501. 501. Parábola dos filhos distantes.Cura dos dois filhos cegos do homem de Petra.


24 de setembro de 1946.

501.1É uma bela manhã de outono. Tirando-se as folhas amarelo-avermelhadas que cobrem o chão e nos fazem lembrar da estação, a relva está tão verde, com uma ou outra florzinha que já vem desabrochando nas moitas que renasceram depois das chuvas de outubro, e o ar está tão sereno, que faz pensar em um começo de primavera, muito mais do que as árvores de folhas perenes que se misturam às de folhas anuais e colocam uma nota alegre nas folhas novas, cor de esmeralda, nascidas nas pontas dos ramos, ao lado dos galhos despojados de outras árvores. E assim fica parecendo que elas estejam lançando suas primeiras folhas. As ovelhas saem dos currais e, balindo, dirigem-se às pastagens com seus filhotes do outono. A água de uma fonte, colocada no começo do povoado, brilha como se um diamante líquido a estivesse beijando, indo depois cair na bacia escura, produzindo um cintilar multicor perto de uma casinha de paredes enegrecidas pelo tempo.

Jesus se assenta em um pequeno muro que limita a estrada de um lado e fica esperando. Os seus estão ao seu redor, bem como os moradores do lugar; enquanto que os pastores, tendo que cuidar do rebanho, a fim de não se afastarem muito espalham-se pelos dois lados da estrada, na direção da planície.

Da estrada, que do vale sobe para o monte Nebo, por enquanto não está vindo ninguém.

– Virá depois? –perguntam os apóstolos.

– Virá. E nós o esperaremos. Não quero decepcionar uma esperança que nasce nem destruir uma futura fé –responde Jesus.

– Não vos sentis bem entre nós? Nós demos o melhor que tínhamos –diz um velhinho que está aquecendo-se ao sol.

– Melhor do que em outros lugares, pai. E a vossa bondade será recompensada por Deus –responde-lhe Jesus.

– Pois então, fala-nos de novo. Aqui vêm, às vezes, uns fariseus zelosos e uns escribas soberbos. Mas eles não têm palavras para nós. Está certo. Eles são os separados por sua posição acima de… tudo, e são os sábios. Nós… Mas será que não precisamos conhecer nada, nós, que a sorte fez nascer aqui?

– Na Casa do meu Pai não há separações nem diferenças para aqueles que chegam a crer nele e a praticar a sua Lei, porque o código de sua vontade é que o homem viva como justo para ter a recompensa eterna em seu Reino

501.2Ouvi. Um pai tinha muitos filhos. Uns tinham sempre vivido em estreito contato com ele, enquanto que os outros, por diversas razões, estavam mais ou menos afastados do pai. Contudo, sabendo eles quais eram os desejos do pai, podiam agir como se ele estivesse presente. Outros ainda, visto que estavam mais longe e desde o dia do seu nascimento haviam sido criados entre os servos, que falavam outras línguas e tinham outros costumes, esforçavam-se para servir ao pai naquele pouco que sabiam que lhe agradava, mais por instinto do que por terem aprendido. Um dia, o pai, que não ignorava que, apesar de suas ordens, os seus servos haviam deixado de tornar conhecidos os seus pensamentos para aqueles que moravam longe, porque em seu orgulho os julgavam inferiores e não amados pelo pai, pois não moravam com ele, quis fazer uma reunião com toda a sua família. E mandou chamar todos. Pois bem. Credes vós que ele os irá julgar pelas normas do direito humano, dando a posse dos bens somente àqueles que tinham estado sempre em sua casa, e não tão longe a ponto de ficarem impedidos de saber quais eram suas ordens e seus desejos? Pelo contrário, ele quis seguir uma norma completamente diferente. E observando bem o que faziam os que tinham sido justos por amor do pai, que eles conheciam apenas de nome, mas que tinham honrado em tudo o que faziam, chamou-os para perto de si e lhes disse: “Duplo é o vosso mérito por serdes justos, uma vez que o fostes somente por vossa vontade e sem serdes ajudados. Vinde e ficai ao redor de mim. Bem que tendes esse direito! Os primeiros sempre me tiveram, e todas as ações deles eram reguladas pelo meu conselho e premiadas pelo meu sorriso. Vós tivestes que agir por confiança e amor. Vinde. Pois em minha casa está preparado um lugar para vós, e faz tempo que está preparado, e a meus olhos não faz diferença ter estado sempre em casa ou ter estado longe dela. Mas existe diferença nas ações que, perto ou longe de mim, os meus filhos tiverem realizado.”

