membros dela sozinho. Pois o bom e o mau existe em todas as plantas.
– Sim. De fato, os figos em geral são doces. Mas, se eles estão ainda verdes, ou maduros demais, são de um sabor áspero e azedo. Vós sois azedos, como aqueles do cesto dos figos estragados de que fala Jeremias –diz, lá do meio da multidão, alguém que eu não conheço, mas que deve ser muito conhecido por muitos, e poderoso, pois vejo um grande número de pessoas piscando os olhos pelo meio do povo, e vejo que o fariseu recebe o golpe sem reagir.
Pelo contrário, ele se torna mais melífluo, vira-se para o Mestre, e lhe diz:
– Que belo assunto para a tua Sabedoria. Fala-nos, ó Rabi, sobre este assunto. As tuas explicações são tão… novas, tão doutas… Nós as saboreamos com grande apetite.
Jesus olha fixamente para esse campeão farisaico, e depois lhe responde:
– Mas é que tens também uma outra fome de que não falaste, ó Elquias, e os teus amigos também a têm. Contudo, vai ser-vos dado também aquele alimento… E mais azedo do que os figos. E ele corromperá vossas entranhas, como os figos azedos corrompem as vísceras.
– Não, mestre. Eu te juro em nome do Deus vivo! Eu e os meus amigos não temos outra fome, senão a de ouvir-te falar… Deus está vendo se…
– Basta isso. Quem é honesto, não precisa ficar jurando. Suas ações já são uns juramentos e testemunhos. 413.5Mas Eu falarei dos figos muito bons e dos estragados…
– Por que, Mestre? Tens medo de que os fatos contradigam às tuas explicações?
– Oh! Não. Pelo contrário.
– Então, Tu estás prevendo para nós as matanças, os opróbrios, a espada, a peste, a fome?
– Tudo isso, e mais ainda.
– Mais ainda? Que será? Então, Deus não nos ama mais?
– Ele vos ama tanto, que cumpriu a promessa.
– Tu? Então, és Tu a promessa?
– Eu o sou.
– E, quando é que vais fundar o teu Reino?
– Os fundamentos dele já estão lançados.
– Onde ? Onde?
– No coração dos bons.
– Mas isso não é um Reino. É um doutrinamento!
– Sendo espiritual, o meu Reino tem por súditos os espíritos. E os espíritos não precisam de palácios reais, de casas, de milícias, de muros. Mas de conhecer a Palavra e de pô-la em prática. Isto é o que está acontecendo aos bons.
– Mas podes Tu dizer essa Palavra? Quem te autoriza a isso?
– A posse.
– Que posse?
– A posse da Palavra. Eu sou Aquele que sou. Alguém que tem vida, pode dar vida. Um que tem dinheiro, pode dar dinheiro. Eu, pela minha natureza eterna, sou a Palavra que traduz o Pensamento Divino, e essa Palavra Eu a dou, porque o Amor me excita a tornar conhecido o Pensamento do Altíssimo, que é o meu Pai.
– Cuidado com o que estás dizendo! É uma ousadia dizer isso. E poderia prejudicar-te!
– Mais me prejudicaria o mentir, porque seria desnaturar a minha natureza e renegar Aquele do qual Eu procedo.
– Tu, então, és Deus, o Verbo de Deus?
– Eu o sou.
– Tu o dizes? E ainda na presença de tantas testemunhas, que poderiam denunciar-te por isso?
– A Verdade não mente. A Verdade não precisa fazer cálculos. A Verdade é heróica.
– E isto é verdade?
– A Verdade é este que vos está falando. Porque o Verbo de Deus traduz o Pensamento de Deus, e Deus é Verdade.
413.6 O povo é todo ouvidos em um silêncio atento, acompanhando o diálogo, que continua sem asperezas. Outros, de outros lugares, afluíram para ali, e o pátio está cheio, repleto de pessoas. São centenas de rostos virados para um único ponto. E das desembocaduras que trazem gente de outros pórticos para este, aparecem rostos e mais rostos, com o pescoço espichado, com o desejo de ver e de ouvir.
