651. 651. Considerações sobre o Trânsito, sobre a Assunçãoe sobre a Realeza de Maria Santíssima.
18 de abril de 1948.
651.1[Diz Maria:]
– Será que eu morri? Sim, se quiser chamar de “morte” a separação da parte eleita do espírito da outra parte que é o corpo. Mas, não, se por morte se entende a separação entre a alma vivificante e o corpo, a corrupção da matéria não mais vivificada pela alma e, em primeiro lugar, entre todas essas coisas, o espasmo da morte.
Como foi que eu morri, ou melhor, como foi que eu passei da terra para o Céu, antes com a parte imortal, e depois com a outra, perecível? Foi como era justo que fosse para aquela que não conheceu mancha de culpa.
651.2Naquela noite, já havia começado o repouso sabático, eu estava falando com João. De Jesus. Das suas coisas. A hora vespertina estava cheia de paz. O sábado havia silenciado todos os rumores de ações humanas. Somente os olivais ao redor da casa sussurravam sob o vento da noite, e parecia que um voo de anjos tocasse as paredes da casinha solitária.
Estávamos falando de Jesus, do Pai, do Reino dos Céus. Falar da Caridade e do Reino da Caridade é acender-se com um fogo vivo, consumar as correntes da matéria para liberar o espírito aos seus voos místicos. E se o fogo estiver contido dentro dos limites em que Deus o põe para conservar as criaturas sobre a Terra, a seu serviço, pode-se viver e arder nele, encontrando nesse ardor, não uma consumação, mas um complemento da vida. Mas quando Deus tolhe os limites e deixa liberdade ao Fogo divino de investir e atrair a Si o espírito sem mais medidas, então o espírito, por sua vez respondendo sem medida ao Amor, aparta-se da matéria e voa para onde o espírito o impele e convida. E isso já é o fim do exílio e o retorno à Pátria.
Naquela tarde, ao ardor incontido, à vitalidade sem medida do meu espírito, uniu-se um doce langor, uma misteriosa percepção de afastamento da matéria e de tudo o que a circundava, como se o corpo adormecesse, cansado, enquanto a inteligência, ainda mais viva em seus raciocínios, penetrava nos abismos dos divinos resplendores.
651.3João, testemunha amorosa e prudente de cada ato meu desde que se tornou meu filho adotivo, segundo a vontade do meu Unigênito, docemente me persuadiu a encontrar repouso no leito e velou por mim enquanto rezava. O último som que ouvi sobre a terra foi o murmúrio das palavras1 do virgem João. Foram para mim como uma canção de ninar de uma mãe ao lado do berço. E acompanharam o meu espírito no último êxtase, sublime demais para ser traduzido em palavras. Acompanharam-me até o Céu.
João, a única testemunha deste mistério suave, sozinho me arrumou, envolvendo-me no manto branco, sem mudar-me a veste e o véu, sem banhos e embalsamamentos. O espírito de João, como aparece claro por suas palavras no segundo episódio deste ciclo, que vai de Pentecostes até a Assunção, já sabia que Eu não me corromperia, e eu instruí o Apóstolo sobre o que devia fazer. E ele, casto, amoroso, prudente diante dos mistérios de Deus e dos companheiros longínquos, pensou só em guardar o segredo, e ficar esperando os outros servos de Deus, para que me vissem ainda, e daquela vista tirassem o conforto e a ajuda para as penas e fadigas de sua missão. Ele esperou, como se estivesse certo da vinda deles.
Mas o que Deus decretou era diferente. E bom, como sempre, para o Predileto. Justo, como sempre, para com os que creem. Primeiramente Ele tornou pesadas as suas pálpebras, a fim de que o sono lhe poupasse o sofrimento de ver que me arrebatavam o corpo também. Ele ensinou aos que creem uma verdade a mais, que os tornasse fortes para crerem na ressurreição da carne, no prêmio de uma vida eterna e feliz concedida aos justos, como as verdades mais poderosas e doces do Novo Testamento: a minha Imaculada Concepção, a minha Divina Maternidade virginal, nas Naturezas divina e humana de meu Filho, Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nascido não pela vontade da carne, mas pelos esponsais divinos e pela divina semente colocada em meu seio; e, enfim, para que acreditassem que no Céu está o meu Coração de Mãe dos homens, palpitando com um amor trepidante para com todos, os justos e os pecadores, desejosos de ter-vos todos consigo na Pátria feliz, por toda a eternidade.
