638. 638. Últimos ensinamentos no Getsêmanie despedida. Ascensão de Jesus ao Pai.


24 de abril de 1947.

638.1Jesus — uma aurora rosada aparece no oriente — passeia com sua Mãe pelas falésias do Getsêmani. Não trocam palavras, só olhares de um amor indizível. Talvez as palavras já foram ditas. Talvez nunca foram ditas. As duas almas falaram: a de Cristo, a da Mãe de Cristo. Agora é só contemplação de amor, contemplação recíproca. Quem a presencia é a natureza orvalhada, a luz pura da manhã, as gentis criaturas que são as plantas, as flores, os pássaros, as borboletas. Os homens estão ausentes.

638.2Eu me sinto pouco à vontade para estar presente nesse adeus. “Senhor, eu não sou digna!”, exclamo entre as lágrimas que escorrem, olhando a última hora da união terrena entre a Mãe e o Filho, e pensando que chegamos ao término da amorosa fadiga, tanto de Jesus, de Maria, como da pobre, pequena, indigna criança que Jesus quis como testemunha de todo o tempo messiânico e que se chama Maria1, mas que Jesus gostava de chamar de “o pequeno João”, ou também de “a violeta da Cruz”.

Sim. Pequeno João. Pequeno, porque eu sou um nada. E João, porque eu sou mesmo aquela à qual Deus concedeu grandes graças, e porque em medida infinitesimal — mas que é tudo o que eu possuo, e dando tudo o que eu possuo sei que estou dando na medida perfeita, que contenta Jesus, porque ela é o “tudo” do meu nada — e porque, em medida infinitesimal, assim como o grande João amado, eu dei todo o meu amor a Jesus e a Maria, dividindo com eles minhas lágrimas e sorrisos, acompanhando-os angustiada por vê-los aflitos e por não poder defendê-los do ódio do mundo, à custa da minha própria vida, e agora palpitando com as palpitações de seus corações por aquilo que acaba para sempre…

Violeta, sim. Uma violeta que procurou ficar escondida entre as plantas para que Jesus não a evitasse. Ele, que amava todas as coisas criadas porque são obras de seu Pai. Mas me calcasse debaixo do seu pé divino, e eu pudesse morrer exalando o meu tênue perfume no esforço de adoçar-lhe o contato com a terra escabrosa e dura. Violeta da Cruz, sim. O Sangue dele encheu o meu cálice, até fazê-lo cair no chão…

Oh! Meu Dileto, que antes me encheste de teu Sangue, fazendo-me contemplar os teus Pés feridos, pregados no madeiro, “… e aos pés da cruz eu era uma plantinha de violetas em flor e das quais caíam as gotas do Sangue divino sobre a plantinha de violeta em flor…” É uma lembrança longínqua2, mas que está sempre perto e presente! Era uma preparação para isto, que depois eu fui: o teu porta-voz, que agora está todo aspergido com o teu Sangue, com os teus suores e lágrimas, com o pranto de Maria, tua Mãe, mas que também conhece as tuas palavras, os teus sorrisos, tudo, tudo de Ti, e não exala mais o perfume de violetas cheirosas, mas de Ti somente, meu Amor único e só, daquele perfume divino que acariciou ontem de tarde a minha dor, e que vem sobre mim, doce como um beijo, consolador como o próprio Céu, e me faz esquecer tudo para viver de Ti somente…

638.3A tua promessa está em mim. Sei que não te perderei. Tu me prometestes e a tua promessa é sincera: é de Deus. Eu te terei ainda, sempre. Só se eu pecasse de soberba, mentira, desobediência, eu te perderia, Tu disseste. Mas Tu sabes que, com a tua Graça sustentando a minha vontade, eu não quero pecar, e espero de não pecar porque Tu me sustentas. Não sou um carvalho, eu sei. Sou uma violeta. Um caule frágil que pode se dobrar pelo pé de um passarinho ou pelo peso de um escaravelho. Mas Tu és minha força, ó Senhor. E o amor por Ti é a minha asa.

Eu não te perderei. Tu me prometeste. Virás todo para mim, para dar alegria a tua violeta que está morrendo. Mas eu não sou egoísta. Senhor, Tu sabes disso. Tu sabes que eu quereria não ver-te mais, mas que te vissem muitos outros. E cressem em Ti. A Mim já deste tanto, e eu não sou digna disso. Verdadeiramente Tu me amaste como somente Tu sabes amar os teus filhos diletos.