Esta é a parábola. E sua explicação é esta: os escribas e fariseus, que vivem ao redor do Templo, podem, no Dia eterno, não estar na Casa de Deus. E que muitos que estão tão longe, a ponto de mal saberem as coisas de Deus, podem entrar no seu Seio. Porque o que dá o Reino é a vontade do homem empenhada em obedecer a Deus, e não empenhada em inventar e acumular regras criadas por sua ciência.

Fazei, pois, tudo o que vos foi explicado ontem. Fazei-o sem aquele medo que paralisa, fazei-o sem ficardes pensando em, com isso, escapar do castigo. Portanto, fazei somente por Deus, que vos criou para amar-vos e para ser amado por vós. E tereis um lugar na Casa do Pai.

501.3– Oh! Fala-nos mais!

– Que vos devo dizer?

– Ontem Tu estavas dizendo que há sacrifícios mais agradáveis a Deus do que o de cordeiros e carneiros, e também que existem lepras mais vergonhosas do que as da carne. Eu não compreendi bem o teu pensamento –diz um pastor.

E termina:

– Antes que um cordeiro seja de um ano, e seja o mais belo do rebanho, sem mancha e sem defeito, sabes quantos sacrifícios é preciso fazer, e quantas vezes se tem que vencer a tentação de fazer dele o carneiro do rebanho e de vendê-lo como tal? Mas se por um ano se resistiu a toda tentação, e se cuidou dele, e se criou afeição por ele, pois ele é a pérola do rebanho, sabes como é grande o sacrifício de imolá-lo sem nenhuma utilidade e com dor? Pode haver sacrifício maior para oferecer-se ao Senhor?

– Homem, em verdade Eu te digo que o sacrifício não está no animal que foi imolado, mas no esforço que tu fizeste para conservá-lo e imolá-lo depois. Em verdade Eu vos digo que está chegando o dia no qual, como diz1 a parábola inspirada, Deus dirá: “Eu não preciso do sacrifício de cordeiros e carneiros”, e exigirá um sacrifício único e perfeito. E a partir daquela hora, todos os sacrifícios serão espirituais. Mas já foi dito, há séculos, qual é o sacrifício da predileção do Senhor. Davi exclama, chorando: “Se Tu tivesses desejado um sacrifício eu o teria oferecido, mas a Ti não agradam os holocaustos. O sacrifício oferecido a Deus há de ser o espírito ungido (e Eu acrescento: obediente e amoroso, porque se pode oferecer também sacrifício de louvor, de alegria e de amor, e não somente de expiação). Sacrifício oferecido a Deus há de ser um espírito compungido: “Um coração contrito e humilhado, ó Deus, Tu não o desprezas.” Não. Ele não despreza nem mesmo o coração que pecou e se arrependeu, pois é vosso Pai. E, então, como não haverá Ele de acolher o sacrifício do coração puro e justo que o ama? Este é o sacrifício mais agradável a Deus. O sacrifício de cada dia, da vontade humana à vontade divina, que se manifesta na Lei, nas inspirações e nos acontecimentos de cada dia. Assim também, não é a lepra da carne a mais vergonhosa e que exclui alguém da vista dos homens e dos lugares de oração, e sim, a lepra do pecado. É verdade que esta passa muitas vezes ignorada pelos homens. Mas vós viveis para os homens ou para o Senhor? Tudo terá fim aqui ou continua na outra vida? Vós o sabeis. E, então, sede santos, para não ficardes leprosos aos olhos de Deus, olhos que veem os corações dos homens. E conservai-vos limpos em vosso espírito, a fim de poderdes viver para sempre.

– E se alguém pecar gravemente?