651.4Quando fui tirada da casinha pelos anjos, o meu espírito já havia retornado a mim? Não. O espírito não devia descer sobre a terra. Estava em adoração diante do trono de Deus. Mas quando a terra, o exílio, o tempo e o lugar dessa separação do meu Senhor Uno e Trino foram deixados para sempre, o espírito voltou a resplandecer em mim, no centro da alma, retirando a carne do seu sono. E é justo dizer que fui assunta ao Céu com a alma e o corpo, não minha própria capacidade, como aconteceu com Jesus, mas com a ajuda angélica. Despertei daquele sono misterioso e místico, levantei e enfim voei, porque a minha carne já havia alcançado a perfeição dos corpos glorificados. E amei. Amei o meu Filho reencontrado, o meu Senhor, Uno e Trino, amei-o como é o destino de todos os eternos viventes.
5 de janeiro de 1944.
651.5[Diz Jesus:]
– Tendo chegado a sua última hora, como um lírio cansado que, depois de ter exalado todos os seus perfumes, se inclina sob a s estrelas e fecha o seu cálice cheio de candor, Maria, minha Mãe, se recolheu ao seu leito e fechou os olhos para tudo o que estava ao seu redor, a fim de recolher-se em uma última contemplação de Deus.
Inclinado sobre o repouso dela, o anjo de Maria estava esperando, trepidante, na espera de que aquele êxtase terminasse separando aquele espírito da carne, dentro do tempo marcado pelo decreto de Deus, e o separasse para sempre da Terra, enquanto do Céu já vinha descendo a doce e convidativa ordem de Deus.
Inclinado, por sua vez, sobre aquele misterioso repouso, João, o anjo terreno, velava junto à Mãe, que estava para deixá-lo. E quando ele a viu morta, continuou a velar para que ela ficasse livre dos olhares profanos e curiosos, pois, mesmo depois da morte, Ela era a Imaculada Esposa e Mãe de Deus, que dormia plácida e bela.
651.6Uma tradição diz que na urna de Maria, aberta por Tomé, foram só encontradas flores. Pura lenda. Nenhum sepulcro engoliu os restos mortais de Maria, porque nunca houve restos mortais de Maria, segundo o costume humano, dado que Maria não morreu como morrem todos os que receberam a vida.
Ela estava ali, por decreto divino, somente separada do espírito. Mas com esse espírito, que a havia precedido, a sua carne santíssima se reuniu. Invertendo as leis habituais, pelas quais o êxtase termina quando cessa o arrebatamento, isto é, quando o espírito volta ao seu estado normal, foi o corpo de Maria que voltou a reunir-se ao seu espírito, depois de um longo repouso sobre o leito fúnebre.
Para Deus tudo é possível. Eu saí do Sepulcro sem outra ajuda a não ser a do meu poder. Maria veio a Mim, a Deus, ao Céu, sem conhecer o sepulcro com o horror da podridão e da tristeza. Este é um dos mais fúlgidos milagres de Deus. Não é o único, na verdade, se nos recordarmos de Enoque e Elias, os quais, sendo queridos aos Senhor, foram arrebatados2 da Terra sem conhecerem a morte, e transportados para outro lugar conhecido só por Deus e pelos celestes habitantes dos Céus. Eles eram justos, mas eram sempre um nada em comparação com minha Mãe, que é inferior em santidade somente a Deus.
É por isso que não há relíquias do corpo nem do sepulcro de Maria. Porque Maria não teve sepulcro, e o seu corpo foi levado para o Céu.
8 e 15 de julho de 1944.