638.4Estou pensando em como era doce ver-te “viver”, Homem entre os homens. E fico pensando que não te verei mais assim. Tudo foi visto e dito. Sei também que Tu não te cancelarás do meu pensamento nas tuas ações como Homem entre os homens, e que não precisarei de livros para lembrar-me de ti como Tu realmente foste: será suficiente que eu olhe dentro de mim, onde toda a tua vida ficou impressa com caracteres indeléveis. Mas era doce, doce…

Agora Tu vais subir… E a Terra Te perde. A Maria da Cruz te perde, Mestre Salvador. Ficarás com ela como Deus dulcíssimo. E não mais Sangue, mas mel celeste derramarás no cálice violáceo da tua violeta… Eu choro… Eu fui tua discípula com as outras pelos caminhos nas montanhas, nas selvas, ou nos lugares áridos, poeirentos nas planícies, sobre o lago ou perto do belo rio de tua pátria. Agora Tu vais embora, e eu verei só na lembrança Belém e Nazaré sobre suas colinas verdes cobertas de oliveiras; e Jericó com aquele seu Sol ardente e suas palmeiras; e a Betânia amiga; e Engadi, a pérola perdida no deserto; e a bela Samaria; as planícies fecundas de Saron e de Esdrelon, o bizarro planalto do Além-Jordão, o pesadelo do Mar Morto; as cidades ensolaradas da costa mediterrânea; e Jerusalém, a cidade da tua dor, com suas subidas e descidas, suas praças e subúrbios, seus poços e cisternas, suas colinas, e até o triste vale dos leprosos, onde tua grande misericórdia se derramou… A casa do Cenáculo… a fonte que lá perto está sempre chorando… a pequena ponte sobre o Cedron, o lugar em que suaste Sangue… o pátio do Pretório…

Ah! Não! Aquilo que é a tua dor está aqui. E ficará para sempre… Deverei me lembrar de todos os fatos e lugares para achá-los, mas a tua oração no Getsêmani, a tua flagelação, a tua subida para o Gólgota, a tua agonia e morte, e a dor de tua Mãe, não, não terei de procurá-los: estão sempre presentes. Talvez eu me esqueça deles no Paraíso… e me parece impossível esquecer-me deles mesmo lá… Eu me lembro de tudo daquelas horas atrozes. Até da forma da pedra sobre a qual caíste. Até do botão de rosa vermelha, que parecia uma gota de sangue sobre o granito da laje do teu sepulcro…

Meu amor diviníssimo, a tua Paixão vive no meu pensamento… e isso parte o meu coração…

638.5A aurora desponta completamente. O sol já está alto e ouve-se a voz dos apóstolos. É um sinal para Jesus e Maria. Eles param. Olham-se, Um diante da Outra, e depois Jesus abre os braços e acolhe em seu peito sua Mãe… Oh! Era, sim, um Homem, um Filho de Mulher! Para acreditar nisso basta olhar esse adeus! O amor transborda numa chuva de beijos na Mãe tão amada. O amor cobre de beijos o Filho tão amado. Parece que não conseguem se separar. Quando parece que estão conseguindo, um outro abraço os une de novo, e entre beijos dizem palavras de recíproca benção… Oh! Realmente é o Filho do homem que deixa Aquela que o gerou! Realmente é a Mãe que se despede, para devolver ao Pai a sua Criatura, que é a Prova de Amor para a Puríssima… Deus que beija a Mãe de Deus!…

Por fim, a Mulher, como criatura, ajoelha-se aos pés de seu Deus, que é também seu Filho, e o seu Filho, que é Deus, impõe as mãos sobre a cabeça da Virgem Mãe, da eterna Amada, e a abençoa em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e depois se inclina e a levanta, dando-lhe um último beijo sobre aquela fronte branca como um lírio sob o ouro daqueles cabelos tão juvenis ainda…

Eles voltam para casa, e ninguém, vendo com que calma vão indo Um ao lado da Outra, iria pensar na onda de amor que se entranhara neles pouco antes. Mas que diferença, neste adeus, daquela tristeza de outros adeuses da Mãe ao Filho morto, que devia ser deixado sozinho no Sepulcro!… Neste adeus, ainda que os olhos estejam brilhando por causa do pranto natural de quem está para separar-se do seu Amado, seus lábios sorriem na alegria de saber que este Amado vai para a sua Morada, como lhe convêm em sua Glória…

638.6– Senhor! Lá fora, entre o monte e Betânia, estão todos aqueles que tu disseste a tua Mãe que queria abençoar hoje –diz Pedro.

– Está bem. Agora iremos a eles. Mas antes, vinde aqui. Eu quero ainda dividir convosco o pão.

Eles entram no quarto onde dez dias antes estavam as mulheres para a ceia do décimo quarto dia do segundo mês. Maria acompanha Jesus até lá e depois se retira. Ficam lá Jesus e os onze.

Sobre a mesa há carne assada, queijinhos e azeitonas pequenas e pretas, uma pequena ânfora de vinho, uma outra maior cheia d’água, e uns pães compridos. A mesa é simples, não preparada para alguma cerimônia de luxo, mas apenas para atender à necessidade de tomar alimento.

Jesus faz a oferta e divide os pães em partes. Ele está no centro entre Pedro e Tiago de Alfeu. Foi Jesus que os chamou para aqueles lugares. João, Judas de Alfeu e Tiago estão na frente deles, e Tomé, Filipe, Mateus de um lado, e André, Bartolomeu e Zelotes do outro. Assim, todos eles podem ver o seu Jesus… A refeição é breve e em silêncio. Os apóstolos, que chegaram no último dia de sua proximidade com Jesus — e que, apesar de sucessivas aparições Dele, coletivas ou individuais, desde a Ressurreição, todas cheias de amor — não perderam nunca mais e comedimento cheio de veneração que caracterizaram os seus encontros com Jesus Ressuscitado.