– Que ele não faça como Caim, não faça como Adão e Eva. Mas vá prostrar-se aos pés de Deus e, com um verdadeiro arrependimento, peça-lhe perdão. Um doente, um ferido, vai ao médico para ficar curado. Que o pecador vá a Deus para obter o perdão. Eu…

501.4– Tu aqui, Mestre? –grita um, que vai subindo pela estrada bem coberto com um manto, e junto com muitos outros.

Jesus se vira a fim de olhar para ele.

– Não me reconheces? Eu sou o Rabi Sadoque. De vez em quando nos encontramos.

– O mundo é sempre pequeno, quando Deus quer fazer com que as pessoas se encontrem. E nos encontraremos ainda, rabi. E, por enquanto, a paz esteja contigo.

O outro não responde à saudação de paz, mas pergunta:

– Que estás fazendo aqui?

– Aquilo que vieste fazer, Eu já fiz. Para ti, este monte não é sagrado?

– Tu o disseste. E aqui venho com os meus discípulos. Mas eu sou um escriba.

– E Eu sou um filho da Lei. Por isso, venero Moisés como tu o veneras.

– Isso é mentira. Tu anulas a palavra dele com a tua, e queres que se preste obediência à tua e não mais à nossa.

– À vossa, não. Ela é vossa, mas não é necessária.

– Não é necessária? Que horror!

– Não, não é, assim como em tuas vestes não são necessários para proteger-te dos ares do outono esses variados e numerosos zizit que enfeitam a tua veste. Pois é a veste que te protege. E, assim sendo, das muitas palavras que estão sendo ensinadas, eu aceito as necessárias e santas, que são as de Moisés, e não me preocupo com as outras.

– Samaritano! Não crês nos profetas!

– Os profetas, nem vós credes neles. Se acreditásseis não me diríeis que eu sou um samaritano.

– Mas deixa-o, Sadoque. Queres falar com um demônio? –diz um outro peregrino que chegou acompanhado por outras pessoas. E lançando um olhar implacável sobre o grupo que está ao redor de Jesus, vê Judas de Keriot e o saúda de um modo zombeteiro.

501.5Poderia acontecer algum incidente, pois os moradores do lugar querem defender Jesus. Mas quem abre caminho, gritando, é o homem de Petra, acompanhado por um servo. Tanto ele como o servo têm uma criança nos braços:

– Deixai-me passar. Senhor, eu me fiz esperar demais?

– Não, homem. Vem a Mim.

As pessoas abrem caminho para deixá-lo passar. Ele vai a Jesus e se ajoelha, pondo no chão uma menininha que traz na cabeça uma faixa de linho. O servo o imita, pondo no chão um menino de olhos opacos.

– Os meus filhos, Mestre e Senhor! –diz ele.

E, nesta breve frase manifesta toda a sua dor e esperança de pai.

– Tiveste muita fé, homem. E se eu te tivesse decepcionado? E se não me tivesses encontrado? Se Eu te dissesse que não os posso curar?

– Eu não acreditaria em ti. Não acreditaria nem mesmo diante da evidência de não te estar vendo. Eu diria que Tu te terias escondido para provar a minha fé, e te ficaria procurando até te encontrar.

– E a caravana? E os teus negócios?

– Estas coisas? E que são elas em comparação contigo, que podes curar os meus filhos e dar-me uma fé firme em Ti?

501.6– Descobre o rosto da menina –ordena Jesus.

– Eu o cobri porque ela sofre muito com a luz.

– Será somente um instante de dor –diz Jesus.

Mas a pequenina se põe a chorar desesperadamente e não quer que se lhe tire a faixa.

– Ela está fazendo assim porque pensa que Tu a vais atormentar com fogo, como os médicos –explica o pai, lutando para tirar das faixas as mãozinhas da menina.

– Oh! Não tenhas medo, menina. Como te chamas?

A pequenina chora e não responde. Responde o pai por ela:

– Tamar, nome do lugar em que ela nasceu. E o menino chama-se Fara.