O sinedrita Elquias e os seus amigos olham-se uns aos outros… É uma verdadeira telefonia de olhares. Mas eles se contêm. E até um velho doutor, muito cortês, pergunta:
– E, para evitar os castigos que Tu prevês, que é que se deveria fazer?
– Acompanhar-me. E, principalmente, crer em Mim. E, mais ainda, amar-me.
– Serás Tu um amuleto?
– Não. Eu sou o Salvador.
– Mas Tu não tens exércitos.
– Tenho a Mim mesmo. Lembra-te, lembrai-vos, para o vosso bem, por piedade para com as vossas almas, lembrai-vos das palavras4 do Senhor a Moisés e a Aarão, quando ainda estavam na terra do Egito: “Cada um do povo de Deus tome um cordeiro sem mancha, macho, de um ano. E um por cada casa, e, se não bastar o número dos familiares para comer o cordeiro, chame os vizinhos. E o imolareis no décimo quarto dia do mês de Abib, que agora se chama Nisã, e, com o sangue do cordeiro imolado, molhai os umbrais da porta das vossas casas. E, na mesma noite comereis as carnes dele assadas ao fogo, com pão sem fermento e verduras selvagens. E tudo o que sobrar queimai-o ao fogo. E comereis com os cintos colocados às cinturas, com os calçados nos pés, um bordão na mão, às pressas, porque é a passagem do Senhor. E naquela noite Eu passarei golpeando todos os primogênitos do homem ou do animal que se encontrarem nas casas não marcadas com o sangue do cordeiro.” No presente, nesta nova passagem de Deus, a mais verdadeira passagem, pois realmente Deus está passando entre vós, visível, reconhecível pelos seus sinais, a salvação estará com aqueles que estiverem marcados com o sangue do Cordeiro, com o sinal da salvação. Porque, na verdade, todos sereis marcados por ele. Mas somente aqueles amam o Cordeiro e amaram o seu sinal é que por aquele sangue obterão a salvação. Para os outros, o sinal será o de Caim. E vós sabeis que Caim não mereceu mais ver o rosto do Senhor, e não teve mais parada. E, perseguido pelo remorso que o acompanhava, pelo castigo e por Satanás, seu rei cruel, teve que andar, errante e fugitivo, pela Terra, enquanto teve vida. Uma grande, grande figura do Povo que vai ferir o novo Abel…
– Também Ezequiel fala do Tau… Crês Tu que o teu sinal é o tau de Ezequiel?
– É ele.
– Então, Tu nos acusas de que em Jerusalém haja abominações?
– Eu gostaria de poder deixar de dizê-lo. Mas assim é.
– E, entre os assinalados pelo Tau, não há pecadores? Podes jurar que não?
– Eu não juro nada. Mas Eu vos digo que, se entre os assinalados houver pecadores, mais tremendo ainda será o castigo deles, porque serão os adúlteros do espírito, os renegados, os matadores de Deus, e, depois de terem sido seus seguidores, serão os maiores no Inferno.
– Mas aqueles que não podem acreditar que Tu sejas Deus não terão pecado. Serão justificados.
– Não. Se não me tivésseis conhecido, se não tivésseis podido averiguar minhas obras, se não tivésseis podido controlar minhas palavras, não teríeis culpa. Se não fôsseis doutores em Israel, não teríeis culpa, mas vós conheceis as Escrituras, e estais vendo as minhas obras. Podeis fazer um paralelo… Se o fizerdes com honestidade, Me vereis nas palavras da Escritura, e as palavras da Escritura vós as vereis traduzidas em atos por Mim. Por isso não sereis justificados, por me desconhecerdes e me odiardes. Há abominações demais, ídolos demais, fornicações demais, onde só Deus deveria existir. E em todos os lugares onde vós estais. A salvação está em repudiá-los e em acolher a Verdade que vos está falando. E, por isso, onde vós matais, ou tentais matar, aí sereis mortos. E por isso sereis julgados nas fronteiras de Israel, lá onde todo poder humano decai, e só o Eterno é Juiz de suas criaturas.