638.7A ceia terminou. Jesus abre as mãos acima da mesa, no seu ato habitual diante de um fato inevitável, e diz:

– Eis aí. Chegou a hora em que Eu devo deixar-vos para voltar a meu Pai. Escutai as últimas palavras do vosso Mestre.

Não vos afasteis de Jerusalém durante estes dias. Lázaro, ao qual Eu falei, providenciou, mais uma vez, a fim de transformar em realidade os desejos de seu Mestre, e ele vos cede a casa da última Ceia para que tenhais uma morada na qual reunir-vos e recolher-vos em oração. Ficai lá dentro, durante estes dias e rezai constantemente, a fim de preparar-vos para a vinda do Espírito Santo, que acabará de formar-vos para a vossa missão. Lembrai-vos de que Eu, que também sou Deus, me preparei com uma severa penitência para o meu ministério de Evangelizador. Sempre mais fácil e sempre mais breve será a vossa preparação. Mas Eu não exijo nada mais de vós. Basta-me somente que oreis assiduamente, em união com os setenta e dois e sob a guia de minha Mãe, que eu vos recomendo com o desvelo de Filho. Ela será para vós Mãe e Mestra de amor e sabedoria perfeita.

Eu teria podido mandar-vos para um outro lugar, a fim de vos preparardes para receber o Espírito Santo. Mas, em vez disso, Eu quero que permaneçais aqui, porque é a Jerusalém negadora que haverá de assombrar pela continuação dos prodígios divinos, que acontecerão em resposta às suas negações. Depois, o Espírito Santo vos fará compreender a necessidade de que a Igreja surja justamente nesta cidade que, julgando-se humanamente, é a mais indigna de tê-la. Mas Jerusalém é sempre Jerusalém, mesmo quando o pecado a cobre, até o ponto de ter se cumprido aqui o deicídio. Nada haverá a favor dela. Ela está condenada. Mas, se ela está condenada, nem todos os seus cidadãos estão condenados. Ficai aqui pelos poucos justos que ela tem em seu seio, e ficai aqui porque esta é a cidade dos reis e a cidade do Templo. E porque, como está predito pelos profetas, aqui, onde foi ungido e aclamado o Rei Messias, é aqui que deve ter início o seu reino sobre o mundo, e aqui também é onde a sinagoga recebe de Deus o libelo de repúdio, pelos seus delitos horrendos demais; e onde deve surgir o Templo novo para o qual afluirão os povos de todas as nações.

Lede os profetas3. Ali tudo está previsto. Minha Mãe, em primeiro lugar, e depois o Espírito Paráclito vos farão compreender as palavras dos profetas para este tempo.

638.8Ficai aqui até que Jerusalém vos repudie como Me repudiou, e odiará a minha Igreja como Me odiou, nutrindo planos para exterminá-la. Então, levai para outra lugar a sede dessa minha Igreja dileta, porque ela não deve perecer. Eu vos digo: nem mesmo o inferno prevalecerá sobre ela. Mas se Deus garante a sua proteção, não tenteis o Céu exigindo tudo do Céu. Andai a Efraim como foi até lá o vosso Mestre, porque não era ainda a hora de ser preso pelos inimigos. Digo-vos Efraim para dizer terra de ídolos e pagãos. Mas não será Efraim da Palestina que devereis eleger como sede da minha Igreja. Recordai-vos quantas vezes, a vós todos juntos ou a alguém de vocês individualmente, eu falei sobre isso, predizendo-vos que haveríeis de calcar os caminhos da terra para chegar ao coração dela e lá fixar a minha Igreja. É do coração do homem que o sangue se propaga para todos os membros. É do coração do mundo que o Cristianismo deve se propagar por toda a terra.

Por enquanto, a minha Igreja é semelhante a uma criatura já concebida, mas que ainda vai-se formando no útero. Jerusalém é o seu útero, e no interior dele está o coração, ainda pequenino, ao redor do qual se reúnem os poucos membros da Igreja nascente, e solta as suas pequenas ondas de sangue para estes membros. Mas, tendo chegado a hora que Deus marcou, a matriz madrasta expelirá para fora a criatura que se formou em seu seio, e esta irá para uma terra nova, e lá crescerá, tornando-se um grande Corpo, estendido por toda a terra; e as batidas do forte coração da Igreja se propagarão a todo o grande Corpo. As batidas do coração da Igreja, tendo-se livrado de toda ligação com o Templo, eterna e vitoriosa por sobre as ruínas do Templo, morto e destruído, viverá no coração do mundo, dizendo aos judeus e aos gentios que só Deus triunfa e quer aquilo que quer, e que nem o ódio dos homens nem as fileiras dos ídolos impedem a sua vontade.