651.7[Diz Maria:]
– Um êxtase foi a concepção do meu Filho. E um êxtase ainda maior foi dá-lo à luz. O êxtase dos êxtases foi a minha passagem da terra para o Céu. Somente durante a Paixão é que não houve nenhum êxtase para tornar suportável o meu sofrimento atroz.
651.8A casa, de onde fui assunta ao Céu, era um dos inúmeros atos generosos de Lázaro para Jesus e sua Mãe. A pequena casa do Getsêmani, ficava perto da sua Ascensão. É inútil procurar os restos dela. Na destruição de Jerusalém por obra dos romanos, ela foi devastada e as suas ruínas foram dispersar no curso dos séculos.
18 de dezembro de 1943.
651.9[Diz Maria:]
– Como para mim o nascimento do Filho foi um êxtase e, com o arrebatamento para Deus que se apoderou de mim naquela hora, tornei-me presente a mim mesma e à Terra com o Menino nos braços, assim também a minha impropriamente dita “morte” foi um arrebatamento para Deus.
Fiando-me na promessa que recebi no esplendor da manhã de Pentecostes, eu pensava que a aproximação daquele momento da última vinda do Amor, para levar-me consigo, devesse manifestar-se com um aumento do fogo de amor que ardia sempre em mim. E eu errei.
Da minha parte, quanto mais a vida passava, mais aumentava em mim o desejo de fundir-me com a Caridade Eterna. O que me impelia a isso era o desejo de ir unir-me com o meu Filho e a certeza de que nunca teria feito tanto pelos homens como quando estivesse, orando e trabalhando por eles, aos pés do trono de Deus. E com um movimento cada vez mais aceso e acelerado, com todas as forças de minha alma, eu gritava ao Céu: “Vem, Senhor Jesus! Vem, Eterno Amor!”
651.10A Eucaristia, que era para mim como o orvalho para uma flor sedenta, era, sim, vida, mas quanto mais o tempo passava, mais se tornava insuficiente para satisfazer a ânsia incontrolável do meu coração. Não me bastava mais receber em mim a divina Criatura e levá-la em meu interior nas sagradas Espécies, como a havia levado na minha carne virginal. Todo o meu ser queria Deus uno e trino, mas não sob os véus escolhidos pelo meu Jesus para esconder o inefável mistério da Fé, mas com era, é e será no centro do Céu. O meu próprio Filho, nos seus transportes eucarísticos, me queimava com abraços de desejo infinito, e toda vez que Ele vinha a mim, com a potência do seu amor, quase arrancava a minha alma no primeiro ímpeto, mas depois ficava, com ternura infinita, chamando-me: “Mamãe!”, e eu percebia que Ele estava ansioso de ter-me Consigo.
Eu não desejava mais nada. Nem mesmo o desejo de tutelar a Igreja nascente havia mais em mim naqueles últimos tempos da minha vida mortal. Tudo ficava reduzido a nada pelo desejo de possuir a Deus, pela persuasão que eu tinha de poder tudo quando o possuímos.
651.11Alcançai, ó cristãos, esse amor total. Que tudo aquilo que é terreno perca o valor. Mirai unicamente a Deus. Quando fordes ricos dessa pobreza de desejos, que é uma riqueza incomensurável, Deus se curvará sobre o vosso espírito para instruí-lo primeiramente, para pegá-lo depois, e vós subireis com ele ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, para conhecê-los e amá-los por toda a beata eternidade, e para possuir as suas riquezas de graças para os irmãos. Nunca somos tão ativos para os irmãos como quando não estamos mais entre eles, mas somos luz unida à divina Luz.
651.12A aproximação do Amor eterno teve o sinal que eu imaginava. Tudo perdeu luz e cor, voz e presença ao fulgor e à Voz que, descendo do Céu, e abrindo o meu olhar espiritual, abaixavam-se sobre mim para colher a minha alma.
Costuma-se dizer que eu me teria alegrado por ter sido assistida, naquela hora, pelo meu Filho. Mas o meu doce Jesus estava bem presente com o Pai, quando o Amor, isto é, o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, me deu o seu terceiro beijo em minha vida, um beijo tão poderosamente divino que nele minha alma se exalou, perdendo-se na contemplação, como uma gota de orvalho é aspirada pelo Sol no cálice de um lírio. E eu subi, com o meu espírito, cantando hosana aos pés dos Três, que eu havia sempre adorado.