413.7 – Por que falas assim, Senhor? Estás sendo severo.
– Verídico é que Eu estou sendo. Eu sou a luz. A Luz foi mandada para iluminar as Trevas. Mas a Luz deve brilhar livremente. Seria inútil que o Altíssimo tivesse mandado a sua Luz, e depois sobre essa Luz tivesse colocado um módio. Nem os homens fazem isso, quando acendem uma luz, porque senão, teria sido inútil acendê-la. Se a acendem, é para que ilumine e para que quem entra em casa a veja. Eu, na escurecida casa, casa terrena de meu Pai venho colocar a Luz, para que quem nela está, veja. E, então, a Luz brilha. E bendizei-a, se, com o seu raio puríssimo, ela nos permite ver os répteis, os escorpiões, as armadilhas, as teias de aranha e as rachaduras nas paredes. Ele vos faz assim por amor. Para dar-vos um modo de conhecer-vos, de limpar-vos, de dar caça aos animais nocivos: às paixões e aos pecados, e de reconstruir-vos antes que seja tarde demais e poderdes ver onde pôr o pé na armadilha de Satanás, antes que nela vos precipiteis. Mas para ver, além de uma luz clara, é preciso ter também os olhos limpos. Por um olho que a doença cobriu de névoas, a luz não passa. Limpai os vossos olhos. Limpai o vosso espírito, para que a luz possa descer sobre vós. Por que ficar perecendo nas trevas, quando o Senhor, tão Bom, vos manda a luz e o remédio para vos curardes? Por enquanto, não é tarde demais. Vinde, nesta hora que vos espera, vinde à Luz, à Vida. Vinde ao vosso Salvador, que vos estende os braços, que vos abre o coração, vos suplica que o acolhais para o vosso eterno bem.
Jesus está verdadeiramente suplicante, amorosamente suplicante, despojado de qualquer outra coisa que não seja o amor… Até as feras mais obstinadas, mais ébrias pelo ódio, percebem que suas armas estão vencidas e que os seus não têm mais a força de fazer sair para fora os seus ácidos.
413.8 Eles se olham. Depois Elquias fala por todos:
– Falaste bem, Mestre. Eu te peço que aceites o convite que te faço para honrar-te.
– Eu não peço nenhuma outra honra, a não ser a de conquistar as vossas almas… Deixa-me em minha pobreza.
– Não quererás fazer-me a ofensa de rejeitar meu convite?
– Não há ofensa nenhuma. Eu te peço que me deixes com os meus amigos.
– Mas vem com eles também. Quem poderia pensar de modo diferente? Eles também contigo. E será uma grande honra para a minha casa… Grande honra! Tu costumas ir à casa de outros grandes… Por que não vais à casa do Elquias?
– Pois bem… Eu irei. Mas podes crer que Eu não poderei dizer-te, no segredo de tua casa, coisas diferentes das que Eu disse aqui, no meio do povo.
– E eu também não. Nem os meus amigos. Tens alguma dúvida?
Jesus olha bem fixamente para ele. E depois diz:
– Eu só duvido daquilo que não sei. Mas o pensamento dos homens eu conheço. Vamos à tua casa. A paz esteja com aqueles que me escutaram.
E, ao lado de Elquias, Ele se dirige para fora do Templo, acompanhado pela comitiva dos seus apóstolos, misturados com os amigos de Elquias, não entusiasmados por estarem assim.
1 disse, em Jeremias 18,1-11; 19,10-15.
2 fez, como se lê em 1 Macabeus 2,23-28.
3 Fassur (diz-se Pascur nas novas versões) é chamado em Jeremias 20,1-3; em dez linhas mais abaixo, péssima cesta refere-se ao episódio de Jeremias 24.
4 palavras, que estão em Êxodo 12,3-13.
1
2
3
4
5
6
7
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