Mas isso acontecerá depois e, quando chegar aquele tempo, vós sabereis o que fazer. O Espírito de Deus vos conduzirá a isso. Não temais. Por enquanto, reuni-vos em Jerusalém na primeira reunião dos fiéis. Depois outras reuniões irão se formando, e o número delas crescerá. Em verdade Eu vos digo que os cidadãos do meu Reino aumentarão rapidamente, como as sementes lançadas em terra boa. E o meu povo se propagará por toda a terra. O Senhor diz4 ao Senhor: “Como tu fizeste isso e por causa de Mim não te poupaste, Eu te abençoarei e multiplicarei a tua estirpe como as estrelas do céu e como os grãos de areia que estão sobre as praias do mar. A tua descendência tomará conta da porta de seus inimigos, e em tua descendência serão abençoadas todas as nações da Terra.” Bênção é o meu Nome,e o meu Sinal e a minha Lei estarão lá onde são conhecidos como soberanos.

638.9Está para vir o Espírito Santo, o Santificador, e vós ficareis plenificados. Fazei com que estejais puros, como tudo aquilo que deve se aproximar do Senhor. Eu também era Senhor como Ele. Mas sobre a minha divindade havia vestido uma veste para poder estar entre vós, e não só para ensinar-vos e redimir-vos com os órgãos e o sangue dessa veste, mas também para levar o Santo dos santos entre os homens, sem a inconveniência que todo homem, mesmo impuro, pudesse pousar o olhar sobre Aquele que até os Serafins temem olhar. Mas o Espírito Santo virá sem o véu da carne e se pousará sobre vós e descerá em vós com seus sete dons e vos aconselhará. Ora, o conselho de Deus é algo tão sublime que será preciso preparar-se para recebê-lo com uma vontade heroica de uma perfeição que vos faça semelhantes ao Pai vosso e ao vosso Jesus, e ao vosso Jesus no seu relacionamento com o Pai e com o Espírito Santo. Portanto, caridade perfeita e pureza perfeita, para poder compreender o Amor e recebê-lo no trono do coração.

638.10Perdei-vos no espiral da contemplação. Esforçai-vos de esquecer que sois homens e esforçai-vos para vos transformar em serafins. Lançai-vos na fornalha, nas chamas da contemplação. A contemplação de Deus é semelhante a uma faísca que se acende por meio do encontro da sílex com a pederneira, e suscita fogo e luz. É purificador o fogo que consuma a matéria opaca e sempre impura e a transforma em chama luminosa e pura.

Não tereis o Reino de Deus em vós se não tiverdes o Amor. Porque o Reino de Deus é o Amor, aparece com o Amor e se instala pelo Amor nos vossos corações, no meio dos fulgores que uma luz vivíssima, que penetra e fecunda e afasta a ignorância, e dá a sabedoria, devora o homem e cria o deus, o filho de Deus, o meu irmão, o rei do trono que Deus preparou para aqueles que se entregam a Deus, para terem Deus, Deus, Deus, Deus somente. Portanto, sede puros e santos pela oração ardente que santifica o homem, porque o imerge no fogo de Deus que é a caridade.

Vós deveis ser santos. Não somente no sentido relativo que esta palavra tinha até agora, mas no sentido absoluto que Eu dei a ela ao propor-vos a santidade do Senhor como exemplo e limite para vós, isto é, a Santidade perfeita. Entre nós é o Templo é chamado de santo, santo o lugar em que está o altar, Santo dos santos o lugar velado onde está a arca e o propiciatório. Mas em verdade Eu vos digo que aqueles que possuem a graça e vivem na santidade por amor do Senhor são mais santos do que o santo dos Santos, porque Deus não pousa somente sobre eles, como no propiciatório que está no Templo para dar as suas ordens, mas Ele mora neles para dar-lhes os seus amores.

638.11Recordai as minhas palavras da última Ceia? Eu vos havia prometido, na ocasião, o Espírito Santo. Pois bem, Ele está por vir e batizar-vos não mais com a água, como João fez convosco preparando-vos a Mim, mas com o fogo, para preparar-vos a servir o Senhor assim como Ele quer de vós. Eis que Ele estará aqui daqui a poucos dias. E depois de sua vinda, as vossas capacidades aumentaram desmedidamente, e vós sereis capazes de compreender as palavras do vosso Rei e fazer as obras que Ele vos disse de fazer para estender o seu Reino sobre a Terra.

– Tu construirás de novo, então, depois da vinda do Espírito Santo, o Reino de Israel? –perguntam-lhe, interrompendo-o.

– Não haverá mais Reino de Israel. Mas o meu Reino. E este estará concluído quando o Pai disse. Não vos compete saber os tempos e os momentos que o Pai reservou em seu poder. Mas vós, enquanto isso, recebereis a virtude do Espírito Santo que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, na Judeia, na Samaria e até nos confins da Terra, fazendo vossas reuniões nos lugares onde houver homens reunidos em meu Nome, batizando as pessoas em Nome Santíssimo do Pai, do Filho e do Espírito Santo, assim como Eu vos disse, para que eles tenham a Graça e vivam no Senhor; pregando o Evangelho a todas as criaturas, ensinando-lhes aquilo que eu vos ensinei, fazendo o que Eu vos mandei fazer. E Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo.