Depois, no exato momento, como uma pérola num castão de fogo, ajudada antes, e acompanhada depois, pelas fileiras de espíritos angélicos, que vieram assistir-me no meu eterno e celeste nascimento, esperada pelo meu Jesus já antes de chegar às soleiras dos Céus, e nas soleiras do Céus pelo meu justo esposo terreno, pelos Reis e Patriarcas de minha estirpe, pelos primeiros santos e mártires, entrei como Rainha, depois de tanta dor e humildade de uma pobre serva de Deus, no Reino da alegria sem limites.
E o Céu se fechou de novo na alegria de possuir-me, de ter a sua Rainha, cuja carne, única entre todas as carnes mortais, conhecia a glorificação ainda antes da Ressurreição e do último juízo. –
Dezembro de 1943.
651.13[Diz Maria:]
– Minha humildade não podia deixar-me pensar que tanta glória me estivesse reservada no Céu. No meu pensamento havia quase a certeza de que a minha carne humana, tornada santa por ter trazido Deus, não teria conhecido a corrupção, porque Deus é Vida e, quando satura e enche de si mesmo uma criatura, esta sua ação é como um aroma preservador da corrupção que se segue à morte.
Eu não somente havia ficado imaculada, não só tinha ficado unida a Deus com um casto e fecundo abraço, mas fiquei repleta, desde as profundezas do meu ser, com as emanações da Divindade escondida no meu seio e procurando ficar velada pelas carnes mortais. Mas que a bondade do Eterno tivesse reservado para sua serva a alegria de sentir em seus membros o toque da mão do meu Filho, o seu abraço, o seu beijo, e de ouvir de novo com os meus ouvidos a sua voz, de ver com os meus olhos o seu rosto, isso eu não podia pensar que me seria concedido, nem eu o desejava. Ter-me-ia bastado que essa felicidade fosse concedida ao meu espírito, e com isso estaria já cheio de grande felicidade o meu eu.
651.14Mas, para testemunhar o seu primeiro pensamento criativo em relação ao homem, Dele, Criador, destinado a viver, passando sem morte do Paraíso terrestre ao celeste, no Reino eterno, Deus quis a mim, Imaculada, no Céu em alma e corpo. Assim que cessasse a minha vida terrena.
Eu sou o testemunho certo daquilo que Deus havia pensado e desejado para o homem: uma vida inocente e sem conhecer a culpa, uma passagem plácida dessa vida à Vida eterna, por isso, como alguém que passa a soleira de uma casa para entrar em um palácio, o homem, com o seu ser completo, feito de corpo material e de alma espiritual, teria passada da terra para o Paraíso, aumentando a perfeição do seu eu, dada a ele por Deus, com a perfeição completa, da carne e do espírito, que era, no pensamento divino, destinada a toda criatura que tivesse ficado fiel a Deus e à Graça. Perfeição que teria sido alcançada na luz plena que existe no Céu, e que os preenche, provindo de Deus, Sol eterno que os ilumina.
651.15Diante dos Patriarcas, Profetas e Santos, diante dos Anjos e Mártires, Deus colocou a Mim, assunta em alma e corpo à glória do Céu, e disse:
“Eis aqui a obra perfeita do Criador.
Eis o que Eu criei à minha mais verdadeira imagem e semelhança entre todos os filhos do homem, fruto de um obra-prima divina e criativa, maravilha do universo, que vê incluso em um só ser o divino no espírito eterno, como Deus, e espiritual como Ele, inteligente, livre, santo, e a criatura material na mais inocente e pura das carnes, para a qual todos os outros viventes, dos três reinos da criação, são obrigados a inclinar-se.
Eis o testemunho do meu amor para com o homem, ao qual Eu quis dar um organismo perfeito e uma sorte feliz de vida eterna no meu Reino.
Eis o testemunho do meu perdão ao homem, ao qual, pela vontade do Amor Trino, concedi a reabilitação e uma nova criação diante de meus olhos.