– Não chores, Tamar. Não te faço mal. Apalpa as minhas mãos. Elas não têm nada entre os dedos. Vem ao meu colo. Enquanto isso, vou curar o teu irmão e ele te dirá o que sentiu. Vem cá menino.

O servo lhe põe perto dos joelhos o pobre ceguinho com os olhos apagados pelo tracoma. Jesus lhe faz uma carícia sobre a cabeça e lhe pergunta:

– Sabes quem sou Eu?

– Jesus de Nazaré, o Rabi de Israel, o Filho de Deus.

– Queres crer em Mim?

– Sim!

Jesus lhe põe a mão sobre os olhos, cobrindo-lhe mais da metade do rosto. E diz:

– Eu quero. E que a luz das pupilas abra o caminho para a luz da fé.

E tira a mão. O menino dá um grito, levando as mãos aos olhos, e depois diz:

– Meu pai! Eu estou vendo!

Mas ele não corre para o pai. Em sua espontaneidade de menino, ele se agarra ao pescoço de Jesus e o beija nas faces, e continua agarrado ao seu pescoço com a cabecinha inclinada sobre o ombro de Jesus, procurando que as pupilas voltem a acostumar-se com o sol.

A multidão grita, ao ver o milagre, enquanto o pai quereria tirar o menino do pescoço de Jesus.

– Deixa-o. Não está me aborrecendo. Mas tu, Fara, dize à tua irmã o que foi que Eu te fiz.

– Foi uma carícia, Tamar. Parecia a mão da mamãe. Oh! Fica curada tu também e iremos brincar juntos outra vez!

501.7A menina, ainda com um pouco de relutância, vai colocar-se sobre os joelhos de Jesus, que a quereria curar até sem precisar tocar nas faixas. Mas os escribas e seus companheiros gritam:

– É um truque! A menina nos está vendo. É um conluio para fazer uma surpresa à vossa boa fé, ó moradores deste lugar!

– Minha filha é doente. Eu…

– Podes deixar! Tu, Tamar, agora estás boa, deixa que Eu te tire as faixas.

A menina, agora persuadida, o deixa fazer. E que vista, quando a última faixa cai. Duas feridas vermelhas estão no lugar dos olhos e delas gotejam lágrimas e pus. O povo solta um sussurro e sente um calafrio de dó, enquanto a menina leva suas mãozinhas ao rosto para proteger-se contra a luz, que a deve fazer sofrer de um modo horrível e, por sobre as têmporas avermelhadas, estão umas recentes queimaduras.

Jesus lhe afasta as mãozinhas e toca de leve aquela ruína, apoiando sobre ela sua mão e dizendo:

– Ó Pai, que criaste a luz para alegria dos viventes e deste pupilas até aos mosquitinhos, dá luz a esta pequena criatura para que te veja e creia em Ti, e da luz desta Terra entre na Luz do teu Reino.

E tira a mão…

– Oh! –gritam todos.

As feridas desapareceram. Mas a pequenina está ainda com os olhos fechados.

– Abre os olhos, Tamar. Não tenhas medo. A luz não te fará mal.

A menina obedece, um pouco tímida, e abre as pálpebras de sobre dois brilhantes olhos negros.

– Meu pai! Eu te estou vendo –e ela também se inclina sobre o ombro de Jesus a fim de ir-se acostumando pouco a pouco com a luz.

A multidão está num alvoroço de festa, enquanto o homem de Petra se lança, soluçando de alegria, aos pés de Jesus.

– A tua fé recebeu o seu prêmio. De agora em diante, o teu reconhecimento leve a tua fé no Homem até a mais alta esfera, à do verdadeiro Deus. Levanta-te e vamos.

E Jesus põe no chão a menina, que está sorrindo feliz, e se afasta do menino, levantando-se. Ele os acaricia ainda e gostaria de abrir o cerco de gente que se ajuntou para ver os olhos que foram curados.

501.8– Deverias tu também pedir a cura para os teus olhos anuviados

–diz um dos discípulos a um velho, que vai sendo conduzido pela mão por ter os olhos embaçados.