638.12E isso Eu quero ainda. Que seja Tiago, meu irmão, a presidir a reunião de Jerusalém. Pedro, como chefe de toda a Igreja, deverá frequentemente empreender viagens apostólicas, porque todos os neófitos desejarão conhecer o Pontífice chefe supremo da Igreja. Mas será grande a influência que o meu irmão terá sobre os fiéis dessa primeira Igreja. Os homens são sempre homens, e veem como homens. Parecerá a eles que Tiago seja uma continuação de Mim, só porque é meu parente. Em verdade eu vos digo que ele é maior, e semelhante a Cristo, por sabedoria do que por parentesco. É assim. Os homens, que não me procuravam enquanto Eu estava entre eles, agora Me procurarão naquele que era meu parente. Tu, então, Simão Pedro, és destinado a outras honrarias…

– Honras que eu não mereço, Senhor. Eu bem que lhe disse isso quando me apareceste, e ainda te digo na presença de todos! Tu és bom, divinamente bom, além de seres sábio, e escolheste logo a mim que te reneguei nesta cidade, e que não sou apto para ser o chefe espiritual dela. Tu queres poupar-me de muitos justos escárnios…

– Todos nós fomos iguais, menos dois, Simão. Eu também fugi. Não por isso, mas pelas razões que eu já disse, o Senhor me destinou a este lugar; mas tu és o meu Chefe, Simão de Jonas, e eu te reconheço como tal, e na presença do Senhor e de todos os meus companheiros professo minha obediência a ti. Eu te darei o que puder para ajudar-te no teu ministério, mas eu te faço um pedido: dá-me as tuas ordens, porque tu és o Chefe e eu sou o súdito. Quando o Senhor me fez lembrar de um discurso que já ficou longe no passado5, eu inclinei a cabeça, dizendo: “Seja feito o que quiseres.” Assim eu te direi a partir do momento em que, tendo-nos deixado o Senhor, tu serás o Representante Dele na terra. E nos amaremos ajudando-nos no ministério sacerdotal –diz Tiago, inclinando-se lá do seu lugar para render uma homenagem a Pedro.

– Sim. Amai-vos uns aos outros, ajudando-vos reciprocamente, pois este é o mandamento novo e o sinal de que vós sois verdadeiramente de Cristo.

638.13Não vos perturbeis por coisa alguma. Deus está convosco. Vós podeis fazer aquilo que Eu quero de vós. Eu não imporia coisas que não poderíeis fazer, porque não desejo a vossa ruína, ao contrário, desejo a vossa glória. Muito bem. Eu vou para preparar-vos um lugar ao lado do meu trono. Estai unidos a Mim e ao Pai no amor. Perdoai o mundo que vos odeia. Chamai de filhos e irmãos aqueles que vêm a vós, ou que já estão convosco por amor a Mim.

Permanecei na tranquilidade de saberdes que Eu estou sempre pronto a ajudar-vos a carregar a vossa cruz. Eu estarei convosco nas fadigas do novo ministério e na hora das perseguições, e não perecereis, não sucumbireis, ainda que assim pareça àqueles que olham com os olhos do mundo. Sereis oprimidos, afligidos, ficareis cansados, sereis torturados, mas a minha alegria estará em vós, e eu vos ajudarei em tudo. Em verdade Eu vos digo que, quando tiverdes como Amigo o Amor, então compreendereis que todas as coisas sofridas ou vividas por amor de Mim tornam-se leves, mesmo quando se trata da tortura pesada do mundo. Porque, para aquele que reveste de amor todas as suas ações, sejam elas voluntárias ou impostas, fica alterado o peso da vida e do mundo em um jugo que lhe é dado por Deus e por Mim. E Eu vos repito que o meu peso é sempre proporcional às vossas forças. O meu peso é leve, porque Eu vos ajudo a levá-lo.

638.14Vós sabeis que o mundo não sabe amar. Mas vós, de agora em diante, amai o mundo de amor sobrenatural, para ensiná-lo a amar. E se, vendo-vos perseguidos, vos disserem: “É assim que Deus vos ama? respondei: “A dor não vem de Deus. Mas Deus a permite, e nós sabemos qual é a razão e nos gloriamos de ter a mesma sorte que teve Jesus Salvador, o Filho de Deus.” Respondei: “Nós nos gloriamos de estar pregados na cruz e de continuar a Paixão do nosso Jesus.” Respondei com as palavras6 da Sabedoria: “A morte e a dor entraram no mundo por causa da inveja do demônio, mas Deus não é o autor da morte e da dor, e não se alegra com o sofrimento dos viventes. Todas as coisas Dele são vida e todas são de salvação.” Respondei: “Neste momento nós parecemos perseguidos e vencidos, mas no dia de Deus a sorte será mudadas, e nós, justos, perseguidos aqui na terra, estaremos gloriosos diante daqueles que nos maltrataram e desprezaram.” Porém, dizei também a eles: “Vinde a nós! Vinde à Vida e à Paz. O nosso Senhor não quer a vossa ruína, mas a vossa salvação. Por isso deu o seu Filho dileto, a fim de que vós todos fostes salvos.”