Esta é a mística pedra de toque, esta é o anel de união entre o homem e Deus, esta é Aquela que nos faz lembrar os tempos dos primeiros dias, e dá aos meus olhos divinos a alegria de contemplar uma Eva como Eu a criei, e que agora se tornou mais bela e santa, porque é Mãe do meu Verbo e porque é Mártir do maior dos perdões.
Pelo seu Coração Imaculado, que nunca conheceu mancha alguma, nem mesmo a mais leve, Eu abro os tesouros do Céu, e por sua cabeça que nunca conheceu soberba faço do meu fulgor uma grinalda e a coroo, pois para Mim Ela é Santíssima, a fim de que possa ser vossa Rainha.”
651.16No Céu não existem lágrimas. Mas no lugar do alegre pranto, que os espíritos teriam tido se a eles fosse concedido o pranto — humor que prorrompe de uma emoção — houve, depois dessas divinas palavras, um fervilhar de luzes, um matizar de esplendores em esplendores mais vívidos, um arder de incêndios caritativos num fogo ainda mais ardente, um insuperável e indescritível som de harmonias celestes, às quais se uniu a voz do meu Filho, em louvor a Deus Pai e à sua Serva eternamente bem-aventurada.
1 de maio de 1946
651.17[Diz Jesus:]
– Há diferença entre a separação da alma do corpo por uma morte verdadeira, e há uma momentânea separação do espírito do corpo e da alma vivificante por meio de um êxtase ou um arrebatamento contemplativo.
Enquanto a separação da alma do corpo causa a verdadeira morte, a contemplação extática, isto é, a temporária evasão do espírito para fora das barreiras dos sentidos e da matéria, ainda não provoca a morte. E isso porque a alma não se destaca e não se separa totalmente do corpo, mas o faz somente com sua parte melhor, que se imerge nos fogos da contemplação.
Todos os homens, enquanto estão nesta vida, têm em si a alma, morta ou viva que seja, pelo pecado e pela injustiça; mas somente os grandes amorosos para com Deus é que atingem a contemplação verdadeira.
Isto demonstra que a alma, conservando a existência enquanto está unida ao corpo — e esta particularidade existe igualmente em todos os homens — tem em si uma parte mais seleta: a alma da alma, o espírito do espírito, que nos justos são fortíssimos, enquanto aqueles que não amam a Deus e a sua Lei, ainda que seja por sua tibieza e pecados veniais, tornam-se fracos, privando a criatura da capacidade de contemplar e conhecer, até o ponto a que pode chegar uma criatura humana, conforme o grau de perfeição a que tiver chegado, capacitando-a para conhecer a Deus e as suas verdades. Quanto mais a criatura ama e serve a Deus, com todas as suas forças e possibilidades, tanto mais a parte mais seleta do seu espírito tem aumentada a sua capacidade de conhecer, de contemplar, de penetrar nas verdades eternas.
651.18O homem, dotado de uma alma racional, é uma capacidade que Deus preenche de Si. Maria, sendo a mais santa de todas as criaturas depois de Cristo, foi uma capacidade cheia de Deus — a ponto de transbordar sobre os irmãos em Cristo de todos os séculos, e pelos séculos dos séculos — cheia das suas graças, caridade e misericórdia.
Ela passou para o outro lado submersa nas ondas do amor. E agora, no Céu, tornou-se um oceano de amor, e transborda sobre os filhos que lhe são fiéis, e também sobre os filhos pródigos, suas ondas de caridade para a salvação universal, Ela que é Mãe universal de todos os homens.
1 palavras, que estão em 642.8/10. O texto da presente nota (de 1948), escrito antes do episódio ao qual se refere (de 1951), deve ter sofrido alguma adaptação na transcrição, sobre a qual tratamos na nota do título autógrafo dos capítulos 641-651.
2 foram arrebatados, como se narra em: Gênesis 5,24; Sirácida 44,16; 49,14 (por Enoc); 2 Reis 2,1-13; Sirácida 48,9 (por Elia).
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