– Eu?! Eu?! Não quero a luz por meio de um demônio. Pelo contrário, a Ti eu grito, Ó Deus Eterno. Escuta-me! A mim! Para mim até a completa escuridão! Mas que eu não veja o rosto do demônio, daquele demônio, daquele sacrílego, usurpador, blasfemador, deicida. Caiam as sombras sobre meus olhos para sempre. As trevas, as trevas, para não vê-lo nunca mais, nunca mais!

Ele é que parece um demônio. Em seu paroxismo, ele bate sobre os olhos como se quisesse arrebentá-los.

– Não tenhas medo. Não me verás. As Trevas não querem a Luz e a Luz não se impõe a quem a rejeita. Eu me vou, ó velho. Não me verás mais nesta Terra, mas me verás assim mesmo em outro lugar.

E Jesus, com um cansaço que lhe muda aquele modo de andar próprio das pessoas muito altas, levemente inclinado para frente, vai tomando o caminho da descida. Está tão cansado que já está parecendo o Condenado que desce do Monte Mória, carregando a Cruz… E os gritos dos inimigos, instigados pelo velho furioso, são muito semelhantes aos urros da multidão em Jerusalém na Sexta-feira Santa.

O Homem de Petra, entristecido, com a menina que, apavorada, está chorando em seus braços, murmura:

– É por mim, Senhor. Por causa de mim! Tu fizeste tanto bem a mim! E eu quero fazê-lo a Ti! Coloquei sobre o camelo umas coisas para Ti. Mas que são elas em comparação com os insultos que estou te fazendo receber? Eu me envergonho de estar perto de Ti…

– Não, homem. Esse é o meu pão amargo de todos os dias. E tu és o mel que o tempera. O pão é sempre mais que o mel, mas basta uma gota de mel para adoçar muito pão.

– Tu és bom… Mas, dize-me uma coisa: que eu devo fazer para dar-te uma satisfação pelas injúrias que recebes?

– Conserva a fé em Mim. Por enquanto, como e o tanto que puderes. Daqui a não muito tempo… Sim. Os meus discípulos irão até Petra e até mais longe. Tu, então, segue a doutrina deles, porque serei Eu quem estará falando neles. Por enquanto, fala aos de Petra sobre o que Eu te fiz, para que, quando estes que estão ao redor de Mim e outros mais vierem em meu Nome, este meu Nome já não seja para eles um desconhecido.

501.9Aos pés da descida, já na estrada romana, estão parados três camelos. Um somente com a sela, os outros com o baldaquino. Um servo os está vigiando.

O homem vai até uma tenda e lá apanha uns embrulhos:

– Aqui estão –diz ele, oferecendo-os a Jesus–. Serão úteis a ti. Não me agradeças. Somente eu é que devo bendizer-te por tudo o que me deste. Se o podes fazer sobre os incircuncisos, abençoa-me a mim e aos meus filhos, ó Senhor!

E se ajoelha com as crianças. Os servos fazem o mesmo.

Jesus estende as mãos, rezando em voz baixa com os olhos fixos no céu.

– Vai. Sê justo e encontrarás Deus em teu caminho, e o acompanharás sem perdê-lo mais. Adeus, Tamar. Adeus, Fara!

E os acaricia antes que eles subam ajudados pelos servos, cada um para um camelo.

Os animais se levantam ao ouvirem o som dos cameleiros e se viram, começando o seu trote pela estrada que vai para o sul. Duas mãozinhas morenas se estendem para fora das tendas e duas vozinhas dizem:

– Adeus, Senhor Jesus! Adeus, pai!

O homem já está para montar, por sua vez. Ele inclina a cabeça até o chão e beija a veste de Jesus. Depois monta na sela e parte para o norte.

– E agora, vamos –diz Jesus, tomando por sua vez o rumo do norte.

– Como? Não vais mais para onde querias?

– Não. Não podemos mais ir!… As vozes do mundo tinham razão… E isso porque o mundo é astuto e conhece as obras do demônio… Vamos para Jericó…

Como Jesus está triste! Todos o acompanham, levando os pacotes dados pelo homem, entristecidos e sem dizerem nada.

1 diz, em Isaías 1,11; Amós 5,22; exclama, em Salmo 51,18-19.


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