638.15E alegrai-vos de participar dos meus sofrimentos para, depois, poder estar Comigo na glória. “Eu serei a vossa recompensa extremamente grande,” promete7 o Senhor em Abraão a todos os seus servos fiéis. Vós sabeis como se conquista o Reino dos Céus: com a força, e se alcança por meio de muitas tribulações. Mas aquele que perseverar como Eu perseverei estará onde Eu estou.

Eu vos disse qual é o caminho e a porta que conduzem ao Reino dos Céus, e Eu por primeiro caminhei por ele e voltei ao Pai por ela. Se houvesse outro caminho, Eu vo-lo teria mostrado, porque tenho piedade da vossa fragilidade de homens. Mas não há outro… Indicando-o a vós como único caminho e como única porta, digo-vos também, repito, qual é o remédio que dá força para percorrê-la e entrar. É o amor. Sempre o amor. Tudo é possível quando o amor está em nós. E todo o amor vos será dado pelo Amor que vos ama, se vós pedirdes em meu Nome tanto amor a ponto de vos tornardes atletas na santidade.

638.16Agora, demo-nos o beijo de despedida, ó meus amigos diletos.

Ele se levanta para abraçá-los. Todos o imitam. Mas, enquanto Jesus está com um sorriso pacífico, de uma beleza verdadeiramente divina, eles choram, todos perturbados, e João, abandonando-se sobre o peito de Jesus, sacudindo-se todo pelos soluços que parecem romper-lhe o peito, de tão fortes que são, pede, também para todos, percebendo o desejo de todos:

– Dá-nos pelo menos o teu Pão, que nos dê forças nesta hora!

– Assim seja! –responde-lhe Jesus.

E apanhando um pão, parte-o depois de tê-lo oferecido e abençoado, repetindo as palavras rituais. E a mesma coisa Ele faz com o vinho, recomendando-lhes depois:

– Fazei isto em memória de Mim! –acrescentando–: Pois Eu vos deixei esta prova do meu amor para estar ainda e sempre convosco, até que estejais comigo no Céu.

Ele os abençoa e diz:

– E agora, vamos.

638.17Saem da sala, da casa…

Jonas, Maria e Marcos estão lá fora, e se ajoelham adorando Jesus.

– A paz permaneça convosco. E que o Senhor vos recompense por tudo o que me destes –diz Jesus, abençoando-os, ao passar.

Marcos se levanta, e diz:

– Senhor, os olivais ao longo do caminho de Betânia estão cheios de discípulos que estão te esperando.

– Vai dizer a eles que se dirijam para o Campo dos Galileus.

Marcos dispara com toda a velocidade das suas pernas jovens.

– Vieram todos, então –dizem os apóstolos entre eles.

638.18Mais adiante, sentada entre Marziam e Maria de Cléofas, está a Mãe do Senhor. Ela se levanta vendo-o aproximar-se, adorando-o com todo o palpitar do seu coração de Mãe e de fiel.

– Vem, minha Mãe, e também tu, Maria… – Jesus as convida ao vê-las paradas, paralizadas diante da sua majestade, que está fulgurando como no dia da Ressurreição.

Mas Jesus não quer causar-lhes acanhamento com esta sua majestade, e pergunta, de modo muito afável, a Maria do Alfeu:

– Tu ficaste sozinha?

– As outras… as outras já estão lá adiante… com os pastores e… com Lázaro e toda a sua família… Mas eles nos deixaram aqui, porque… Oh! Jesus! Jesus! Jesus!… Como farei quando não te vir mais, ó Jesus bendito, meu Deus, eu que te amei antes ainda que Tu tivesses nascido, eu que tenho chorado tanto por Ti quando não sabia onde é que Tu estavas depois daquela chacina… eu que tive o meu sol no teu sorriso, desde que tu voltaste, e contigo todo, todo o meu bem?… Ah! Quanto bem! Quanto bem Tu me deste!… Agora, sim, que eu irei ficar verdadeiramente pobre, viúva e sozinha!… Enquanto estavas aqui, eu tinha Tudo!… Eu pensava que havia conhecido a maior das dores naquela noite… Mas a dor, toda a dor daquele dia me tinha feito ficar meio tresloucada e… sim, era menos forte que a de agora… E depois… era certo que ias ressuscitar. Parecia-me que eu não estava acreditando, mas eu me lembro agora que eu acreditava, sim, porque eu não estava sentindo o que estou sentindo agora…

E ela chora e arfa, de tanto que o pranto a sufoca.

– Boa Maria, tu te afliges como um menino que acha que sua mãe não o ama e o tenha abandonado, porque ela foi à cidade comprar para ele uns brinquedos que o tornarão feliz, e que logo ela estará de volta a ele para cobri-lo de carícias e de presentes. E Eu não faço assim contigo? Não estou indo preparar a tua alegria? Não estou indo, para te dizer de lá: “Vem, minha parenta, minha discípula fiel e mãe dos meus diletos discípulos?” Não te deixo o meu amor? Eu te dou o meu amor, Maria! Tu sabes que Eu te amo! Não fiques chorando assim, mas alegra-te, porque não me verás mais maltratado e cansado, não mais perseguido, e rico somente por ter o amor de uns poucos. E com o meu amor, Eu te deixo a minha Mãe. João será um filho para ela, mas tu podes ser a boa irmã dela, como sempre. Estás vendo? Ela, a minha Mãe, não está chorando. Ela sabe que, se a saudade de Mim será como uma lima que consumará o seu coração, a espera será sempre breve em comparação com a grande alegria de uma eternidade de união, e sabe também que essa nossa separação não será algo tão absoluta que a faça dizer: “Não tenho mais Filho.” Este era o seu grito de dor no dia da dor. Agora, no seu coração, canta a esperança: “Eu sei que meu Filho vai subir para o Pai, mas que Ele não me deixará sem os seus amores espirituais.” Assim é que crês, tu e todos… 638.19Eis os outros e as outras. Eis os meus pastores.

Os rostos de Lázaro e de suas irmãs no meio de todos os servos de Betânia, e o rosto de Joana, semelhante a uma rosa sob um véu de chuva, e os de Elisa e de Nique, já marcados pela idade — e agora as rugas vão-se aprofundando pelo sofrimento, e é sempre um sofrimento para uma pessoa, mesmo quando a alma está cheia de júbilo pelo triunfo do Senhor — e também o rosto de Anastásica, e os rostos liriais das primeiras virgens, e o rosto ascético de Isaque, e o inspirado de Matias, e o viril de Manaém, e os austeros de José e de Nicodemos… Rostos, rostos e mais rostos…

Jesus chama para perto de Si os pastores, Lázaro, José, Nicodemos, Manaém, Maximino e os outros dos setenta e dois discípulos. Mas Ele tem perto de Si especialmente os pastores, e lhes diz:

– Vinde aqui. Vós estáveis perto do Senhor que tinha vindo do Céu, inclinados sobre o aniquilamento dele, vós deveis estar aqui perto do Senhor que vai voltar ao céu, com vossos espíritos jubilosos pela sua glorificação. Vós merecestes este lugar porque soubestes crer contra todas as circunstancias desfavoráveis, e soubestes sofrer pela vossa fé. Eu vos agradeço pelo vosso amor fiel.

A todos vós Eu agradeço. A ti, meu amigo Lázaro. A ti, José, e a ti, Nicodemos, piedosos para com o Cristo, mesmo quando ser assim podia ser um grande perigo. A ti, Manaém, que soubeste desprezar os sujos favores de um imundo, para vires caminhar pelo meu caminho. A ti, Estêvão, coroa florida de justiça, que deixaste o que é imperfeito pelo perfeito, e serás coroado com uma coroa que ainda não conheces, mas que os anjos te anunciarão. A ti, João, que por pouco tempo foste irmão, quando Eu estava no seio puríssimo8, e quando vim à luz mais do que à vista. Tu, Nicolau, que, como prosélito, soubeste consolar-me da dor que me infligiram os filhos desta Nação. E vós, discípulas boas e, em vossa doçura, mais fortes que Judite.

638.20E tu, Marziam, meu menino, de agora em diante te chamarás Marcial9, como recordação do menino romano assassinado pelo caminho e depositado junto ao portão de Lázaro com uma mensagem de desafio: “E agora diz ao Galileu que te ressuscite, se é o Cristo e se ressuscitou,” último dos inocentes que perderam a vida na Palestina para Me servirem mesmo inconscientemente, e primeiro dos inocentes de todas as nações que, vindo até Cristo, serão odiados por isso e aniquilados antes do tempo, como botões de flores arrancadas da haste antes de florescerem. E este nome, ó Marcial, te indique o teu destino futuro: sê apóstolo em terras bárbaras e conquista-as ao teu Senhor assim como o meu amor conquistou o menino romano para o Céu.

638.21Todos, todos são abençoados por Mim neste adeus, e invoco ao Pai a recompensa para aqueles que consolaram o caminho doloroso do Filho do homem.

Bendita seja a Humanidade, em sua parte mais escolhida, que está tanto nos judeus como nos gentios, e que se manifestou no amor que recebeu de Mim.

Bendita seja a Terra, com as suas plantas e suas flores, os seus frutos que me deram prazer e refrigério muitas vezes. Bendita seja a Terra, com as suas águas e seus climas, por seus passarinhos e os animais que muitas vezes superaram o homem ao prestarem conforto ao Filho do homem. Bendito és tu, ó sol, e tu, ó mar, e vós, montes, colinas, planícies. Benditas sois vós, ó estrelas, que fostes minhas companheiras na oração noturna e na dor. E tu, lua, que me iluminaste o caminho quando eu andava em minha peregrinação de Evangelizador.

Todas, todas benditas, ó vós, criaturas, obras do meu Pai e minhas companheiras nas horas mortais, amigas Daquele que tinha deixado o Céu para vir tirar da atribulada Humanidade as dores pela culpa que a separou de Deus.

E benditos sejais também vós, ó instrumentos inocentes usados em minha tortura: os espinhos, os metais, a madeira, os cânhamos retorcidos, porque me ajudastes a cumprir a vontade do meu Pai!

Que voz trovejante tem Jesus! Ela se espalha pelo ar, tépida e tranquila, como a voz de um bronze que ressoa ao ser batido, e se propaga em ondas sobre o mar de rostos que olham para Ele de todas as direções.

638.22Eu digo que são centenas as pessoas que circundam Jesus enquanto Ele está subindo, com os mais diletos, em direção ao cume do Monte das Oliveiras. Mas Jesus, chegando perto do campo dos Galileus, que está vazio neste período entre uma festa e outra, ordena aos discípulos:

– Fazei parar as pessoas onde elas estão, depois segui-Me.

Ele sobe ainda, até o ponto mais alto do monte, que está já mais perto de Betânia do que de Jerusalém, e que domina lá do alto. Perto de Jesus estão: sua Mãe, os apóstolos, Lázaro, os pastores e Marziam. Mais atrás, em semicírculo, entretendo a multidão dos fiéis, estão outros discípulos.

638.23Jesus está em pé sobre uma pedra larga, um pouco saliente, esbranquiçada na grama verde de uma clareira. O sol O envolve, deixando sua veste branca como a neve e fazendo seus cabelos reluzirem como ouro. Os olhos brilham de uma luz divina.

Ele abre os braços em um gesto de abraço. Parece querer apertar contra o seu peito todas as multidões da terra, que o seu espírito vê representadas por aquela turba.

Sua inesquecível e inimitável voz dá a última ordem:

– Ide! Ide em meu Nome evangelizar os povos até os extremos confins da terra. Deus esteja convosco. O amor Dele vos conforte, a sua luz vos guie, sua paz esteja em vós até a vida eterna.

Ele se transfigura em beleza. É belo! Está belo como e mais do que esteve sobre o Monte Tabor. Todos caem de joelhos em adoração. E enquanto já começa a se elevar da pedra onde estava, Ele procura mais uma vez o rosto de sua Mãe, e o seu sorriso alcança uma potência que ninguém nunca poderá reproduzir… É o seu último adeus à sua Mãe.

E Ele sobe… vai subindo… O sol, que está mais livre para poder beijá-lo, agora que nenhuma ramagem, mesmo rala, pode interceptar os seus raios, atinge com os seus fulgores o Deus-Homem, que sobe como seu Corpo Santíssimo para o Céu, e revela suas Chagas gloriosas que resplendem como rubis vivos. E tudo o mais torna o ar cheio de uma luz que tem o brilho de pérolas… É verdadeiramente a Luz que se manifesta por aquilo que é, neste último instante como na noite de Natal. Toda a Criação cintila com a luz de Cristo que ascende… E Jesus Cristo, o Verbo de Deus, desaparece da vista dos homens em meio a este oceano de resplendores…

Na terra só se ouvem dois sons no silêncio profundo da multidão extática: o grito de Maria, quando Ele desaparece: “Jesus!”, e o pranto de Isaque. Os outros estão emudecidos, num religioso espanto, e lá ficam, como quem espera, até que duas luzes angélicas e cândidas, em forma mortal, aparecem dizendo as palavras10 que estão escritas no capítulo primeiro dos Atos dos Apóstolos.

1 que se chama Maria, isto é, Maria Valtorta, mas é chamada de “pequeno João” (nota em 35.12), “violeta da Cruz” e (como dirá adiante) “Maria da Cruz”, ou (como em 105.6) “Maria da Cruz de Jesus” 2 lembrança longínqua, a da “visão” de 22 de abril de 1943 – mencionada em “Os cadernos de 1943” – que revelava a Maria Valtorta a sua missão e a introduzia nela. No dia seguinte, Sexta-feira Santa, acontecia o primeiro “ditado”. A promessa, da qual fala a seguir, é de 14 de março de 1947 e é mencionada na data de 16 de março: consta no volume “Os cadernos de 1945 a 1950”. 3 os profetas, por exemplo: Isaías 2,1-5; 49,5-6; 55,4-5; 60; Miqueias 4,1-2; Zacarias 8,20-23. 4 diz, como para Abraão em: Gênesis 22,15-18. 5 um discurso que já ficou longe no passado, no capítulo 258. 6 as palavras, que estão em: Sabedoria 2,23-24. 7 promete, em: Gênesis 15,1. 8 irmão… no seio puríssimo, como se narra em 365.8. 9 te chamarás Marcial, como previsto em 198.8, lembrando o menino romano, encontrado em: 508.4/7 - 509.3.7/9 - 538.1 - 550.8 - 623.3. 10 as palavras, assim como MV as transcreve numa cópia datilografada, são: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que vos foi tirado e que ascendeu ao Céu, sua eterna morada, virá do Céu, no tempo certo, assim como agora se foi” (Atos 1,11).



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